Notas iniciais
Boa leitura!

Por muito tempo, ele viveu sua vida sem importar-se com ninguém, exceto ele mesmo. Fechou seu coração para tudo e todos, deixando de levar em consideração quem magoaria com seus atos, e magoou a muitas com suas desilusões. Pouco importava. Portanto, aquele momento o deixou confuso, perdido em suas próprias convicções. O súbito desejo de proteger Lucy não lhe parecia natural. Não era como ele mesmo. Desde a morte dos pais, nunca quisera proteger ninguém, mas desejou com todas as suas forças tirá-la dali sem ferimentos, mantê-la a salvo. Conheciam-se há tão pouco tempo e, mesmo assim, lhe parecia que importante do que qualquer outra pessoa em sua vida.

Sua mente, ao menos, arranjou uma explicação mais plausível. Tratava-se de um desafio. Tinha apenas sete anos na época, é claro, mas não conseguira salvar seus pais. Não iria de forma alguma perder outra pessoa para as chamas. Era uma batalha pessoal entre ele e o fogo. Lucy era uma consequência.

— Natsu, o que está fazendo?! — a loira exclamou, tentando desvencilhar-se dos braços fortes que a envolviam. Ele, entretanto, sequer a ouvira. Tentava pensar em um modo de tirar os dois dali. O primeiro andar provavelmente já estava consumido pelas chamas, tentar passar por ali seria loucura. O fogo não o feria, mas a Lucy sim. — Natsu!

— Estou tentando manter você a salvo.

— Não preciso da sua ajuda! — a situação era desesperadora, porém não impedia a loira de seguir seu orgulho próprio.

— E quem pediu pela sua opinião? Vou te tirar daqui você aceitando minha ajuda ou não. Te tiro daqui a força. Duvido que conseguiria se livrar de mim.

Lucy se calou. Não era hora para discussões. Podia-se perceber a gravidade do momento pelo olhar de Natsu. Frio como o gelo. Tão gélido que pensou que apenas aquele olhar já seria capaz de parar as chamas.

— Precisamos sair daqui — cedeu.

— Me conte algo que eu não sei — não apenas seu olhar, mas ele próprio se tornara frio. Era a preocupação agindo. — Estou tentando encontrar um modo.

— Você não disse que não se fere com as chamas?

Ele a olhou como se a pergunta fosse extremamente estúpida.

— É, mas e quanto a você. Quer me seguir e morrer carbonizada?

Por um breve instante, Lucy cogitou a possibilidade de Natsu ter saído do prédio e deixado-a ali. Poderia muito bem tê-lo feito e salvo sua vida, pois se as chamas não o feriam, os escombros sim. Mas, não importava o quão desprezível e odiável ela acreditasse que ele fosse, jamais faria algo assim.

— Então o que iremos fazer? — não demonstrava, contudo, o medo a consumia sem piedade. Obrigava a si mesma a manter a calma, pois se não fosse por isso, provavelmente estaria em estado de pânico.

— Ainda não sei. Estou pensando.

Uma pequena explosão foi ouvida. Provavelmente acontecera no almoxarifado, onde eram guardados os materiais de limpeza e outros produtos inflamáveis. A drástica luta interior de Lucy terminara naquele momento com um vencedor, o medo.

A loira agarrou-se a Natsu, afundando seu rosto no peito do rapaz, torcendo para que fosse só um pesadelo. As lágrimas começavam a escorrer e molhar a camisa do outro presente no local enquanto ela soluçava. Solidário, ele a abraçou protetoramente, afagando seu cabelo.

— Nós vamos morrer aqui, não vamos? — Lucy desesperou-se, virando a cabeça para conseguir respirar um pouco de ar, mesmo que sua qualidade naquele momento não fosse das melhores. — Não tem como sair.

— Não, não vamos.

— Não quero morrer, Natsu.

— Nem eu. E não iremos — o garoto encostou seu queixo na cabeça de Lucy e sorriu, brincando com a situação. — Tem muita coisa que eu quero fazer ainda. Sentir o gosto dos seus lábios é uma delas.

— Cala a boca. Caso você não tenha percebido, a situação é séria.

— Eu sei, só estava querendo diminuir um pouco o clima tenso — ele a afastou de si. Segurou o rosto de Lucy entre suas mãos e a obrigou a olhá-lo nos olhos. Eram verdes. Não tinha notado antes. — Escuta, Lucy, nós não vamos morrer. Você não vai morrer. E sabe por que? Porque eu sou um teimoso filho da puta e não desisto tão fácil assim. Por isso é melhor você se acalmar, porque eu vou dar um jeito de nos tirar daqui. E isso é uma promessa.

As palavras de Natsu realmente serviram para acalmá-la. Seu ritmo cardíaco desacelerou. Pela primeira vez, sentiu-se feliz por tê-lo por perto.

— Vai ficar tudo bem, Lucy. Eu prometo.

Ela assentiu com a cabeça, se afastou e enxugou os olhos com as costas da mão. O corredor já estava cheio de fumaça. Tornava-se cada vez mais difícil respirar.

— Natsu, você por acaso é imune a fumaça também?

— Não, só ao fogo.

— Então é melhor entrarmos em alguma sala, porque senão daqui a pouco não conseguiremos nem respirar mais.

Os dois entraram em uma sala qualquer, a primeira que avistaram. Não era muito utilizada, servindo mais como depósito de carteiras e outros materiais.

O fogo, àquela altura, já invadia o segundo andar.

— Natsu, tente abrir a janela, tem muita fumaça aqui — a loira pediu.

O rapaz tentou, porém em vão.

— Não dá. As janelas dessa sala estão todas emperradas.

— Não estou conseguindo respirar direito.

— Eu sei. A coisa não vai nada bem para nós, e ainda não consigo achar um modo de sairmos daqui.

Natsu olhou para as paredes, sua mente tentando funcionar o mais rápido possível, porém toda aquela situação dificultava a formulação de um plano. Estabelecera um tempo de cinco a dez minutos para pensar em algo, caso contrário poderia ser tarde demais.

— Por que ninguém chamou os bombeiros ainda?! Será que ninguém viu o incêndio?! — comentou, irritado.

— É um lugar isolado. Até perceberem a fumaça já vai ser muito tarde.

— Você está com o seu celular aí? — o garoto perguntou.

— Não, eu o deixei na sala.

— Merda! Eu também.

— Natsu, eu juro que se você conseguir realmente nos tirar daqui vivos eu aceito sair com você — aquele era o sinal mais evidente de que o desespero de Lucy beirava o limite. Apenas em uma situação de vida ou morte para prometer algo como aquilo.

— Assim me deixa motivado. Não se esqueça que promessa é dívida, hein, loirinha. — Natsu respondeu, sorrindo de canto.

— Cala a boca e dê um jeito de tirar a gente daqui.

— Foi você quem começou.

Analisando melhor a sala, os olhos de Natsu pararam em um canto da parede, onde estava um extintor de incêndio. Uma ideia surgiu em sua mente. Insana, mas era a única que tivera em todo aquele tempo.

— Ei, Lucy, me ajuda a pegar aquele extintor.

— Por quê? Se estiver pensando em utilizá-lo para abrir caminho pelo fogo, acho que vai ser inútil. Se está aqui, é porque não funciona.

— Eu sei disso. Apenas me ajude.

A loira o obedeceu, receosa. Não tinha uma boa impressão do plano de Natsu, mesmo que sequer o conhecesse ainda.

— Onde eu coloco? — perguntou.

— Perto da janela.

O garoto olhou para fora. O incêndio pegara uma parte do jardim, mas seu plano provavelmente daria certo. Era quase suicida, porém teria que funcionar. Pegou o extintor e com ele quebrou a janela.

— Lucy, me abrace.

Analisando a situação, ela finalmente percebera o que Natsu pretendia fazer. A única coisa que passou pela sua mente foi que, de um jeito ou de outro, iriam morrer.

— Ficou maluco?! Não podemos pular dessa altura. Estamos no terceiro andar.

— Quer sair daqui ou não? — ainda receosa e duvidando que seu plano daria certo, ela o agarrou. — Segure firme e não me solte.

Seu plano consistia em cair pela janela de costas. Ele atingiria o chão. Ele receberia todo o impacto e serviria como proteção para Lucy. Ele se machucaria, mas o fogo não o atingiria e a loira ficaria bem. Precisava contar, também, não apenas com o solo, mas o peso de Lucy sobre seu corpo. Era extremamente arriscado e tinha plena consciência das consequências que o aguardavam, porém era tudo o que podia fazer. Confiaria em sua estranha resistência e se arriscaria para salvá-la.

A janela era grande o suficiente para que ele passasse sem grandes dificuldades. Só precisou jogar seu peso para trás. Os pequenos estilhaços de vidro fizeram pequenos cortes em suas pernas quando elas rasparam no parapeito, fazendo-o gemer baixo pela dor. A loira permanecia com os olhos fechados, sem acreditar na situação e não querendo ver os resultados. Agarrava a camiseta do rapaz com o máximo de força que podia

Os segundos que levaram até atingir o chão pareceram horas. Lucy soube que estavam no chão quando sentiu o impacto e ouviu o grito de dor de Natsu. A situação para ele não era boa, devia ter fraturado alguns ossos e, como haviam caído sobre os cacos de vidro da janela, possuía alguns cortes também. Já Lucy, passara pela situação com apenas os cortes.

Quando recuperou-se do choque, a loira tratou de sair de cima dele o mais rápido possível, de forma a não machucá-lo ainda mais. Olhou para o prédio em chamas e sentiu medo de que acabasse desabando, mas não se atreveria a mover Natsu e tirá-lo dali naquela situação. Poderia piorar ainda mais seu estado.

— Você é louco, Natsu?! — a loira exclamou, preocupada. O analisou de cima a baixo, procurando por ferimentos.

— Conseguimos sair, não é? — respondeu, sorrindo de canto. Mesmo extremamente machucado, continuava sendo um idiota sacana.

— Mesmo assim. Você podia ter morrido, olhe o seu estado.

— São só alguns machucados leves — e por mais que fosse o que afirmava, não conseguiu conter um murmúrio de dor.

— Leves?! Ouviu o que eu disse? Você poderia ter morrido, seu idiota!

— Está preocupada comigo, loirinha? — perguntou, sorrindo em provocação.

— Não é isso. Só não quero carregar a culpa pela morte ou pelos ferimentos de alguém —estava sim preocupada, mas jamais iria admitir.

Natsu virou o rosto, novamente sentindo dor.

— Não me importo de estar machucado, consegui te salvar, não consegui? Já é o suficiente.

A loira corou. Por mais que o odiasse, ele salvara sua vida arriscando a dele. Tentava enxergar aquilo como simples estratégia do rapaz para melhorar sua imagem perante a ela, contudo, ainda via naquele ato algo digno de grande agradecimento.

— Idiota.

— Eu salvo sua vida e você me chama de idiota? Cadê a gratidão, Lucy? — brincou.

— Vai jogar isso na minha cara para sempre agora?

— Pode apostar que eu vou — a expressão do garoto se fechou. — Tem alguma coisa embaixo de mim. Pode tirar? Está me incomodando.

— Não, é melhor você ficar imóvel. Mover-se pode piorar alguma coisa.

Natsu sorriu.

— Eu adoro ver você se preocupando comigo, loirinha.

— Já disse que não estou preocupada com você— ao longe, ouviu-se um barulho do caminhão de bombeiros. — Finalmente.

— Você podia me agradecer, não acha? Eu aceitaria um beijo numa boa.

— É, vai sonhando — a loira respondeu, ácida.

— É o mínimo que pode fazer. Olhe o estado em que eu estou por sua culpa, Lucy.

— Não precisa ficar repetindo isso — Lucy bufou. Odiaria a si mesma mais tarde, com certeza, mas um beijo não a mataria. Aproximou seu rosto do dele e encostou seus lábios na bochecha do garoto. — Obrigada.

Bem, ele não especificara onde o beijo deveria ser. Natsu sorriu. Lucy era dura na queda, o motivava ainda mais em seus objetivos. Ela era um desafio que nunca experimentara, um jogo que nunca jogara. E aquele seria um jogo muito interessante para ele.

***

O quão longe uma pessoa pode ir para afastar sentimentos indesejáveis, mesmo que sentimentos sejam a maior dádiva da vida humana? O quanto poderiam se esforçar para não sentir o que sentiam um pelo outro? Natsu e Lucy estavam dispostos a qualquer coisa para se livrarem do fardo que para eles era estarem, ao que tudo indicava, apaixonados.

Com os corações batendo como um, foi como ficaram nos curtos segundos de contato próximo; Lucy não demorou a se afastar, não imaginou que as sensações que sentiria com um simples beijo no rosto fossem ser tão excruciantes, não desejava aquilo, sentiu raiva de si por saber que estava se aproximando perigosamente da linha que atravessara certa vez, e que prometera jamais atravessar novamente.

— Satisfeito agora?

— Sim, muito, mas, Lucy... eu estava brincando quando disse para você me beijar. Não imaginava que no fundo esse era seu desejo.

Lucy o mirou, incrédula. Tinha vontade de matar aquele arrogante, sarcástico, extremamente irritante ali mesmo, aproveitando que não haveria testemunhas. Precisou respirar fundo e rever os ferimentos por todo o corpo de Dragneel, causados após ele ter salvo sua vida, para mudar de ideia.

— Natsu — ele sorriu cinicamente, sua marca registrada —, aproveite sua estadia no hospital, porque quando sair de lá eu definitivamente irei te matar.

— Quer mesmo matar o cara que salvou sua vida? — perguntou. Sem querer, moveu seu corpo alguns milímetros, gemendo de dor.

— Com todas as minhas forças.

— Que pessoa sem coração você é, Lucy. Observe o estado em que eu me encontro por ter te salvado, e mesmo vendo como estou você me diz uma coisa dessas.

— Eu estava no prédio por sua culpa, então indiretamente você é o culpado.

Não teve tempo para responder. O resgate havia chegado e um dos paramédicos corria em direção aos dois. A parte realmente difícil, entretanto, mal havia chegado. Colocar Natsu na maca fora um verdadeiro desafio, e uma prova de resistência para o garoto. A dor era terrível. Pelo tamanho da queda, poderia ter se machucado ainda mais seriamente, mas de alguma forma tinha sorte, sempre fora mais resistente do que a maioria das pessoas. Quanto a Lucy, teve de acompanhá-lo na ambulância até o hospital, queriam checar se ela não possuía nenhum ferimento mais grave do que aparentava. Estava se sentindo culpada, afinal, Natsu havia se machucado tanto por tê-la salvo.

— Você está bem? — perguntou, já dentro da ambulância, à caminho do hospital mais próximo.

— Sinto como se meu braço estivesse sendo arrancado toda vez que me mexo, mas estou bem, melhor ainda sabendo que você está preocupada comigo.

— Como você consegue continuar sendo tão irritante mesmo estando nesse estado?

— Não sei, acho que é um dom natural.

— Dons são coisas boas. Isso está mais para uma maldição.

O garoto riu, como se não sentisse dor alguma ou não se importasse com ela.

— Ei, Lucy, o que você acha que irão fazer com o colégio?

— Provavelmente ficaremos sem aulas até reconstruírem, o que deve levar algum tempo.

— Isso vai ser muito bom. Um longo tempo somente eu e você naquele apartamento — ele comentou, sorrindo.

— Essa é a pior parte.

— É a melhor, não a pior.

Quando o carro passou por uma lombada, Natsu gemeu novamente por cauda da dor.

— Está doendo muito?

— O que acha? Mas não precisa se preocupar comigo, estou bem.

— Não estou preocupada com você, perguntei porque você merece depois de ter me enganado.

— Você é muito insensível, loirinha. E admita que gostou do beijo.

— É impossível gostar de um beijo seu, e você me enganou sim, se aproveitou de que eu estava me sentindo culpada, como eu iria deixar de fazer isso depois de você ter salvo a minha vida?

— Dizendo não. Admita que já está caindo nos encantos de Natsu Dragneel.

— Que encantos? Tudo o que eu vejo é um monte de pele, osso e carne, com uma esfera oval e oca em cima coberta por algo rosa. Nenhum encanto, nenhuma qualidade, nenhum cérebro.

Natsu riu, movendo seu olhar para o teto do veiculo, logo depois voltou a observar Lucy.

— Pode me responder algo sinceramente? — ele a fitava sério. Ela concordou. — Você me odeia mesmo ou só finge me odiar?

— Todos os dias dizendo que te odeio já não são respostas suficientes para essa pergunta?

— De verdade, não gosta nem mesmo um pouco de mim?

A resposta, de forma tão surpreendente para ele quanto para ela, o magoou. Afetada pela expressão decepcionada de Natsu, resolveu dar-lhe uma resposta mais sincera.

— Na maior parte do tempo, o que seria aproximadamente 99%, você é um idiota irritante que eu tenho vontade de estrangular; mas às vezes você não é tão ruim, chega até a ser um pouco agradável, como quando estávamos lá dentro, ou quando conversamos sobre nosso passado. Você não agiu como um imbecil. Então, posso dizer que não te odeio completamente.

Palavras sinceras que Lucy sabia muito bem que iria se arrepender de ter dito, talvez mais rápido do que pensava, contudo, se sentiu bem dizendo, assim como Natsu gostou de ouvi-las, ambos envolvidos por aquela rara sinceridade.

— Obrigado.

Ambos queriam a mesma coisa, estarem juntos, mas o passado poderia atrapalhar muito o presente e o futuro, pois nenhum dos dois estava disposto a deixar o que já foi vivido para viver o que ainda poderia ser descoberto. Nenhum dos dois queria se arriscar ou quebrar as promessas feitas, interiores ou exteriores. Elas ainda tinham seu valor e não iriam deixar que os dois jovens seguissem os seus sentimentos ao invés da razão.

A ambulância parou, os dois perceberam, já estavam no hospital. Natsu foi levado até uma sala, onde iria tirar raios-X para analisar suas fraturas, já Lucy apenas seria examinada por um dos enfermeiros. Seus ferimentos não eram graves, apenas pequenos arranhões, foi logo liberada e decidiu fazer uma visita a Natsu, para ver com o rapaz estava.

— Ei. Pode ficar aliviada, eu estou bem — disse, assim que a viu entrar no quarto. Aparentemente ele teria que ficar no hospital por mais algum tempo. — Parece que vai ter que cuidar de mim, loirinha.

— Que escolha eu tenho, não é. Você me tirou de lá, afinal. Mas, agora vou para casa. Depois de quase morrer, estou morta de cansaço.

— Vai me deixar aqui sozinho?

— Tem muitos médicos e enfermeiros por aí. Além de outros pacientes. Não vai estar sozinho.

Natsu bufou, percebendo que nada que dissesse a faria ficar. Quando a loira se virou para ir embora, porém, ele comentou:

— Lucy, eu não me esqueci da sua promessa.

Inicialmente ela não soube do que se tratava aquilo, mas no instante seguinte se lembrou. Prometeu que se ele os tirasse do prédio em chamas, ela aceitaria sair com o rapaz. Nunca se arrependeu tanto de uma promessa, e sabia muito bem que Natsu a faria cumpri-la, independente de qualquer protesto.