One More Chance

12 Capítulo 12 - O Mosteiro


Notas iniciais
~3~ depois de um tempo , aqui estou eu quase nova em folha. Agradeço pelos comentários fofinhos e por todo o resto , vocês não sabem como fazem essa pequena escritora feliz *w* Espero que não tenham me odiado pelo que houve com a Amalia , foi necessário .__. Maximus é tão cruel e divo

Ela era indomável

Até mesmo na sua morte

2014 — Machu Picchu , Hotel Swissotel Lima . Peru.

Após uns segundos de silêncio na bela sala de estar aconchegante do Hotel , Alexander foi o primeiro a demonstrar alguma reação e quebrar aquela imensa tensão silenciosa. Com os punhos cerrados ele socou firmemente a parede de tom celeste. Franziu o cenho e soltou um suspiro desanimador. Voltou-se ao homem fardado denominando Benjamin Willis e o fitou amargamente nos olhos.

– O que esse cretino pensa que está fazendo com a minha filha ? — Alexander se referia à Lorenzo.

– Acalme-se senhor , não temos nada provado. Amanhã enviaremos outra equipe de busca para vasculhar o local onde sua filha desapareceu. Confie em nosso povo — Benjamin demonstrava um sorriso amistoso.

– Eu confiei e olha o que deu. Minha única filha foi sequestrada! — A ira do pai desamparado apenas aumentava.

– Calma meu amor, vamos confiar. Eu sinto que ela logo aparecerá — Diane Bingham abraçara delicadamente o marido na tentativa de acalmá-lo.

– Amanhã eu irei com vocês . Não me impeçam — Decretou o senhor Bingham em um murmúrio deprimente.

1411 — Romênia, Idade das Trevas.

Sentia o corpo dilapidado. Sentia-se mais imemorável que nunca. Ninguém viria ajudá-la, não depois da morte de seu pai e do incêndio na noite anterior. Era tudo culpa daquele desconhecido, aquele monstruoso homem. As palavras que Amalia lhe falara na outra manhã ainda ecoavam de forma desgovernada na mente frágil de Lúzia. Era tudo uma grande ironia, como uma peça de teatro. Não seria ela a protagonista enquanto o público inteiro ria aos montes devido a suas tragédias ?

"Você deve confiar nele "

Lúzia sabia exatamente que não deveria confiar em ninguém mas abriu sua guarda quando o viu com seu irmão. Afinal que mal aquele guerreiro com olhar deprimente poderia fazer a ela?

"O destino zomba de mim! "

A garota não conseguia conter a próprio dor , uma ferida quase incurável estava plantada em seu coração. A culpa estava a sufocando. Ter a esperança que Ricardo certamente viria atrás dela a deixava mais aliviada , era questão de tempo para ele chegar segundo a delicada garota.

A fogueira improvisada ardia calmamente, e do fogo, Lúzia tirou energia suficiente para curar-se. Ouvia das histórias de Amalia que o guardião do fogo chamava-se Salamandras, eram criaturas místicas com um poder imensamente destrutivo. Tais elementais desencadeavam emoções positivas ou negativas nas pessoas. Os seres flamejantes nunca foram vistos, mas algumas pessoas diziam que eles possuíam mais de seis metros de altura e convertem a cinzas quem ousar entrar em contato com eles. Todavia eles apreciam os humanos e os observam muito. Lúzia admirava tais criaturas, as achava incrivelmente chamativas e lindas. Amava ouvir quando Amalia falava sobre elas, era uma pena porém, eles jamais terem sido vistos.

Ali, perdida em cogitações sobre o lagarto flamejante não notou a movimentação que estava surgindo ao seu lado esquerdo, do canto onde havia a pequena estrada de terra por onde viera antes de entrar na floresta.

Quando notou tal movimentação era tarde demais para fugir ou se esconder . Um homem com vestes negras e olhar faminto surgiu em meio a floresta a fitando amargamente nos olhos. Fora tão rápido, uma imensa surpresa. Lúzia levantou-se tentando correr para a outra extremidade do local mas outro homem aparecera em sua frente brotando do meio das árvores , e dele mais uns quatro ao seu lado. Estava cercada , não havia como correr daqueles homens. Todavia havia fogo no lugar , ela nunca matara uma pessoa em sua vida mas não temia a isso.

Um outro homem de aparência mais velha saiu por trás da vegetação alta e cercada por árvores, Lúzia julgou que talvez ele fosse o líder. Mantinha-se parada, atenta a qualquer movimento.

– O que querem comigo? Não tenho nada a oferecer! — Lúzia grunhiu de forma descontrolada, evitando perder o controle e fazer as chamas baixas da fogueira subirem a um nível bastante elevado e ela ser acusada de bruxaria.

– Calma minha criança, não vamos lhe fazer mal — O homem com a aparência mais velha falou — Somos apenas servos de Deus. Fazemos uma rota a cada três meses para buscar alimentos, você sabe. Precisamos sobreviver em nosso mosteiro.

O monge parecia bastante gentil e acolhedor, as bochechas avermelhadas combinava com os cabelos ruivos. Possuía um imenso cordão de prata com um belíssimo crucifico. O homem devia estar na casa dos cinquenta.

– Então por que perderam o tempo de vocês e desviaram totalmente da rota entrando nessa parte da floresta? A rota fica pela estrada de terra pelo que sei, e estamos no meio do mato, senhor monge — Lúzia apenas fitava o monge mais velho , com um olhar assustador.

– Calma filha de Deus. Vimos fogo na floresta e pensamos que talvez fosse um homem precisando de ajuda.Servos de Deus procuram fazer o melhor pelas pessoas.

– Eu sou uma mulher, e preciso desesperadamente de ajuda — Decretou Lúzia de forma seca, eram servos de Deus, provavelmente não negariam ajuda a ela — O mosteiro de vocês fica muito longe?

Os monges entreolharam-se, como se conversassem silenciosamente com os olhares. Uns demonstravam espanto e desaprovando, entretanto o monge mais velho demonstrava paciência.

– Não negaremos ajuda a você, entretanto você é fiel a Deus? — Falou o mais velho.

– Sim, mais fiel do que você imagina — Afirmou firmemente.

– Eu me chamo Henrique Astaloș, queira nos acompanhar. É apenas três horas a pé e uma e meia a cavalo.

Sem hesitar, Lúzia acompanhou os monges até a estrada de terra .Todos montaram em seus cavalos, uns desajeitados , outros orando clamores a Deus.

Cavalgaram durante uma hora e meia em meio a vegetação de estepe . Lúzia não se deixou abalar pelo cansaço e pela dor que sentia em seu coração. A garota estava longe de estar em seu melhor estado, mesmo que seus ferimentos estivessem curados. A portadora do Salamandras estava muito atenta a qualquer passo falso que o humilde monge Henrique poderia dar. Esperar traição já estava virando costume. Entretanto ela precisava se alimentar e dormir um pouco.

Chegaram a um mosteiro um tanto simples. Corroído pelo tempo e cercado por uma grama baixa, era similar a um castelo todavia em proporções bem menores. Não possuía muralhas , era um alvo fácil se não fosse um mosteiro. Servos de Deus.

Monges entravam e saiam pela imensa porta de metal a todo momento, uns estavam ajoelhados perante a uma imensa cruz que ficava exposta no que parecia um jardim. Todos os sete monges e Lúzia desceram de seus cavalos. Garotos que aparentavam ter uns quinze anos apareceram e levaram os cavalos, provavelmente para alimentá-los e prendê-los. Lúzia ainda julgava aquilo tudo suspeito demais, deparou-se frente a frente com a incrível porta de metal a sua frente, o lugar onde ela provavelmente entraria, poderia ser sua salvação ou simplesmente apenas mais um degrau que ela teria de despencar.

Henrique foi o primeiro a manifesta-se, empurrou o portão exibindo um altar belíssimo com pinturas angelicais e paredes desgastadas pelo tempo. Fileiras de cadeiras de madeira alinhavam-se perante ao altar com uma única estátua de Jesus Cristo , o local tinha cinco portas, a que Henrique abrira , outras duas que davam a uma espécie de pátio pois Lúzia conseguia ver o gramado, uma ao lado de uma imensa pilar e outra ao lado do altar. O monge mais velho curvou-se para que Lúzia entrasse e o acompanha-se. Assim Lúzia o fez, passou pela porta ainda com um ceticismo imenso sobre os monges.

– Queria filha de Deus, quero que me acompanhe. Tenho assuntos a tratar com você , não hospedaremos filhos do demônio — Advertiu Henrique empurrando uma porta ao lado de uma imensa pilar. Provavelmente era ele que tratava da administração de tal lugar.

– Claro, senhor monge — Lúzia entrou na pequena sala simples onde vários livros decoravam imensas prateleiras e uma escrivaninha ficava a frente da porta e atrás dela uma imensa janela com vista para as montanhas dava um ar mais leve ao local.- É um lugar aconchegante — Admirou-se Lúzia.

– Nem tanto, nosso mosteiro é bem humilde — O homem sentou-se na cadeira posta atrás da escrivaninha — Agora, como a senhorita chegou aquela parte da floresta?

Lúzia havia perdido muito tempo cogitando várias desculpas, sabia exatamente as perguntas as quais o homem lhe faria. Seria terrível mentir para um homem de Deus, todavia ela não tinha escolha.

– Sou filha de um nobre. Estávamos no castelo Chevalier comemorando a coroação do novo rei. De repente um louco incendiou tudo, não consegui ver o rosto dele pois foi muito rápido . Apenas vi a correria . Um soldado tentando controlar a correria , motivado pela balbúrdia ... ele ... decepou a cabeça do meu pobre pai. Assustada , consegui fugir do castelo — Lúzia estava com a respiração pesada , lembrando da noite anterior — No meio da correria, peguei o primeiro cavalo que vi e parei indo em direção a floresta. Me chamo Sophia Baracci .

A essa altura Lúzia já derramava milhares de lágrimas, umas apenas para motivá-la em tal mentira.

– Minha cara Sophia, sinto muitíssimo. Perto do povoado onde fomos buscar comida, uma mulher nos avisou da tragédia que houve na noite anterior. Quero que saiba que tem meu total apoio.

– Eu agradeceria se o senhor me deixasse ficar aqui alguns dias, até que eu coloque minhas ideias em mente. Quero me livrar de todas as imagens da noite anterior.

– Você não podia esperar melhor ajuda, criança. — Levantou-se e foi em direção a menina — Agora me acompanhe, irei mostrar seus aposentos.

Lúzia seguiu o homem, ele entrou por uma das portas que dava em direção a uma espécie de pátio. Viu alguns monges no que lhe parecia um refeitório, alimentavam-se e sorriam com seus pães em mãos. Entraram em um corredor frio, repleto de imagens divinas. O corredor possuía várias portas, todas trancadas.

Subitamente, Lúzia ouviu um som abafado vindo de alguma daquelas portas . Todavia Henrique mantinha-se sério, como se não ouvisse nada ou como se não lhe interessava tal barulho. De repente, enquanto ainda andavam pelo corredor, Lúzia ouviu uma voz rouca gritar. Era um grito horrendo, transmitia muito pavor.

– O que é isso? — Perguntou ela um tanto encolhida.

– Não se preocupe, estamos quase chegando em seu quarto — Retrucou o monge com uma feição imensamente gentil. De repente, outro gritou ecoou por todo o corredor.

– Sem essa! Eu ainda não estou maluca , o que é isso? — Lúzia transmitia um olhar autoritário. Escutou um estalo, depois outro e depois vários. Virou instintivamente para trás pressentindo que algo estava atrás dela. O que viu foi perturbador demais, um homem usando uma máscara de médicos que lutavam contra a grande peste e um imenso manto negro pulou em direção a Lúzia a fazendo cair no chão. Ele estava em cima dela, com as mãos postas em seu delicado pescoço. Aos poucos foi apertando mais, Lúzia contorcia-se atrás de fôlego o qual não encontrava.

– HENRIQUE! HENRIQUE! A Peste está nela, ela vai trazer a morte a todos aqui. HENRIQUE! Me deixa furar a garganta dela aqui, vamos acabar com a prole do diabo. HENRIQUE! — O homem mascarado gritava desesperadamente.

Três monges surgiram no corredor e tiraram o homem louco de cima de Lúzia. Não fora uma tarefa fácil, ele gritava de forma louca e possuía muita força. Após de uma longa luta, retiraram ele de cima de Lúzia e colocaram nele uma coleira usada para prender lobos. O homem ficou agachado, como se realmente fosse um lobo preso. Imensas poças de sangue macularam todo o piso, o sangue brotava dos braços do homem. Como se ele estivesse desmanchando-se.

– Levem-no daqui — Ordenou Henrique ajudando Lúzia a levantar a qual estava atordoada .

– Ela me queimou! Eu estou infectado HENRIQUE! — O louco ainda gritava.

– Levem-no daqui imediatamente- Ordenou uma segunda vez . Observou o louco sendo puxado pela coleira pelos dois outros monges que apartaram a luta. O monge mais velho voltou-se para Lúzia com uma expressão séria — Quem é você , senhorita?

– Uma garota normal, eu só preciso de descanso... por favor, monge! — Lúzia clamava por ajuda ainda rouca pelo sufocamento — Esse louco quase me matou!

– Ele quase a matou ou você quase o matou? Eu vi a sua expressão, estava séria demais. Como se orasse algo para si mesma. Vi fumaça sair dos braços do homem e o sangue provou que eu não estava errado no que vira. É praticamente de magia? Pois será cremada agora mesmo.

– Por favor! Ele é um louco, eu não fiz nada com ele. Tem que acreditar em mim! Se eu fosse uma bruxa, como achas que eu teria entrado aqui? Deus deve ter me ajudado de alguma forma pois ele iria me matar — Lúzia respondeu firmemente ao homem que ainda a segurava fortemente pelo braço.

– Você tem razão, esse santuário jamais permitiria que tal aberração entrasse. Desculpe-me por isso — Henrique se recatou soltando a garota cuja a qual estava com imensos hematomas em seu pescoço e agora em seu braço esquerdo.

– Quem era ele?

– Um médico, viu tanta gente morrer por causa da peste que ficou em tal estado.

– E o que ele faz aqui?

Lúzia não estava ciente do que estava ocorrendo, afinal quem poderia estar? O mundo o qual ela conhecia estava quebrando a casca e dando espaço para algo doentio. Algo que envolvia Necromantes, bruxos, vampiros energéticos, generais maníacos por poder e principalmente crianças amaldiçoadas.

Notas finais
Então, essa parte do mosteiro é meio chatinha de escrever ... mas por favor, prestem atenção em tudo