Notas iniciais
Hu-hu. Espero que aproveitem

Ino estava correndo. O ar frio da madrugada penetrando por suas roupas incessante e desagradável. Seus pés bateram algumas vezes em poças de agua nojenta acumulada no meio daquela colina interminável.

Só mais alguns passos agora. Sua respiração, ofegante e inconstante, soltava baforada de nuvens brancas a frente de seu rosto.

O grifo ficara para trás, por agora pelo menos.

Contudo, quando achou que poderia diminuir a velocidade, o pio estridente do animal cortou os céus, avisando que o corte que a garota fizera em sua asa não ia impedi-lo de agarrar seu café da manha.

– Droga. – Ela se permitiu insultar á qualquer um dos deuses que estivesse ouvindo.

Com uma das mãos segurando um lado da cintura para estacar o sangramento, ela tropeçou nos próprios pés, os olhos grudados no pinheiro de Thalia, alguns metros adiante.

Foi quando o grifo apareceu, mostrando sua carraça no céu azul escuro, as asas estendidas, uma delas deformada. Mesmo com falta de equilíbrio, o monstro continuava vindo em sua direção, olhos brilhantes mais furiosos que nunca.

A loira gritou ao olhar para trás, tropeçando logo em seguida. Tao perto.

Ela colocou uma das mãos no chão, sentindo a grama molhada pelo orvalho sob seus dedos. Não podia desistir agora.

Colocou-se de pé, escutando o farfalhar de penas perigosamente próximo.

Aos tropeções ela conseguiu chegar ate a arvore. Lançou-se para dentro da barreira no momento em que a criatura abriu suas garras, mirando em suas costas.

Seu corpo bateu no lado de dentro, seguro em fim. Mas ela ainda podia sentir o lugar onde as garras tinham arrancado parte de sua blusa, as unhas que se cravaram, ainda que superficialmente, em sua pele.

O grifo, a quem ela dera o nome de Cheetos, por alguma estupida razão, ainda bateu contra a barreira mais algumas vezes antes de voar para longe, não antes de dar um olhar assassino em direção à garota de olhos azuis.

Quando se viu só, ela respirou fundo pela primeira vez em horas, e revirou os olhos, desmaiando.

Quando acordou, estava deitada sobre uma maca, em uma enfermaria esquisita, com muitas janelas e uma garota de cabelos azuis ao lado de sua cama.

– Oh você acordou! – Ela disse tímida, mas alegre. – Prazer, meu nome é Hinata.

Ino chacoalhou a cabeça, sem conseguir processar o que estava ao seu redor.

– Seus cabelos eles... – Ela tentou falar, mas sua boca parecia estar cheia de papeis. – São azuis.

A garota deu uma risadinha, fechando por um momento os olhos perolados, quase lilases.

– É. Todo mundo tem essa reação. Mas espere ate conhecer Sakura, ela sim tem um cabelo magnifico.

A garota tentou se situar. Lembrava-se de ser perseguida por semanas por diferentes monstros. Um em particular não desistira dela. Cheetos. Ela conseguiu sorrir com a lembrança. Sorriso que logo se desfez ao lembrar-se das palavras de sua mãe antes que ela lhe dissesse para fugir.

Deuses gregos existem, assim como monstros. Va para o acampamento, lá estará segura.

Depois disso, ela não se lembrava de muita coisa. Bem, pelo menos ate que chegasse ate o pinheiro, as garras de Cheetos em suas costas e depois, escuridão.

– Você deve estar cansada. Eu vou te deixar sozinha agora.

– Não! – Ino exclamou. – Já dormi demais. Só, pode me fazer companhia?

A outra sorriu genuinamente. Ino tentou sorrir de volta. Estava confusa, mas não queria ficar sozinha de novo. E a companhia silenciosa de Hinata era reconfortante.

Depois de poucos minutos, um homem, bom, metade homem pelo menos, entrou no quarto. A sua metade inferior era um cavalo branco, o que fez a garota saltar de surpresa.

Deu uma bronca em si mesmo por isso. Sabia que coisas muito mais estranhas estariam esperando-a agora que estava nesse lugar.

– Bem vinda ao Acampamento Meio Sangue. – Ele sorriu, enigmático. – Eu sou Quiron.

– Então, todos aqui treinam para lutar contra monstros? – Essa devia ser sua milésima pergunta em cinco minutos. Mas Hinata era muito paciente. Respondeu essa como todas as outras, sorrindo da curiosidade da nova campista.

– Sim. Bem, os filhos de Afrodite e Demeter geralmente não lutam, a não ser que seja realmente necessário.

Ino assentiu. Quiron havia explicado quase tudo sobre o acampemento e depois a tinha deixado nas mãos de Hinata. A garota seria sua guia da Casa Grande ate os chalés.

La embaixo, a grama ganhava tons de dourado, o pavilhão e anfiteatro se destacando naquele mar de verde e amarelo.

– Você tem quantos anos? – A pergunta saltou da boca da loira antes que pudesse refreá-la.

– Treze. – Hinata a olhou. – Igual a você.

– Humm.

Treze. Treze anos mudando de um lugar a outro sem uma explicação convincente. Bem, agora ela tinha uma.

– Vem, vamos conhecer os chalés. – A de cabelos azulados agarrou seu pulso suavemente e começou a arrasta-la colina abaixo.

Passaram por uma linha de arco e flecha, a qual chamou a atenção da loira quase imediatamente.

Hinata lhe disse para tomar cuidado e a conduziu, mantendo distancia da parede de escalada que soltava lava.

Ino olhou para suas próprias roupas. Pudera trocar a camiseta rasgada por uma de cor lilás. A bermuda jeans deixava a mostra os arranhões e machucados ainda não cicatrizados por suas pernas brancas.

Prendeu os cabelos antes de chegar ao primeiro chalé.

Ele era verde, e tinha trepadeiras e grama crescendo no teto. Flores, das mais variadas se espalhavam pelas paredes e na parte interna.

Ela não precisou que Hinata dissesse que deusa era aquela.

– Demeter. Deusa da agricultura, plantas, flores... – Ino suspirou extasiada. Era sua favorita.

– Isso. – Hinata estava surpresa, mas soube disfarçar. – Sakura!

Foi à vez de Ino se surpreender com o grito da garota. E com a adolescente que saiu de dentro do chalé.

– Olá. – A menina disse, sorrindo, os olhos verdes brilhando alegres. – Eu sou Sakura, e você deve ser Ino, certo?

Ω♦Ω

Notas finais
Entao, se gostaram, comentem por favor :D Até!