Onde Tem Ódio Tem Amor

2 Romântico Incompreendido?!


Notas iniciais
Hey, pessoal! Boa leitura!

Após bater a porta do quarto e se jogar na cama, perguntando-se como podia ser tão azarada, Lucy pegou seu celular. Havia prometido a seu pai que ligaria, afinal. Não queria ver o velho se preocupando com ela, ele já tinha problemas demais com sua saúde e dia a dia, não precisava adicionar sua filha a essa lista.

Não demorou muito até que atendesse, demonstrando entusiasmo quando respondeu:

― Lucy! Eu estava mesmo pensando em te ligar agora a pouco. Então, como foi seu primeiro dia? Foi como esperava que fosse?

― Sim, foi tudo muito bem. Conheci pessoas novas, e a escolha é ótima.

― Que bom. Eu estava preocupado.

A loira fez uma pausa, cogitando se deveria ou não contar sobre o pequeno problema que teve com o apartamento.

― Papai, o síndico lhe contou sobre os problemas que houveram com o apartamento?

― Não. Por quê? O que tem de errado com o apartamento.

― Com o apartamento, nada. Bem, o síndico se atrapalhou com umas coisas e agora tenho algo como um “colega de quarto”.

― Oh, isso é bom, não irá ficar sozinha pelo menos. Quem é?

― Um cara da escola.

“Um cara extremamente abusado e irritante com quem tenho certeza de que a convivência será muito difícil da escola.” Completou mentalmente.

― Ah, é um garoto, é? ― perguntou o senhor Heartfilia em um tom mais sério do que o utilizado anteriormente. ― Escute, Lucy, qualquer problema que tiver com seu colega de quarto, me avise. Talvez uma pequena conversinha com ele seja boa... E ele não dorme realmente no mesmo quarto que você, não é? Quer dizer, essa foi só uma expressão que você usou, certo?

― Não se preocupe, eu posso cuidar das coisas por aqui. ― ela agradecia a atenção de seu pai, mas odiava ter outras pessoas resolvendo problemas que eram dela. ― E não, ele dorme no quarto ao lado do meu. Não se preocupe, pai.

― Tudo bem então. Tenho que desligar agora, querida, o trabalho chama. Se precisar de algo, me ligue. Te amo.

― Também te amo, pai.

O Sr. Heartfilia encerrou a ligação assim que ouviu Lucy se despedir. O trabalho, parecia às vezes que essa era a coisa mais importante na vida de seu pai, mas ao menos de alguns anos para cá ele havia estado mais presente, após muitos problemas.

Lucy tinha muito a fazer, não podia perder tempo pensando em coisas desnecessárias. As roupas não seriam colocadas no armário ou as malas seriam desfeitas sozinhas. E logo após terminar isso a loira queria dar uma olhada em seus novos livros, se adiantar nas matérias para estar mais preparada. Porém não pode nem sequer abrir o primeiro livro, já que assim que estava prestes a fazê-lo seu celular tocou. O visor indicava ser Levy e Lucy atendeu no terceiro toque.

― Oi, Lu-chan. Está fazendo alguma coisa importante agora?

― Oi Levy-chan. Não muito importante, na verdade, por quê? ― a loira respondeu.

― A Erza e a Juvia, sabe, a ruiva e a de cabelos azuis, lembra? ― Lucy murmurou um “uhum”, assentindo. Se lembrava muito bem das duas. ― Então, elas estão aqui em casa. Seria legal se você viesse também. O que acha?

― Claro! Seria ótimo. Me passe seu endereço.

― Minha casa fica na rua do colégio. Azul, de dois andares, não tem como não encontrar.

― O.K., já estou indo então. Até logo, Levy-chan.

― Até.

Lucy pegou sua bolsa e saiu do quarto, apressada. Havia feito amizade com aquelas garotas facilmente, eram boas pessoas. Antes de sair de casa foi até a cozinha beber água, para matar a sede. Natsu continuava na sala, porém havia vestido uma camiseta, para surpresa de Lucy. A loira não imaginava que ele fosse mesmo ceder ao seu pedido.

― Aonde vai? ― Perguntou o rosado assim que notou que Lucy iria sair.

― Não te interessa. ― Respondeu de forma rude.

― Na verdade, interessa sim. ― Natsu a contrariou. ― Já que dividimos o apartamento, se eu precisar de você preciso saber onde está.

Apesar de parecer apenas uma desculpa para saciar sua curiosidade, o rosado tinha razão. E Lucy sabia disso, por isso decidiu lhe dizer.

― Estou indo até a casa da Levy, encontrar as meninas. Satisfeito?

― Muito. Viu? Não doeu contar. ― Natsu se levantou, andando até Lucy. ― E acho que eu deveria ir junto. Sabe, pode ser perigoso para uma pobre garota indefesa andar sozinha por aí a essas horas.

Preocupado com a segurança da garota? Que nada! O que ele queria mesmo era conseguir mais chances de “investir” em Lucy.

― Eu sei me cuidar.

― Será que sabe mesmo?

― É claro que sim.

O rosado a olhou de forma provocativa enquanto mantinha no rosto um sorriso irritante. A expressão que mantinha estava assustando Lucy. Deu alguns passos para perto da garota, encurralando-a na parede.

― Não se aproxime mais, senão eu irei gritar. ― Ameaçou.

Totalmente em vão, porém, já que ele não deu a mínima atenção. Pegou a mão da garota e a segurou na parede, deixando-a sem saída. Ele era forte demais para que conseguisse se livrar, além do que seu corpo forte a bloqueava ali. Não havia como escapar. Sentiu medo, porém não deixou transparecer.

― Você nem me conhece direito, por que parece me odiar tanto, hein, loirinha?

― Eu odeio caras como você. ― Respondeu, dando ênfase na palavra “caras”.

― Como eu? ― Ele perguntou sem entender.

― Galinhas, mulherengos, se aproveitam das mulheres, ficam com qualquer garota para depois jogá-las fora como se fosse lixo.

― Eu não sou assim. ― Rebateu rindo, levemente ofendido.

― Não? Então o que você é? Pois, para mim, alguém que dá em cima de alguém que nem sequer conhece é sim esse tipo de cara.

― Eu não sou um “galinha”. Sou um romântico incompreendido. Estou apenas em busca do meu verdadeiro amor. E como vou encontrá-la se não experimentar as possibilidades? Eu fico com uma garota, sinto o momento com cada uma, amo cada uma naquele momento, e depois analiso o que sinto.

― Para mim isso é a mesma coisa que ser um galinha. Você mente para elas, as engana. A verdade é que não ama nenhuma, só as usa. E você ainda diz que é romântico. ― disse em tom sarcástico. ―Você não sabe o que é o amor. Nunca sentiu. Nunca. Se você soubesse o que é o amor não dizia essas bobagens. Você já deve ter deixado muitas meninas magoadas por causa disso.

― Eu não ligo. ― Deu de ombros.

― Isso só prova que você é sim um galinha, alguém que não presta, assim como os outros.

― Por que não me dá uma chance de provar que não sou assim? Você pode ser o meu amor eterno, Lucy.

― Impossível! ― A garota exclamou.

― Você ainda vai ser minha. ― Disse galanteadoramente, analisando a garota de cima a baixo.

― Só se for em sonho. Agora me dê licença, por sua culpa eu estou atrasada! ― Lucy disse, empurrando Natsu, que ainda estava a segurando na parede.

― Tudo bem. ― se afastou sem relutar. ― Tome cuidado.

Lucy saiu ainda pensando nas palavras de Natsu:

“Não aguentava mais ouvir as besteiras daquele idiota, romântico incompreendido uma ova, ele é só mais um idiota que trata as mulheres como lixo. E por causa dele vou chegar atrasada!”.

Eram sete horas quando Lucy saiu de casa. A caminhada não seria longa, a escola ficava perto, consequentemente a casa de Levy também. Logo já estava lá. Tocou a campainha e a garota baixinha de cabelos azuis a recebeu com um amigável abraço.

― Lu-chan! Achei que você não vinha mais.

― Desculpe o atraso, eu tive alguns problemas antes de sair de casa.

― Não tem problema. Venha, as meninas estão no quarto.

Lucy seguiu Levy escada a cima até pararem em frente a uma porta branca: O quarto de Levy. Era pequeno, assim como sua dona, mas bonito. Erza e Juvia estavam sentadas no chão quando as duas entraram.

― Pessoal, vejam quem chegou! ― Disse Levy animadamente, anunciando a chegada da loira.

― Lucy, até que enfim ― Erza comentou sorrindo.

Após os cumprimentos e diversas conversas envolvendo garotos do colégio, professores e como havia sido o primeiro dia de aula, Levy lembrou-se do que Lucy havia dito quando chegou, sobre ter tido problemas para sair de casa. Estava curiosa.

― Lu-chan, o que aconteceu que fez você se atrasar? ― A pequena garota perguntou quando o silêncio se estabeleceu.

― Uma coisa rosa.

― Rosa? ― Levy a olhou confusa.

― Sim, mais especificamente cabelos rosados.

― Natsu? ― Erza tentou adivinhar.

― Ele mesmo. Aquele garoto irritante. Parece que terei que dividir o apartamento com ele, acreditam? Com tantas pessoas no mundo, tinha que ser justo aquele idiota?

― Natsu não é um cara tão ruim depois que o conhece melhor. ― Erza defendeu o garoto. ― O conheço desde criança. Ele mudou bastante, para pior, mas ainda é um bom amigo. Apenas tem um jeito meio idiota às vezes.

― Às vezes? Ele é um completo idiota!

Erza riu.

― Espere para conhecê-lo melhor, Lucy.

As garotas passaram a noite toda conversando. Estavam tão entretidas que nem sequer se deram conta de quanto o tempo havia passado. Já se aproximava da meia noite quando Lucy olhou o relógio.

― Droga! Já é tão tarde assim? Eu preciso mesmo ir. ― A loira disse, despedindo-se apressadamente.

A rua estava deserta, o que provocava medo em Lucy. Não podia evitar, nem negar. Tinha a estranha sensação de estar sendo seguida. Aquilo estava parecendo um dos filmes de terror dos quais tanto tinha medo quando criança. Bem, que ainda tinha, porém depois das experiências traumáticas com aqueles filmes na infância, nunca mais ousou assisti-los.

Tentou caminhar calmamente e em ritmo contínuo, porém a calma não pode ser mantida por muito tempo. Esta fora totalmente embora quando uma mão tapou sua boca e um homem, que ela ainda não havia conseguido enxergar o rosto a puxou para um beco. Ela tentou gritar, espernear, se livrar dos braços que a seguravam, mas não conseguiu; e parou de tentar quando viu uma faca próxima do seu pescoço, próxima demais.

― Calma, loirinha. Se você se comportar prometo que não te machuco muito.

O homem riu, tornando possível sentir o horrível odor de álcool que saia de sua boca. Estava bêbado, e a garota morrendo de medo do que poderia lhe acontecer nas mãos naquele homem fora de si.

Logo lembrou-se de algo: Só havia uma pessoa que a chamava de loirinha, Natsu. Estava com tanto medo que sua mente não conseguia pensar direito, pensava ser o rosado aquele que a segurava de maneira tão bruta. Lágrimas começaram a cair de seus olhos sem que sequer percebesse. Lágrimas de medo, terror, revelando os sentimentos que a garota sentia naquele momento.

― Não, não chore, prometo que vou ser bonzinho. Vai acabar logo, ok? É só você colaborar. ― O homem disse rindo novamente.

Com a faca, rasgou a camisa que Lucy vestia. Sem muito controle de seu corpo, acabou cortando não apenas o tecido, mas também a pele de Lucy, abrindo um ferimento extenso, porém não profundo, o que não impediu a dor.

― Nunca te disseram que é perigoso para uma garota tão bonita andar sozinha a essa hora? Deveria tomar mais cuidado.

Por culpa de todo o pânico que sentia naquele momento, a garota desmaiou.

Notas finais
Reviews?