Notas iniciais
Olha só, até que o capítulo chegou rápido dessa vez, não é? Nem fez um mês desde o último, hehe. Bom, não vou enrolar muito vocês porque é um longo e pesado capítulo, então, tudo o que eu tenho a dizer é... Boa leitura!

Antes mesmo de abrir os olhos, já sabia que havia algo estranho. Lembrava-se de ter apagado, e seria normal, portanto, que estivesse desacordada. Contudo, tinha uma sensação ruim, um aperto no peito que parecia prever os próximos momentos.

Estava com medo de olhar onde estava e de que aquele sentimento não fosse apenas coisa da sua imaginação. Sentia um braço descansando sobre sua barriga e uma respiração forte muito próxima de seu pescoço, e, de alguma forma, sabia que eles não pertenciam a Natsu, apesar de não fazer ideia de como aquilo era possível, pois lembrava-se de estar com ele quando desmaiou.

Além de tudo, havia mais uma coisa anormal. Tinha certeza de que estava nua, e odiava aquela sensação. Estava exposta, ao lado de um cara qualquer e sem saber como havia parado ali. Confusa era pouco para descrever seu estado.

Lentamente, atreveu-se a abrir os olhos. Reconhecia aquele quarto pequeno e bagunçado, mas não era possível ser o mesmo lugar. Há muito não o visitava e desejava continuar assim pelo resto de sua vida. Quando virou sua cabeça para ver quem era o homem ao seu lado seu coração disparou por conta do medo. Ryan.

Não fazia o menor sentido. Não queria estar ali. Jamais voltaria para aquele quarto por vontade própria. Num momento de desespero, criou a teoria maluca de que todo seu futuro, Natsu e tudo o que viveu depois daquela época fora apenas um sonho. Mas não, aquilo era ainda mais maluco do que a situação em si, não tinha como ser a verdade. Pensou então que talvez a situação atual fosse um sonho, uma ilusão. Porém, parecia tudo tão real... Estava assustada. Queria voltar para Natsu, para a segurança dos braços dele, para a felicidade da noite anterior.

― Já acordou, gata? Pensei que iria dormir o dia inteiro depois da nossa diversão de ontem ― ele murmurou, mordendo o pescoço de Lucy. Ela imediatamente levantou, tentando cobrir-se com o lençol, o que não adiantou muito, já que o tecido era quase transparente. ― Gosto muito dessa visão.

― Onde estão minhas roupas? ― Encontrou-as vasculhando o chão e rapidamente vestiu-se, mesmo que com dificuldade, pois tremia muito. O modo de falar do suposto homem ao seu lado era exatamente igual ao do Ryan do passado, e suas feições também. Estava ficando louca, ou havia feito algo muito ruim. Devia existir uma terceira explicação, algo que fizesse mais sentido, se é que algo fazia sentido naquela situação. Sabia, pelo menos, que mesmo se tivesse perdido completamente a razão, jamais, em hipótese alguma, voltaria para perto daquele cara. Não depois de tudo.

― Por que a pressa? Volta pra cá. Não vai precisar de roupa nenhuma comigo.

― Cala a boca, seu desgraçado ― não conseguia conter toda a raiva que tinha dentro de si por tudo que ele lhe fizera, mesmo estando tremendo de medo. Quando tudo em sua vida estava bem, ele voltava para lhe atormentar, como um fantasma cujo único propósito de existência é criar o terror.

― Uau, como está arisca. Você realmente cresceu, não é?

― Eu não sei o que você fez para me trazer para cá, mas você vai pagar por isso. Você é procurado pela polícia. Vou ligar para eles e dizer onde você está, e então nunca mais terei que ver sua cara outra vez ― disse, afastando-se até suas costas encostarem no armário.

― Eu não fiz nada ― ele respondeu, vestindo-se apenas da cintura para baixo. Lucy logo notou que usava o mesmo colar que possuía na noite em que o conhecera, um pingente com a face de um lobo. Ele contornou a cama e tentou chegar mais perto da garota, porém ela rapidamente se esquivou até a porta do quarto. Pensava que estando ali poderia facilmente escapar. ― Você veio por conta própria. Lembra, Lucy?

Lentamente, apreciando todo o medo que ela exalava, ele se aproximou ainda mais.

― Do que está falando?

― Das noites em que você me procurava, querendo se aliviar do inferno em que vivia, porque eu era o seu paraíso. Era sua válvula de escape, quem procurava quando queria se sentir melhor.

― Isso foi anos atrás. Bem antes de eu descobrir que você era o próprio demônio em pessoa, que eu não estava escapando de merda nenhuma, só me afundando mais ainda.

― Não exagera, Lucy. Você não reclamava assim de mim quando passava as noites na minha cama.

― Porque eu era idiota demais para perceber a verdade.

― Bom, de uma forma ou de outra, velhos hábitos nunca mudam. Aliás, me desculpe por tê-la tirado de sua festa ― se ele sabia sobre a festa, aquilo não era um sonho? Ou estava criando o cenário de que mesmo em seu inconsciente ele sabia o que se passava com ela? Não fazia a menor ideia do que estava acontecendo, e, honestamente, tinha medo de descobrir ―, embora precise te dizer que acho um desperdício alguém como você ter escolhido alguém como ele.

― Ele é alguém muito melhor do que você, em todos os sentidos possíveis — de repente, sentiu uma pontada em seu coração. Se não fosse um sonho, onde Natsu estava? Ryan já o havia machucado uma vez. Nada o impedia de repetir seus atos. ― Natsu, o que você fez com ele?

― Relaxa. Seu principezinho está bem. Pelo menos por enquanto, porque quando chegar o momento eu vou apreciar cada gota de sangue que abandonar o corpo dele, até que esteja completamente sem vida ― Lucy gelou. Apenas a menção daquilo a deixava em pânico. Precisava se controlar. Não podia demonstrar fraqueza na frente dele. ― De qualquer forma, ele não pode te salvar aqui. Aqui, eu sou o rei, e posso fazer o que quiser com você. Então, o que acha de dar uma volta ao passado, hein? Para relembrar os bons tempos.

Era como se estivesse assistindo a um filme, em que ela era a personagem principal. De um segundo para o outro, via a si mesma, sentada na cama. Havia dois Ryan's, um ao seu lado, sorrindo sadicamente, e o outro sentado próximo à sua versão mais jovem. Naquela época não percebia, mas olhando de fora da situação, conseguia notar seu olhar aproveitar e egoísta enquanto fingia cuidar dela. Não se preocupava com a garota de forma alguma. Queria apenas usá-la e depois descartá-la.

Não lembrava-se daquele dia, mas também não queria se lembrar, então tentou usar seu plano de escape. O mais rápido que seus reflexos permitiram, virou a maçaneta da porta, bem atrás de si, contudo, nada aconteceu. Passou a se sentir mais assustada do que antes, afinal, seu único plano havia ido por água a baixo.

Ryan começou a rir, se divertindo como se assistisse a um show de comédia.

― Isso não vai funcionar aqui. Eu te disse, Lucy. Nesse lugar, posso fazer o que bem entender. E isso inclui apenas deixar você sair se eu quiser. Posso até fazer com que você apenas se mova se eu quiser ― e ele falava sério, pois no mesmo instante ela tentou dar mais um passo para trás. A impressão que tinha era que havia congelado. Seus membros não lhe obedeciam. Aquilo era loucura, era a única explicação possível. ― Então, se fosse você, me trataria muito bem, ou não irá voltar para o seu querido Dragneel tão cedo.

Suas versões do passado começaram a se mover. Ela estava com o rosto molhado. Até pouco chorava, tinha certeza disso. Conhecia sua expressão quando ficava magoada. O Ryan do passado a tinha acalmado com as mãos em seus ombros. De repente, ele se levantou. Caminhou até o outro lado do quarto, abriu a porta do pequeno freezer plugado na parede, pegou duas garrafas de cerveja e voltou até ela, entregando-lhe uma já aberta.

― Aquele cara é um babaca ― não precisava de muito para saber que ele se referia a Jude. Quase todas as vezes em que o procurava era por ter brigado com o pai.

― Ele não liga para nada além dos próprios interesses. Querendo que eu me case com o filho de um dos seus concorrentes só para ajudá-lo com os negócios ― era uma ideia maluca que seu pai tivera na época, mas que logo desistiu. Sabia que não iria dar certo. Seria mais fácil Lucy fugir de uma vez por todas de casa do que aceitar aquela proposta absurda.

― Eu encho o seu pretendente de porrada. Nem pensar que vou deixar você se tornar uma daquelas donas de casa sem graça de um pobre de rico ― falou, mordendo seu pescoço.

― Vai me sequestrar no dia do meu casamento? ― O provocou, sorrindo.

― Pode apostar que vou ― ele respondeu, roubando um beijo e a camiseta que estava usando.

A cena revirou seu estômago. Sua vontade era de conseguir se mexer apenas para conseguir dar alguns tapas na cara da sua eu do passado, para que assim quem sabe ela percebesse quem era o cara com quem estava se envolvendo.

― Eu era ótimo em te conquistar, não acha? ― O Ryan do presente comentou.

― Ótimo em mentir e iludir, você quer dizer ― ela respondeu.

O Ryan do passado parou o beijo e abriu uma das gavetas do criado-mudo ao lado da cama. De lá, tirou um pequeno comprimido e o entregou para Lucy.

― O que é isso?

― Vai te fazer relaxar, confia em mim.

Estava tão cegada por Ryan naquela época que sequer questionou. Apenas engoliu a tal coisa que ele tinha lhe entregado. O garoto sorriu e voltou a beijá-la. Não demorou muito até que a droga fizesse efeito. Seu corpo começou a ficar mole, não respondia mais aos seus próprios atos. Qualquer um podia fazer o que bem entendesse com ela no estado em que estava. E era exatamente isso que Ryan queria.

Lucy logo percebeu por que não se lembrava de nada daquela noite: estava completamente drogada. No dia seguinte, nenhuma memória daqueles momentos estava em sua mente, e assim continuou até ele decidir mostrá-las.

― Você fica tão melhor sem esse monte de pano ― então, ele a livrou completamente do resto de roupa que vestia, deixando-a nua sobre aquela cama, sem que Lucy oferecesse qualquer resistência. Ryan levantou-se e pegou seu celular, tirando uma foto da garota. ― Quero guardar uma recordação sua. Algo para sempre me lembrar de você.

― Você tinha um belo corpo, Lucy ― o Ryan do presente comentou. ― Será que continua tão linda como era antes?

― Desgraçado... ― não conseguiu falar muito mais. Seus dentes batiam um no outro com a raiva que sentia e era difícil abrir a boca.

― Sabia que eu ainda tenho essa foto? Mas ela está tão velha... o que acha de me dar uma versão mais atualizada?

Lucy o ignorou. O Ryan do passado guardou o celular, e, logo depois, colocou-se sobre a garota drogue deitada em sua cama. Daquele ponto em diante Lucy não conseguiu mais assistir e fechou os olhos. Infelizmente, não podia bloquear o som e ainda conseguia escutar, mas pelo menos não estava mais vendo nada. Queria muito vomitar naquele instante. Aquilo era demais para ela e, provavelmente, para qualquer um. Exceto para o sádico ao seu lado.

Queria muito poder voltar para os braços de Natsu, para a proteção dele, e esquecer de tudo aquilo. Desde o momento em que acordara, sentia um calor em sua mão esquerda, uma sensação parecida com quando ele a segurava. Naquele instante, tentou prestar atenção apenas naquela sensação, ignorando tudo ao seu redor. Ao menos assim conseguiu suportar aquela tortura.

Somente abriu os olhos quando o barulho parou. Para seu alívio, suas versões do passado tinham sumido, como se nunca tivessem estado ali.

― Por que está fazendo isso? ― Perguntou. Não iria chorar na frente dele, mas seus olhos começavam a ficar marejados com o desespero.

― Simples. Porque eu posso. E porque é justo ― respondeu, abrindo os braços.

― Justo? De que forma isso é justo? Foi você quem me abandonou, abandonou seu filho, e nunca mais quis saber nada sobre mim ou sobre ele. Então de repente, quando eu finalmente me recupero das feridas que você deixou, decide reaparecer e quase mata o homem que eu amo. E agora vem me dizer que é justo estar aqui me torturando dessa forma? Você é louco.

Ele se posicionou frente a ela, levou sua mão direita ao rosto da garota e o segurou, pressionando seus dedos nas bochechas de Lucy. E não ria mais, estava sério. Pode-se dizer que até mesmo com um olhar assassino.

― Você arruinou minha vida muito antes de eu te fazer qualquer coisa.

Lucy o mirou confusa. Não havia outra explicação além de que aquele homem estava alucinando.

― Do que está falando?

Ele a soltou, voltando a colocar-se ao lado da loira.

― Embora confesse que seria muito prazeroso te dizer todas as verdades que as pessoas escondem de você, esse papel não cabe a mim. E, honestamente, é ainda melhor ver esse olhar de dúvida, sua expressão perdida. Talvez um dia você descubra. Talvez um dia perceba que seu perfeito Dragneel esconde mais segredos de você do que poderia imaginar, e então irá se tornar claro que eu não sou o verdadeiro monstro aqui.

― O que Natsu tem a ver com isso? ― Ele riu, sem responder. ― Você está blefando. Só está querendo me atingir, tentando virar a culpa para mim sendo que nada do que diz faz o menor sentido.

― Você escolhe em quem acreditar, Lucy. Eu não ligo. Contanto que eu tenha minha vingança, estou satisfeito.

― Qual o seu problema? O que foi que eu fiz para que você me tratasse desse jeito?

― Quer a versão honesta? É bem simples. Você nasceu ― ele respondeu. Caminhou até o armário e voltou, trazendo um pequeno canivete. ― Te trouxe aqui porque queria te dizer algumas coisas, Lucy. Uma delas é de que enquanto eu estiver vivo, você nunca terá paz. Irei garantir que sua vida seja um inferno em cada mínima oportunidade que eu tiver. Isso tudo foi só uma pequena demonstração do que eu posso fazer. E estou te dizendo isso porque não é um jogo justo até que você saiba as regras. Se torna mais divertido, entende? Tirar a sua paz.

― Por que? ― Perguntou, quase sem forças, tremendo de medo. ― Só... por que? Que jogo é esse?

― Eu já te disse, pergunte ao Dragneel. Ele sabe muito bem de que o jogo estou falando.

Ryan abriu o canivete, revelando a pequena faca.

― O que vai fazer com isso?

― Apenas algo para que você não se esqueça do que aconteceu aqui ― ele levantou um pedaço da blusa de Lucy. Ela sentiu sua pele arder quando ele pressionou a ponta da faca em sua cintura, abrindo um corte não muito profundo de aproximadamente 5 centímetros. Pressionou as pálpebras, como se aquilo pudesse fazer com que a dor fosse menor. ― E sempre que você olhar para isso, vai se lembrar de que eu não estou brincando. Até muito breve, Lucy.

***

Quando abriu os olhos novamente, deparou-se com um teto branco. Estava deitada no que parecia ser uma cama de hospital. Seu coração batia tão rápido que achou que ele ia sair voando de seu peito. À sua direita havia uma outra cama vazia, e à esquerda estava Natsu, dormindo com a cabeça deitada em sua barriga, enquanto sua mão segurava justamente a mão esquerda dela. Quase chorou de alívio ao vê-lo ali, ao seu lado. Queria não ter que acordá-lo, ele parecia tão cansado para ter dormido naquela posição. Contudo, havia coisas mais urgentes naquele momento. O enjoo que sentiu durante o suposto sonho ainda não havia passado, e tinha a impressão de que não iria conseguir conter a inquietação em seu estômago por muito tempo.

Sentou-se bruscamente na cama, ajeitando-se como pôde. O movimento repentino imediatamente despertou Natsu. Seu rosto estava vermelho do lado em que havia deitado. Ainda vestia as roupas da noite anterior, porém com a gravata frouxa e alguns botões da camisa soltos.

― Você acordou ― disse, rapidamente se levantando. ― Está se sentindo bem?

― Não exatamente ― respondeu com a voz trêmula, virando-se para a beirada da cama. ― Natsu, acho que eu vou vomitar.

Pensando rápido, o garoto olhou em volta do quarto. Encontrou o pequeno cesto de lixo atrás da porta, correu até ele e o entregou para Lucy.

Tinha a impressão de estar colocando para fora tudo o que havia comido na última semana. Odiava aquela sensação, sentir seus músculos contraídos e o gosto amargo que aquilo deixava em sua boca, porém depois de tudo o que havia visto naquele sonho, não conseguiu conter-se.

Não era uma cena agradável. Ele detestava vê-la naquele estado. Queria apenas que Lucy estivesse bem, ou que ao menos pudesse fazer algo para ajudar. Deixou-a sozinha por alguns segundos no quarto enquanto corria até o banheiro para pegar alguns pedaços de papel umedecidos. Quando voltou, a garota já havia terminado e deixado o lixo ao lado da cama. Ele o empurrou para mais longe, indo até ela novamente. Sentou-se na beirada da cama e delicadamente passou o papel nos cantos da boca de Lucy.

― Desculpe por isso ― ela falou.

― Não é como se fosse sua culpa. Está se sentindo melhor? ― Ela tentou responder, mas não tinha forças suficientes, então, apenas acenou negativamente, sentindo as lágrimas que tanto tentara reprimir descendo pelo seu rosto. Natsu estava preocupado. Não havia como não estar vendo-a naquele estado. ― O que foi? O que você tem?

― Eu tive um sonho horrível ― respondeu.

De sonhos perturbadores ele entendia muito bem. E aquele pelo visto a tinha abalado profundamente, então a tomou em seus braços, contato muito bem recebido por ela. Apertou-a forte contra seu peito, oferecendo toda a proteção que ela tanto desejara antes. Lucy deitou a cabeça no ombro de seu noivo, chorando copiosamente.

― Ei, tá tudo bem agora. Eu estou aqui, ok? ― Ele falou, massageando as costas da loira.

― Natsu... foi tão ruim.

― Não precisa me contar se não quiser.

Ela se afastou, limpando as lágrimas e voltando a segurar as mãos de Natsu. Apenas vê-lo não bastava. Precisava senti-lo ali.

― Eu quero contar, porque talvez se eu disser isso não tenha tanto poder sobre mim ― ele assentiu, enxugando uma nova lágrima que deslizava pelo rosto de Lucy. ― Era... Ryan. Não sei como, mas de repente eu tinha acordado no quarto dele, e então ele começou a me dizer coisas terríveis e me mostrou algo que aconteceu no passado que eu não me lembrava e...

Queria contar, mas, ao mesmo tempo, não conseguia. Não era capaz de enfrentar tudo aquilo novamente. Para Natsu, porém, apenas a menção daquele nome já o deixava tenso. Desejava saber o que havia acontecido, porque tinha a impressão de a situação era mais séria do que aparentava.

― Foi só um pesadelo ― falou, embora nem ele mesmo acreditasse.

― Pareceu tão real.

― Eu sei. Mas, pensa bem, esse cara te atormenta há muito tempo. Talvez você estivesse nervosa pela noite de ontem e acabou tendo esse sonho, por medo de que ele pudesse fazer algo.

― Pode ser ― falou. Não estava completamente certa disso ainda, contudo, contar aquelas coisas a Natsu a deixava mais calma. Ele conseguia acalmá-la. ― Natsu, ele me disse que queria vingança, e que você sabia o motivo e escondia coisas de mim... Mas você jamais faria isso comigo, não é?

― Claro que não. Além do mais, foi um sonho, Lucy. Não foi real ― sentia-se mal por mentir daquela forma, porém não podia deixar transparecer. Se acreditando que era um sonho, Lucy já ficava naquele estado, dizer a verdade apenas pioraria as coisas, e não queria deixá-la preocupada, embora ele mesmo por dentro estivesse apavorado. Precisava contar o que acontecera a Alexei, pois se Ryan estava conseguindo penetrar na mente de Lucy, ela poderia estar em perigo, e ele não deixaria que isso acontecesse. ― Esquece esse cara, tá? Esquece esse pesadelo. Não vai acontecer nada com você. Enquanto eu estiver vivo, não vou deixar que nada te machuque.

Lembrou-se do momento em que Ryan dissera que enquanto ele estivesse vivo, faria de tudo para tornar sua vida um inferno. Que contraste aquele. Sentiu-se um pouco melhor com Natsu ao seu lado. Sabia que ele falava sério e que iria protegê-la não importa o que. Não precisava ter medo, pois confiava nele.

― Tudo bem.

Natsu deu um sorriso fraco e se levantou.

― Eu vou buscar um copo de água para você, ok? ― Na verdade, precisava apenas de uma desculpa para fazer uma ligação. Contudo, Lucy agarrou sua mão.

― Não quero ficar sozinha.

― É rápido. Volto logo.

Relutante, ela assentiu, deixando-o ir. Ele saiu até o corredor do hospital. Encontrou o bebedouro e parou ao lado dele, vendo a movimentação de médicos, enfermeiros, pacientes e outros profissionais do hospital enquanto procurava pelo número de Alexei em seu celular. Esperou impaciente enquanto aqueles barulhos de ligação em espera atingiam seu ouvido.

― Alô? ― Quem atendeu, porém, foi Leslie.

― Ei, preciso falar com o Alexei. É urgente.

― Ele está viajando, Natsu. Saiu hoje bem cedo ― a garota respondeu, da forma mais delicada possível, notando o tom de voz aflito do rapaz. ― Foi resolver alguns assuntos. O que aconteceu? Posso ajudar em alguma coisa?

― Droga! ― Exclamou, talvez alto demais, pois alguns pacientes desviaram seus olhares para ele. ― Não, acho que não. Escuta, peça para ele me ligar o mais rápido possível, ok? Fale que é sobre a Lucy. Ele vai entender que é para retornar realmente o mais rápido que puder.

Talvez fosse falta de educação, mas não esperou a resposta de Leslie. Não queria deixar Lucy sozinha por muito tempo. Pegou um copo de plástico, o encheu e imediatamente voltou ao quarto. Entregou-o à garota e ela bebeu toda a água em um gole só.

― Eu sei que isso provavelmente é contra as regras do hospital, mas será que você pode deitar aqui comigo? ― Ela perguntou, terminando de beber o líquido. Natsu sorriu, ajeitando-se ao lado dela e passando seu braço pelos ombros da garota.

― E desde quando eu ligo para regras?

― Obrigada ― ela respondeu, deitando a cabeça no peito do garoto. ― Quando vamos poder ir para casa?

― Eles tiraram seu sangue enquanto você estava desacordada para fazer alguns exames e tentar descobrir o motivo de você ter desmaiado. Temos que esperar pelos resultados e, se estiver tudo bem, podemos ir ― tinha quase certeza de que estaria, pois sabia que muito provavelmente a causa do desmaio era Ryan. Apenas não sabia como isso era possível.

― Sabe, acho que agora sei como você se sente quando tem aqueles sonhos estranhos. Será que eu tenho a mesma coisa que você? E se for contagioso?

― Você não tem, não se preocupe ― disse, beijando a testa de Lucy. ― Você tá quente. Tem certeza de que está bem?

― Tirando aquele sonho, sim, tudo bem. Você que está se preocupando demais.

― Ei, tem mais alguém que estava preocupada com você. Melhor dar alguma notícia ― o garoto pegou o celular, abriu o aplicativo de mensagens e procurou por Levy. Segurou o botão de enviar áudio e falou: ― Adivinha quem finalmente acordou.

Levy imediatamente respondeu, também com um áudio:

― Até que enfim! Você estava quase nos matando de preocupação, Lucy ― ele não havia dito nada, mas também não precisava para que Levy soubesse que a loira estava bem ao seu lado.

― Eu estou bem, Levy-chan. Devo ter tido só uma queda na pressão ou algo assim. Mas já estou melhor.

A pequena logo respondeu novamente.

― Acho bom. Preciso ir trabalhar, mas assim que der vou te visitar para ver como você está. Cuida bem dela, Dragneel.

― Eu sempre cuido ― falou, bloqueando o celular logo em seguida.

― Natsu, e os convidados da festa? ― Ela perguntou, preocupada. Afinal, tinham saído sem falar para ninguém.

― Pedi para o Gray avisar todo mundo. Tá tudo certo.

A garota relaxou. Ao menos Natsu havia cuidado da situação. Uma coisa a menos em sua cabeça.

Segundos depois um rapaz não muito mais velho do que os dois entrou no quarto, trazendo alguns papéis em mãos. Pelo jaleco que vestia, provavelmente era um médico. Natsu imediatamente se levantou, com medo de levar uma bronca por estar deitado na cama. Contudo, o rapaz pareceu sequer notar.

― Ok, senhorita Heartfilia, certo? ― Lucy assentiu. O rapaz sorriu, simpático. ― Está tudo certo com você. Provavelmente foi só um episódio isolado, mas caso se sinta mal, volte a nos procurar. Em todo caso, está liberada para ir.

― Viu? Eu disse que não era nada de mais ― Natsu comentou, segurando a mão da garota. Ela arqueou a sobrancelha, afinal, minutos antes ele estava todo preocupado. ― Você deve ter desmaiado por ficar sem comer. Sempre falo para ela se alimentar direito, doutor, mas minha noiva é a mulher mais teimosa que eu já conheci na vida.

O médico riu.

― Deveria se cuidar mais, senhorita Heartfilia, especialmente no seu estado.

― Que estado? ― Lucy perguntou, confusa.

― Alguns dos seus resultados são compatíveis com os de uma mulher em gestação. Imaginei que a senhorita sabia, mas, então, meus parabéns.

― Você tem certeza? ― A loira perguntou, atônita.

― Te aconselho a fazer alguns exames para confirmar, mas as chances são altas.

― Espera... o que? ― Natsu perguntou.

Precisou se segurar na cadeira para não cair. Lucy estava grávida? O que queria dizer então que ele seria pai?

Notas finais
Vou deixar os comentários por parte de vocês, porque eu não tenho nada a dizer a respeito... hehehehe. Foi um capítulo bastante trabalhoso, então espero muito que tenham gostado : ) See you guys o/