Notas iniciais
Ola pessoas, espero que estejam todos bem. Não me matem pela demora. Esse cap me pegou e eu tive que pensar durante um tempo o que eu queria que saísse dele, para não me arrepender depois que já tivesse postado. Obrigada as novas leitoras e ao comentário. Sem mais delongas, boa leitura!

Escutou o barulho de seus saltos contra o porcelanato, quando atravessou a porta para entrar na recepção de seu escritório. Cumprimentou as três pessoas ali, com um aceno de cabeça, e logo seguiu seu caminho até a mesa de sua secretária que conversava com um cliente. Fez um aceno para Brooke, que tem a mesa ao lado de Piper e com um pedido de desculpas e licença, pedindo alguns minutos de atenção da moça, ela colocou uma mão sobre a mesa de sua secretária a encarou e sorriu.

— As esculturas renascentistas chegaram e os quadros de Lion também. — Viu sua secretária sorrir, as duas estavam ansiosas por aquelas artes, que nem ela mesma sabia se seria capaz de conseguir.

— O surrealismo de Lion está aqui? — Sua secretária perguntou não conseguindo conter o choque e alegria na voz quando a viu concordar com sua pergunta. — Por Deus, eu sei que é boa, mas não achei que fosse realmente conseguir. Lion é extremamente exclusivo e seus quadros são raros. Sai só quatro ao ano de sua coleção. Um para cada estação. — A voz dela tinha admiração e Hermione se sentia orgulhosa por isso, pois era esse tom que ela gostava de ouvir vindo das pessoas quanto ao trabalho que se esforçava para fazer. Ao invés de pular e concordar decidiu dar de ombros, devido ao cliente sentado ali.

— Eu sei o quanto são difíceis, por isso consegui os quatro já. – A boca de sua secretaria se abriu. Hermione não conseguiu conter o sorriso. — Alguns contatos podem trazer benefícios. –Disse simples. Ela tinha muitos contatos ainda, por causa da Diamonds, e isso a ajudava bastante. Foi quando ajustou sua postura se equilibrando em seus saltos que notou estar sendo avaliada pelo homem sentado na frente de sua secretária o que a fez sorrir para ele. — Desculpe a interrupção. — Pousou a mão, despretensiosamente, sobre o ombro dele. O que o fez sorrir.

Hermione conhecia aquele campo de vendas. Estava metida nele por muito tempo, desde a Diamonds, e sabia que clientes gostavam de ser agradados, de um contato. Como Draco era pouco acessível, tanto porque não gostava muito de aparecer, ou porque não tinha nenhuma pretensão em agradar as pessoas caso realmente não quisesse, ela se prestou a fazer esse papel.

Sempre se mostrando profissional e era dessa forma que estava fazendo agora, mostrando uma aproximação informal para compelir o cliente a comprar seu trabalho. Afinal era isso que estava fazendo, vendendo seu trabalho, mesmo que ele fosse algo do gosto da pessoa. Ela tinha que mostrar que era única. A única que faria um ambiente absolutamente incrível que desse vontade as pessoas de ficarem dentro dele o máximo que conseguissem, ou que sairiam de lá apenas sobre tortura ou ameaça. A única que conseguiria coisas que os próprios clientes achavam impossível de encontrar e a única vendendo desejo de a terem como arquiteta e decoradora.

Isso a ajudava a cobrar o valor que achava devido para seu esforço e não era barato. Muitas das vezes barganhava seu preço, mas aprendeu com Draco que não deveria abaixar demais o seu valor, porque aqueles que gostam de dar valor aos trabalhos das pessoas, são justamente os que não tem o poder para ter aquilo que desejavam e justamente por isso não a teriam.

— Não tem problema. — Ele disse sorrindo. Hermione tratou de desfazer o contato, rápida, e manter o sorriso. — Na verdade gostei de saber da informação de estar escolhendo uma arquiteta que tem contato com um dos melhores pintores que Sidney tem. — A voz dele tinha um tom profissional, mas também de admiração. Bingo! Era nesse ponto que queria chegar. – Mas sabia que não me decepcionaria com a escolha, desde quando soube que você era a ex Diretora e presidente da Diamonds. – Aquelas palavras a pegaram desprevenida, mas seu sorriso se manteve.

— Obrigada, realmente me esforço para dar o meu melhor nas coisas que faço. – Decidiu dizer algo simples, pois achou que não dizer nada seria grosseiro.

— Sim. Todos sabem como aquela empresa teve seus dias de gloria, com você no comando. – Com o passar dos anos Hermione apendeu a escutar aquilo e com um tempo não a afetava mais, mas ultimamente estava sendo difícil de digerir tudo como a forma de entendimento que aquilo tinha ficado no passado. Principalmente depois que viu aquela garotinha há duas semanas atrás e o rostinho dela continuava em sua cabeça.

— A Diamonds nunca perdeu seus dias de gloria. Malfoy sabe bem como levar a empresa. E tem feito isso de forma perfeita até hoje. – Se viu obrigada a defender o ex-marido. O tom levemente ácido que saiu de sua boca fez o homem perceber que ela não tinha gostado do que ele tinha dito e conseguiu ver a mudança rápida da postura dele.

— Perdão se entendeu mal o que disse, eu não queria ter dado a entender que a Diamonds não é tão mais bem vista quanto antes, pois estaria mentindo. Já que a empresa cresceu tanto nesses últimos anos. – Sim, a empresa tinha crescido, a partir da logística que ela havia criado de expansão e que Draco a teria adotado porque sabia que podia confiar nela. Claro, isso antes da briga deles. Isso antes de Draco achar que ela estava o traindo e perdeu a confiança nela. Mas ela não podia dizer que ele estava errado, porque julgava ser um tipo de traição o que tinha feito. – Só quis dizer que levantar aquela empresa deve ter sido difícil. Ela veio do nada e sei que foi uma das cabeças para que ela ficasse de pé. Por isso a admiro, por isso quero o seu trabalho. – Ele finalizou e ela julgou que era mais fácil finalizar a conversa ali.

Afinal, ele não estava mentindo. Ela ajudou a erguer aquela empresa. Lembrava-se de quando ela e Draco estavam passando um sufoco na faculdade, no quesito financeiro, e um tempo depois ela fez a proposta à Draco de fazer uma de suas joias ao qual ele desenhava e guardava em um baú de sete chaves, junto com os sonhos dele de viver com aquilo. Ela não conseguia aceitar como ele tinha concedido espaço para a ideia de seu pai, de fazer uma faculdade de gestão de negócios, quando era extremamente talentoso em seus desenhos. Mas o entendia, Draco era dependente de sua família, assim como ela era da dela. Embora lutassem para não ser. E dependência é a pior coisa que podia ter de alguém, porque isso ditava muito do que podia ou não fazer e esse ponto privava Draco de viver aquilo que realmente queria. Além de um laço muito forte de ter que carregar o famoso sobrenome de sua família.

Tiveram brigas feias quanto a isso, mas Hermione se mostrou resistente e sozinha pegou cinco dos melhores desenhos dele e o levou para ser feito, com a economia que tinha guardada. Quando ficou pronto e mostrou a Draco o que tinha feito, primeiro ele pareceu irritado, depois ficou chocado com o que poderia sair dali e isso fez com que ele se movesse. Fez com que ele percebesse o que estava perdendo de seu talento e assim a empresa surgiu. Não assim tão fácil, muitas coisas aconteceram para que eles chegassem no topo, mas eles conseguiram e tudo foi com a ajuda dela, como o moço tinha exposto ali. Lembrar isso era gratificante. Eles tinham conseguido, depois de tempos de luta. Todo o dinheiro, fama e outras coisas que poderiam conseguir com a empresa estava no alcance das mãos deles.

Mas depois de um tempo Hermione entendeu, dinheiro não era realmente tudo, já que ele não poderia dar aquilo que ela e Draco queriam e acabou por perceber que aquele clichê era verdadeiro. “Dinheiro não comprava mesmo a felicidade.”

— Obrigada. Tenho certeza que não vai se arrepender. – Respondeu e arrumou sua bolsa no antebraço para olhar do homem para a sua secretária. — Quando estiver desocupada você poderia me passe o relatório do dia?

— Claro. — Respondeu sua secretária com um sorriso compreensivo, e ela se despediu dela e do homem com um aceno e foi rumo ao corredor que dava acesso aos escritórios dela e de sua irmã e também a outras salas como a cozinha, onde foi depois de passar em sua sala e deixar sua bolsa nela.

Sorriu ao ver saco de donuts de sua irmã ali e também o café que ela mandava. Sentiu que precisava desses minutos de silencio onde sua boca trabalhava mais do que a cabeça. Se sentou, puxando o saco para perto, tomou um gole do conteúdo do copo que o seu nome estava escrito e abriu sua agenda a analisando e fazendo anotações. Tentou não se lembrar do passado e focar os pensamentos ali, se fazendo pensar sobre como tudo estava indo bem, mesmo que seu cérebro a avisasse que não era exatamente verdade, e depois de um tempo, conseguido enfim finalizar suas anotações e sua comida, ela viu sua irmã entrar como um furacão, puxar a cadeira em sua frente e se largar ali.

Parecia cansada e com os pensamentos longe, mas isso não a impediu de puxar o pacote, tirar um donuts e dar uma mordida no mesmo. A visão de sua irmã assim foi o suficiente para ela entender que a outra também não estava tento um dia tão bom quanto esperava.

— Está tudo bem? — Hermione fez a pergunta que gostaria que fizessem para ela, mesmo que ponderasse se iria ou não responder. Sua irmã, que muitas vezes parecia estar fechada em seu próprio mundo, a não ser quando estava conversando com algum cliente, a olhou e seus olhos pareciam um pouco obscuros. Ela suspirou.

— Ele voltou a beber. — Foi tudo que Luna disse e foi suficiente para Hermione entender sobre o que ela estava falando.

A voz de Luna parecia derrotada e ela forçou um sorriso quando Hermione segurou sua mão.

— Poxa Luna, sinto muito. — Foi tudo que conseguiu dizer, espantando seus pensamentos sobre algo que não deveria pensar, e se focou na mulher em sua frente. Estendeu a mão para tocar a dela e elas trocaram um olhar significativo.

Hermione sabia o que a sua irmã pensava e era o mesmo que ela, que no fundo elas sabiam que seria desta forma.

— Sabíamos que isso acabaria acontecendo. — Luna soltou com um suspiro, aquilo que Hermione pensava. — Mas não me faz ficar menos chateada. — Hermione concordou, informando que entendia.

Ela sabia como era extremamente difícil a relação com seus pais. Não com os adotivos e sim com os biológicos. No caso de Luna, apenas o pai. Ele apareceu na vida dela ainda na adolescência e Luna se mostrou suficiente compreensiva ao entender a explicação dele de que ele não havia a abandonado. Tinham a tirado dele alguns anos depois que a mãe de Luna morreu em um acidente de carro e ele não se mostrou capaz de cuida-la, porque deixou se perder pela bebida. Tudo o que ele disse a ela foi verdade. Nossos pais confirmaram a história e mesmo contrariados não negaram a aproximação dos dois, porque Gina já tinha feito isso com os pais biológicos dela e família, e eles se davam bem. Mas com Luna não foi tão bom assim.

— Eu entendo a sua frustração. – Hermione respondeu e soltou a mão dela se encostando em sua cadeira e cruzando os braços. – Mas acabei entendendo que a sorte de Gina ou sua não é a mesma da minha.

— Não me vejo sortuda neste momento. – Hermione podia apostar que não. A feição dela a condenava. – Às vezes sinto vontade de dar as costas a ele e deixa-lo, como ele fez comigo. Mas ao mesmo tempo penso que estaria sendo fraca por fazer com ele aquilo que fez comigo e isso não me faz desistir. – Hermione suspira e encara um ponto na mesa.

— Às vezes eu queria ter a metade da sua bondade. – Mas Hermione achava isso impossível, quando se tratava de seus pais biológicos. Eles não eram nada comparado aos pais de Gina, que realmente a amavam. Que a tinham deixado aos cuidados da tia, por falta de condição, e que a tia foi quem deu Gina para o abrigo. Ou o pai de Luna, que apesar de tudo a amava. Não, os pais dela eram diferentes. Eles tinham a abandonado e tornado a procura-la quando viram que ela estava bem de vida e se aproveitaram dos sentimentos dela para a subornar.

— Às vezes eu queria ter metade da sua coragem para conseguir ignora-lo. – Luna respondeu e o silencio durou entre elas. Hermione absorta nós próprio pensamentos e Luna também.

Elas só acordaram quando Piper entrou na cozinha e Hermione focou seus olhos nela.

— Desculpa, estou interrompendo alguma coisa? – Ela perguntou, percebendo o clima da sala e Hermione fez que não forçando um sorriso e novamente forçando sua cabeça a empurrar o passado exatamente onde era o lugar dele.

— Não, só estávamos conversando. Pode falar. – Hermione a incentivou e logo percebeu que ela segurava o telefone sem fio com uma mão e o tapava na parte do microfone com a outra.

— É que ligaram da Clínica Rosuel, estão perguntando se podem confirmar para amanhã cedo o seu horário com o doutor Krum. – Hermione concorda. Estava esperando por essa ligação de confirmação. Sua irmã a olhou. Esperou Piper sair par poder falar.

— São só exames periódicos. – Explicou para a irmã que suavizou seu olhar e concordou. Hermione sabia que os exames dela era uma preocupação para eles. Eles tinham estado algumas vezes em hospitais por causa dela. – Bom, acho melhor me apressar, finalizar o meu dia para ter o prazer de voltar para casa e me acomodar no meu sofá com uma taça de vinho e um bom livro.

— Acho que essa opção não se aplica a hoje, ou se esqueceu que a festa de despedida de solteiro é hoje? – Hermione se viu obrigada a suspirar. Ela tinha esquecido. Pior, não tinha comprado um presente. Luna sorriu quando a viu corar. – Que irmã mais desnaturada. Gina nos disse um milhão de vezes, ou mais, que tinha mudado a data da despedida e que não deveríamos esquecer.

— Eu me lembro perfeitamente. – Hermione mentiu e aquilo fez parecer que sua irmã estava se divertindo ainda mais. Recolheu sua agenda e começou a se encaminhar para a porta.

— Quando você se esquece de algum compromisso ou alguma coisa me sinto como uma pessoa normal. – Hermione rolou os olhos. — Esqueceu de comprar o presente? – Ela escuta a voz de Luna, quando já estava próxima da saída.

— Sim. – Hermione respondeu e escutou a risada de sua irmã.

— Se apresse ou teremos uma despedida bem estressante. Te vejo mais tarde. – Essas foram as últimas palavras que Hermione escutou de Luna antes de seguir caminho para sua sala, recolher tudo e ir para a recepção.

— Piper, está dispensada. Se puder depois me mandar um relatório do dia, vou ficar agradecida. Preciso ir. – Disse apressada e sua secretaria concordou.

— Esqueceu da despedida de solteiro? – Hermione a encarou se sentindo culpada, como ate ela sabia, sua secretaria sorriu. – Sua irmã mandou um bilhete hoje junto com um lanche e no bilhete vinha a sugestão de um presente caso você não tivesse comprado.

— Acho que ela me conhece bem. – Piper sorriu e concordou. – O que ela pediu? – Hermione perguntou em um tom pesaroso. Sabia que sua irmã pediria algo caro, por ela ter se esquecido.

— Ela sugeriu aquele jogo de porcelana de café da manhã que ela estava querendo. – Hermione queria rir. Aquilo custaria um rim. Mas sua irmã sabia como persuadi-la porque Hermione compraria justamente porque estava se sentindo culpada.

— Ainda vou enforcar essa ruiva. – Ela disse despediu das meninas indo para a saída. Rumo a loja que iria comprar o presente.

***

— Espera, deixa eu arrumar o véu. – Pede sua mãe, se aproximando de sua irmã, que tem um coração desenhado na bochecha.

Hermione observa a cena toda, um pouco afastada, com um sorriso no rosto, a taça em uma mão e o presente em seu colo. Sua irmã estava com uma venda nos olhos, porque precisa adivinhar, no toque, qual o presente que está em sua mão, mas ela era péssima nessa brincadeira, perdia todas.

— Ela é horrível. – Luna cochicha no ouvido de Hermione e a mesma foi forçada a segurar uma risada quando a mãe delas se aproximou as dando um olhar repreensivo. Ela parecia saber do que elas falavam.

— Agora é a sua vez, Hermione. – Gina fala, de olhos vendados, seu tom levemente irônico. Hermione se levantou tomando outro gole de seu vinho e pousou a taça na mesa de centro, passando pelas mulheres espalhada pela sala. A casa delas parecia que acabaria em gritos e risadas, o que a agradou. Foi bom ter um ambiente descontraído, faze-la esquecer seu dia.

Aproximou de sua irmã e seguro suas mãos para que ela segurasse firme o presente. A ajudo a desembrulhar, com cuidado.

— Eu vou sair daqui toda rabiscada. – Ela fala baixo e Hermione prende a risada.

— Saber o meu presente deveria a consolar, mas vai fingir que não sabe o que é, porque se você adivinhar nossa mãe vai saber que foi você quem escolheu.

— Porque ela saberia que eu escolhi se eu adivinhar.

— Porque você é péssima nesse jogo. – Respondeu e isso fez Gina rir.

— É verdade. – Ela disse simples, ainda baixo. – Tudo bem, vou fazer isso porque realmente me deu o que pedi.

— Eu fiz isso porque fiquei arrependida de ter esquecido.

— Isso acontece com pessoas normais Hermione, esquecer as coisas. – Hermione rolou os olhos, como tinha feito depois de Luna dizer algo parecido. – Não precisa ser a certinha sempre. Mas se esquecer de meu casamento eu vou ser obrigada a matar você e enterra-la debaixo de quatorze palmos de terra, onde ninguém te acharia, e depois de morta você carregaria a culpa de me ver presa no dia do meu casamento. – Hermione fez uma careta e depois ela sorriu incrédula de Gina.

— Você é doida. – Contatou e viu sua irmã soltar um sorriso levemente sádico. – Você me dá medo. – Disse por fim e antes que Gina dissesse qualquer coisa ela fez sua voz se tornar audível ao perceber que o ambiente estava silencioso demais tentando escutarem o que elas cochichavam. — Olha, era uma coisa que você queria muito. – Da a dica e ela bufa impaciente.

— Eu quero muito, muitas coisas. Seja mais especifica pois não quero ficar mais pintada. – Gina entra no jogo aumentando também sua voz.

— Sua sobrancelha está azul, mais pintada que isso, quase impossível, mas tenho certeza que todo mundo tem uma boa imaginação para dar um jeito. – Todo mundo dá risada e ela também.

— Eu sempre soube que azul combinava com meu tom de pele. – A sua voz tem um tom irônico. Dou risada dela. – Uma coisa que eu queria muito? – tateia a caixa, parecendo pensar do que se trata, antes de eu abrir e tirar o presente ela sorri. – é o pênis de borracha que te pedi.

— Ginevra! – Hermione escuta a mãe biológica de Gina exclamar, horrorizada.

Todos caem na risada e Hermione tira a venda dela.

— Não, sua depravada, é o jogo de porcelana que você e pediu. – Hermione percebe que ela finge surpresa abrindo a caixa, mas também nota a felicidade dela ao olhar todas as peças do jogo.

— Não acredito. É lindo. Vocês vão tomar café na minha casa com esse jogo. – Gina ergue os olhos para ela, encantada e coloca a caixa no chão, abrindo os braços para Hermione abraça-la e ela o faz. – Acho bom que a minha cozinha fique nada menos do que espetacular, senão eu vou cuspir todos os dias no seu café.

— Sempre sutil. – Hermione fala e sorri para ela sem mostrar os dentes e sem perder tempo pega um batom vermelho vibrante. Gina retribui as palavras com uma risada, mas logo seu sorriso some ao ver o batom na mão de Hermione, como se fosse um artefato de tortura. – Bom, já que você errou e essa testa em tela plana está vaga. – Gina a acerta com um tapa no braço, forte por sinal, mas sorri brincalhona.

Luna da risadas do apelido e as outras meninas também. Sua mãe tenta a xingar, mas cai na risada. Sempre foi assim. Desde de pequenas.

— Testa em tela plana é a sua. – Ela revida e nos sorrimos.

— Eu te amo ruiva. – Beijou sua testa e começo a fazer a sua arte. Ao finalizar deu espaço para que todos vissem sua arte e todos dão risada, ate sua mãe.

— Hermione, eu não acredito! – O tom de sua mãe é uma engraçada exclamação de horror e isso as fazem rir mais. Gina já está sorrindo. Hermione sabia que ela levaria tudo na brincadeira e que sua mãe só estava usando esse tom porque estava horrorizada por Hermione fazer aquilo na frente de muitas pessoas, porque ela conhecia suas filhas e sabia que elas sempre foram assim umas com as outras, brincalhonas.

— O que ela fez? – Gina pergunta. Hermione pisca para ela colocando o batom na mesinha.

— Sou quase um Picasso, de tão perfeito que ficou esse pênis. – Hermione revela e se afasta.

— Pelo menos é grande? Não gosto de miséria. – Todos dão risada. – Eu deveria saber que você faria o mesmo que fiz com você. Se considere vingada.

FlashBack on

— Eu fico muito feliz que você errou. – Gina falou e pegou um batom rosa choque da mesa.

Hermione deu risada porque sentiu o leve tom irritado de sua irmã, por ela ter acertado a maioria das coisas e estar pouco pintada. Gina pareceu concentrada quando desenhava na testa de Hermione e depois de um tempo ela pousou o batom de volta a mesa e sorriu colocando as mãos na cintura, com o maior sorriso travesso que Hermione a viu dar e se afastou, dando espaço as pessoas para verem o que ela tinha feito.

A risada gostosa de Draco conseguiu ser mais audível que a exclamação de horror do pai de Hermione. Isso foi suficiente para saber que sua irmã tinha aprontado e que aquela despedida estava começando a ser injusta, já que só ela estava pagando o pato, quando na verdade os dois tinham concordado em fazer uma despedida juntos.

— Gina, está sendo generosa. O meu é menor. – Draco se fez ser escutado, em cima de todas as risadas. Hermione se levantou, com um sorriso nos lábios, por vê-lo sorrir e foi até o espelho.

— Gina! – Exclamou e procurou pela irmã que dava de ombros, afastada em um canto com um sorriso nos lábios.

— Eu sei, sou uma artista e Draco, esse pênis não é seu, não teria sido tão generosa. – Hermione gargalhava enquanto foi até o batom e o pegou, com os olhos em Draco.

— Eu sei que não é. Vou mostrar como é o de Draco. – Hermione disse e viu o riso de Draco sumir quando ela se aproximou dele. Passou um braço por seu pescoço, de forma delicada e conseguiu sentir o cheiro dele a envolver. O cheiro dele, por mais que o sentisse, sempre foi reconfortante e isso a agradava. Ficando na ponta dos pés ela encarou seus olhos, que pareceram consumi-la nos minutos que se encaravam, o beijou e depois que se afastaram ela pegou o batom, tirando a tampa com os dentes e desenhou em sua testa.

Draco não protestou, apenas a envolveu na cintura com os braços e sorriu. Ao finalizar Hermione pegou tampa de sua boca e afastou um pouco a cabeça para analisar.

— Perfeito. – Disse e se virou buscando por Gina na multidão. – É assim. – Falou apontando para a testa de Draco e Gina deu risada acompanhando as outras pessoas, menos seu pai que parecia bem desconcertado.

— Acho que preciso de uma bebida mais forte. — Foi o que ele disse, com um sorriso envergonhado no rosto, antes de se levantar e ir para a cozinha acompanhado de sua mãe que queria sorrir, mas ao mesmo tempo queria as repreender com o olhar.

— Vejo que está se divertindo bastante. – A voz grave de Draco, acompanhada com sua respiração quente em sua orelha a faz arrepiar e ela se virá para encara-lo.

— Não achei que fosse justo só eu ser pintada. – Ele a puxa mais para si.

— Concordo. – Responde e a rouba um beijo rápido ao qual Hermione queria intensificar, mas não achou que fosse o lugar certo. – Seria errado se eu dissesse que estou com vontade que isso tudo acabe rápido, para eu levar minha quase esposa para casa e ter a minha despedida de solteiro de outra forma? – Hermione ergueu as sobrancelhas e passou o outro braço pelo ombro dele.

— Depende do que você estiver pensando para sua despedida senhor Malfoy.

— Eu e minha futura mulher, na cama, de preferência que você esteja sem roupa.

— Acho que errado seria se não pensasse. Porque estou pensando isso desde que saímos de casa. – Ele sorriu e soltou um suspiro aliviado.

— Que alívio, isso me faz sentir menos..

— Tarado? – Ela concluiu e ele gargalhou novamente, aquela risada que fazia seu coração bater de forma disparada contra suas costelas.

— Exatamente. – Eles sorriram cumplices e ele novamente capturou seus lábios. Esse momento deve ter durado um pouco mais do que o necessário já que ouviu Gina pigarrear.

— Gente, vocês vão ter tempo para isso depois. Agora se separem e trate de se sentar aqui Draco. Não está tendo graça ter Mione nessa brincadeira, ela acerta tudo, e queremos alguém que seja ruim o suficiente para sair daqui igual a um quadro abstrato. – Gina fez todos rirem e Hermione sentiu os lábios de Draco formarem um sorriso sobre os seus antes de se afastar.

— Eu aceito. – Ele disse e piscou para ela antes de ir se sentar. – Ela estava justamente reclamando o quanto era injusto que eu não fizesse parte da brincadeira quanto a despedida é dos dois.

— Algo que não achei certo. – Blaise falou e todos o encararam. – Não me leve a mal Hermione, mas meu amigo foi enlaçado. Deveríamos estar em uma boate embebedando Draco, mas ele negou quando demos a ideia, dizendo que vocês tinham combinado de fazer uma despedida juntos. E agora ele está aqui, arrancando dólares de mim com esse presente caro que sua irmã me ajudou a escolher, e com um autorretrato do pau dele na testa. – Draco riu novamente fazendo que não. – Você está perdido cara. – Blaise completou e Hermione viu sua irmã ir até ele e dar um lápis em sua mão.

— Concordo plenamente Zabini. O que eu estava planejando era algo que estivesse ligado a Hermione no meio de no mínimo cinco go-go boys, mas já que estamos aqui, você pode ter sua vingança de algo que ele fez com você no passado. – Foi aí que Blaise pegou o lápis com um sorriso nos lábios.

Ali, Hermione percebeu, que tinha acontecido algo entre Gina e Blaise e mais tarde soube que eles tiveram um lance rápido de uma ou duas noites.

Com o lápis em mãos Blaise se aproximou de Draco e hesitou um pouco, parecendo pensar o que desenhava.

— Nada de ser bondoso. – Gina completou e Blaise se virou para ela piscando dizendo que tinha entendido a mensagem.

— Jamais. – Ele disse e se pôs a fazer sua arte na bochecha de Draco.

Assim a noite passou rápido, entre risada e conversas, quando todos foram embora, eles organizaram os presentes. Depois deram um jeito rápido na casa e logo Hermione se viu rendida em um banho quente ao qual Draco já tinha tomado. Da porta o viu, ele estava deitado na cama, com apenas sua calça de moletom preta, um lápis e papel em mãos.

Ela estava saindo do banheiro e sorriu quando ele a olhou com uma feição concentrada e assim continuou.

— Fiquei ai. – Ele pediu. Ela o fez, penteando seus cabelos, enquanto Draco a olhava por longos segundos, em que Hermione se sentia quase tragada por ele, e ele depois olhava para o papel, colocando seu lápis para trabalhar.

Depois que ela acabou de pentear os cabelos e se encostou no batente da porta, escorando um pé na parte interna da outra perna e cruzou os braços ele a olhou e seus olhos concentrados suavizaram o vinco formado entre suas sobrancelhas, ele sorriu e largou o desenho ao seu lado na escrivaninha.

— O que foi? – Ela perguntou quando percebeu que poderia se movimentar, pousou o pente na escrivaninha no seu lado da cama e se sentou no colchão macio sobre as pernas encarando Draco.

Ele deu de ombros, cruzou os braços e continuou a encarando. Ela corou.

— Eu nunca vou me cansar disso. – Ele disse e ela sorriu rolando os olhos. – Nem disso. – Ela sorriu balançando a cabeça. – Ou disso. – Ela mordeu os lábios, se sentindo nervosa da intensidade da voz dele. – Céus. As vezes sinto como se você me fizesse perder o chão Hermione, ou me fizesse sentir como se estivesse em outro plano, talvez flutuando. É normal?

— Não sei responder a essa pergunta, para a mesma dúvida que tenho.

— Oras, não é você que tem sempre resposta para tudo? – Ele a provocou, mas seu tom de voz ainda o deixavam naquela áurea diferente, como se realmente estivessem em outro plano.

— Dessa vez teremos que viver com a dúvida. Mas acho que essa pergunta sem resposta é a única que não me irrita. – Ela respondeu. Passando seu dedo indicados pelos desenhos da colcha e o encarou.

Se encararam por um tempo antes de ele estender seu braço e puxa-la para si. Ela deu um sorriso misturado a um grito e colocou as mãos em seu peito amortecendo a queda. Ali, com o rosto tão perto ao dele que ela pode traçar cada detalhe do rosto dele, com os olhos. Desde a barba, nascendo em seu rosto, até as suas linhas de expressão que se formavam no canto de seus olhos, quando ele sorria.

Ela sentiu o dedo dele desenhar o seu queixo e depois subir até a boca e a desenhou também, para depois descer por seu pescoço e mais além o vale de seus seios, até onde a camisola não tampava e os olhos dele acompanhavam o caminho que seu dedo fazia, quase como se estivesse em transe.

— Eu te amo. – Ele externou o que parecia estar segurando por muito tempo e a olhou. Hermione sorriu calorosamente quando ele a beijou de forma terna, segurando seu rosto com as duas mãos.

— Eu também te amo. – Ela soltou, também o que queria dizer e nem sabia que queria.

Se beijaram outra vez e esse beijo foi mais urgente. Foi como se estivessem esperando o dia todo para aquele momento em que os seus lábios se encontrariam e se uniriam quase formando um só. Depois que precisaram de ar e se separaram Hermione viu o desejo nos olhos de Draco e ela se sentiu mais acesa do que já estava. Já ia se entregar a essa atmosfera de desejo, mas o papel atrás de Draco chamou a sua atenção.

Ali estava um desenho seu. Ela segurava o livro em uma mão, tinha os cabelos enrolados na toalha e vestia um roupão. Ela foi rápida, se deitando sobre o abdômen de Draco para capturar o desenho. Ele ajeitou sua postura, se colocando reto para ver o que ela fazia e ela o escutou protestar com um grunhido.

— É lindo Draco. – Disso o olhando por cima do ombro, mas logo voltou a olhar para o desenho, encantada. – É assim que você me vê? – Ela quis saber porque o desenho parecia ela, mas uma Hermione diferente da que ela era. Parecia uma Hermione com uma imponência que ela não sabia que transparência. Os olhos dela a encaravam de forma selvagem e o sorriso confiante. Virando novamente a cabeça ela olha Draco, para saber se ele a tinha escutado e o viu dar de ombros. Sentiu a mão dele deslizarem pela dobra de sua coxa até o volume de seu bumbum e parar ali onde ele sorriu travesso e a olhou.

— Eu te vejo de muitas formas Hermione. – A forma como ele disse seu nome a fez arrepiar. Ele sabia como levá-la para aquele jogo. Ela ergueu a sobrancelha entrando na brincadeira.

— É mesmo Malfoy? Me diga qual das formas está em sua cabeça agora. – Ela o provocou, mesmo sabendo no que ele pensava, que era o mesmo que ela.

— Acho melhor mostrar. – Ele disse tirando o desenho, que depois Hermione mandaria colocar em uma moldura e penduraria na sala, da mão dela e o colocou de volta da escrivaninha, a puxar para o seu colo a fazendo se sentar, passando uma perna de cada lado do quadril dele.

Ela se acomoda melhor no coloco dele e consegue sentir que o membro dele já o aperta em sua roupa. Sorrindo ela sentiu as mãos dele subirem por sua perna, passarem seu quadril e pousarem em sua cintura. Ela sente que é como se ele a detalhasse com as mãos. Quando ele vai se aproximar para beija-la Hermione coloca uma mão sobre seu peito, o parando e com a outra ela finge ser um telefone e aproxima da orelha.

— Você ligou para a nossa central de atendimento de telesexo da madrugada. – Fala, com a sua voz abaixando algumas oitavas e a engrossando de uma forma que ela achou que ficaria sexy, como uma locutora. – Se quiser ouvir uma de nossas mensagens gravadas, aperte o botão um. – Draco sorriu, estreitando os olhos para ela. – Se quiser conversar com alguma de nossas atendentes, tecle dois. – Piscou para ele, que fez que não com a cabeça ainda segurando sua cintura com um sorriso nos lábios. – Caso queira uma despedida de solteiro, tecle três. – Foi a vez dela piscar para ele.

— Quero uma noite com a minha mulher. – Hermione ergueu a sobrancelha.

— Essa opção não está no nosso menu de opções senhor, mas te passarei para alguma atendente e veremos o que pode ser feito. – Ela falou e ele gargalhou, a fazendo se sentir encantada.

— Já disse que amo você? – Ela estreitou os olhos colocou suas mãos por cima das dele em sua cintura.

— Já, mas caso queira repetir, não vai me magoar. – Dessa vez quando ele se aproximou ela não o afastou e assim ele colou os corpos deles e Hermione sentiu seu ar começando a querer não chegar tão bem quando segundos atrás, em seus pulmões.

— Eu a amo. – Ele a segurou e a colocou sobre a cama. Beijou seu pescoço. – Eu te amo. – Repetiu e beijou sua testa. – Eu te amo. – Beijou seu nariz. – Eu te amo. – Beijou sua boca. – Eu te amo. – Beijou entre seus seios. – Eu te amo. – Se encararam e ele beijou sua boca antes de encara-la novamente. – Casa comigo? – Aquilo a fez sorrir e enlaçar seu pescoço.

— Quantas vezes vai me perguntar isso para que eu repita em todas elas, sim? Acaso está querendo que eu desista? – Ele tinha feito aquela pergunta a ela mais vezes do que ela poderia contar.

— Não, estou apenas fazendo meu coração ter a sensação de realização todas as vezes que escuta um simples “sim”.

Ela sorriu e pode jurar que seu coração parecia não bater mais.

FlashBack off

Hermione estava lendo distraída com a revista em sua mão, enquanto esperava ser chamada para atendimento. A verdade é que a revista não passava de uma distração nenhum pouco boa, para o seu nervosismo de estar ali.

Olhava para recepcionista, toda hora que ela ia ali e chamava por alguém, na esperança que fosse seu nome. Mas ele parecia nunca chegar. Estava ali realmente para um exame simples de check-up, mas mesmo assim se sentia nervosa. Devido a todo o seu histórico passado Hermione sentia que clínicas a intimidavam. A assustavam até, fazendo o ambiente pesado demais para ficar só o tempo necessário e que para ela tinha sido nos quinze primeiros minutos que passou pela porta. Depois disso ela começou a se sentir como estivesse sendo sufocada.

Resolvendo abandonar a leitura ela pegou seu celular, para conferir se tinha algo de importante. Viu que não tinha nenhuma mensagem de Piper, sua secretária, que sabia que ela estava na clínica. Também não tinha de suas irmãs, que também sabiam que ela estava ali. Então revisou os e-mails, lendo alguns mandados pelos clientes, e acabou por se entreter a resolvê-los até o momento que escutou os protestos vindo de uma voz fina e infantil.

Levantou seus olhos, encarando a menininha que chorava incansavelmente no colo da mulher, que estava de costas para ela. Logo veio um homem ao socorro da moça. Cabelos castanhos e olhos azuis. Ele acalentou a pequena de forma tranquila, a acalmando um pouco, e fazendo seu rostinho se suavizar. Foi nesse momento que ela reconheceu a menininha. Depois passou os olhos para o homem que a segurava de forma protetora e aquilo pareceu fazer um processo rápido em sua cabeça, como a resolução de um quebra cabeça. Então aquele era o pai de Sarah? Tão rápida olhou para a mulher e ela, Hermione percebeu, que a encarava.

Seu coração parecia um pouco disparado, Hermione não conseguia saber o porquê desta reação de nervosismo. A mulher, que a um tempo esteve em seu escritório com aquela menininha, a encarava. Hermione viu algo diferente em seus olhos agora. Algo que não virá da outra vez, seu olhar não estava tão simpático. Ela não queria descobrir o que a outra poderia estar pensando, apenas riu para a moça em um cumprimento silencioso e voltou a abaixar a cabeça para o seu celular.

Isso não foi suficiente para a moça, porque ela se aproximou. Hermione não sabia porque, mas desejava que ela tivesse ido embora, mas quando escutou o barulho dos saltos dela se aproximando percebeu que não estava, porque eles pararam no alcance de seus olhos, que estavam direcionados para o celular.

Hermione ergueu os olhos e viu a mulher sorrir. O seu sorriso também estava diferente. Parecida quase como se tivesse o forçando.

— Hermione. — Ela disse e Hermione sorriu de volta de forma profissional, estendendo a mão para a outra.

— Desculpa, acho que não me disse o seu nome da vez que nos vimos. — Hermione falou, sendo educada e a mulher apertou sua mão.

— Astória. Astória Grengrass. — Ela falou e Hermione pode jurar que conhecia aquele nome. — Viemos aqui fazer alguns exames e Sarah acabou tomando uma vacina. — Ela fala, explicando o choro da pequena. Deve ter notado que Hermione encarava a cena.

— Ela está bem? — Hermione perguntou a vendo no colo do homem que a acalentada tão bem que ela parecia estar quase dormindo.

— Agora está. Obrigada por perguntar. — Hermione deu de ombros informando que não tinha o que agradecer e foi aí que seu sorriso se perdeu.

No momento em que seus olhos caíram na revista na mão da moça. Era ele. Hermione o reconheceria em qualquer lugar, mesmo que a imagem estivesse um pouco distorcida pela forma como a mulher segurava o papel.

Aquilo tirou um pouco do ar dela. Tinha algum tempo que não o via, mesmo em revistas ou sites de fofoca e a imagem a chocou mais do que queria, fazendo seu coração palpitar de um jeito familiar.

— … por isso não achei nenhuma pessoa que pudesse fazer o quarto. Ia até te ligar para insistir mais um pouco. Seu trabalho parece ser tão bom. — Hermione não estava prestando atenção nas palavras da mulher, já que a revista tinha roubado. E sua cabeça a tragou para um passado onde sempre aparecia naquelas revistas, ao lado de Draco. Se não na capa, em alguma outra página que vinha com prestígios, entrevistas e até mesmo críticas e especulações. — Então? Você poderia? — Hermione desta vez focou a mulher em sua frente e se sentiu envergonhada por não ter ouvido nada do que ela tinha dito. — Hermione, ouviu o que eu disse? — Não, sua cabeça gritava, mas ela forçou um sorriso e concordou com a cabeça.

— Sim, escutei.. Eu poderia sim. — Aceitou a pergunta da moça, mas se arrependeu no mesmo segundo ao ver o sorriso dela e por não saber com o que concordava.

— Tudo bem então. Eu te ligo para combinarmos. — Foi tudo o que ela disse antes de se virar para ir embora.

Hermione ficou tentada a perguntar o que ela estava falando, mas isso significaria dizer que ela não estava prestando atenção na moça e isso ela não faria. Assim, observou a mulher se afastar e colocar a revista em cima do balcão antes de se virar para a menininha, agora que não chorava mais, e a pegar do colo do homem, que passou o braço pelo ombro de Astória e eles seguiram para fora.

A menininha abanou a mão para Hermione que sorriu e fez o mesmo, olhando nos olhos azuis da pequena. Talvez estivesse com Draco muito tempo na cabeça e por isso viu ele na menina. Suspirou alivia quando Astória saiu com a menina pela porta, sumindo de vista. Ela não sabia explicar o porque desse incomodo, todas as vezes que via a moça, e também não sabia explica porque o passado estava parecendo um carrapato, preso a ela, sem se soltar. Hermione sabia que precisava esquecer tudo. Deixar tudo no seu devido lugar, mas é mais forte que ela e involuntariamente ela se levanta, com o percurso traçado ate o balcão, sorri de forma displicente para a balconista sentada e pigarreia.

— Eu posso? – Perguntou aprontando para a revista. A outra concordou com um sorriso e Hermione sorriu também, antes de se afastar agradecendo.

Suspirou um pouco antes de olhar a capa, e quando já estava sentada colocou direito os olhos na revista. Draco Malfoy, um empresário de sucesso. Draco estava na capa, com essa manchete. E céus, ele estava lindo. Ele segurava o queixo com uma mão e a foto pegou seu rosto de lado. Todo o cenário estava escuro e ele usava um tom azul marinho, que contratava com sua cor e a cor de seus cabelos. Não tinha como negar. Ele é lindo e ela sentia saudades.

Teve que sorrir ao imaginar Draco em um desses ensaios. Quando estava com ela, ele tinha participado só de um, para uma empresa de Sydney, que o chamaram para ser modelo de roupas sociais dele. Ele ficou todo envergonhado, mas acabou aceitando por causa dela. Traçou o dedo pela foto, lembranças vieram e ela se sentiu obrigada a manter um ritmo lento de sua respiração, para os olhos não encherem de lagrimas, e se viu obrigada também a largar a revista.

Ela sabia que não era desta forma que faria tudo voltar ao normal. Tinha que ser consciente. Cinco anos e durante quatro foi firme. Não seria agora que teria problemas para lidar com a situação. Respirou, arrumou os cabeços, ajeitou a bolsa e resolveu se levantar para devolver a revista ao balaio onde elas ficavam.

— Hermione Jean Granger. – Escutou seu nome vindo de uma voz masculina, quando ela já estava preparada para se sentar. Mas gelou, ela conhecia aquela voz. Talvez se ela ficasse parada eles teriam entendido que ela não escutou, mas era impossível, visto ao silencio da recepção. – Hermione. – Chamou outra vez e não teve outra escolha se não virar e quando fez isso quis cavar um buraco no chão ate encontrar o caminho de sua casa.

Era ele. Seu sorriso mesmo profissional, brincava nos lábios e ela teve que sorrir também, sentindo as bochechas corarem e o coração acelerar. Não podia ser Viktor Krum em sua frente.

Notas finais
Vou começar a marcar de encontrar com vocês as quintas-feiras. Então, toda quinta estarei aqui com um cap novo. Talvez atrase um dia, mas eu pretendo ser pontual. Enfim, espero que tenham gostado. Comentem muitooooo, acompanhem a história, favoritem, recomendem, beijos e ate mais.. P.S: tenho outra história postando aqui. Procurem no meu perfil. Espero que gostem dela também. ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.