Onde Tem Ódio Tem Amor

91 Like I'm gonna lose you


Notas iniciais
Oi, gente! Capítulo dedicado ao Atso kun. Muitíssimo obrigada pela recomendação e pelas palavras carinhosas! :3 Sem enrolação, boa leitura!

— Eu não posso fazer isso.

Coração acelerado, mãos suando, seu corpo completamente tenso, a imensa vontade de simplesmente fugir. Conhecia bem aquelas sensações. Houve um tempo em sua vida no qual elas lhe faziam companhia quase todos os dias. Não as via já há muito, e gostaria de continuar assim, contudo, o medo naquele momento dominava sua mente. Parecia não haver saída. Só conseguia imaginar tudo dando errado e aquela sendo uma péssima decisão a que estava prestes a fazer.

— Do que está falando? É claro que pode, Lucy.

— E se você estiver certa? E se eu me arrepender depois? Natsu e eu somos tão instáveis, e se algo acontecer? É muito mais complicado quando se tem uma relação legal com a pessoa. E se algo acontecer, já tivermos filhos e de repente tudo desmoronar? Tudo vai ser tão mais difícil.

— Ei, eu nunca disse que você iria se arrepender, só perguntei como sabia que não iria. E você mesma disse que não sabia, mas que gostaria de tentar. Além do mais, como vai saber se não se arriscar? Você não pode viver pensando no “e se”. São só possibilidades. Não quer necessariamente dizer que vai acontecer.

— Eu não sei, Levy... Talvez nós tenhamos nos precipitado. Ainda somos tão jovens e nem faz tanto tempo assim que estamos juntos.

— Conheço um casal que namorava há mais de dez anos e mesmo assim terminaram. Tempo não decide nada. Escuta, você só está tendo uma crise de pânico, ok? E é compreensível, é um grande passo em sua vida. Mas não precisa ter medo. Não é como se muita coisa fosse mudar, você sabe disso. E, você gosta muito daquele cara que está te esperando dentro daquele salão, não é?

— Sim...

— Então respire fundo e pare de pensar tanto. Você está linda, e vai perceber que não há motivos para se preocupar quando estiver junto com ele.

Tentou fechar os olhos e imaginar Natsu, tentar lembrar-se do rosto dele naquela manhã, em seu sorriso empolgado, ao mesmo tempo em que tomava longas respirações. Aquilo ajudou a acalmar um pouco seu coração.

— Facilitaria se você pelo menos me deixasse ver como eu estou.

— Não. Você só irá ver nos olhos dele. Não vai se arrepender, acredite em mim.

— Mas e se ele não gostar? Como eu vou saber se nem sei como estou?

— Por favor, Lucy. Aquele cara gosta de você até quando acorda, e eu já vi como é. Sua beleza fica bastante ofuscada pela manhã com o cabelo todo bagunçado e a cara amassada — a pequena brincou.

— Ei!

— Confia em mim. Ele vai gostar. E essa vai ser uma experiência pela qual você vai me agradecer depois. Ver a cara de bobo do Natsu, quer dizer, mais bobo do que o normal, quando te encontrar vai ser algo impagável. Pronta? Está se sentindo melhor?

Novamente, respirou de forma profunda.

— É, acho que sim.

Abriu a porta do carro e desceu com calma. O céu estava bonito naquela noite, todo estrelado. Deixara a festa a cargo de uma organizadora que havia contratado. Por não ter tido tempo, sequer tomara conhecimento do que ela tinha preparado, portanto tudo ali era uma surpresa. O salão era grande demais, em sua opinião. Estava todo iluminado com luzes roxas, principalmente no lado externo. O interno era um pouco mais leve. A iluminação era mais baixa, dando um toque delicado. Havia lustres que refletiam a fraca luz das lâmpadas. Era um ambiente bonito, no qual não prestou mais atenção quando seus olhos encontraram Natsu.

Apertou seus passos, andando de forma apressada até ele. O garoto mal teve tempo de olhá-la antes de ser recebido por um apertado abraço.

— Eu sei, sentiu demais a minha falta. Um dia longe de mim é tempo demais para qualquer um, eu entendo.

— Cala a boca — respondeu, apertando ainda mais seus braços em torno do pescoço dele, inalando o cheiro do seu perfume.

— O que? Por acaso é mentira? — Alguns segundos depois, com Lucy ainda amassando-o contra seu corpo, apertou as sobrancelhas e fez sinal para que Levy lhe explicasse o que estava acontecendo. Achara a reação estranha, até mesmo para Lucy. — Aconteceu alguma coisa?

— Apenas retribua o abraço — a pequena falou, baixo. Ele obedeceu. Segurou-a ali até Lucy tomar a atitude de se afastar, descendo sua mão até a dele e entrelaçando seus dedos.

Quando conseguiu finalmente ter uma visão do rosto de sua futura noiva, seu olhar pareceu congelar. O rosto da loira se avermelhou quando percebeu que ele não tirava os olhos de si.

— Para de me olhar assim.

— Desculpa, impossível.

Levy, notando o constrangimento de sua amiga, se aproveitou da situação.

— Então, Natsu, o que achou da minha obra-de-arte? Lucy está maravilhosa, não está?

— Acho que você criou um monstro — respondeu, sem desviar o olhar. Sem interpretar a fala, a loira sentiu uma pontada de nervosismo em seu coração.

— Por que? Está tão ruim assim? Eu falei para a Levy não exagerar. Você me enganou não foi, sua pequena traíra? — Disse, desviando o rosto para a amiga.

— Seu namorado que é esquisito. Como assim monstro, Dragneel? Explique-se.

— Um tipo de monstro como a medusa, mas ao invés de te transformar em pedra, te aprisiona nesses olhos tão intensos e te faz querer continuar somente admirando essa beleza para sempre, sem conseguir se concentrar em mais nada, sem conseguir pensar em nada. Seu mundo inteiro parece estar contido nesses olhos, e você tem a impressão de que é tudo de que precisa para viver.

Lucy arqueou as sobrancelhas.

— Você é um cara muito estranho, sabia?

— Estranho por querer descrever o quão deslumbrante você está de um jeito original? — Ele perguntou, sorrindo, levando sua mão à bochecha de Lucy e aproximando seus rostos.

— Estranho demais.

Tentou quebrar a distância restante, porém, ao invés de encontrar os lábios da loira, o que encontrou foi a palma da mão de Levy empurrando seu rosto para trás.

— Mas o que... ? — Perguntou, o som de sua voz saindo abafado pela mão da pequena.

— Odeio cortar o clima aqui, mas nem pensar que vou deixar você e esses lábios molhados estragarem minha obra-prima. Então, mantenha essa boca longe dela.

— Que exagero, Levy — a loira se pronunciou.

— Exagero nada. Isso deu muito trabalho, sabia? Quero manter você assim, então nada de ficarem se agarrando no meio da festa.

— Me obrigue — Natsu falou. — Não pode ficar nos vigiando o tempo todo.

— Não me teste, Dragneel.

— Vou encarar isso como um desafio, pequena McGarden — disse, colocando a mão sobre a cabeça de Levy, que rapidamente se afastou.

— Ninguém vai pedir minha opinião aqui? — Disse Lucy. Afinal, era a principal envolvida da situação.

— Como se sua opinião fosse relevante — Natsu respondeu.

— O que ele disse — Levy concordou.

— Há-há, babaca — falou, dando um fraco soco no braço do garoto.

— Por que só eu? Levy também concordou. Enfim, vem cá. Preciso da sua ajuda — disse, puxando-a logo depois para o canto do salão.

Lucy voltou o olhar para Levy a tempo de vê-la levar os dedos do meio e o indicador à frente dos olhos e depois virá-los para os dois, sinalizando que estava de olho. Não pôde deixar de rir. Ela e Natsu combinavam tanto que deveriam ser irmãos separados na maternidade.

— Ok, o que foi? — A loira perguntou quando ele parou.

— Pode dar um nó na minha gravata? — Estava desamarrada, apenas pendurada no pescoço de Dragneel. Tinha notado logo quando o vira, mas não comentara nada. Tinha coisas mais importantes para fazer, como sufocá-lo em seus braços, por exemplo.

— Não acha que você já está grandinho o suficiente para dar nó nas suas próprias gravatas? — Ela respondeu, ao mesmo tempo começando a amarrar a peça cuidadosamente. Queria apenas perturbar o garoto. Na verdade, gostava de arrumar aquele detalhe da roupa. Era melhor quando podia puxá-lo por ali e beijá-lo, mas tudo bem.

— Eu sei amarrar uma gravata, mas fica melhor quando você faz — novamente, ele grudou seus olhos na face de Lucy, completamente absorto naquela visão. Aquele tipo de atenção sempre a deixava constrangida.

— O que foi? — Perguntou ao terminar, mantendo suas mãos nos ombros de Natsu.

— Sendo bastante clichê agora, você realmente está muito linda. Quando eu penso que não tem como ser mais apaixonado por você, descubro que não podia estar mais errado. E eu queria muito mesmo te beijar neste momento, mas Levy está me encarando de um jeito que me faz temer pela minha vida, então acho melhor não arriscar.

Ela riu, ainda muito corada.

— Você também está muito elegante, senhor Dragneel — havia um espelho atrás dele. Empurrou-o para o lado, sem soltá-lo, para poder ver o que Levy havia feito com seu rosto. Podia sentir enquanto ela fazia seu trabalho, mas isso não lhe dava muita noção de seu estado. Estava curiosa para saber. — Me deixe ver como estou.

— Como assim? Você não sabe?

— Não, Levy não me deixou saber, com uma história de ver somente nos seus olhos — tinha de concordar que a pequena havia feito um belo trabalho. A maquiagem estava leve, como havia pedido, combinando com o vestido de seda azul, e o cabelo amarrado em um coque solto. Simples, mas elegante.

— Sua amiga é estranha.

— Vocês dois são. Estou cercada por pessoas estranhas.

— Você se inclui nessa, sabia, Heartfilia?

— Sabia.

— Ei, rápido, ela está distraída conversando com o Gray.

Não teve tempo de perguntar a que aquela colocação se referia. Natsu capturou seus lábios antes disso, e tudo o que pôde fazer foi levar suas mãos ao braço do rapaz. O beijo durou pouco, porém. Encerrou-se ao sentir o vento da bolsa de Levy passando muito perto de seu rosto e atingindo em cheio a bochecha do garoto.

— O que... ? — Perguntou, afastando-se. Natsu massageava a parte de sua face que havia sido atingida enquanto resmungava.

— Que tipo de mira inumana é essa? Como dessa distância ela conseguiu acertar só a mim?

— Eu avisei! — Levy gritou do outro lado do salão. Lucy riu, agachando-se para pegar a bolsa da amiga.

— Vamos logo, antes que ela jogue uma cadeira ao invés da bolsa — pegou a mão de Natsu e guiou-o até de volta aos amigos.

— Não duvido mesmo. Nem brinca com isso.

Ainda ria quando entregou a pequena bolsa para sua dona. Tinha a impressão de possuir as pessoas mais sem-noção do mundo ao seu lado, e amava isso. A vida tornava-se tão mais divertida daquela maneira.

Fazia frio, portanto mantinha-se abraçada ao braço de Natsu para aquecer-se. Ele era sempre tão quente, e o smoking deixava-o ainda mais aconchegante.

— Ei, Natsu, vi sua futura esposa completamente ao natural hoje, se é que me entende — Levy comentou, prestando atenção nas bochechas de Lucy voltando a corar enquanto ela se escondia atrás do bíceps de Dragneel. — Você não é mais o único aqui a ter tido acesso a essa cena.

— Do que estão falando? — Gray questionou, trazendo um copo em mãos.

— De nada! — Prontamente, Lucy respondeu.

— Como assim, Levy? — Natsu perguntou, arqueando as sobrancelhas.

— Entrei no banheiro para pegar algumas coisas que tinha esquecido enquanto a Lucy estava tomando banho.

— Ah. É uma bela visão, não acha? Uma das minhas preferidas — respondeu, sorrindo maliciosamente enquanto mirava a loira completamente envergonhada.

— Eu odeio muito vocês.

— Mas ela continua tímida demais. Pensei que você já tivesse dado um jeito nisso, Dragneel. Considerando sua fama, imaginava que já tivesse passado sua cara de pau para a Lucy — Levy continuou a provocação.

— Eu não sou mais o mesmo cara de anos atrás. Mas ainda estamos trabalhando nessa parte. Não é, amor?

— Gray, qual tipo de morte você acha que deve ser mais dolorida? — A loira perguntou, ignorando a colocação de Natsu.

— Ouvi dizer que cair num vulcão é bem ruim. Claro que existem modos mais fáceis, mas esse é mais exótico.

Lucy virou-se para Dragneel, com um sarcástico e, ao mesmo tempo, amável olhar no rosto.

— O que acha de fazermos uma viagem, amor? De preferência para um lugar com muitos vulcões.

— Acho que vou te manter bem longe de filmes envolvendo assassinato. Esse seu olhar está me dando calafrios — respondeu, encostando o dedo na ponta do nariz de Lucy.

— Você pediu por isso — a loira disse, sorrindo.

Os outros convidados começavam a chegar. Enchendo aos poucos o salão. Alguns vinham cumprimentá-los, outros apenas acenavam de longe para não atrapalhar a conversa entre os amigos.

Em certo ponto da noite, Gajeel apareceu. Não sozinho, porém. Estava muito bem acompanhado por uma jovem de olhos verdes e longos cabelos ruivos. Disse olá para os noivos, porém sequer olhou para Levy.

Foi impossível para Lucy não notar o olhar cabisbaixo da amiga e seus olhos marejados. Parecia conter as lágrimas apenas para não borrar a maquiagem. Também não queria estragar a noite para a loira. Não era culpa dela seu ex-namorado ser um completo babaca. Como se já não bastasse, ainda tinha de aparecer com aquela garota que Levy não conhecia, mas sabia se tratar da nova namorada de Gajeel, a qual ouvira falar. Anos juntos não valiam de nada para ele, aparentemente, já que corria atrás da primeira que aparecia sendo o término tão recente.

Pouco depois, Jun apareceu. Para tentar distrair Levy, Lucy a puxou até o moço, apresentando-o. Ele, como sempre, extremamente amigável, talvez fosse uma ótima distração para sua amiga. Sabia que seu companheiro de trabalho era também uma excelente companhia para conversas.

— Não precisava ter se dado ao trabalho de vir até aqui, mas fico feliz que tenha vindo — Lucy disse, abraçando-o.

— Não é trabalho nenhum, não se preocupe, Lucy.

— Esta é Levy, minha amiga. E esse é o cara que facilita minha vida em todos os sentidos possíveis e impossíveis, Jun.

— Olá — a pequena o cumprimentou, para surpresa de Lucy, com as bochechas coradas. Podia ser apenas coisa de sua cabeça, mas eles formariam um casal fofo.

— Só faço o melhor que posso. E muito prazer, Levy.

Participava da conversa, contudo, tentou dar liberdade aos dois para se conhecerem. Não iria bancar o cupido nem nada, porém não negaria que ficaria feliz se seu muito recente “ship” se tornasse realidade. Levy estava há tanto tempo presa naquela estranha relação com Gajeel, e Jun sempre preocupado demais com o trabalho. Imaginava que eles combinavam muito bem. Mas, claro, era só uma imaginação sua.

Os minutos da noite se passavam. Repentinamente, Gray aproximou-se, a mão bagunçando os cabelos, uma expressão de culpa em seu rosto.

— Ei, Lucy, o quão brava você ficaria se eu dissesse que posso ter assustado um pouco seu noivo? — Perguntou.

— Como assim assustado?

— Ah, sabe, só colocado um pouco de pânico, dizendo que você ainda podia dizer não. Essas coisas. O resto ficou a cargo da imaginação dele.

Moveu o olhar, encontrando Natsu sentado num banco com as mãos no rosto, aparentemente muito preocupado. A gravata também estava um pouco mais frouxa do que antes.

— Sinceramente, o que eu falo para esse garoto? Por que eu iria dizer não agora, depois de ter dito sim tantas vezes?

— Eu sei lá. Você entende a cabeça daquele cara bem melhor do que eu.

Lucy suspirou, ainda que sorrindo. Era bom saber que Natsu estava preocupado também, afinal, ela não estava num estado tão diferente pouco tempo antes.

— Vou lá tentar acalmá-lo.

Aproximou-se do garoto melancólico como quem se aproxima de um filhote assustado, cuidadosamente, observando seu incessante bater de pés, nervoso e agitado.

Colocou suas mãos sobre os joelhos dele. Natsu ergueu a cabeça, notando a presença da loira ali.

— Não é essa a expressão que eu quero ver no rosto do meu futuro marido — disse, sorrindo. — Por que, de uma hora para outra, eu iria mudar de ideia, Natsu?

— Eu não sei. Talvez você percebesse que não quer mais fazer isso — ele respondeu, ajeitando a postura. Lucy sentou-se ao lado. Tecnicamente ele não estava tão errado assim. Era um medo compreensível, afinal, ela havia realmente cogitado desistir.

— Relaxa, ainda tenho alguns meses para perceber que não quero — Natsu a encarou, assustado. — É brincadeira. Medroso.

— Você não deveria brincar com meu coração assim num momento de tanta tensão.

— Eu sempre vou brincar com seu coração, Dragneel. Acostume-se — encostou sua cabeça no ombro do garoto, sorrindo de canto. — Sabe, eu estava um pouco em pânico também antes de entrar aqui. Levy me acalmou.

— Engraçado.

— O que?

— Se você está surtando sua melhor amiga te acalma. Se eu surto meu melhor amigo me deixa mais assustado ainda. Gray é um babaca.

— Acho que vocês combinam perfeitamente.

— Mas por que estava em pânico? — Encarou-a de lado.

— Por pensar se não estamos cometendo um erro.

— Por que? Você acha que estamos?

Lucy abriu mais seu sorriso. Levantou-se e estendeu a mão para o garoto.

— Vamos descobrir juntos. O que acha?

Ele aceitou, sorrindo, muito mais calmo do que antes. Lucy os guiou entre as várias pessoas até um tipo de parte elevada do salão no canto esquerdo, de onde todos poderiam facilmente vê-los. Estava novamente naquela noite com o rosto completamente vermelho.

— Vou começar a contar quantas vezes você ficou com vergonha hoje — Natsu brincou. — Quer fazer isso mesmo? Você odeia falar em público, mesmo quando não tem escolha.

— Exatamente, por isso considere isso um grandioso ato de amor — respondeu, limpando a garganta, preparando-se para seu discurso repassado diversas e diversas vezes em sua mente. Aos poucos as pessoas paravam de falar e voltavam seus olhares para ela, deixando-a mais constrangida ainda. Os poucos que ainda não prestavam atenção foram repreendidos por Levy, que sorria para a amiga, encorajando-a. — Eu... gostaria de dizer algumas coisas. Posso não ter vivido tanto assim, porém nesse curto tempo passei por momentos muito ruins. Muitos dias em que imaginava que jamais conseguiria ser feliz outra vez, ou rir de coisas simples, ou apenas apreciar os dias. Achei que só conseguiria sobreviver, que estava somente esperando pelo dia em que não teria mais que conviver com a dor. Até conhecer Natsu Dragneel. Esse garoto me mostrou que não importa o quão difícil a vida esteja, ela sempre pode melhorar. Ele me mostrou que a dor não é eterna, e que você sempre pode se reencontrar com a felicidade. Quando o conheci, jamais imaginaria a importância que teria para mim. Mas, acho que as melhores coisas da vida são assim. Elas vêm sem aviso, sem que você espere, e de repente transformam tudo à sua volta. Natsu me mostrou um mundo no qual eu sei que quero viver, descobrindo a cada dia um pedacinho do que é ser feliz. Então, por isso, eu sei que essa vai ser uma das melhores decisões que eu já tomei na vida. O que me diz? Quer descobrir esse mundo comigo? Quer se casar comigo, Natsu Dragneel?

Ele sorria, ainda mais contemplando a vermelhidão em que se encontrava Heartfilia. Obviamente, só havia uma resposta possível para aquilo.

— Eu sei que você fez esse discurso todo para que eu não tivesse como dizer não, então, o que posso fazer? Se eu respondesse não te traumatizaria pelo resto da vida, então é claro que sim.

— É, era exatamente esse meu plano para te capturar.

Brincadeiras à parte, a tomou em seus braços, mal ouvindo os aplausos e gritos das pessoas presentes naquele salão, porque nada lhe importava mais naquele momento do que beijar longamente o pescoço de sua agora oficial noiva.

— Eu te amo — sussurrou ao pé do ouvido de Lucy, baixo o suficiente para que somente ela ouvisse. — E não precisa esconder, eu sei que você está morrendo de vontade de chorar agora.

Ouviu-a rir enquanto apertava mais as mãos em sua roupa.

— Eu não vou chorar. Levy provavelmente me mataria. Você também não precisa se segurar, sabe? Eu sei que foi um discurso emocionante. Toquei profundamente seu coração dessa vez, não é? Superei o seu pedido, com certeza.

— Estou me debulhando em lágrimas por dentro, Heartfilia.

Afastou seu rosto, beijando-a rapidamente nos lábios, embora seu desejo fosse de que pudesse tê-la somente para si, sem dividi-la com convidado nenhum, sem precisar ter pressa. Mas, afinal, não importava se tivesse que ter pressa naquele momento. Estava disposto a dedicar todos os dias restantes da sua vida àquilo. Teria tempo suficiente. Ou, ao menos, esperava ter...

Notas finais
As coisas estão calmas até demais... mas paciência, tudo já está planejadinho ;) hehehe. E não esqueci daquela surpresa do capítulo anterior, ok, gente? Vai ficar pro próximo. É sofrência Gale em FT e é sofrência Gale aqui também... E falando em Gale, gostaria de fazer uma pergunta para vocês: Gostariam de uma fanfic Gale? Se eu escrevesse vocês leriam? Eu sei que mal posto OTOTA, por isso não prometo nada, kkkk, mas tive uma ideia que gostei, e nunca escrevi nada além de NaLu, por isso cogitei a ideia. Enfim, digam aí o que acham nos comentários, ou, pro pessoal que não gosta de comentar, podem deixar sua opinião por essa enquete http://goo.gl/forms/qKAppmKo76SEY2aA3 E é isso aí. Comentem o que acharam : ) Até mais o/