Notas iniciais
Ola pessoas, espero que estejam bem. Voltei com mais um capítulo, espero sinceramente que gostem. Obrigada as pessoas que estão me acompanhando. Desculpem o tamanho, mas não consegui fazer que fosse menor e acho que os outros terão mais ou menos o mesmo tanto de palavras. Enfim, sem mais delongas, boa leitura!

5 Anos depois

Abriu seus olhos e não viu muito além do que a luz da janela permitia, sua sorte é que seu vestido estava no alcance da iluminação. Levantou devagar e com cuidado para não acordar Viktor, se ele insistisse para ela ficar teria que ser rude, e isso era tudo que não precisava esse horário.

Levou alguns segundos para se vestir, e não satisfeita, pegou a blusa azul marinho do homem e a vestiu. A blusa tem o cheiro dele, perfume caro e amadeirado. Esperava que ele não se importasse, talvez pense que é uma ladra de blusas quando acordar pela manhã e não achar sua camisa. Talvez até de uma conferida na casa para ter certeza que nada sumiu, mas agora isso não era muito relevante. O que importa é a blusa azul, que cobre mais do que o seu vestido.

Confere meu visual no espelho grande, que estava alguns metros dela, preso na parede que tinha uma porta ao lado, e se sente satisfeita. Tateia em silêncio o chão a procura de seus sapatos e os acha perto do pequeno sofá preto que tem no quarto, e em cima do sofá sua bolsa. A abre se certificando que nada foi esquecido e logo a joga no ombro. Decidindo sair descalça, pé por pé, ajeita suas sandálias de salto, louboutin, nas mãos, e começa a se encaminhar para fora. Antes de fechar a porta atrás de si, ela da uma pequena conferida no homem, quem tem um lençol cobrindo apenas da cintura para baixo, e dorme um sono tranquilo e pesado.

Viktor foi uma ótima distração para noite, e coloca ótima nisso, mas ela tinha que voltar para a realidade. Em uma despedida silenciosa Hermione fecha a porta atrás de si e caminha o mais silenciosamente possível, se desviando de alguns moveis, até a saída.

De pé no passeio ela calça as sandálias, observa a rua que tem um pequeno movimento de pessoas, e espera o carro que tinha pedido por aplicativo.

Demorou um tempo para ele chegar e ela praguejou o motorista em pensamentos por isso. Também praguejou a si mesma por não ter ido com seu carro, mas planejava beber, e beber e direção nunca foi uma combinação boa, já que ela era meio fraca para os líquidos fortes, por isso espera o carro de braços cruzados e levemente irritada. São cinco da manhã e só queria estar em casa um pouco antes das seis e conseguir dormir, pelo menos, por uma hora, antes de se arrumar para o trabalho. E outra, não queria ter que encontrar a cabeça de Viktor a procurando pela janela.

Nem deveria ter saído, essa é a verdade, mas agora que a coisa estava feita, se arrepender é inútil. Quando o carro finalmente chega ela entrou aliviada, e torcendo para que ele não ficasse magoado por causa da camisa, e se ficasse, ela não poderia fazer nada. Mesmo a noite tendo sido boa ela torceu em pensamentos para não se verem mais. Seria vergonhoso ter que se explicar porque a camisa dele desapareceu, mesmo que ele acredite que foi por causa do cumprimento do meu vestido, muito curto para as cinco da manhã, e até que a conversa chegasse nós finalmente ela já teria morrido de vergonha.

Sua sorte foi que pegou o número dele. Depois de um tempo desistiu de passar o seu. Dava menos trabalho mentir que mandaria mensagem e não mandar, do que receber e ter que fingir que não viu. Não tinha como explicar aos homens que só uma noite já estava de bom tamanho. No máximo duas e isso não era nada pessoal, só ela quem não gosto de estender as coisas. Nas primeiras vezes que fez isso esperava que eles entendessem, já que os homens são assim. Querem apenas uma noite de diversão e pronto, mas quando foi a vez dela de fazer, ela sentiu que eles pareceriam ficar meio irritados por não estarem no domínio da situação e quando ela não implorava por um segundo encontro, ou negava um segundo encontro, eles insistiam tanto que ela acabava aceitando, vencida pelo cansaço.

Jamais iria entender a raça masculina e nem tentaria. Resolveu mudar a sua estratégia então, e ate o momento dava certo.

— Moça, chegamos. — O motorista avisa a assustando. Hermione se sentiu tão perdida em desculpas que daria a Viktor sobre sua blusa e não percebeu que estavam perto.

Paga de bom grado e agradece saindo do carro para entrar. Pega suas chaves na bolsa e abre a porta de entrada, que fica ao lado da entrada da garagem, entrando na área aberta do jardim de grama sintética. Faz o percurso de pedra, praguejando os saltos, que fazem um barulho alto para aquele silencio todo da madrugada, contra a pedra. Foi por isso que os colocou na calçada da casa de Viktor, o barulho provavelmente o acordaria. Sobe os pequenos degraus do deque de madeira, chegando a porta de vidro, e puxa a porta de correr para o lado. Ao entrar sente o calor do hall abraça-la. Fecha a porta e se ocupa a tira as sandálias, e depois caminha para a sala que é em conjunto com a cozinha.

De luzes acesas consegue avistar a taça abandonada. O remorso começa a voltar, e com ele as teimosas lágrimas. Parece instantâneo. A taça, um gatilho para suas emoções. Emoções essas que passou a noite toda tentando evitar e no fim parece que foi em vão.

Talvez porque não fosse tão forte quanto imaginava, ou porque datas sempre seriam um martírio para ela. Mesmo que tenha superado o seu passado. Foram sete anos, claro que ainda teria lembranças, contudo elas sempre viam acompanhadas de sorrisos, grata por algo que tinha acontecido em outra época de sua vida, mas hoje, hoje a saudade parecia martelar em cada parte do seu coração.

Esse foi o motivo por ela ter saído e largado a maldita taça, que agora parecia conter uma forma de aviso de que aquilo aconteceria, para tomar um banho e ir a balada mais lotada e encontrar alguém que pudesse a distrair. Um dos motivos também para ela ter escolhido o vestido de alças que lhe bate um palmo antes do joelho, de seda e caimento único, na cor vinho, acompanhado de uma fenda provocante de três centímetros em cima da coxa, para ser meu aliado. E os saltos, seu par de sandália preta, meia pata, com um transpassado simples em cima do pé e o solado vermelho, para dar a ajuda final.

A maquiagem foi algo básico que ornou com a escolha errada que Hermione sabia estava fazendo, de sair aquela noite, mas fez e conheceu Viktor, sua distração de covinhas atraentes, olhos castanhos profundos e pele cor de pêssego. Ele a viu e se aproximou sorrindo. Tiveram uma conversa breve para apresentação e quando ele se apresentou dizendo seu nome ela sorriu radiante e satisfeita. Talvez seu sorriso tenha feito Viktor imaginar que estava no caminho certo, já que pediu uma bebida para ela, mas mal ele sabia que a mesma estava rindo porque tinha gostado de seu nome. Fácil de ser lembrado e também de ser esquecido.

E mal sabia ela que jamais esqueceria seu nome porque tinha vindo com a camisa dele e porque ele era parte do meu remorso. Bom, as vezes o mundo dá voltas mais rápido do que esperamos.

Olha o relógio, são quase seis. O sol está a caminho e Hermione sabe que seu sono foi apenas aquele que teve na casa de Viktor.

Pega a taça de vinho e a saboreia devagar. O gosto adocicado do vinho quente, da forma que ela não gosta, em conjunto com o amargo do remorso, parecem a combinação perfeita para castiga-la de sua precipitação e imprudência. No entanto, começou a ser teimosa consigo mesma, em relação aos seus sentimentos, depois dos cinco anos que passaram de seu divórcio e isso a fez começar a querer dominar algo que ela sabia que não conseguiria. Mas permaneceria tentando, mesmo que fosse derrotada a maioria das vezes, como agora.

— Onde você estava? — Leva um susto soltando um grito e logo cobre a boca com a mão se condenando pela blusa de Viktor, que agora tinha uma mancha roxa enfeitando o azul.

— Eu, por um momento, esqueci que dividia a minha casa. – Hermione diz, limpando discretamente a lagrima em seu rosto e tirando a blusa, constando ter manchado seu vestido. O que não era nenhum problema, ele no momento não estava sendo uma de suas peças preferidas. — Droga. Ainda bem que não vou precisar devolver.

— Essa blusa é de quem? Aliás, são quase seis e você está tomando vinho? – Hermione encara sua irmã, quem tem as sobrancelhas vincadas e mãos na cintura enquanto dispara as suas milhões de perguntas. — Estava chorando? – A pergunta faz Hermione rolar os olhos.

— Já acabou com as perguntas, Gina? Não sabia que estava morando com um detetive, ou que tinha voltado para a casa da minha mãe. – Ela observa o rosto da ruiva atingir o mesmo tom de seus cabelos.

— Ei, porque estamos em uma reunião na cozinha as cinco da manhã? – Hermione observa sua outra irmã. Seus cabelos loiros estão presos em um coque alto e seus olhos semicerrado, parecendo se acostumarem com a luz. — E porque você está gritando?

— Não é uma reunião. — Gina fala. Hermione para de encarar as duas e dá a volta por elas, indo até a pia para colocar a taça. Sua sorte é que tinha caído apenas alguns pingos no chão. A maioria a blusa de Viktor tinha sofrido pelo incidente. — Eu vim até a cozinha beber água e Hermione estava aqui, bebendo vinho com a blusa de um carinha e com a cara borrada de choro. – Hermione fecha os olhos e respira fundo. Sua irmã as vezes era irritantemente detalhista.

Novamente dando a volta por elas, ela caminha até a dispensa pegando um pano para limpar o chão.

— Chorando? O que foi Mione, ele fez alguma coisa?

— Ele quem? – Hermione pergunta, decidindo se fazer de desentendida, olhando de Gina para Luna, enquanto saia da dispensa com o pano de chão em mãos e se agacha para limpar a sujeira, as perdendo de vista atrás do balcão.

— Ora, quem? O carinha. – Gina fala, irritada.

— Ninguém fez nada. Eu não estava chorando, era só um cisco. – Ela se justifica, limpando o chão e praguejando a si mesma. Tudo o que não queria era uma reunião no meio da cozinha, entre ela e suas irmãs, esse horário. Seu único planejamento era chegar em casa e dormir, mas teve a taça e as emoções.

Maldita seja a taça que deveria ter sido ignorada, e maldito sejam os seus sentimentos que estavam a flor da pele por causa da TMP.

Hermione se levanta do chão, fazendo a sua melhor cara de paisagem, mas não deu certo, já que Gina segurava a ponte do nariz, exatamente como a mãe delas fazia, enquanto Luna apenas a encara, com um olhar de quem espera explicações plausíveis.

— Tudo bem, um cisco. Podemos conversar sobre isso amanhã. – Luna fala, dando de ombros. Hermione segura o sorriso e a vontade de pular em cima de sua irmã.

— Luna. — Gina a repreende e Luna a encara.

Gina é um pouco mais alta que Luna e Hermione, e o modo como ergue o dedo para Luna faz parecer com que ela está repreendendo uma criança, ainda mais pelo olhar inocente de Luna.

— O que? São cinco da manhã. Eu preciso estar de pé as oito e não quero perder mais tempo de sono, porém é difícil com vocês gritando e falando alto. – Luna se explica.

— Não estávamos falando alto.

— Gina, às cinco da manhã, até dar passos com meia é alto. – Hermione intervém e Luna pisca para a mesma. Novamente Hermione repreende a vontade de pular em cima da irmã.

— Tudo bem Mi. Se não quer falar, não fala. Logo eu tenho que estar de pé também. – Fala Gina e vai até a geladeira, pega uma garrafa de água e logo retrocede seus passos indo embora. – Mas não pense que vou esquecer essa história, amanhã quero saber de tudo. – Hermione a ouve dar o seu aviso final, e a observa atenta, esperando-a virar o corredor para as escadas.

— Olha só, amanhã quero saber essa história direito. Cisco nós dois olhos? Muito suspeito. — Luna fala, sussurrando, para que Gina não escute. Hermione prende o riso. Elas têm medo de Gina, essa é a verdade. Ela parece realmente a substituta da mãe delas, quando a própria não está por perto. É até estranho em como a personalidade delas sejam tão parecidas, levanto em conta que não tem o mesmo sangue. — Agora, coloque essa blusa na máquina, guarde o pano no balde com água e vai dormir um pouco. Não te quero de mal humor no escritório. – A voz de sua irmã tem um tom debochado e a faz sorrir e rolar os olhos.

Hermione observa enquanto Luna pisca na sua direção e depois vai embora, a deixando sozinha novamente. Ela suspira pensando que deveria ser assim desde o começo, ela sozinha com o silencio, mas já que não podia, ela desiste de remoer seus pensamentos ali e faz o Luna pediu. Ao finalizar todo o processo, sendo a última coisa jogar a blusa de Viktor na lavadora, ela sobe para o seu quarto.

O aconchego de sua decoração minimalista a traz um pouco de paz e cansaço. Resolvendo se deitar ela tira o vestido e o empurra com o pé, para longe, se deitando apenas com as roupas íntimas, sem se dar ao trabalho de colocar o pijama já que logo precisaria se levantar. Puxa as cobertas até o pescoço, mesmo não sentindo frio, e encara o pequeno triangulo com folhas unidas por uma argola, exibindo dias, em cima da mesinha de escritório um pouco afastada da sua cama. Se a cadeira estivesse a quinze centímetros afastada para a direita ela não veria, mas não estava, e assim o calendário colorido faz meu peito apertar.

Ela sabia que deveria haver datas das quais deveria se apegar mais, mas essa ela jamais esqueceria. Principalmente porque era uma das mais infelizes que tinha.

Flashack on

— Senhorita, posso falar com você? — Estava saindo de uma reunião e logo se prepararia para outra. Precisava se apressar, mas diminuiu os passos para que Michael, o homem que a chamava, a alcançasse.

Ele sorriu para ela ao chegar em meu lado e ela tento fazer o mesmo, mas os últimos dias estavam sendo difíceis de sorrir.

— Esses são os papéis para contrato do joalheiro? — Pergunta apontando para a mão dele, que tinha um envelope pardo. — Queria muito ler, precisava conferir se não estamos deixando nenhuma cláusula escapar. — O pega de suas mãos, mas levanta os olhos para o advogado, percebendo que possa ter sido rude. Ele nunca tinha errado em seu trabalho. E ela confiava nele. – Não.. – pigarreou procurando as palavras certas. — Não que não confie em seu trabalho, só que eu espero que o novo lançamento seja um sucesso. — Respirou fundo e sorriu minimante para ele quando o mesmo empurrou a porta para ela entrar na antessala de seu escritório.

— Mas esses não são os papéis do joalhei..

— Chang, quero que mande preparar a sala para a próxima reunião, depois traga até a minha sala os detalhes dos assuntos da anterior. Quero estudar tudo. – Observa sua secretaria, de uma beleza exótica e oriental, concordar veemente com suas palavras, se levantando para fazer o que ela pediu. Logo Hermione volta o seu sorriso para Michael, que parece levemente contrariado. — O perdão, eu não o deixei falar.

Ele balança a mão em sinal que não se importava e assim abre a porta de seu escritório. Hermione sorri agradecida e acende as luzes para logo ir até o sofá, colocando sua bolsa em cima da mesinha de centro, e chama Michael para se sentar. Ela gosta desta pequena sala de estar em seu escritório. O sofá de dois lugares, na cor cinza, que fica de frente para duas poltronas na mesma cor, são separados pela pequena mesa de centro de metal, enfeitada com algumas coisas de escritório, parece menos informal do que a sua mesa que comporta duas cadeiras para os visitantes.

— Gostaria de um café? – Hermione pergunta, observando o mesmo se sentar no sofá e a observar, enquanto ela começa a abrir o envelope e ocupa o lugar ao lado do homem.

— Senhorita Malfoy. – A menção de seu sobrenome a faz congelar em seu ato e ela se sente paralisada com os papeis em mãos. — Per... Perdão. — Michael parece desconcertado e gagueja. Hermione engole em seco antes de conseguir mover sua mão e a pousa sobre a dele, balanço a cabeça em negativo informando que não tinha problemas. Ela ainda era uma Malfoy. — Eu, desculpe, estou tentando falar com a senhorita desde que a encontrei, esses não sãos os papéis do contrato, mas percebi que a senhorita está um pouco atarefada, talvez pudesse voltar outra hora, com mais calma. — Algo no tom de voz dele, que parecia conter pesar, a fez balançar a cabeça em negativo e sentir o peso do envelope em sua mão. Ela tinha um chute sobre o que aquele envelope continha, e o aguardou falar do que realmente se tratava, em silêncio. — Esses são os papéis do divórcio. – Ela não era boa em chutes, e nem gostava de faze-los, porque preferia quando tinha certeza das coisas. No entanto ela havia acertado o seu palpite e esse tinha sido o chute mais bonito que tinha feito, mas o mais triste a ser comemorado. Então era isso, aqueles papéis a separariam do sobrenome Malfoy, para sempre.

Para sempre, outras palavras que podem se juntar ao dicionário de coisas que achou que não diria. Pelo menos não quando o caso envolvesse meu primeiro nome, Hermione, e o último, Malfoy. Achou que esses dois fossem inseparáveis.

Ela nem sequer se imaginava mais usando meu nome de solteira. Talvez nem respondesse das primeiras vezes, mas tinha que ser, não é mesmo? Tinha que acontecer. Merda, nunca pensou que papéis de divórcio pudessem chegar tão rápido. Mas ela estava determinada quando foi falar com Michael, para poder agilizar as coisas, porque queria um fim rápido naquilo. E ali estava, em suas mãos, o fim rápido para um sofrimento que saberia que seria longo.

Suspira novamente, sentindo um bolo se formando em sua garganta e tira os papéis de dentro do envelope.

— Eu sinto muito. — Foram essas simples palavras que a tiraram de sua luta interna.

— Eu também sinto. – Se ouviu dizer, e pela primeira vez não quis se repreender por algo que não estava no script de sua interpretação de mulher forte e que queria aquilo.

Não, dessa vez ela ia sentir, porque realmente sentia mesmo, muito, de verdade, e não queria mais esconder, não nesse momento em que as lágrimas pareciam fortes demais para segurar, enquanto lê os papéis em suas mãos.

É um pouco difícil de ler com os olhos embaçados, por isso ela respira fundo olhando para o teto de gesso rebaixado, com o designer meio arredondado, escolhido por ela mesma para contrariar Draco em uma briga, e depois passou a perceber que realmente não combinava com o ambiente mas continuou com a sua opinião, pois não daria o braço a torcer. Foi encarando o teto que aguardou as lagrimas darem uma trégua e encarou de volta o papel, com o mesmo orgulho que olhava para o teto, mesmo que ele fosse orgulho ferido. E com a visão mais clara ela conseguiu ler o que tinha escrito ali.

Se fez engolir cada clausura dos papéis, em seco. Sentiu como se cada palavra fosse uma martelada em seu coração, e nada que pudesse pensar para se confortar lhe servia de consolo. Queria era rasgar os papeis e correr ate Draco, mas não iria, já tinha feito muito até ali para desistir agora.

— Hermione. — Michael a chamou. A voz mansa dele parecia estar a quilômetros de distância. O que a fez voltar a realidade foi o calor da mão dele, quando ela abandonou o seu ombro, não tinha sentindo o momento que ele a tinha colocado ali. — Não precisa fazer isso agora. – Ele tem um tom de voz compreensivo e embora ela se sinta compelida a aceitar, força sua cabeça a fazer um gesto negativo, sem deixar que qualquer palavra escape de sua boca.

Ele estava enganado, ela pensava. Ela precisava! Precisava mais do que tudo acabar com esse martírio. Esticou sua mão para alcançar sua bolsa, que descansava no meio da mesa, e derrubou o seu conteúdo sobre o metal, fazendo um barulho estridente dos objetos em atrito com o material. O problema todo já tinha se estendido em um nível absurdo que ela não pretendia. E além do mais, precisava deixar Draco seguir com a vida dele e ela com a dela, como tinha que ser. Sua nova vida, sendo apenas Hermione Jean Granger, sem o Malfoy. Sem Draco. Pensar isso a fez perder o controle que lutou para ter e ela chorou mais.

Porque as coisas tinham que ser tão difíceis? Se perguntou mentalmente, e se irritou por não encontrar caneta alguma.

Michael passa o braço e descansa novamente a mão em seu ombro, a consolando, e Hermione se permite chorar. Chora pela primeira vez amparada por alguém, e sente que isso é reconfortante. Não estava usando máscaras.

— Você tem uma caneta? – Ela perguntou depois de uns minutos, onde seus soluços eram tudo o que escutavam. Sessando o choro ela funga e limpa o nariz. Não queria mais chorar. Estava começando a se sentir patética demais tentando estender o inevitável.

— Claro. — Ele respondeu simples, tirando a caneta do palito.

Ajeitou seus cabelos antes de pegar a caneta. Ajeitou também a roupa e se afastou um pouco de Michael, que de certa forma estava a abraçando e fazendo carinho em seu braço e isso a faz corar de vergonha.

— Me desculpe. — Pede e ele balança a cabeça em negativo, tirando o lenço de dentro do bolso da calça. Aceita de bom grado e limpa os olhos e o nariz. — Te compro outro. — Avisa, tentando sorrir, mas a vontade de chorar volta, sentindo um bolo se formar na garganta. Isso não a faz tentar mais. Hermione sente que a tristeza poderia ser ingrata as vezes. Parece que ela não gostava que parássemos de chorar quando a sentíamos e se não chorássemos ela não nos daria o direito de rir. Foi isso o que acabou de acontecer. A tristeza a impedia de rir, porque rir significava que estava tudo bem, mas as coisas eram o oposto disso. — Onde eu assino? – Decidiu perguntar, mesmo sentindo que essa fosse uma pergunta boba. Estava escrito em letrar maiúsculas onde deveria assinar.

— Aqui. — Mesmo assim Michael a mostrou, com paciência, apontando para o local que nem precisava piscar em neon, o jeito que estava era chamativo suficiente. — Hermione, não precisa fazer isso, agora. Além do mais, Draco queria discutir algumas clausuras sobre o contrato. Ele acha injusto você vender a sua metade de tudo para ele.

— Mas ele aceitou comprar. – Hermione se ouve protestar rápido, cansada. Não queria ter que discutir tudo aquilo outra vez.

— Aceitou.

— Então, isso é o suficiente. – Fala tentando manter toda sua atenção voltada para os papéis.

— Mas ele disse que você não precisa se demitir. Pode ficar aqui e cuidar da empresa. — Suas mãos parecem tremer como o compasso acelerado de seu coração.

— Não, não preciso.

— Mas ele disse que sente perdido sem você. – Sua cabeça se vira tão rápido para Michael, que ela pode dar certeza de ter distendido um músculo. — Digo, ele disse que sente perdido sem você aqui, na empresa. — Claro, porque ele pensaria o contrário? Se pergunta e novamente se sente patética.

— Ele vai arrumar outra pessoa. — Diz simples, novamente voltando a atenção ao papel, tentando manter o foco. Droga, era só assinar. Porque sua mão parecia travada?

— Ele propôs que você ficasse com a parte dele. – Isso a faz sorrir para o papel, um sorriso irônico. Claro que ele tinha proposto aquilo.

— Michael. Sabemos que não posso aceitar. – Levantou seu tronco, sabendo que o papel poderia esperar mais um pouco. — O que a empresa faria sem Draco? As criações são dele. Não existe joalheria sem joias. — Suspirou. — Já ouviu falar que Pinóquio de fez sozinho? — Ele não respondeu e nem precisava. — Acho que não. – Concluiu. — Draco pode achar uma pessoa.

— Não igual a você. Ele disse que poderia te mandar os desenhos e deixaria você cuidar do resto, como gosta de fazer. – Essas palavras a fez praguejar Draco mentalmente. Porque ele tinha que pensar no bem-estar dela? Ele não precisava mais, e, ainda sim, o fazia.

— Não quero que eu e Draco fiquemos presos dessa maneira, porque isso significa manter contato e precisamos seguir com as nossas vidas. – Encara os olhos pretos em sua frente e imagina ser os seus, como se estivesse dizendo para si mesma, pois ela precisava dessas palavras. Precisava memoriza-las, engoli-las. — Além do mais, ele pode achar outra pessoa sim. Sou substituível, sabemos disso. Todos somos. – Estava dizendo isso não somente por causa de seu cargo, mas por causa de suas vidas também. – Draco pode achar alguém melhor que eu. – Se abaixa e coloca a caneta firme no papel. — Eu tenho um papel importante, mas é como diz aquela frase. Eu posso até ser brilhante, mas não sou o sol, ele que é. E a empresa sem ele não seria nada. – Essa era a melhor conclusão que poderia dar para tudo.

Fez o melhor que pode ao assinar, e incrivelmente as letras não saíram tremidas. Com um último sorriso para ela, Michael pega os papeis de sua mão e os guarda dentro do envelope. E como em uma sentença ele aperta seu ombro de forma gentil, se levanta e sai em silêncio, como em forma de compreensão, a deixando com uma cópia do contrato e um silêncio insuportável.

Flashback off

Hermione sente essa lembrança a atingir em cheio, e com ela vem junto um misto de saudades com ressentimento e um pouco de arrependimento. Na mesma hora sente a necessidade de se levantar e tomar banho para tirar a fragrância de Viktor, que ela sente ainda está impregnado em sua pele, misturado ao vinho que a mela um pouco, e a faz sentir culpada da noite que teve, como se estivesse traindo alguém, mas não faz. Invés disso segura mais firme a coberta, presa em meu pescoço, e encara o calendário com determinação, como se ele fosse uma pessoa a desafiando.

Ela se lembra desse sentimento, como se estivesse traindo alguém, a quatro anos atrás, quando começou a sair de novo para ter algum contato, mesmo que pequeno, com outra pessoa.

Contudo, ela não é mais a pessoa que era a quatro anos atrás e isso já foi mudado. E mesmo que a muito tempo não sentisse esse sentimento de saudade, e ele esteja a matando um pouco agora, ela superaria, como todas as vezes que fez, de todos os dias ruins que passou. Esse não é o primeiro e provavelmente não o último.

Cansada de fazer sua cabeça martelar em uma tecla que deveria ser inexistente, ela se viro para o outro lado e limpa uma lágrima, afastando lembranças que não seriam desenterradas e torcendo para que a insônia a esquecesse por alguns minutos.

****

Empurra a porta da cafeteria e a campainha toca. O local tem uma decoração vintage que a faz sentir em casa. Passa os olhos pelas pessoas ali. Quase as mesmas pessoas de sempre, naquele mesmo horário, e seus olhos param em uma cabeleira loira, agora mais comportada que algumas horas atrás. Segue caminho até ela e já consegue ver a jarra de café em cima da mesa.

Luna sorri para ela quando a percebe se aproximar e se levanta para a abraçar a dando espaço para sentar no canto do banco de dois lugares que tem a cor mostarda.

Sentada ela larga sua bolsa no banco e começa a encher a xicara em sua frente, com um pouco de café. Todos os seus gestos são inspecionados por sua irmã.

— Achei que não viesse. – Ela está sorrindo, mas seu sorriso não é de alguém que pede explicação, mas sim um sorriso compreensivo.

— Porque? – Hermione pergunta depois de pousar a xícara na mesa. Mas Luna não tem tempo de responder.

— Então, de quem é a blusa manchada de vinho na nossa lavadora? – Gina pergunta, enquanto coloca uma pilha de panquecas na mesa, ao lado, torradas, um pouco de ovos mexidos com bacon, calda de chocolate, e morangos. – Harry, pode trazer o leite, por favor? – Ela pede com a voz um pouco melosa e ele concorda saindo. Hermione acompanha Luna em uma falsa encenação de ânsia de vomito e depois as duas riem observando Gina fazer cara feia para elas enquanto tira o avental e se senta de frente para as duas. Luna e Gina a encaram.

— Bom dia para você também, Gina. Eu dormi bem, obrigada. – Ela fala, em um tom irônico, enquanto beberica seu café pensando em uma forma de fugir daquilo. Mas seria improvável, visto que elas ainda a encaravam. Hermione bufa. – Não é ninguém importante. Só um carinha que conheci na balada.

— E casualmente dormiu na casa dele, porque chegou as cinco. – Gina fala com um sorriso de lado e isso faz Hermione rolar os olhos.

— Se eu soubesse que o tópico da conversa de hoje seria a minha noite, eu não teria vindo.

— Duvido que deixaria de vir para não tomar o café que só eu sei fazer. – Gina a interrompe. Ela estreita os olhos para a mesma, porque ela estava certa, mas não admite.

— Era de se esperar que o tópico da conversa seria a sua vida, visto que Gina furação foi dormir com isso entalado na garganta. – Fala Luna e Hermione tapa a boca com a mão vendo a sua irmã corar profundamente.

Gina sempre odiou esse apelido, desde de quando eram pequenas, mas o apelido sempre condisse com ela. Ela era realmente um furacão. Tempestuosa e ao mesmo tempo protetora. Diferente de Luna. Luna sempre foi mais cautelosa e com senso de justiça sutil. Hermione se sentia como uma pessoa que era o meio termo das duas, nem muito tempestuosa, nem muito serena, apesar de sua teimosia irrefreável. Até hoje fica assustada na forma em que elas se completam e se entendem, mesmo não sendo irmãs do mesmo sangue. Quando foi adotada, aos nove anos, gostou da ideia de ter que dividir o seu quarto com mais duas meninas, não com mais quinze, e as outras duas pareceram gostar da ideia também.

Harry chega com a jarra de leite e a coloca na mesa. Gina entrega o avental dela para ele e ele a beija na boca.

— Assim que acabar aqui te acompanho na cozinha. – Ela avisa e ele sorri.

— Não precisa se preocupar. – Harry da outro beijo nela. Desta vez em sua testa e se vira para elas, sorrindo. – Bom dia meninas.

— Oi Harry, se sente com a gente. – Hermione o chama, querendo ter uma distração para esse café. Sua voz tem um leve tom de desespero. Desespero real, porque Harry nunca se senta com elas.

O café da manhã ali, na pequena cafeteria de nome Pontel, sempre acontece só com as três. Harry sabe disso e respeita. Até porque, se não respeitasse, Gina provavelmente já teria o colocado dentro da fritadeira.

— Agradeço o convite, mas preciso trabalhar. E pela sua tensão esse é um momento em que prefiro não me juntar a vocês. – Hermione suspira derrotada e Harry a lança um sorriso de desculpa se virando. – Te amo gatinha. – Pisca para a sua irmã e se afasta sumindo das vistas delas, na porta cozinha.

Harry é o noivo de Gina. Eles têm essa cafeteria juntos. A abriram a quase dois anos e elas sempre vem tomar café aqui, desde a inauguração. Se tornou um ritual. No começo os seus pais vinham, mas Gina entendeu como a distância era algo difícil para eles e tiveram que vir esporadicamente. Mas ainda é bom só elas. Fazia Hermione lembrar dos tempos de infância. Mesmo que as vezes ela tivesse vontade de matar Gina, como agora.

— A pauta da manhã não era para ser sua vida pessoal, mas como você chegou as cinco, fez com que fosse. – Gina fala se servindo de panquecas com muito chocolate. Hermione se pergunta como ela consegue manter o corpo esbelto enquanto trabalha aqui, no meio de tantas coisas boas e come feito condenada.

— Eu ainda prefiro o assunto sobre o casamento. – Diz para Gina, Luna concorda já com ovos mexidos na boca.

— Eu me pergunto se você vai caber no vestido depois de esse tanto de panquecas. – Luna provoca Gina que a olha feio e come o pedaço generoso de seu garfo, com chocolate e morangos.

Hermione se serve de uma torrada, salpicando um pouco de açúcar refinado, morangos e coloco mel por cima.

— Qual o nome dele? – Gina pergunta, não se importando com a provocação de Luna. Hermione percebe que não tem como fugir desse assunto e se empertiga, poderia jurar que tinha esquecido o nome dele, mas não, ele estava fresco em sua mente.

— Viktor. – Responde, comendo um pedaço de sua torrada. As duas a olham com interesse.

— E ai? – Pergunta, desta vez Luna, curiosa.

— E ai que nada. Não era nem para vocês ficarem sabendo dele. Só ficaram por causa da camisa que eu roubei, devido ao meu vestido estava curto demais, e agora ele deve achar que sou uma ladra.

— Quem se importa? – Pergunta Gina tomando um gole de seu suco. – Você não pretende vê-lo novamente, ou pretende?

— Não. – Hermione nega rápido, balançando a cabeça ferozmente.

— Então. – Ela dá de ombros. – Não tem porque se preocupar.

— Foi bom? – Perguntou Luna, e Hermione sabe porque ela está perguntando isso.

— Foi ótimo, na verdade. – Diz simples, omitindo a parte em que achava que não deveria ter acordado na cama de Viktor.

— E qual o tamanho do ..

— Ginevra! – Luna a repreende. A ruiva olha para a irmã abrindo as mãos e encolhendo os ombros.

— O que foi? Ia perguntar qual o tamanho do apartamento dele. – Hermione gargalha gostosamente e observa a irmã fazer uma cara de falsa feição de inocência.

— Há ia. Ia sim. – Hermione fala entre risadas.

— Tudo bem, eu admito, ia perguntar qual o tamanho do pau dele, qual o problema? – Gina pergunta de boca cheia, olhando para Luna e depois volta seus olhos para Hermione. – Qual o tamanho do pau dele? – Pergunta sem pudor. Hermione observa sua outra irmã corar e sua cor vermelha da um contraste com a cor loira de seus cabelos, isso a faz lembrar alguém que ela afasta rápido. — Ele fornica bem?

— Fornica? – Luna pergunta a interrompendo.

— Transar. – Ela traduz. Luna deixa seus olhos cair sobre Hermione e elas começam a rir.

— Então quer dizer que você e Harry fornicam? – Pergunta Hermione e da um sorriso malicioso para a irmã. Aquilo não faz sua irmã ficar sem graça e ela vê um sorriso se formar nos lábios da ruiva.

— Vocês nem imaginam o que nós..

— E nem quero saber. – Intervém Luna, terminando meu último pedaço de torrada e se levanta. – Vamos Mione?

— Claro. – Ela responde, também se levantando.

Gina também se levanta e ergue a mão chamando um de seus funcionários. Soraia chega até elas e começa a limpar a mesa. Rápida Hermione rouba um último morango antes que ela finalize e molha na calda de chocolate.

— Quero lembrar a vocês que esse final de semana tem a minha despedida de solteiro.

— Tchau Harry. – Luna se despede fingindo que não ouviu, para provocar a ruiva.

— Até mais Luna. – Ele se despede, saindo da cozinha.

— Preparado para morar com essa doida? – Harry faz careta da pergunta de Hermione. Gina joga nele a caneta que está em seu alcance e ele desvia por pouco.

— É claro. Eu me apaixonei primeiro pelas loucuras dela.

— Eu já desconfiava. – Hermione fala e ele pisca para ela. – Também é o que eu mais gosto nela. – Gina mostra língua para elas. – Até mais tarde Gina furacão. — Gina ergue o dedo do meio, sem pudor e isso os faz rir.

No segundo seguinte ela desfaz a cara de irritação e manda beijos no ar para as irmãs. Retribuindo elas seguem para fora. Hermione e Luna vão para o mesmo destino, mas cada uma vai em seu carro, já que precisam sempre visitar algumas obras e cada uma tem a sua agenda. Abriram um escritório juntas, depois do meu divórcio. Esse sempre foi o nosso sonho antes da Diamonds, empresa de joias que tinha com Draco, virar sua vida.

Ficou feliz quando, depois de um tempo perdida, Luna a propôs para finalizar sua faculdade de arquitetura, antes trancada, para se juntar a ela em sua empresa. Mesmo contrariada ela foi, e percebeu essa ser a melhor coisa que poderia fazer por ela mesma. Hermione descobriu que gosta de uma coisa que depende unicamente dela. Gosta de algo em que está à frente, mas é muito mais gratificante quando é algo mais do que a executora da criação de outras pessoas.

Dessa vez sua irmã permitiu que ela fosse o sol, a concedeu esse espaço, e ela aceitei porque sabia que merecia. E foi aí que começou a se reerguer de novo.

— Te encontro no escritório. – Ela fala colocando seu óculos de sol e entra no carro.

Concordando Hermione entra no seu, discando o número de sua secretaria e conversa sobre sua agenda de hoje.

O dia parecia tranquilo. Mesmo com as pendências do andamento das obras. Precisou visitar cada uma e conferir também as novas, onde a parte de civil de sua irmã, tinha acabado e vinha a sua de arquitetura. Conseguiu ter uma reunião breve com cada cliente e apresentado a proposta gráfica para cada um, de acordo com as exigências incumbidas. Foi uma quinta-feira corrida, mas deu conta. Se orgulhava disso nela, pois se dedicava aquilo que gostava de fazer. Só faltava alguns detalhes, sobre prazos e outras coisas que não dependiam apenas dela, mas aí já era outra história. Era ótima a sensação de sentir que deu o seu melhor.

Foi com essa sensação que entrou no seu escritório, quase as quatro da tarde. Passa pela recepção, por um milagre vazia, e caminha para a mesa de sua secretaria que sorri ao vê-la. Hermione sorri de volta.

— Dois clientes te deixaram recados, fixei no seu quadro de anotações. Marquei quatro reuniões para você amanhã. O papel de parede que você pediu chegou, queria que desse uma conferida. E o senhor Collins ligou, disse quem tem outra ideia para o..

— Papel de parede da sala de estar. – Elas falam juntas, e dão risada.

— E a sua irmã Gina, acabou de mandar deixar isso aqui para você e Luna.

— Eu juro que não sei como você consegue falar tão rápido e sem gaguejar. – Observa sua secretaria dar de ombros e pega o saco de cima do balcão o abrindo. Tem alguns donuts dentro e quatro cafés. – Você anotou tudo na minha agenda? Menos a parte do senhor Collins, essa eu já sei de cor. – Pergunta sentindo o cheiro delicioso do donuts. Não é porque são de sua irmã, mas é o melhor que já comeu, e isso estava escrito no jornal local da cidade, onde tinha um espaço elegendo os melhores locais de visita em Sydney e a cafeteria de sua irmã estava na lista.

— Tudo anotado.

– Ótimo, então pode ir tomar seu café, antes que esfrie. Vou ficar aqui na sua mesa, caso alguém chegue.

— Juro que a sua irmã quer nos engordar. – Fala sua secretaria se levantando e leva as coisas para a cozinha.

— Até parece. Você e a minha irmã são magras de ruim.

— Olha, adoraria ter um pouco mais de quadril e a cintura fina, como você.

— Olha, as vezes é difícil achar uma roupa viu?

— Às vezes é difícil ter que ir procurar na sessão infantil, mas eu sobrevivo. – A outra fala fazendo drama e dá de ombros.

— Luna está?

— Não, saiu com Brooke deve ter mais ou menos duas horas. – Hermione concorda com a cabeça. – Se precisar de mim, estarei na cozinha.

— Coma em paz. Deve que essa recepção foi um pequeno inferno hoje. – Ela concorda, empurrando o óculos que escapou para a ponta do nariz e sorri.

Hermione gosta de Piper. Nunca ia imaginar que ela fosse dar conta, por esse ser um estágio, mas ela estava dando. Muitas das vezes acaba pegando algumas ideias com ela sobre detalhes da obra, e as vezes até a levava para ajudar a ter uma visão melhor. Hermione podia apostar que ela daria uma ótima arquiteta, mas por diversas vezes a imaginou sendo estilista. Sempre bem vestida em seus looks, um tanto quanto ousados e originais, enquanto os dela própria se resumiam mais em um estilo clássico e elegante, puxando um pouco para o sexy.

No entanto ela preferia assim, gostava de seu estilo, mesmo que as vezes pensasse em pedir umas aulinhas para Piper, Hermione sabia que não conseguiria largar seu Louboutin para usar algo mais confortável. Já tinha se acostumado a usar saltos e roupas que a faziam se sentir imponente, isso porque sentiu que precisou adotar esse estilo para ser respeitada quando a Diamonds foi inaugurada e ela se tornou a chefe geral.

Sentando-se na cadeira de Piper, abriu um espaço na mesa, colocando algumas coisas da para o lado, e posicionou sua agenda ali para organiza-la. Depois de um tempo Luna chega.

— Achei que fosse te ver só em casa hoje. – Luna comenta se aproximando.

— Foi por pouco. – Hermione responde sorrindo para Brooke, secretaria de sua irmã. – Ei Brooke.

— Gina trouxe o café? – Ela pergunta e isso as fazem rir. A tarde todas quatro esperam ansiosas pelo café de Gina. É sempre os donuts que afastam suas TPMs, embora esse não estivesse sendo o caso para ela. Hermione concorda e a vê sorrir. – Graças a Deus que é o meu horário.

Luna acompanha Hermione em uma risada, enquanto veem Brooke colocar suas coisas em cima de sua mesa e praticamente correr para a cozinha. Assim sua irmã se senta na cadeira em frente a ela, com cara de destruída.

— Dia difícil? – Hermione pergunta e ela concorda com um aceno.

— Diferente de você que parece feliz. – Luna comenta e Hermione dá de ombros.

— Tudo indo conforme o planejado. Inclusive, estava esperando você chegar para conversarmos sobre alguns clientes.

— Eu também estava doida para te encontrar. Vejo que está melhor, diferente de hoje as cinco da manhã. – O comentário faz seu sorriso sumir. – Você achou que eu fosse esquecer? Aproveita que estamos sozinhas e me conta o motivo do seu choro.

— Não quero tocar nesse assunto Luna. Meu dia foi ótimo, e eu não pretendo estragá-lo. – Sua irmã suspira e coloca a mão por cima da dela, compreensiva.

— Vamos fingir que eu não sei porque estava chorando. Que não sei o que a data de ontem significava para você e que você não parecia aborrecida quando voltou para casa, quando deveria estar feliz pela noite boa, que você mesma disse ter tido. – Sua irmã a conhecia bem demais para o seu gosto.

— Eu sei que deveria não pensar sobre minhas coisas do passado, mas as vezes parece impossível. – Diz me sentindo agitada demais para ficar sentada e se levanto dando a volta na mesa.

Luna se vira para a olhar quando ela para atrás de sua cadeira.

— Hermione, não é só porque o seu passado é difícil para você que não deve pensar nele. Até porque é impossível não pensar sobre algo que viveu por muito tempo. Sei que não é saudável viver no passado e você não faz isso. Está aqui. Seguiu com a sua vida, mas como uma pessoa normal, vai ter recaídas. Algumas mais fortes que as outras, mas isso não quer dizer que você é fraca, mas é que algumas coisas realmente são inesquecíveis. Algumas coisas levam mais tempo para ser curadas ou esquecidas do que as outras. Mas existem outras que jamais esqueceremos.

— Mas eu queria esquecer. Cinco anos e em cada data de cada ano tenho uma sensação diferente. Será que vai ser sempre assim? Sempre terei uma parte dele em mim?

— Sinto dizer isso, mas sim. Sempre vai ter uma parte dele em você. Já deveria ter se acostumado com isso. – Ela nunca se acostumaria.

— Eu queria poder mandar no meu coração e excluir Drac.. – Bater em alguma coisa a faz interromper suas palavras e isso a faz dar passos para trás e se virar para olhar no que esbarrou.

Sente seu coração palpitar quando se apressa para ajudar a menininha, mas ela se levanta sem sua ajuda. Logo atrás dela está uma mulher. Elas têm o mesmo tom de pele, levemente bronzeado. Hermione escara a mulher e a menina. A menina sorri para ela e faz meu coração perder algumas batidas. Ela tem covinhas encantadoras, olhos azuis e uma boca quase minúscula.

Luna segura minha sua, como um incentivo, e ela sorrio, ou pelo menos tenta, soltando sua respiração que não sentiu ter prendido.

— Rose, falei para não correr. – A moça repreende a menina e ela olha para a sua mãe sorrindo.

— Olha mamão, ela tem olho da cor do meu apis de cor – Suspirando aliviada, Hermione nota que a pequena parece bem, e se força a dar o seu melhor sorriso receptivo para a moça em sua frente.

— É Lápis, amor. – A mulher corrige, com a maior paciência do mundo, se abaixando para pegar a menininha no colo, que estende os bracinhos para ela. Depois ela vai até sua direção e estende a mão. – Você deve ser Hermione. – é uma constatação, não uma pergunta, e algo na forma como ela diz seu nome faz parecer casual. Hermione busca em sua cabeça de onde possa conhecer a mulher, mas não encontra.

Uma mulher como aquela ela reconheceria. Ela tem uma beleza marcante. Sua pele brilha. Seus olhos negros brilham, os cabelos, também negros e ondulados, brilham. Tudo brilha. Essa constatação a faz segurar a pontada de inveja que surge em seu interior.

Ser igual a ela, a cinco anos atrás, talvez a permitisse um pouco de paz com seus ex-sogros, mas agora tudo são águas passadas. Ela era ela e se orgulhava por isso.

— A própria. – Ela responde e a outra sorri. Dentes de comercial, claro, talvez ela seja modelo. Hermione percebe não ter apertado a mão estendida da mulher quando a menininha entende a dela, e ela não consegue refrear o sorriso ao apertar a mão das duas, encarando apenas a menininha. Sente seu coração acelerado, martelando em suas costelas.

— Me recomendaram você, mas não sabia se a acharia. Me disseram que é uma ótima arquiteta e eu estou precisando de alguém assim. – Hermione sorri, tentada a negar, dizer que tinha a agenda já cheia, mas não entende porque queria fazer isso.

— Claro. – Sua voz não sai tão firme quanto imaginava e pretendia. – O que precisa arquitetar? – Pergunta tentando focar na mulher, mas a menina chama sua atenção ao pegar os óculos de sol de sua mãe e colocar em seu rosto.

— É para reformar o quarto desta princesa aqui. – Ela fala sorridente e o seu sorriso some. Sua irmã continua apertando sua mão.

— Sinto.. – Pigarreia. — Sinto muito, mas eu não arquiteto quartos de crianças. Não é muito a minha área. – O sorriso da mulher começar a murchar, mas isso não importa para ela.

— Poxa que pena. Eu me mudei a pouco tempo e o quarto dela parece de um adulto a não ser pelo berço.

— Olha, podemos te passar outros contatos de pessoas especializadas. – Luna intervém. A mulher parece perceber, pela primeira vez, quem tem alguém ali além dela, Hermione e a filha. – Pessoas igualmente competentes. – A mulher sorri, mas não mostra os dentes e concorda com um aceno de cabeça.

— Claro, embora seja uma pena.

— Eu quelo um quarto de pincesa. Quelo amalelo.— A menininha fala e os olhos de Hermione pulam dela para a mulher. Sua irmã aperta sua mão novamente e ela precisa respirar fundo para se recompor, depois de encarar os olhos cinza da menininha. Espera, não eram azuis?

— Aqui nós temos o papel de alguns de nossos parceiros. – Sua irmã, prontamente, coloca um papal em sua mão, que ela não saberia dizer onde o encontrar sem a ajuda dela, e entrega a moça. – Espero que te ajude.

— É realmente uma pena você não poder me atender, mas acho que isso aqui deve servir. – Ela pega o papel e guarda com a mão desocupada na bolsa. – Posso pegar um desses também? – Pergunta apontando para o cartão da empresa, mas não espera ela concordar e pega. A menininha chamada Sarah pega o cartão de sua mão. – Ei garota. – Ela fala sorrindo. A menina da risadas de sua mãe. Hermione pega outro cartão e entrega a mulher. – Obrigada. As vezes sinto como se ela roubasse toda a minha vitalidade. – Comenta e beija o rosto da menina tirando o óculos do rosto dela e guarda na bolsa, junto com o cartão. – Bom, novamente, obrigada. Até mais. Se despeça Sarah. – A menininha abana a mão para as duas e saem.

Hermione continua observando a menininha até ela sumir de vista e ela continua abanando a mãozinha até virar no corredor.

Ela provavelmente está sobe o efeito da noite de ontem, ainda sentindo tudo o que não devia e pensando também, já que conseguia ver os olhos de Draco no rosto da menininha. Só poderia estar ficando louca, acabou por constar, quando saiu de seu transe e se virou para sua irmã.

Notas finais
Esse foi o capítulo, queria que comentassem e me dissessem o que acharam, me ajudaria muito. Acompanhem, favoritem e recomendem para as pessoas que vocês conhecem e gostam, vou gostar muito de mais pessoas por aqui. P.S: estou postando outra história aqui, "Caos" ela se chama, se quiserem ir em meu perfil e dar uma olhada também seria legal e acho que vão gosta. É isso, beijos e aguardo vocês nós próximos caps.