Onde as Arvores Correm
3 Corrida de Bigas
Notas iniciais
Ino bocejou deitada em seu saco de dormir, no chão do chalé de Hermes. Tudo o que havia trazido estava em uma pequena mochila, que lhe servia de travesseiro.
– Acorda novata! – Uma garota com feições élficas gritou. Ela era mais nova que Ino, doze ou onze talvez. Tinha um sorriso travesso em seu rosto pequeno. – Hora do café da manha!
Ela seguiu os outros campistas ate o refeitório, o pavilhão á céu aberto. Hinata havia lhe explicado que, como nunca chovia no Acampamento, eles não precisavam se preocupar com tetos ou coberturas.
Sentada na mesa apinhada de crianças, ela comia em silencio. A questão que todo semideus se faz em algum momento, cedo ou tarde, apareceu em sua mente.
Quem era seu pai? Por que ele não há havia ajudado quando estava fugindo dos monstros?
Tristeza e raiva começaram a se formar em seu peito, mas ela chacoalhou os pensamentos para longe. Não queria estragar seu apetite.
– Ino! – Sakura gritou de sua mesa, acenando para ela alegremente. Os cabelos róseos dela balançavam copiando o entusiasmo da garota.
Ino acenou de volta, sorrindo.
Depois do café, ela Hinata e Sakura se dirigiram ao treino com espadas. Sakura não era ruim, mas Hinata , bem, vamos apenas dizer que ela dava um show. Ino realmente não esperaria isso dela.
Depois da vigésima vez que sua espada retiniu contra o chão, Ino levantou as mãos em rendição e correu para sua aula de arco e flecha.
Para ser sincera, era a qual estava mais ansiosa para aprender.
Um garoto com cabelos dourados estava lá para ensina-las. Naruto como ela ficou sabendo, e Ino não deixou de notar que a Hinata ficou muito vermelha.
Naruto lhe entregou um arco e ela o pegou com ansiedade, um sorriso incontido brilhando no seu rosto.
Sem hesitação, ela colocou o corpo em posição e puxou a corda, esticando-a ate o ponto em que achou suficiente.
O alvo estava distante, pelo menos dois metros e meio. A garota respirou fundo e mirou. A flecha voou certeira, bem próxima ao meio.
– Muito bem. Nem precisou de instrução Ino. Impressionante. – Naruto bateu palmas, bastante empolgado.
As garotas por outro lado, não conseguiram fazer muito progresso. A flecha de Sakura foi a que chegou mais perto de atingir o meio, mas as de Hinata nem sequer acertavam o alvo.
Ela se frustrava, mas Naruto apenas ria, e se aproximava dela com cuidado, arrumando os braços dela para que pudesse acertar.
Em uma dessas vezes, Ino pode jurar que o garoto estava corando.
Era já de tardezinha quando ela deixou as amigas para trás. Porem, antes que caminhasse muito longe, o loiro escandaloso a chamou de volta.
– Ei Ino, você gostaria de ser minha parceira na corrida de bigas? – Ele perguntou, aparentemente apressado. – Meu parceiro, Kiba do chalé de Hermes esta na enfermaria com as mãos queimadas. Acho que ele não tomou os avisos sobre lavar a louça na pia de lava com luvas á serio.
Ino sentiu as pernas bambearem. Adrenalina correndo por seu corpo. Mas então ela se lembrou de um pequeno detalhe.
– Mas Naruto, eu não, bem, eu nunca participei dessa corrida antes e...
– Sem problemas. Nos vamos intercalar. Você pode atirar flechas enquanto eu dirijo, ok?
A loira assentiu, feliz. Virou-se e começou a correr em direção ao chalé.
– A corrida começa ás oito, esteja lá! – A voz de Naruto a seguiu colina acima.
Depois de tomar um banho e jantar, ela correu para a área de chalés, aonde Naruto ia lhe dar as ultimas instruções.
Enquanto caminhava ate lá, um pouco atrás de sua fila, pode visualizar Hinata ajeitando algumas armas dentro da carruagem de Neji, o filho de Tânatos.
Não que ela fosse expert em mitologia, mas tinha uma leve ideia de quem era o pai dele, e teve certeza de que não queria ser sua inimiga.
Estava distraída com os próprios pensamentos, quando sentiu seu corpo chocar-se contra algo solido e quente.
Bateu com o traseiro no chão e olhou para cima, o rosto zangado.
– Ei, por que não olha por onde... – Mas as palavras travaram em sua garganta. Gaara, vestido com a armadura a olhava de cima.
Seus olhos cintilavam no crepúsculo, ódio em suas feições.
– O que pensa que esta fazendo? – Ele sussurrou naquela voz rouca, abaixando-se e segurando-a pela camiseta laranja. A loira sentiu medo. Porem, algo mais tomou o lugar do temor.
Ela o empurrou com força e se livrou do apero das mãos do garoto.
– O que você pensa que esta fazendo. Foi sem querer, eu não quis esbarrar em você, esta bem?
– Não. – Ele falou, quase rosnando. – Não esta nada bem.
Quando ela achou que ele ia mata-la, Temari chegou. A mais nova soltou o ar pelo nariz devagar, mantendo a pose orgulhosa.
– Algum problema aqui? – Ela disse, olhando para o ruivo com os olhos semicerrados.
Ino murmurou um não, mas o garoto simplesmente virou-se e saiu em direção á sua biga.
Assim que Temari se distanciou, Ino grunhiu e bateu o pé no chão com força. Raiva estava fazendo seu estomago se retorcer dolorosamente. Quem ele pensava que era?
Naruto, que observava tudo de uma distancia, tocou seu braço, fazendo-a despertar do transe.
– Esta na hora da corrida. Acha que pode fazer isso? – Ele perguntou, mudando de expressão rapidamente, desafiando-a.
Ela sorriu de volta. Sim, ela podia fazer isso. Podia sentir a adrenalina disparando por seu sistema.
Correu com o loiro á biga, que era, por falta de outra palavra, espalhafatosa. Amarela e laranja, com fogo e raios nas bordas.
– Hey, Naruto, você sabe quem é seu pai? – Ino perguntou, ajustando as correias da armadura.
– Não. – Ele encolheu os ombros. A loira ergueu uma sobrancelha, mas não disse nada. Ele parecia muito calmo, e ate conformado com isso.
Os corredores já estavam prontos. Tenten, a garota dos coques, estava em sua biga com um garoto de ar soturno, um casaco cobrindo quase todo seu corpo. Óculos negros cobriam parte de seu rosto. Quando ele olhou na direção da garota, um calafrio correu por sua espinha.
– Filho de Hefesto. – Sakura se inclinou perto dela, alinhando seu carro. – Muito sombrio.
Ela fez um gesto com os dedos, movendo-os rapidamente e depois arregalando os olhos.
As duas riram ate que a corneta soou.
– Boa sorte. – A de cabelos rosas subiu na sua, fazendo que sim com a cabeça para Temari. – Vocês vão precisar.
Com essas palavras, a corneta soou mais uma vez e foi então que o massacre começou.
Ω♦Ω
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