Onde Tem Ódio Tem Amor
6 Segredos
Notas iniciais
Levy se sentou ao lado de Lucy. Segurava uma sacola sobre a qual Lucy se perguntava o que poderia ser. Porém não perguntou de imediato. Levy estava preocupada, queria antes eliminar a preocupação da amiga com relação a si.
― Lu-chan, ficamos preocupados com você. Até mesmo o Natsu, por incrível que pareça.
― Eu estou bem, não precisam se preocupar. Bem, é realmente difícil acreditar que ele se preocupou com alguém.
― Ele não é tão ruim quanto parece. Disse que a culpa era dele, por não ter te levado ao hospital antes. Mas, de qualquer forma, ele continua sendo o Natsu. No meio do hospital ficou preocupado se uma das garotas que esperavam na recepção poderiam estar interessadas nele.
A garota se decepcionou levemente ao ouvir aquilo. Natsu estava diferente naquele dia, de certa forma amigável, o que a fez esquecer-se o porquê de odiá-lo tanto.
― Ele é um completo idiota, realmente.
― O que aconteceu entre vocês? Pareciam amigos quando cheguei aqui. ― Levy perguntou repentinamente.
― Não aconteceu nada, ele só estava sendo legal. Tivemos uma trégua.
― Lu-chan, tome cuidado com o Natsu. Eu gosto dele, é um bom amigo, mas também pode ser um grande manipulador e persuasivo quando quer algo, ou melhor, quando quer alguém, e tenho certeza que ele quer você.
― Eu sei disso, Levy. Não é como se fossemos amigos. Minha opinião sobre ele não mudou nem um pouco. Continua sendo o idiota do Natsu.
― Bem, depois que ele desiste não é alguém tão ruim. Tirando o fato de ser um mulherengo, Natsu é uma boa pessoa.
― Mas não muda o que ele é. Não vamos falar sobre o Natsu, ele não é um assinto interessante. Me diga, o que tem nessa sacola?
Levy olhou para o pacote em sua mão e o entregou para Lucy. Aquele era um dos motivos que a haviam levado até ali, afinal.
― É mesmo, quase tinha me esquecido. Eu anotei todas as matérias que você perdeu, imaginei que seria ruim se se perdesse nas matérias. Está tudo aqui.
― Obrigada, Levy-chan. ― A garota agradeceu. Sem o barulho da conversa, Levy pôde ouvir o estômago de Lucy anunciando sua fome.
― Lu-chan, está com fome? ― perguntou, mesmo já sabendo a resposta.
― Bem, diríamos que o Natsu não cozinha muito bem.
― Vou preparar algo para nós comermos.
A pequena se levantou e foi até a cozinha, olhando nos armários o que poderia ser útil para preparar algo, mesmo que não encontrasse muita coisa ali. Natsu não parecia ser muito fã de supermercados. De qualquer forma, daria um jeito.
***
O rosado parou em frente à grande mansão em que Gray, morava. O moreno não era necessariamente rico, mas sua família vivia muito bem. Tocou a campainha e esperou.
― Quem é? ― perguntou a voz no interfone.
― Sou eu seu idiota. Abra logo, está frio aqui fora.
― Quem sabe se você pedir com um pouco mais de educação eu abra. ― Provocou-o.
― Anda logo, Gray!
― Isso não foi muito educado.
― Por favor, idiota de olhos caídos, pode abrir logo esse portão antes que eu congele?!
― Claro.
O portão abriu e Natsu entrou. Sabia que Gray estava sozinho em casa, já que seus pais trabalhavam o dia inteiro. Gray estava sentado na sala, e Natsu caminhou direto para lá.
― Então, está muito frio lá fora? ― o moreno perguntou, sorrindo sarcasticamente.
― Cala a boca ― Natsu retrucou, sentando-se na poltrona ao lado do sofá.
― O que você quer? Fiquei sabendo que a Lucy está mal. Ficou cuidando dela?
― É, aquela garota está me dando trabalho.
― O grande conquistador está tendo problemas com uma garota? Essa é nova.
― Cala a boca. Eu não quero magoar a Lucy. E ela é difícil, ok? Mas, guarde minhas palavras, essa garota ainda será minha.
― Não quer magoá-la? O que foi, seu coração amoleceu é? Esqueceu a sua “garota do passado”? Quer desistir da aposta?
― Eu não vou desistir. Tenho uma reputação a manter. E eu não a esqueci, não é uma garota qualquer que fará isso.
― Você é muito idiota, Natsu. Por que não esquece o passado e segue em frente?
― Não sou idiota. Eu vou cumprir a promessa que fiz.
― Por que quer tanto ficar preso ao passado?
― Não interessa a você. ― Natsu fez uma pausa, querendo imediatamente mudar o assunto. ― Bem, já que estamos aqui, o que acha de eu acabar com você novamente no videogame?
― Por quê? Está com medo de ver a Lucy e repensar sobre a aposta?
Natsu ficou calado, não queria voltar para casa por causa de Lucy, isso era verdade, mas não desistiria da aposta de jeito nenhum. Era um homem de palavra, e se havia dito que iria cumpri-la, então iria.
Já passava das dez horas da noite, Lucy e Levy conversavam e riam, porém, mesmo com a agitação, Lucy percebia que Levy estava quase caindo de sono. Além do mais, no dia seguinte tinham aula, e ela sabia que a pequena só estava ali para não deixá-la sozinha.
― Levy-chan, eu estou bem, pode ir para casa. Logo tenho certeza de que o Natsu estará de volta, não precisa se preocupar comigo.
― Não tenho certeza se é uma boa ideia te deixar sozinha. ― a pequena rebateu, desconfiada.
― Pode ir, você está cansada. Eu vou ficar bem.
Por fim, Levy cedeu.
― Tudo bem, Lu-chan, eu vou, mas tome cuidado.
― Pode deixar.
― E tranque a porta
― E se o Natsu não tiver a chave? ― Lucy perguntou.
― Ele dorme no corredor. ― Levy sorriu de canto, imaginando o rosado tendo que ficar para fora de casa.
― Isso seria divertido.
― Lu-chan, você é má.
― Foi você quem sugeriu a ideia.
― Certo, eu também tenho culpa, mas seria mesmo engraçado. Até amanhã, Lu-chan, tranque a porta mesmo que o Natsu tenha que dormir no corredor. É perigoso deixar destrancada.
― Tudo bem.
Levy saiu. Lucy estava cansada, apesar de não ter feito nada o dia todo. Se levantou, trancou a porta como Levy havia lhe intimado a fazer, e foi dormir.
Pensou em Natsu antes de cair no sono. Não confiava nem um pouco nele. Acreditou no que disse de manhã porque sabia que naquele momento ele estava sendo totalmente verdadeiro, mas em momentos comuns não confiava, nem gostava dele, não poderia, não se permitiria nem queria ser amiga dele.
Natsu chegou em casa tarde da noite. Colocou a mão na maçaneta e percebeu que estava trancada. Olhou seus bolsos. Totalmente vazios, a não ser pelo celular. Pensou em ligar para Lucy, mas logo depois lembrou-se de que não possuía seu número. Tentou ligar para o telefone da casa, mas ninguém atendia. Lucy tinha um sono pesado, o som do telefone não a acordou.
“Droga! O que vou fazer agora?! Será que ela fez isso de propósito para me deixar trancado? Não, a Lucy não faria isso, ou faria? Tanto faz, agora como vou fazer para entrar? Nem pensar que vou dormir no corredor. Espera, já sei, provavelmente a Lucy vai me matar amanhã por fazer isso, mas não tenho outra opção”
Pensou. Logo em seguida pôs seu plano em prática. Arrebentou a maçaneta da porta, abrindo-a. Entrou sorrateiramente e caminhou até o quarto de Lucy, para verificar se ela havia acordado com o barulho. Felizmente ela ainda dormia. Natsu sorriu.
“Francamente Lucy, se um assassino entrasse aqui para te matar você nem iria perceber”
Ele caminhou até a loira, observando-a dormir. Era ainda mais linda daquela forma.
Foi para o seu quarto e logo dormiu. No outro dia, Lucy acordou primeiro. Caminhou até a cozinha e algo chamou sua atenção: Notou a maçaneta da porta em cima da mesa, não na porta, onde deveria estar. Olhou para a porta sem maçaneta. Tinha certeza de que a maçaneta não foi andando até a mesa, assim só restava uma explicação.
― Natsu!
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