One Day

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Yo, espero que gostem. Para detalhes, explicações e blablabla vide notas finais.

Alois abriu os olhos lentamente, acostumando-se pouco a pouco com a claridade. Sentou-se na cama e espreguiçou-se enquanto esfregava os olhos cansados. "CLAUDE!" disse alto para que o mordomo aparecesse e lhe vestisse, mas depois de um tempo sem resposta lembrou-se de que naquele dia não haveria ninguém na mansão. Ele estava só. Hanna, Claude e os gêmeos foram dispensados por ele mesmo. "Sumam da minha frente" foi a única ordem que Alois lhes deu na noite anterior enquanto mexia as mãos com desprezo.

Ele precisava daquele dia, daquele momento só consigo mesmo. O que era problemático, considerando que as vozes em sua cabeça não cessavam por um instante, mas ele aprendera a conviver com aquilo. De certa forma. Levantou e se arrumou sem jeito, já que perdera a prática. Penteou seus cabelos e se pôs a andar. Tinha algumas coisas a serem feitas, pois de noite todos estariam de volta.

Claude havia deixado alguns doces para Alois, mas o garoto não sentia fome. Estava pensativo. "Quantos anos fazem?" Não conseguia lembrar-se direito. Havia trocado de nome e de vida, deixado muitas coisas para trás. Às vezes não conseguia discernir as mentiras das verdades. Nem prestava atenção se os pensamentos lhe escapavam pela boca. "Quantos anos ele teria? Bem, acho que não importa...".

Ele caminha pela mansão buscando uma despensa em particular. Com toda magnificência que possuia, tropeçou num tapete grosso que cobria o chão de uma das salas. Ele olhou para os lados e agradeceu por estar sozinho. Então deu uma risada rápida e seca. "Alguém precisa ser punido por esse acidente", pensou. Levantou-se com lentidão e voltou a andar. Adentrou a despensa e logo acendeu a luz. "Está aqui em algum lugar".

Depois de alguns minutos de procura encontrou uma pequena caixa de madeira com detalhes entalhados. Retirou de dentro um pequeno broche prateado e observou-o. Era caro e brilhante, custara uma pequena fortuna. Bufou um pouco "Parece bom o bastante". Levantou-se e colocou o broche no bolso. Faltavam só mais alguns preparativos.

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O céu estava cinza, o que parecia combinar com seus pensamentos. Um vento frio passava pro seu rosto e ele ponderava se deveria voltar para a mansão e pegar um casaco. Mas arfou e continuou o caminho por uma trilha que levava ao rio que passava distante de onde morava. "Se Claude estivesse aqui, ele poderia me levar bem mais rápido" disse pensando em seu mordomo/demônio. Aquele que não estava interessado em nada seu, apenas em um condezinho de olhos azuis... bufou e afastou tais pensamentos da cabeça. "Não hoje" falou alto, percebendo o quão estranhamente libertador era estar só.

Não satisfeito, começou a correr pelo campo até que seu rosto ficasse vermelho de cansaço. Queria... não sabia exatamente o que queria. Estar vivo ou pelo menos sentir que estava? Fazer algo de útil com o que restava de sua vida? Apenas infernizar o máximo de pessoas? Ele sorriu. Era um caso perdido e sabia disso. Era uma das poucas coisas que sabia.

Logo se cansou da corrida, mas já chegara a beira do rio. Sentou-se lá. Ajeitando no chão as coisas que trouxera em sua cesta. "Ora, se não sou a própria chapéuzinho... exceto que o lobo mau está sob meu controle e a vovózinha, ah, quem liga para aquela velha?" Riu olhando para os pertences. Uma vela, uma caixa de fósforos, uma bebida alcoólica qualquer. Viu que haviam belas flores por perto. Perfeito.

Tomou um breve gole da bebida, que desceu queimando em sua garganta. Deixou-a de lado e acendeu a vela com os fósforos. Retirou o broche de seu bolso e olhou-o novamente. "É um broche caro sabe? Dá pra comprar muitas coisas com isto aqui... infelizmente nada que realmente preste..." levantou-se com agilidade e jogou o broche nas águas agitadas do rio. "Porque você não está aqui para aproveitar!" falou gritando para o rio. Era um louco falando sozinho. Pegou a vela que estava ali e ateou fogo nas flores por perto. "Viraremos cinzas de qualquer jeito não é mesmo?" Olhou para a garrafa de bebida e levou-a aos lábios pela segunda vez, já estando um pouco mais acostumado ao seu gosto.

Depois jogou o restante do conteúdo nas flores e no mato ao redor, permitindo que o fogo se alastrasse. Deixou que a cesta queimasse também. Virou-se de costas para o fogo que aumentava gradativamente. Uma lágrima escorreu por seu rosto e ele a deixou cair. Uma única lágrima.

Depois começou a andar de volta para a mansão. Sentia-se vazio. As vozes amenizaram um pouco, mas logo retornariam, como sempre acontecia. Parou por alguns instantes para olhar o rio. "Feliz aniversário Luca. Queria que você estivesse aqui".

Notas finais
O Alois é um personagem que eu considero difícil de se escrever sobre e como ainda não sou muito acostumada com isso, peço que relevem. A fic só tem ele mesmo porque tentei focar em seus pensamentos e emoções. Vou tentar melhorar e pra isso preciso de um feedback ok? Ok. Sayonara.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!