Onde Tem Ódio Tem Amor
85 Reunião
Notas iniciais
Não passava das sete horas da manhã, mas acordar com aquele beijo que tanto amava fazia com que, independente do horário, estivesse já disposta a correr uma maratona. Achava um pouco anormal aquela carência de Natsu tão cedo e tão repentinamente, contudo, sabia que os pesadelos que ele por vezes tinha provocavam coisas estranhas no garoto. Logo, apenas tentava compreender. De qualquer forma, não havia do que reclamar.
Sorria sem perceber com seus lábios colados nos dele. Sentiu a mão de Natsu deslizar por debaixo da camisa que vestia, sabendo onde iriam parar caso não fizesse nada. Gostaria muito disso, apenas deixar as coisas seguirem, porém, seu bom senso a fez, com muito sacrifício, se afastar. Colocou suas mãos sobre o peito do garoto e disse, sem aumentar demais a distância entre seus rostos.
— Melhor não. Você ainda está muito machucado. Não quero que acabe ficando pior por minha causa — Natsu mirou seus olhos por alguns segundos, então sentou-se na beirada da cama. Teria levantado se Lucy não tivesse segurado seu punho. Estranhara a reação do rapaz. — Você ficou bravo?
— Por você ter me afastado? — Lucy não respondeu, contudo ele soube que a resposta era sim. Então deu um fraco sorriso. Não imaginou que sua reação iria levantar aquele questionamento. Agiu simplesmente sem pensar, como um ato normal. — Não, claro que não, Lucy.
Ela o soltou, suavizando a expressão em seu rosto.
— É que você se levantou tão de repente, como se tivesse ficado bravo ou algo assim.
— Eu não fiquei, relaxa — respondeu, beijando a bochecha de Lucy. — E seria um idiota se tivesse ficado. Você pode fazer ou não fazer o que quiser.
— Não é que eu não queira.
— Eu sei, foi só um modo de falar. Enfim, preciso resolver algumas coisas, por isso levantei.
— A essa hora? — Perguntou. O Sol já havia nascido, porém não passava das sete da manhã.
— Eu não vou conseguir dormir mais, e quero resolver esses assuntos logo.
— Tem certeza de que é uma boa ideia? Quer dizer, sair desse jeito, nesse estado — tinha-o afastado para que não piorasse sua situação, mas no fim não fizera diferença nenhuma. Natsu tinha um instinto em fazer sempre o pior para sua saúde.
— Eu chamo um táxi. Vou ficar bem. E preciso sair um pouco. Já cansei de ficar preso nessa casa.
De fato, não fazia ideia de como tinha conseguido convencê-lo a repousar realmente durante tanto tempo. Imaginava que o garoto cansaria muito mais cedo. Sabia que uma hora não conseguiria mais mantê-lo ali. Natsu era hiperativo demais para isso, então, não adiantava muito discutir.
— O que você precisa resolver?
Natsu sorriu de canto, bagunçando seu cabelo. Lucy se ajeitou na cama, sabia que quando ele tomava aquela posição era por algo ter acontecido.
— Posso ter esquecido de te contar que fui demitido.
— Demitido? Por quê?
— Disseram que eu tenho faltado demais ao trabalho, o que, de certa forma, é verdade.
— É verdade porque você levou um tiro! Eles não deveriam te demitir por isso.
— Tudo bem. Eu não gostava muito daquele lugar mesmo. Só tenho que procurar outro emprego.
Bem, era uma meia verdade. O que queria realmente resolver eram seus assuntos pendentes com Alexei. Seu tutor precisava saber sobre a história envolvendo Ryan e tudo o que ele lhe dissera. Até então não tinha tido oportunidade para pô-lo a par de tudo. Mas, também precisava encontrar um novo emprego.
— Por que não deixa isso para outro dia? Sabe, quando já estiver melhor.
— Porque eu preciso muito sair um pouco, já disse.
A garota deitou-se novamente no colchão, levando as mãos ao rosto.
— Você é tão teimoso.
— Eu sei — respondeu sorrindo. Depois, depositou um beijo na testa de Lucy. — Volte a dormir, ok? Te vejo mais tarde.
— Eu não to com sono.
Ao menos, era o que ela dizia, pois, no tempo que levou para trocar de roupa e escovar os dentes, Lucy já tinha adormecido novamente. Tomou alguns segundos para observá-la dormindo, sorrindo de forma boba com a imagem, então chamou um táxi e esperou por ele na entrada do prédio.
O dia estava nublado. Dias ensolarados eram raros em Magnólia. Gostava de tempos como aquele, por isso, talvez, gostasse tanto daquela cidade. Gostava de ficar olhando as nuvens e, quando chovia, as gotículas de água escorrendo pelos vidros. Sequer notou quando o carro parou em frente ao estabelecimento que servia de refúgio para os hospedeiros do Koscheivich. O lugar devia assustar crianças que passavam por ali, ainda mais em dias nublados, como aquele. Parecia uma casa abandonada. Alexei poderia muito bem dar um jeito na fachada, mas não ligava para aquele tipo de coisa. O importante era que o estabelecimento cumpria suas funções muito bem, e ainda afastava os curiosos. De qualquer forma, já que ele e Leslie moravam ali, uma reforma não faria mal algum.
Parou com seus devaneios e adentrou o recinto, encontrando apenas Leslie, limpando o balcão do bar.
— Você sempre está aqui desde cedo, né? — Perguntou, chamando a atenção da garota.
— Natsu! Quanto tempo que você não aparece. Bom, é chato não ter o que fazer. Especialmente para gente como nós. E gosto de ficar aqui.
— Percebi — o garoto respondeu, sentando-se em uma das banquetas, em frente ao balcão.
— Por que sumiu? — Leslie questionou-o.
— Muitos problemas. Depois explico tudo. Cadê o nosso mal-humorado favorito?
Leslie riu, corando. Nunca conseguia esconder seus sentimentos por Alexei. Bastava falar no nome do rapaz que seu rosto tomava a mesma coloração que seus cabelos.
— Saiu para resolver alguns assuntos. Acho que logo está de volta. Quer comer alguma coisa enquanto espera?
— Pra falar a verdade, isso seria ótimo. Saí de casa sem comer nada — sem demora, a garota colocou à sua frente uma xícara com café fresco e um prato com pão e manteiga. — Obrigado. Então, como andam as coisas por aqui?
— Você sabe, o de sempre. Alexei anda bem ocupado. Alguns caras têm dado problemas.
— Sério? Por quê?
— Estão cansados, e acham que Alexei não tem ajudado a eles. Mas, o que podemos fazer? É nossa realidade, temos que aguentar.
— Aposto que colocam a culpa em mim, dizendo que roubo a atenção do Alexei — era assim desde que chegara ao abrigo, duvidava que tinha mudado naqueles dias em que teve que se afastar. Todos o odiando por intrigar a curiosidade de Alexei.
Leslie suspirou. Pegou um guardanapo, começando a enxugar alguns copos.
— Não liga pra eles. Por se revoltarem com a situação em que vivem tentam colocar a culpa em algo ou alguém, e você acaba sendo o alvo. Acham que você tem alguma culpa por não conseguirem controlar os ataques do Koscheivich. Claro que Alexei tenta nos ajudar, mas eles não precisam dele para sobreviver, podem se virar com o que sabem. Só querem algo sobre o que possam reclamar. Aliás, por falar nisso, Alexei precisava mesmo falar com você sobre uma coisa.
— Que coisa? — Perguntou, curioso.
— É melhor ele te falar. Só sei que tem a ver com o motivo de você ter sintomas mais fortes que os outros. Uma lenda, algo assim.
— Hum. Ok.
Se Alexei tinha encontrado uma resposta para o que quer que Natsu tinha de especial, não tinha certeza se queria saber. Sentia medo do que pudesse ser. Talvez a ignorância fosse algo maravilhoso.
— Droga — o barulho tirou o rapaz de seus devaneios. Sem querer, Leslie derrubara um dos copos que enxugava no chão. Cacos de vidro voaram pelo piso de madeira. Imediatamente o garoto se levantou para ajudá-la a recolher os destroços.
— Está tudo bem? Você parece meio distante hoje.
— Está... está... — respondeu, abaixando-se para recolher os cacos. — É só que...
— O que foi?
Leslie suspirou pesadamente. Tinha algo incomodando-a, podia sentir.
— Ontem à noite eu tive um pesadelo. Um bem ruim. Acordei gritando e Alexei veio até o meu quarto ver o que tinha acontecido.
— E? — O garoto insistiu. As bochechas de Leslie novamente tornaram-se rosadas demais.
— E ele me abraçou — a menina fez uma pausa, como se lembrando-se da noite passada. — Entre outras coisas...
— Ei, parece que alguém teve uma ótima noite — Natsu comentou, sorrindo maliciosamente.
— Não, isso não é nada bom. Você sabe como o Alexei é. Desde ontem ele não fala ou olha pra mim. Acho que se sente envergonhado demais ou algo do tipo.
— Isso é idiotice. Você não é tão nova assim, e ele não é tão velho, e obviamente os dois gostam um do outro.
— É, agora tente dizer isso àquele cabeça-dura.
— Ok, talvez ele não dê ouvidos. Mas deveria — disse, levantando-se para jogar os cacos no lixo.
— Alexei passou por muita coisa. Acho que ele tem medo de se envolver com alguém.
— Todos nós passamos por muita coisa, isso não é motivo.
Leslie não respondeu. Bem que gostaria que as coisas fossem tão simples quanto Natsu dizia, porém, infelizmente não eram.
— Ei, o que é isso na sua mão? — Comentou, mudando de assunto. — É uma aliança de noivado?
O garoto sorriu.
— É sim.
— Então, você e Lucy irão se casar?
— Essa é a ideia.
— Parabéns, senhor Dragneel! Está prestes a se tornar um homem legalmente comprometido.
— Não tão prestes assim, ainda nem conversamos sobre datas ou coisas do tipo, mas pode-se dizer que sim.
O barulho da porta se abrindo os fez notar que Alexei retornara. Terminaram rapidamente de limpar o chão, então Leslie murmurou baixo para o garoto:
— Mais tarde quero saber sobre todos os detalhes a respeito de como você a propôs.
Natsu riu.
— Ok, curiosa.
No instante em que entrou, os olhos do homem imediatamente pararam em Natsu. Ignorando-o num primeiro momento, colocou as chaves num chaveiro pendurado ao lado da porta e caminhou sem pressa até o bar, onde pegou uma garrafa de uísque e derramou um pouco da bebida num copo.
— Meio cedo para beber, não é? — Natsu comentou, apoiando o cotovelo no balcão. Alexei sorriu de canto, com o copo encostando em seus lábios.
— Que eu saiba isso não é da sua conta, Dragneel — respondeu. Natsu já estava acostumado com o jeito grosseiro de Alexei, portanto, sequer se incomodava. — Até que enfim resolveu aparecer.
— É, bem, tive alguns contratempos. Preciso falar com você sobre algumas coisas.
Seu tutor abandonou o copo sobre o balcão, direcionando o olhar duro para Natsu.
— Imaginei. Vamos até a sala de registros, é um lugar melhor para conversar.
O garoto esperou até que Alexei entrasse na sala para segui-lo. Olhou para Leslie, esperando que ela o acompanhasse também.
— Você vem?
— Não tenho nada para fazer aqui, então por que não?
— Ele parece pior hoje do que nos outros dias — comentou. Leslie suspirou pesadamente.
— Nem me diga.
Não estivera muitas vezes naquela sala. Costumava ficar do lado de fora do estabelecimento, onde ficavam os aparelhos usados nos treinamentos. Mas, ao que se lembrava, ela não havia mudado em nada. Fazia-no recordar da primeira vez em que estivera no abrigo, afinal, fora ali que Alexei lhe contara sobre a lenda do Koschei.
Assim como Alexei, preferiu ficar em pé, próximo à parede. Leslie também optou por não se sentar.
— Então — Alexei disse, cruzando os braços —, por que andou tão sumido?
— Sofri um pequeno acidente.
— Que acidente? — Leslie perguntou.
— Levei um tiro, fui de certa forma sequestrado, entre outras coisas...
— Como assim?! — Novamente, a menina questionou, assustada.
— Vocês não souberam? Os jornais até fizeram uma matéria sobre isso. Quer dizer, não especificamente sobre mim, mas eu estava na matéria.
— Explique, Dragneel — Alexei intrometeu-se.
— É meio complicado de explicar — comentou, bagunçando o cabelo.
— Comece do começo. Simples — Leslie sugeriu.
— Ok... Bem, as coisas começaram quando eu meio que induzi um ataque do Koscheivich...
Não soube exatamente o que aconteceu, mas em um momento estava parado, próximo à parede, e no seguinte estava colado a ela, com o braço de Alexei pressionando seu pescoço, tornando difícil respirar. De qualquer forma, não esperava uma reação diferente dele.
— Você fez o quê?! — Exclamou, incrédulo.
— Eu precisava falar com ele, não tive outra escolha — tentou explicar-se, ao mesmo tempo em que tentava se livrar de Alexei, porém, ele era muito mais forte, tornando difícil conseguir se soltar. Leslie observava a situação sem saber o que fazer. Por um lado, queria ajudar Natsu, mas sabia que não seria de ajuda nenhuma.
— Tem noção do quão irresponsável você foi, Dragneel?! Poderia ter perdido o controle, poderia estar morto nesse instante! Independente dos seus motivos, o que você fez foi muita burrice, até mesmo pra você!
— Tinha a ver com a Lucy — disse, sentindo imediatamente a pressão em seu pescoço aliviar e Alexei se afastar, podendo finalmente respirar melhor. — Eu só estava tentando protegê-la.
— Como assim tentando protegê-la?
— Um ex-namorado dela veio para a cidade, e eu sentia algo de estranho a respeito dele.
— Então só por causa disso resolveu se arriscar dessa maneira?
— Me deixe terminar — Alexei se calou. — Então eu busquei ajuda do Koscheivich. Talvez tenha sido uma ideia maluca, admito, mas eu não me arrependo, porque isso me fez descobrir que aquele cara é um Koscheivich e que ele está tentando ferir Lucy.
— Do que está falando? — Alexei o questionou, prestando mais atenção.
— Ele está tentando se aproximar dela para machucá-la, se vingar do que aconteceu no passado. Quando eu descobri fui atrás dele, porque senti que algo iria acontecer. O encontrei prestes a assassinar uma amiga que ele havia convencido a fazer algumas coisas para atingir a Lucy, mas, como seus planos falharam, decidiu matá-la. Foi então que ele atirou em mim, me levou até a casa dele e me contou o que estava planejando.
— Por que ele te contaria? — Leslie perguntou. — E por que o seu Koscheivich resolveu te ajudar, te contando sobre esse cara?
— Para tornar as coisas mais divertidas. Ele me disse que queria ser ele a conseguir se vingar das coisas que os antepassados de Lucy e os seus fizeram a ele, então precisava que eu o matasse Ryan, o cara possuído pelo Koscheivich. Mas não entendi exatamente essa parte. Como eu poderia matá-lo? Pensei que só a adaga enfeitiçada pela Baba Yaga fosse capaz disso.
— Tem outro jeito — Alexei respondeu. — Um Koscheivich pode matar outro Koscheivich.
— Mas... para isso eu teria que me deixar ser possuído.
— Exato, e assim o que reside dentro de você conseguiria duas das coisas que almeja: a morte do inimigo dele e seu corpo.
— Isso não vai acontecer — Dragneel respondeu.
— Espero que não. Mas se continuar tomando atitudes irresponsáveis como essa não vai demorar até que aconteça.
— Então, o que aconteceu depois, Natsu? — Leslie perguntou.
— Ele me abandonou numa floresta e dei um jeito para que meus amigos me encontrassem — Natsu respondeu. — O que vamos fazer com relação a esse cara que quer machucar a Lucy? Sei que você se preocupa com ela também.
— Vamos apenas ficar atentos. Vou informar o conselho e com sorte eles se livrarão dele. Fique de olho nela e não o deixe se aproximar — Alexei relaxou um pouco sua postura. — Pode não ter sido algo tão ruim assim afinal vocês terem se encontrado. Pelo menos assim pode tomar conta dela por mim.
Às vezes a atitude de Alexei o irritava um pouco. Afinal, ele nunca estivera presente na vida de Lucy, não que tivesse tido culpa, mas agia como se soubesse mais sobre ela do que ele próprio.
— Tudo bem — um pensamento de repente lhe ocorreu. Não sabia exatamente se era algo bom, mas, de qualquer forma, não custava tentar. — Ei, tive uma ideia.
— Que ideia? — Alexei perguntou.
— Por que vocês, eu e a Lucy não saímos para jantar algum dia? Como um encontro de casais ou coisa do tipo.
— Nós não somos um casal — Leslie comentou, corando.
— Foi só um exemplo, não precisam necessariamente ser um casal. Dessa forma, você se aproxima da Lucy sem precisar contar a verdade a ela.
— Não tenho certeza quanto a isso, Dragneel...
— Eu também não gosto de esconder a verdade dela, ok? É horrível, mas é o único jeito.
Alexei ponderou com relação àquele jantar por alguns segundos. Por fim, suspirou e disse:
— Ok. Por que não?
— Ótimo. Vou falar com a Lucy e digo para vocês onde e quando — Natsu respondeu, sorrindo. Talvez pudesse ainda com aquilo ajudar sua amiga com Alexei. — Ei, Alexei, Leslie me disse que você queria falar comigo sobre uma coisa, algo sobre uma lenda que você encontrou.
— É melhor deixar isso para outro dia. Ainda não tenho muita certeza.
— Ok — Dragneel respondeu. — Preciso ir, tenho que encontrar um novo emprego ainda.
— Por que não vem trabalhar comigo? — Alexei sugeriu.
— Tipo... aqui?
— Não, eu não trabalho aqui, idiota.
— Então... onde?
— Alexei trabalha numa academia — Leslie respondeu.
— Estão precisando de um novo instrutor, e você entende sobre algumas coisas, serve para o trabalho. Além do mais, pode ser bom para você. Posso falar com o pessoal de lá. Você começa quando estiver recuperado. O que acha?
— Claro, seria ótimo — respondeu. Assim, resolvia seus dois problemas de uma única vez. — Bom, falo com vocês então assim que souber os detalhes sobre o jantar.
Sinceramente, só conseguia pensar em duas possibilidades. Ou sua ideia daria muito certo e conseguiria unir Alexei e Lucy sem precisar contar a ela a verdade, tornando mais fácil protegê-la; ou as coisas dariam muito errado. Na pior das hipóteses, Lucy descobriria que andava escondendo aquela história dela e ficaria bastante chateada. E, depois de tudo o que acontecera, torcia veemente para que a primeira possibilidade fosse a correta.
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