One More Chance

4 Capítulo 4 - Mente Ígnea


Notas iniciais
Bem... espero que gostem desse capítulo . E eu sei que ainda está complicado, mas prometo que logo tudo fará um pouco mais de sentido

Manifestava seu poder nas sombras...
Converteu-se em um pérfido...

Acordara no meio de seu sono profundo. Ofegante. Incrédulo. Não era a primeira vez que Lorenzo tinha aquele sonho, aquele pesadelo. O corpo inteiro latejava , como se tivesse recebido um grande impacto. Tentava ministrar confiança a si mesmo , mas aquela cena comprometia todos os seus sentidos. Completando toda a bálburdia, Lorenzo ainda estava preso em uma cela completamente branca há uns quatro dias . Não recebia noticiais de Anna , e não sabia ao certo o motivo de ter sido detido. Tudo o que sabia era que precisava arranjar um jeito de sair do local.

Novamente as lembranças do último pesadelo cercaram sua mente e mais uma vez o fôlego fora suspenso. No pesadelo, ele via um imenso exército medieval marchando rumo a algo que ele desconhecia. Eles vinham em sua direção , com olhares sedentos e portando um ódio intenso. Em seguida a cena mudou completamente, em seus braços havia uma garota a qual ele não conseguia ver o rosto. Ela estava fria e não se mexia. O vestido estava completamente coberto por um tom rubicundo. Lorenzo sentiu seu coração se despedaçando aos poucos. Entretanto a cena não ficou restrita somente àquilo, Lorenzo agora se encontrava em um rio de sangue , milhares de corpos estavam jogados no chão. A cena era desagradável em demasia. Era sempre o mesmo pesadelo sombrio, sempre.

Precisava desesperadamente controlar sua própria inquietação. Precisava arquitetar um plano digno para sua fuga agora que se sentia um pouco melhor da última crise que tivera , crise a tal que o deixou com uma imensa dor de cabeça por esses quatro dias . A única coisa preocupante era Anna. Onde a garota estava ?

1409 — Romênia, Idade das Trevas

Os dias sem Ricardo perderam a cor para Lúzia , a vida convertera-se em uma imensa solidão. Passara-se apenas alguns meses após a partida do rapaz e tudo lá perdera a graça. Ninguém mais ficava do seu lado, ninguém queria saber se ela existia ou não. E isso dilacerava seu coração aos poucos. Uma ferida interna que não estava cicatrizando por um bom tempo. Entretanto Lúzia não só estava ferida por dentro. Contraíra uma doença a qual estava a matando aos poucos. Ela acreditava que era a tristeza tirando sua vida já que ela não tinha coragem para realizar tal tato. Nenhum médico sabia o que era e nenhum remédio inventado até então a ajudava a diminuir a febre e as dores nas costas. Estava assim a bem dizer duas semanas .

– Imperador, o que devo fazer ? Lúzia não está resistindo , creio que ela logo irá sucumbir- Perguntou um dos médicos contrato por Luíz . Estavam os dois na sala do trono. A incrível sala grandiosa , a qual possuía paredes de mármore e desenhos de anjos sob o teto . O trono era vermelho e branco. Era de tirar o fôlego.

– Ela é minha filha , não posso mandar tirar a vida dela. Chamem Amalia Antonius

. Ela vai saber o que fazer. Caso ela não saiba , preparem logo a cova para o fenecimento de sua vida — O Imperador tratava tudo relacionado a Lúzia com uma frieza colossal. Nem parecia que queria a menina viva.

– Mas senhor! Como pode apoiar as práticas daquela mulher imunda ? Ela está contaminando o nosso mundo — O homem mostrava um grande horror no olhar .

– É UMA ORDEM! — O imperador perdera a calma como esperado. Seus olhos azuis idênticos aos de Lúzia emitiam uma seriedade e seus cabelos castanhos que caiam sobre os ombros só ajudava mais no visual autoritário — A traga para Lúzia.

O médico não podia fazer nada , mesmo que sentisse um antagonismo enorme com relação a última ordem de seu Imperador . Retirou-se da sala e foi em busca da vila onde Amalia morava . A mulher a qual recebera ordem de levar até Lúzia , era famosa pela região. Todos temiam passar pela porta do chalé humilde dela. Diziam que ela praticava magia negra , mesmo que não tivesse nem vinte anos. Os boatos referentes a ela chegavam a ser cruéis . Afirmavam que a mulher sacrificava crianças e que as crianças pagãs corriam um imenso perigo se chegassem perto dela. Ela tinha uma própria orta , logo não precisava sair para os centros de comercio. Muitos nunca nem chegaram a ver seu rosto mas sabiam de sua existência. Por sempre usar roupas com tons escuros era acusada mais ainda de cometer práticas satãs.

Amalia morava longe dos centros comerciais da Valáquia . Era o último chalé de uma rua unitária e simples , porém com um toque de sofisticação. Todos os chalés tinham um pequeno beco do lado , fazia parte da decoração segundo os moradores . A mulher podia parecer muito jovem , entretando era uma grande erudita. O médico julgava que talvez essa fosse a razão da ordem do Imperador.

Após uns minutos controlando uma charrete , o médico chegou em frente ao chalé dela e sentia um imenso desagrado. Estava brincando com algo ígneo. Ainda muito hesitante , desceu e bateu bruscamente na porta feita de madeira a sua frente . Era verde e muito agradável o chalé. Aguardou alguns minutos e logo ela surgiu como um gato preto e sorrateiro após abrir a porta . Ela tinha um olhar astuto e usava um vestido rubro , seus cabelos dourados possuíam cachos que a faziam parecer uma santidade. Os lábios vermelhos como sangue demonstravam um leve sorriso exibido o qual irritava de todas as formas o médico.

– Pois não ? — Começou a falar , sua voz era incrivelmente doce.

– O Imperador convocou a sua presença. Terei de levá-la imediatamente — O homem tentava manter uma postura ereta diante a desconhecida e até então, bruxa.

– Eu tenho que cumprir essa ordem ? Me deixe em paz , não quero assuntos com aquele tirano — Mostrava-se irritada , não queria perder tempo com o homem então tentou bater a porta na face do médico quando ele colocou o pé impedindo que ela o fizesse. Ela olhou intrigada para ele.

– A Princesa... ela está entre a vida e a morte . Lúzia precisa de ajuda urgente — Ao terminar a frase, a mulher que antes parecia incrivelmente desinteressada ficou paralisada. Como se aquilo fosse um choque maior do que ela podia suportar — Você irá...

– Eu vou agora mesmo — Ela interrompeu o médico subitamente . Estava completamente agoniada e parecia querer correr contra o tempo. Qualquer que fosse o motivo que fizera suscitar tal aceitação vinda daquela mulher , ainda era um mistério sombrio para o médico — Leve-me até a criança.

Entrou no chalé ligeiramente pegou uma bolsa , saiu , subiu na charrete com o auxilio do médico de cabelos grisalhos e os dois seguiram caminho rapidamente sem perder mais tempo . Ele não demonstrava qualquer reação que fosse . Mas a mulher sabia o motivo da antipatia do homem . Todos a odiavam , queriam queimá-la viva. Não conseguia achar preocupante a situação e sim hilária. Podia perder a vida a qualquer momento se o rei a julga-se como bruxa. Afinal ela já teria queimado numa tentativa de purificação dos aldeões maníacos a muito tempo . Quem nunca permitia isso era o Imperador . Amalia sabia que havia algo errado. Ela sabia exatamente o que ele queria , era algo que somente ela poderia dar. De fato era uma praticante de magia celta mas não queria se julgada e queimada até a morte.

A charrete parou quando atingiram a entrada do palácio . Ele ajudou a mulher descer mesmo que a sensação de tocar sua mão fosse pedante . E a guiou até o quarto da menina sem dar explicações ao resto dos serviçais . Ao chegar no quarto , Amalia pediu que o homem a deixasse a sós com Lúzia , hesitante, o homem saiu do quarto e deixou as duas sozinhas .

Ela olhou para Lúzia a qual encontrava inconsciente, dormia profundamente portanto uma febre avassaladora. Respirou fundo , o que estava para fazer era algo completamente difícil. Fechou todas as janelas , e puxou as cortinas do quarto silenciosamente . Ainda estava no começo da tarde , qualquer luz do lado de fora poderia atrapalhar o que estava por vir. Acendeu todas as velas que lá se encontravam , jogou algumas ervas no chão as quais tinham um cheiro açucarado imenso. Foi até Lúzia e cortou a mão da garota, retirando um pouco sangue dela. Lúzia nem sequer moveu um músculo , estava fatigada demais para isso . A ilustre mulher colocou o sangue em um recipiente de vidro e foi até o centro do quarto. Pegou da bolsa um pouco se sal e com ele fez um círculo em volta de si , para sua proteção. E dentro do círculo havia uma vela negra que queimava de forma diferente, a fumaça negra que saia dela exalava um odor estranho, que entorpeceria qualquer um, mas Amalia matinha-se centrada.

– Vinde a mim , ó grande alma . Convoco teu poder! — Ao terminar a frase , todas as vela do quarto emitiam chamas três vezes maior do que anteriormente . Era como se o local inteiro tivesse em sintonia com a ilustre mulher. De repente todas as luzes apagaram e somente a que estava no centro do círculo, a frente de Amalia, estava acessa . Estava completamente escuro, uma escuridão anormal. Do teto, começaram a brotar luzes coloridas e as luzes iam decaindo cada vez mais . Estavam se unindo e dando forma a uma figura um tanto perturbadora. No final, a figura estava completa . Tinha o formato de um homem , com unhas que chegavam até o chão , pareciam mais garras. Não possuia olhos e a boca estava amarrada. O clima era tão pesado que a mulher nem conseguia aguentar.

"Por que me chamaste? "

Um som rouco e agudo penetrou na mente de Amalia , ela sabia que a pergunta vinha da entidade. Não fora fácil chamá-la até lá . Exigiu da mulher uma concentração intensa e a entrega de boa parte de sua energia. Chamara a entidade mais antiga da Valáquia. Nenhuma maga celta sabia ao certo a origem de tal entidade ,sabiam que ela se alimentava de sangue e que tinha uma energia colossal.

– Eu preciso que me conceda um pouco de sua energia. Será o suficiente para cuidar de uma criança que dorme aqui. — Amalia tentava conter o peso que sentia no ambiente . O peso a fazia querer dormir imensamente.

"Está fardada a morte necromante. O que tens a me oferecer ?

Amalia sabia do que se tratava a última frase que ouvira da criatura imóvel a sua frente. A energia do ser era colossal , mesmo que a entidade desse um pouco da energia para ela , ela podia correr o risco de morrer por não suportar a pressão.

– Eu tenho o sangue de um demônio. A menina que dorme nesse quarto porta o demônio Salamandras . Uma valiosa ferramente para a Ordem.

"Não me envolvo com essa Ordem ,Necromante. "

– Eu sei , mas o sangue dela vale a pena para você . Ele é o alimento perfeito . Eu terei em mãos essa criança , sabe o valor dela ? A Ordem fará de tudo para tê-la.

"Dê-me o sangue e arque com as consequências " , concordou por fim.

Amalia apagou a vela negra e sem seguida todas as outras voltaram a acender , o pequeno frasco de vidro o qual portava o sangue de Lúzia agora desaparecera. E o ambiente voltara a ter um clima menos pesado. Se ela ainda estava viva quer dizer que suportara a energia que a entidade deu. A necromante sabia exatamente o que estava ocorrendo com Lúzia , o demônio dentro dela estava saindo e ela ainda não estava pronta para suportar o peso dele. Se ela selasse ele por um pouco mais de tempo a menina poderia conseguir controlá-lo. Ela sabia que a menina portava tal criatura quando sua mãe ordenou para que ela nunca ficasse perto de Lúzia , pois Lúzia mancharia os solos e traria destruição , ela tinha o Lagarto de Fogo dentro de si , o qual todo o ser mágico deveria temer.

Lúzia manifestando seu poder é tudo o que Ordem mais teme. Pensou. Com um pouco mais de tempo posso trazê-lo para mim novamente. E acabar com o que prende ele. Essa menina é a chave.

A mulher sorria de forma irônica , como se aquilo tudo estivesse conspirando a seu favor. Voltou-se para Lúzia. Era mais prático selar o demônio da menina , manipulou boa parte de sua energia para as mãos , canalizou mais energia do fogo que estava presente no local. Projetou essa energia para Lúzia , a estava selando. A energia da entidade misturada com a do fogo e a dela própria ao ser transmitida para Lúzia a ajudaram a trancar o que estava dentro dela. Estava feito. A menina fora selada e não transmitia mais perigo de vida. Só precisava de um pouco de tempo para se recuperar totalmente.

A necromante saiu do quarto , sentido-se exausta . Gastara muita energia na transição para o mundo astral. Ela aprendera técnicas de necromancia desde os cinco anos , sua mãe lhe ensinou tudo o que sabia antes de morrer há dois vítima de uma doença que a fizera tossir sangue até morte. Seu ambiente não se restringia somente a necromancia , ela utilizava magias celtas , canaliza energia dos elementos. Por um minuto um pensamento estranho invadiu seus pensamentos. Como o Imperador sabia que só ela podia resolver essa questão ? Obviamente ele já sabia a filha não era normal, já sabia que havia algo dentro dela . Por que ele simplesmente não a entregou para a Ordem ?