One Heart
2 Seu mordomo - Perigo
Notas iniciais
Sua vista estava embaçada e ouvia-se apenas o som de algumas vozes que ele não conhecia. Ciel abria os olhos aos poucos, e quando deu por si, estava com os braços e pernas amarrados, caído no chão. O jovem conde não tinha forças para se levantar, pois ainda estava sonolento.
— Onde... estou?! – Ciel conseguiu falar.
— Olha só, a bela adormecida resolveu acordar! – disse um dos homens, rindo de Ciel.
— E aí, Conde Phantomhive, — o mesmo homem de cabelos negros que abrira a porta da carruagem para Ciel já levantava o garoto pelo cabelo – como se sente sendo tratado como lixo?!
Esse homem se chamava John. Foi o que Ciel conseguiu ler em sua blusa, antes de ser arremessado contra a parede. Os outros homens riam da expressão do garoto, que mesmo machucado, tentava se manter sério.
— Ah, o condezinho está com raiva, vejam só! – Um zombava.
— Seus... vermes...! – O ódio transparecia pelos olhos de Ciel.
— Com quem você pensa que está falando?! Han!? – John dizia, e ao mesmo tempo, chutava a barriga de Ciel – Não tente dar uma de valentão aqui, seu moleque! – e novamente o garoto apanhou daquele homem.
Ciel encolheu-se no chão. Apesar de sempre manter o semblante sério, não podia esconder a dor que sentia. Ele não sabia onde estava, nem quantas horas ficou desacordado. Mas tinha certeza que as coisas ainda piorariam.
Na mansão Phantomhive, todos trabalhavam como de costume. A hora do almoço estava chegando, e Sebastian estava na cozinha, preparando a refeição.
— Sebastian, acha que o jovem mestre vai retornar antes do almoço? – Bard perguntava, enquanto cortava alguns legumes.
— ... – Sebastian permanecia em silêncio, apenas provando o molho que fazia.
— Hey, Sebastian! – Bard insistia.
— Deixe que ele resolva os assuntos da maneira que lhe couber ser o certo... – Sebastian ainda falava sem se virar para Bard.
— Sei... Bom! Que ele volte logo, por que senão, quem vai comer toda essa comida?! – Bard ria, mas não se dava conta da situação em que Ciel estava.
Sebastian saiu da cozinha e foi até o jardim ver como estavam as rosas. Só ele podia perceber que algo de errado poderia estar acontecendo com seu mestre. Ele se lembrou do jovem conde, nervoso, mandando que ele permanecesse na mansão e que não o acompanhasse. E só lhe cabia obedecer...
Gotas de sangue pingavam no chão. Era a boca de Ciel, que estava sangrando, pelos inúmeros socos que lhe haviam dado. Mesmo assim, o jovem tomou a palavra:
— O que um bando de lixo como vocês quer com a Cia. Phantomhive?! Não agüentam a concorrência?! – Ciel sorria cinicamente.
— Seu atrevimento não tem mais fim, moleque!? – Um outro homem bateu novamente em Ciel – Tá querendo apanhar mais, não é?!
— Tudo bem, Zack, deixe que ele ouça algumas coisas agora. – Jonh parava a mão de Zack, antes que esse batesse novamente em Ciel.
— Seu...! – Ciel tentava falar mais alguma coisa, mas foi interrompido.
— Ora, jovem conde, nós tentamos inúmeras vezes fechar um acordo com a sua companhia. Todas as vezes que tentávamos ir a sua mansão, aquele seu mordomo dizia que não era hora. Quando finalmente conseguimos ir até lá, você não estava, então aquele tal de Sebastian tomou a palavra e simplesmente ignorou nossa proposta. – Jonh falava com um ar de superioridade – Então é simples, meu caro conde Phantomhive...
Ciel era mantido de pé por mais alguns capangas de Jonh, e olhava enfurecido para aquele homem.
— Eliminação da concorrência. – Jonh completou sua fala.
Ciel já estava acostumado as ameaças que levava por ser herdeiro da companhia de seu pai. Mas dessa vez, o jovem conde se espantou com a tranqüilidade com que Jonh falava tudo aquilo.
— Hahaha, onde está aquele seu fiel mordomo agora, han!? – Zack ria do garoto, segurando-lhe pela gola da blusa.
Ciel virou seu olhar para o lado, lembrando-se da briga que teve com Sebastian antes de sair. Se ele não tivesse dito tudo aquilo, nada disso estaria acontecendo... Não! Ele queria se ver livre daquele demônio, pelo menos uma vez... Mas...
Já passava a hora do almoço. Sebastian já havia colocado os pratos e talheres sobre a imensa mesa da sala de jantar da mansão. Com uma pequena toalha nos braços, ele se mantinha em pé ao lado da cadeira de Ciel. Mas o jovem mestre não estava lá dessa vez. O mordomo olhava pra o lugar vazio, sem dizer nada, mantendo o mesmo semblante desde a hora que Ciel havia saído. Finny, Bard e Maylene almoçavam lá fora.
— O jovem mestre já deveria ter retornado, não?! – Tanaka acabara de entrar na sala.
— Talvez ele tenha passado em outros lugares... – Sebastian sabia que não era isso, mas não falaria nada com Tanaka.
— Que tal ligar para a casa de Lady Elizabeth?! Talvez ele esteja lá. – Tanaka insistiu.
— Obrigado, Tanaka-san. – Sebastian agradeceu, e retirou-se da sala de jantar.
Ciel estava sentado, encostado na parede de uma sala suja. Algumas horas haviam se passado desde a conversa com Jonh. O jovem ainda estava com as mãos amarradas, mas seus pés já haviam sido soltos. Também possuia muitos hematomas pelo rosto e braço. Ele mal podia limpar o sangue que estava no canto de sua boca. Desde que saiu, não havia comido nem bebido nada, por isso, seu corpo estava enfraquecido.
— Conde! Como vai você?! – John entrou rindo na sala, junto de Zack e mais dois homens.
— O que vocês querem!? – Ciel falava com dificuldade, com a cabeça abaixada.
— Ora, não fique nervoso. Apenas viemos conversar. – E John ria mais cinicamente do que antes.
— ... – Ciel permaneceu em silêncio.
— Ouça... como foi perder seus pais naquele incêndio?! – John estava tentando abalar o psicológico do jovem conde.
— ... – Ciel apenas levantou a cabeça e olhou pra Jonh.
— Deve ter sido muito triste ver os dois morrendo, bem na sua frente, não é?!
— Cale a boca, idiota... – Ciel começava a sentir como palavras poderiam ser duras.
— Hmm... – John via que começara a atingir o garoto – Um pai tão atencioso como o seu, uma mãe carinhosa, uma casa linda... Tudo sendo engolido pelo fogo... que cena triste não?!
— Já disse para calar essa boca! – Ciel sempre tentava não se importar com o fato da morte de seus pais, mas aquele dia, aquele sonho, tudo modificou a mente do garoto.
— Ora, não precisa gritar. Eu só acho que ver os pais morrendo na frente dos próprios olhos é uma cena bem dolorosa não!? Agora eu me pergunto... por que você não morreu também?! – Jonh estava nervoso.
— Desgraçado!!! – Ciel tentou avançar pra cima de John, mas foi bruscamente parado por Zack, que lhe deu outro soco na barriga.
— Você deveria ter morrido naquele maldito incêndio!!! Moleque idiota! Maldita Cia. Phantomhive! – John chegou perto de Ciel e agarrou-o pela blusa – Maldito Ciel Phantomhive!!! – E atirou-o contra a parede novamente.
Ciel bateu bruscamente na parede, fazendo com que ele tossisse algumas gostas de sangue e caísse no chão.
— Você vai sofrer aqui, e sentir a mesma dor que seus pais, aqueles dois idiotas, sofreram antes de morrer! Vamos! – John já saia da sala com os outros homens, que riam da cara do garoto.
Ciel estava com a cabeça baixa novamente, e com um profundo ódio nos olhos. Sem perceber, uma lágrima escorreu de seu olho direito, aquele amaldiçoado pelo contrato com Sebastian. O jovem conde levantou a cabeça e olhou para o teto. Nesse momentos, outras lágrimas brotaram em seus olhos e ele já chorava. Ciel era forte, nunca chorara após Sebastian ter o salvo da morte. Mas dessa vez, o choro brotara em seu ser como algo refugiante. Naquele momento, Ciel sentia a falta dos pais como nunca sentira antes.
O sol já se punha, e Sebastian encontrava-se no jardim, cuidando novamente das rosas que o jovem tanto gostava.
— Ele não está na casa de Lady Elizabeth. – Tanaka avisava.
— Tudo bem, logo ele aparecerá, obrigado Takana-san. – Sebastian curvou-se para agradecer.
Tanaka voltou para sua forma tranqüila, e tomou mais um copo de chá, enquanto Maylene se aproximava se Sebastian para ajudá-lo com as rosas brancas. Ela colocou uma cesta ao lado do mordomo, e colhia as rosas que ele já havia cortado.
Sebastian observava o sol se pôr, enquanto cortava algumas rosas. Seu olhar estava longe. Algo havia caído na pétala branca da rosa, deixando-a manchada de vermelho. Era sangue. Sebastian havia se cortado. O mordomo perfeito, que nunca errou nada, havia perfurado a mão com os espinhos das rosas. O que estaria acontecendo com o jovem mestre nesse momento? Será que o mordomo estava... preocupado?!
— Sebastian-san! – Maylene gritou quando viu a mão do mordomo sangrando.
— Tudo bem Maylene, foi só um corte... – Sebastian tirou do bolso um lenço e amarrou na mão. Abaixou-se para pegar a rosa que o havia cortado, e olhou para ela, procurando a imagem de seu jovem mestre.
Novamente, Jonh e os outros homens entraram na sala. Já era noite, e o rosto de Ciel estava manchado pelas lágrimas.
— Chorando, Conde Phantomhive?! – Jonh pegou Ciel pelo cabelo e zombou de seu rosto – Que comovente!
Ciel mantinha o olhar embaçado, e não disse nada.
— Coloquem-no no porão e tranquem a porta! Deixem-no sem comer e beber por essa noite. Amanhã finalizaremos o serviço. – E John saiu rindo.
— Vamos moleque! – Os outros homens arrastavam Ciel em direção ao porão.
Ciel mantinha a cabeça baixa e não tinha forças para andar. Quando chegaram na porta do porão, os dois homens o jogaram para dentro do local escuro.
— Boa noite, conde! – Os dois trancaram a porta e saíram rindo.
Ciel estava cansado, machucado, com fome e muito frio. A única luz que penetrava aquele local era a luz da lua. Alguns ratos passavam por perto dele e, caído no chão, ele pensou em seu mordomo. Ora, bastava só uma ordem para que Sebastian aparecesse e tirasse ele dali. Mas não. Ciel havia brigado com seu fiel servo. Não queria chamá-lo. Não tinha coragem, depois de tudo que tivera lhe dito. Ele só queria mostrar que conseguia se virar sem seu mordomo, aquele que transformou seu sofrimento em angústia.
— Liberdade... – Ciel murmurou consigo. Era tudo que ele desejava.
Outra lágrima desceu por entre o tapa-olho que cobria seu olho direito. Ele não queria chorar, mas a única coisa que o confortava naquela hora eram suas próprias lágrimas.
Só lhe restava dormir. E esperar pelo dia seguinte.
Notas finais
Que dó me deu do Ciel quando eu tava escrevendo essa fic ç_ç
Waaaa
Sebastian está te seduzindo [de novo] para mandar reviews... LOL
tks a todos :X
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