Notas iniciais
Olá, pessoas! Espero que ainda estejam esperando capítulo novo. Eu disse, demoro mas apareço ♥ Boa leitura!

— Podemos sair pelos fundos? — Perguntou, apertando a mão dele. Natsu suspirou, pensando no que deveria responder. Aqueles olhos grandes encarando-o amoleceram seu coração. O dia dela já havia sido complicado demais para negar aquele pedido.

— Claro. Mas você sabe que vai precisar enfrentar a situação com a Virgo em algum momento, certo?

— Eu sei. Só não quero lidar com isso agora. Não agora, por favor.

Suspirou outra vez, segurando as duas mãos de Lucy.

— Tudo bem. Pelo resto dessa noite então você tem que prometer esquecer todos os problemas e se divertir comigo.

— Posso tentar.

— Prometer.

— Natsu…

— Repita depois de mim. “Eu juro solenemente que vou ter uma ótima noite…

Ainda que sem muito ânimo, entrou na onda do rapaz. Se queria se distrair, precisava confiar nas idiotices de Natsu. Precisava tentar.

— Eu juro solenemente que vou ter uma ótima noite…

— … com meu maravilhoso, incrível e sexy noivo”.

— Eu não vou dizer isso.

— Precisa dizer para a promessa contar. Anda.

Com um sorriso de canto, cedeu.

— Com meu maravilhoso, incrível e não tão sexy noivo.

A encarou de canto, deixando a brincadeira passar apenas por ela ter tido humor suficiente para fazê-la.

— Ok, agora podemos ir — soltou uma das mãos dela e a puxou até as escadas. — Quer que eu chame um táxi ou prefere ir a pé?

— A pé. Quero aproveitar um pouco as estrelas. Mesmo que em Magnólia a vista seja melhor. Às vezes quando você está dormindo e eu não consigo dormir, subo até o terraço do prédio para ficar observando o céu.

— Sério? Você nunca me disse isso.

— É. É bem calmo lá em cima. E tem uma boa vista, apesar do prédio não ser alto. Acho que aquele canto é para mim o que o parque abandonado é para você.

― Ok. Talvez possa me levar até lá um dia ― ela assentiu, sem prestar atenção. Natsu parou, confuso. Sabia que Lucy não queria descer pela escada principal, mas não fazia ideia de para onde ir. Ela, notando a desorientação, o puxou até o final do corredor. Havia uma porta e, atrás dela, uma escada. ― Cara, esse lugar parece um labirinto.

― É ótimo quando você é criança e quer se esconder dos seus pais.

Ele não riu. Sabia que ela falava sério e imaginava o quanto tinha ficado sozinha, brincando naquelas escadas de serviço, talvez recebendo atenção apenas dos funcionários da casa. Ele pelo menos tinha tido uma infância feliz antes da morte dos pais.

Seguiu-a por aquele caminho desconhecido até o portão. O guarda cumprimentou a jovem, perguntando se ela gostaria de ser acompanhada por ele. Lucy recusou. Natsu sentiu-se tentado a brincar e dizer que ele mesmo cuidava dela, porém o homem de quase dois metros, ombros largos e uma arma no cinto não lhe pareceu ter muito senso de humor. Era melhor não arriscar.

Não era tão tarde, contudo as ruas já se encontravam vazias. Lucy estava calada, e ele também não sabia exatamente o que dizer para fazê-la sentir-se melhor. Além do mais, estava preocupado em notar qualquer movimento estranho. A cidade grande era muito mais perigosa do que o interior, ainda mais sendo Lucy uma pessoa conhecida, precisava ficar atento.

Após dez minutos silenciosos de caminhada, Lucy parou. Sentiu-a apertar um pouco mais sua mão, fixando o olhar em um bar aparentemente não muito elegante.

― Tudo bem? ― Ele perguntou, tentando trazê-la de volta à realidade. Ela acordou, voltando o olhar para a rua.

― Sim. É que esse era o lugar em que ele costumava me trazer. Não lembrava que para chegar ao restaurante precisava passar por aqui.

― Quer chamar um táxi ou um uber?

― Não. Ia demorar muito mais tempo do que se continuarmos andando.

Nunca tinha imaginado que o lugar onde ela e Ryan costumavam se encontrar ficava tão perto da casa. Apesar de fazer sentido. Ela era praticamente uma criança, nunca conseguiria ir muito longe.

Percebeu que Lucy aumentou a velocidade de seus passos, querendo sair dali o mais breve possível, aparentemente. Por um lado, ele sentia-se feliz por isso. Não conseguia negar que no fundo ainda tinha medo de que ela pudesse, de alguma forma, retornar ao passado. Era estúpido, um medo sem sentido, porém não podia contê-lo.

Mais dez minutos de caminhada e pararam em frente ao pequeno canto verde, branco e vermelho, com uma placa brilhante que dizia “La cantina”. Lucy o puxou para dentro do restaurante, escolhendo uma mesa no centro. Sentou-se primeiro, no banco que parecia um sofá, com Natsu ao seu lado.

― Lugar legal ― ele comentou, tentando quebrar o silêncio.

― Sim.

O restaurante, exceto pelos funcionários, estava vazio. Não muitas pessoas eram adeptas à ideia de comer massas depois das dez da noite, pelo visto.

Um garçom vinha em direção à mesa, porém foi parado por um homem vestido de chef. O homem então tomou o lugar do funcionário e caminhou até os dois, levando os cardápios.

― Perdão, mas a senhorita é Lucy Heartfilia, certo?

Desconfiada, sem querer qualquer tipo de atenção naquela noite, Lucy respondeu:

― Sim...

― É uma honra recebê-la no meu humilde restaurante ― disse, sorridente, com as mãos no avental. ― Conheci seu pai muito tempo atrás. Te reconheci pelas fotos dos jornais. Jude foi um bom amigo. Comecei meu negócio quando o dele começava a prosperar. Seu pai gostou tanto da minha comida que investiu em mim. Com o dinheiro dele, consegui melhorar meu empreendimento e hoje tenho oito franquias no país. Quando o procurei para quitar minha dívida, ele disse que servir uma boa refeição aos meus clientes era pagamento o suficiente.

Lucy sorriu.

― É uma boa história.

― Se não fosse seu pai, provavelmente eu não seria ninguém hoje. Deixe-me retribuir o favor.

O garçom de antes voltou, trazendo duas taças, uma garrafa de vinho e duas velas. Colocou as velas sobre a mesa, acendeu-as e diminuiu a intensidade das luzes do lugar. A garrafa foi pega pelo chef, que serviu uma quantidade generosa de vinho para cada.

― Eu mesmo me encarregarei da comida. Vou trazer a especialidade da casa.

― Muito obrigada, chef...

― Henrique. Chef Henrique.

― Muito obrigada, Chef Henrique.

Ele fez uma breve reverência e saiu. Natsu experimentou um gole do vinho. Era muito bom.

― Obrigado ao seu pai.

― Ele era um bom homem, não era? ― Perguntou, parecendo realmente ter dúvidas.

― Claro que era.

― Às vezes fico pensando, se ele era tão bom, como acumulou o ódio de tanta gente?

― Não era culpa dele. E nem sua, você sabe. Quanto mais alto se chega, mais as pessoas tentam te derrubar.

― Eu sei.

O tom de voz dela não parecia nada animador. Estava sentindo-se um pouco inútil em não conseguir fazê-la se distrair.

― Ei, sem essa. O que você prometeu antes de sair de casa?

Lucy suspirou e sorriu.

― Que eu iria esquecer os problemas e aproveitar a noite.

― Exato. Eu não cheguei aqui com a bunda doendo por causa dos bancos duros do trem para não cumprir meu papel de namorado perfeito, então é melhor você se divertir.

Ela riu.

― Você não é perfeito.

― Como é, Heartfilia?

― E é por isso que eu te amo ― segurou o rosto dele, apertando as bochechas e o beijou.

― Boa escapada.

― Eu sei ― disse, encolhendo-se. Olhou para o copo de vinho, pensando. ― Acho que é melhor eu não tomar. Sabe, só por precaução, pelo bebê hipotético.

― Você que sabe.

― Levy me mandou uma mensagem. Ela marcou um exame para ela e quer que nós a acompanhemos. Pensei em ter uma consulta logo depois, já que vamos estar no hospital. Tirar a dúvida de uma vez.

― Ok. Nervosa?

― Um pouco, sim.

― Não se preocupe. Você engordou um pouco ultimamente, provavelmente deve estar grávida mesmo ― disse, brincando.

― Como é, Dragneel? Olha quem fala. Seu tanquinho já não está como antigamente também.

― É o estresse.

― Estresse, sei.

― E massa muscular.

― Massa muscular onde? Aposto que eu conseguiria te empurrar desse banco sem problema nenhum.

― Vai sonhando.

― Eu só não faço isso porque minhas regras de etiqueta não permitem.

― Sei ― Natsu respondeu, rindo depois de tomar mais um gole de vinho.

Lucy colocou sua mão sobre a dele na mesa, brincando com os dedos do rapaz. Olhando para a aliança de noivado em seu próprio dedo, disse, sem pensar muito:

― Eu quero casar com você.

― Nós vamos. Quer dizer, é o plano, não é?

― Não ― refutou, encostando no banco. ― Eu quero parar de enrolar e me casar com você. Já faz tanto tempo e nós sequer começamos a decidir as coisas. Além do casamento na praia.

Natsu pegou o celular no bolso e abriu o calendário, endireitando-se.

― Certo, vamos marcar uma data. Aqui e agora ― depois de procurar um pouco, disse: ― 25 de novembro. Que tal?

― Ok.

― Não importa o que aconteça, nós vamos nos casar nesse dia. Mesmo se o mundo estiver acabando, dia 25 de novembro vamos trocar votos e alianças e começar a tratar um ao outro como marido e mulher e ter todas essas tradições bestas e importantes. De acordo?

― De acordo. Mas eu quero te pedir uma coisa, Natsu. ― Ele a encarou, esperando algo como “se eu tiver que trabalhar, podemos remarcar?”, porém a pergunta foi completamente diferente. ― Eu queria que a Levy realizasse a cerimônia. Depois de você, ela é a pessoa mais importante da minha vida, e eu realmente queria compartilhar esse momento com ela.

― Tudo bem.

Estava completamente de acordo com aquilo. Devia muita coisa a Levy, e achava que ela ficaria muito feliz com o convite. Além do mais, não seria exatamente um casamento lotado. Nenhum dos dois tinha família, então os únicos convidados seriam os amigos.

Acabou não resistindo e a beijando, imaginando o quanto queria que aquele dia chegasse logo. Se pudesse, marcaria a data até mais cedo, mas imaginou que Lucy gostaria de tempo para planejar tudo.

― Eu te amo ― ela disse, alisando o cabelo dele.

― Eu sei ― alguns segundos depois, o chef voltou com dois pratos de macarrão. Colocou-os em frente aos dois e desejou uma boa refeição. ― Estou morrendo de fome.

― Diz que me ama, mas me troca por comida sem nem pensar.

― É claro, é comida ― disse, já com a boca cheia.

― Pode ficar com o meu. Desculpe por ter te feito sair rápido de casa e te impedir de terminar seu lanche.

― Não mesmo. Você vai comer. E a comida está boa demais para você recusar ― Lucy riu. ― O que foi?

― Nada, é que fazia tempo que você não ficava me enchendo o saco para comer. Eu acho que senti falta, por mais chato que seja.

― Que bom. Então coma, Heatfilia.

Ela obedeceu, dando uma garfada. E ele tinha razão. A comida estava excelente, assim como a companhia.

Assim que terminaram de comer, Lucy tentou pagar a conta, mas o chef insistiu que ficasse por conta da casa. Não teve como recusar, então aceitou o presente. Antes de sair, ele ainda disse que sentia muito pela morte de Jude, ainda que já fizesse um bom tempo desde o falecimento. Lucy agradeceu as condolências, dizendo que voltaria ali sempre que pudesse.

No caminho de volta, ainda de mãos dadas a Natsu, parou novamente em frente àquele bar antigo.

― Posso fazer outro pedido, um pouco mais estranho? ― Disse.

― Claro.

― Quero entrar lá.

Ele fechou a cara, apertando a mão dela.

― Não acho que seja uma boa ideia. Você não está bem hoje.

― Exatamente. O quão pior posso ficar? E você está comigo, eu me sinto bem mais segura assim. Natsu, esse lugar é palco dos meus piores pesadelos. Se eu não enfrentar isso, vou continuar sendo assombrada por ele por quanto tempo mais? Preciso perceber que não tem nada de mais num prédio velho.

Natsu suspirou, não gostando nem um pouco da ideia. Contudo, não podia impedi-la. Lucy era bem grandinha para decidir o que fazer e o que não fazer.

― Certo, tudo bem. Não gosto disso, mas se é o que você quer.

― Obrigada.

Entrelaçou mais os dedos, respirou fundo, tomando coragem e atravessou a rua.

A porta rangeu escandalosamente quando a abriu. Não havia ninguém no bar, exceto pela mulher que cuidava do lugar desde quando o frequentava. Ela limpava alguns copos no balcão, com um rosto nada amigável. O cabelo preso bagunçado e a camisa regata preta colada ao corpo.

Lucy seguiu até o balcão, com Natsu em seu encalço. Lembrava-se de cada centímetro daquele lugar, até mesmo das marcas de copo na madeira.

― O que vai querer? ― A senhora perguntou.

― Na verdade, eu estava querendo conversar.

― Não pode ficar aqui se não for consumir nada.

― Uma água então ― Natsu pediu, deixando o dinheiro no balcão. Ela o encarou feio por ter pedido o mais barato, mas o atendeu.

― Eu me lembro de você ― disse, olhando para Lucy. ― Uma das garotas que Ryan costumava trazer. Ouvi dizer que ele matou uma menina numa cidade do interior.

― Sim. ― Lucy respondeu, desconfortável. ― Ele ainda mora aqui?

Lucy tinha comentado que costumava frequentar aquele bar, mas não dissera que ele também morava no lugar. Estava gostando cada vez menos daquilo.

― Não. Faz alguns anos que se mudou. E para falar a verdade, fiquei bem feliz por isso. Já sabia que aquele cara cheirava a encrenca logo quando apareceu. Algumas garotas que ele trazia para cá desapareciam e nunca mais eram encontradas.

― E mesmo assim você o deixava morar aqui? ― Natsu perguntou, irritado.

― Escuta, querido, pagando o que me deve, não me importo nem um pouco com o que a pessoa faz ― voltou-se outra vez para Lucy. ― Você não é muito inteligente em estar procurando por ele.

― Na verdade, estou tentando fazer exatamente o contrário. Ficar o mais longe possível dele.

― Bom. Então o que faz aqui?

― Eu não sei. Tendo certeza de que ele não voltou, acho ― se o encontrasse ali, porém, não sabia o que iria fazer. ― O quarto ainda está vazio?

― Sim.

― Acha que posso dar uma olhada nele?

― Pretende alugar?

― Não.

― Então não.

Lucy assentiu. Talvez fosse melhor daquele jeito.

― Certo. Acho que devemos ir embora, então.

A senhora franziu a testa, pegando algo debaixo do balcão.

― Como é mesmo seu nome?

― Lucy. Lucy Heartfilia.

Entortou ainda mais a face.

― Que estranho ― disse, entregando um envelope branco para Lucy. ― Isso chegou hoje cedo.

Lucy abriu o pacote. Dentro dele havia uma foto de quando ela, Natsu e Levy foram à praia, poucos dias atrás. Virou o papel e atrás estava escrito “espero que não tenha se esquecido de mim”. Seu coração disparou, o corpo inteiro gelado, sentindo que iria vomitar.

Natsu puxou violentamente a foto da mão dela e a rasgou em vários pedaços, jogando no lixo. Talvez não a atitude mais inteligente, já que poderia servir de prova para a polícia, porém a raiva o consumiu.

― Quem te entregou isso? ― Perguntou, sem paciência nenhuma.

― Chegou pelo correio.

― Vamos para casa, Natsu.

Ele obedeceu, querendo apenas sair daquele bar. Sabia que era uma péssima escolha ter entrado ali. Nunca deveria ter deixado Lucy tomar aquela decisão.

Já na rua, seguindo-a, disse:

― Ele está só tentando mexer com a sua cabeça. Não ligue para isso.

― Bom, parece que ele está conseguindo. E qual a diferença, Natsu? Ele estava lá. É isso que importa. Ele nos seguiu e nós sequer percebemos.

― Não precisa se preocupar. Eu juro que não vou deixar nada acontecer com você.

Lucy riu sarcasticamente.

― Sem ofensas, Natsu, mas como acha que pode me proteger? Ele deu um tiro em você. Poderia muito bem ter te matado se quisesse. Ele matou a Lisana bem na sua frente. Então me desculpe por não me sentir exatamente segura com essa promessa.

Aquilo o feriu, pois sabia que era verdade. Tudo o que ele tinha eram promessas vazias quando não conseguia proteger nem a si mesmo. Queria poder fazer algo, qualquer coisa que fosse, para mantê-la bem, e sabia que não conseguia, o que o deixava furioso.

― Não, está certa. Você tem razão. Mas essa promessa é tudo o que eu tenho.

Conseguiu ver as lágrimas contidas nos olhos dela. Não a culpava por nada, nem pelas palavras duras. Ela estava assustada, e ele também. Ryan tornava suas vidas um verdadeiro inferno.

Lucy apertou os lábios, com as mãos na cintura, e voltou a andar. Com o olhar baixo, disse, a voz carregada de frieza:

― Ótimo. Então você não tem nada.

Notas finais
Não esqueçam de deixar um comentário! Gente, eu comecei a postar uma versão original de OTOTA no Wattpad. Ou seja, uma não fanfic. É otota, porém com personagens originais (é só o nome que muda, shaushaushauhs) e algumas alterações na história. Vou deixar o link caso queiram dar uma olhada, tá bem legal ♥ E também para ninguém achar que é um plágio de otota, kkkkkkkkkk https://www.wattpad.com/story/117814682-a-song-of-fire Vejo vocês no próximo. Até lá o/