Notas iniciais
Oi! Sejam bem-vindos a mais um capítulo, que dessa vez chegou cedo : ) Boa leitura!

Sem conseguir dormir, relaxava com o braço de Natsu pendendo em sua cintura. Sua insônia, porém, era causada por estar feliz. Já estava no meio da semana e em nenhum dos dias voltara a ter pesadelos como aquele. Seu noivo também andava mais carinhoso do que o normal, expressando uma preocupação que ela imaginava estar relacionada à sua recente estadia no hospital e talvez à possibilidade de gravidez. Não que normalmente ele já não fosse carinhoso. Era, e muito, contudo sempre acabavam discutindo por algum motivo besta, o que ainda não tinha acontecido naquela semana. Embora gostasse muito da parte da reconciliação, era ótimo não ter nenhuma briga. Queria apenas não ter que viajar no dia seguinte. Ou dali algumas horas, já que o relógio marcava três da manhã. Odiava estar longe dele, ainda mais numa semana como aquela.

Estava distraída, imaginando coisas envolvendo o futuro, sonhando acordada com todas as coisas boas que vinham acontecendo em sua vida, quando foi tirada de seus devaneios pelo som da porta da casa abrindo. Quis acordar Natsu, porém pensou que pudesse ser apenas o barulho do vento ou algo assim. Além do mais, ele não acordava facilmente. Se tentasse, provavelmente a pessoa que entrou na casa ouviria. Talvez se ficasse quieta o invasor não perceberia sua presença e iria embora.

Se sentia paralisada como uma estátua, seus músculos completamente rígidos. Considerando sua sorte, não seria de se estranhar ser assaltada numa semana tão boa. Congelou ainda mais quando a porta do quarto foi aberta, pressionando as pálpebras, tentando fingir que ainda dormia. Até mesmo a respiração tentava controlar para não fazer barulho. Quase gritou de susto quando o invasor lhe dirigiu a palavra:

― Chega mais pra lá.

Aquela voz fina era antiga conhecida. Relaxou, porém imaginando ainda que estava dentro de um sonho. Abriu os olhos e franziu a testa.

― Levy? ― Disse, dando espaço no colchão para a jovem, sem entender absolutamente nada. ― Mas o que... como você... por que... ?

― Vocês deviam trancar a porta. Francamente, Lucy, estão pedindo para ser assaltados desse jeito.

― Talvez nós deixemos aberta por termos um porteiro no prédio.

― Ele me deixou entrar sem nenhum problema.

― Você sempre vem aqui. Lógico que ele não ia estranhar.

― Faz sentido ― a menina respondeu, pensativa.

― O que está fazendo aqui no meio da madrugada, afinal? ― Perguntou. Não era uma atitude normal. Mas Levy também não era uma pessoa muito normal, então não era de se estranhar tanto.

― Precisava de uma companhia. E já que na sua atual situação você não pode sair para beber, achei que era melhor vir aqui.

― No meio da madrugada? ― Deu ênfase àquela parte.

― Você não está dormindo ― Levy respondeu, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

― Mas poderia estar. Ou, sei lá, poderíamos estar num estado impróprio ― disse, sentindo as bochechas corarem.

― Sem roupas, você quer dizer? Mas vocês estão vestidos. Certo? ― Esperou pela confirmação, já que Natsu dormia sem camisa e as cobertas impediam de saber sua situação da cintura para baixo.

Lucy virou o rosto, encontrando-se a centímetros do dele, com aqueles cabelos ainda mais bagunçados por conta do travesseiro e a boca entreaberta, que provavelmente teria beijado se Levy não estivesse ali.

― Sim. Claro que sim.

― Então. Não vejo problema nenhum ― Lucy suspirou. Nunca vencia uma discussão contra sua amiga. ― Aliás, ele está bem? Como não acorda com a gente conversando tão perto assim?

― Natsu? Ah, sim. 100% bem. Ele não acordaria nem se o prédio desabasse.

― E você nunca se aproveitou disso? Tipo, pintou a cara dele enquanto dormia e usou como chantagem?

― Eu nunca faria isso com meu pobre amorzinho.

Levy sorriu de canto, sentindo o sarcasmo.

― Já fez, não é?

― Tenho um álbum inteiro no celular com fotos dele dormindo. Ainda não precisei usar, mas estão guardadas. Qualquer hora te mostro as melhores.

― Vou cobrar ― disse, piscando o olho direito. Considerando-o como um irmão mais novo, adoraria ter novas fontes para irritar Natsu. ― Então, como anda a gravidez?

Lucy se ajeitou na cama. O assunto não era exatamente desagradável, mas estava a todo momento pensando a respeito, de modo que era bom ter uma folga dele em conversas normais. Não diria isso a Levy, pois sabia que ela perguntava com uma curiosidade genuína de quem a queria ver feliz, então respondeu com o máximo de sinceridade.

― Eu não sei. Eu não me sinto exatamente grávida, Levy. Eu deveria sentir algo, não deveria? É tão estranho. Quero dizer, eu senti na primeira vez.

― Nem sempre. Você pode não sentir. Nem todas as experiências são iguais. Relaxa. De qualquer jeito, mesmo se você não estiver esperando um filho, vocês podem tentar no futuro. Tenha calma.

Dizia aquilo a si mesma quando começa a pensar, mas era a dúvida que a corroía. A incerteza do que a aguardava.

― Eu sei. Só queria tirar isso da minha cabeça logo.

― Aproveite enquanto não tem certeza, porque depois é que sua mente vai se tornar um inferno ― Levy comentou. Sua voz trazia um tom melancólico que Lucy achou estranho. Parecendo tentar fugir daquele assunto, a garota comentou. ― É estranho estar no possível lugar onde meu sobrinho ou sobrinha foi concebido.

Lucy puxou a coberta, escondendo seu rosto.

― Francamente, você e o Natsu só pensam nesse tipo de coisa?

Levy riu, abaixando novamente o tecido que cobria sua amiga.

― No caso dele as intenções são outras, mas você sabe que eu só falo para te irritar.

― É, eu sei ― disse. Havia algo na expressão de Levy que não conseguia decifrar, porém estava quebrando seu coração. A mesma tristeza que vinha vendo nos últimos tempos. Tentou perceber se seus olhos estavam inchados, contudo o quarto estava escuro demais. ― Você disse que precisava de companhia hoje. Por que?

― No nosso ponto de amizade, preciso realmente te dizer? ― Sorriu de canto. Não, não precisava.

― Gajeel. Eu realmente não consigo entender, Levy. Por que insiste nesse relacionamento se ele só te faz mal? Eu sei que ele é meu amigo também, mas o Gajeel é um babaca que só te faz sofrer ― comentou, mais alto do que deveria. Aquelas palavras estavam presas em sua garganta. Olhou para trás, conferindo se Natsu tinha acordado, porém o garoto não havia movido um músculo.

― Eu sei, eu sei de tudo isso. Mas o que eu posso fazer? Eu amo aquele babaca. Não consigo me imaginar com outra pessoa. Talvez dessa vez o término seja definitivo, porém não quer dizer que vai doer menos. Não tem como deixar de amar alguém tão rápido.

Por experiência própria, sabia o quanto era difícil. Mas, mais difícil ainda era viver daquele modo.

― Por que você gosta tanto de alguém que só te magoa?

― Você tem suas razões para amar esse cara que está babando no travesseiro, eu tenho as minhas para amar o Gajeel. Ele é um bom homem quando não está sendo alguém insuportável. Ele é engraçado, protetor, e disposto a fazer loucuras que poucos homens aceitariam. Quer dizer, qual foi a coisa mais sem noção que vocês dois já fizeram?

Lucy parou para pensar até que se lembrasse de algo.

― Bom, acho que foi uma vez em que o Natsu teve a brilhante ideia de tentar imitar posições do kama sutra. Mas aí ele deslocou o ombro e tivemos que ir ao hospital...

A pior parte fora sem dúvidas ter que explicar ao médico o que tinha acontecido. Mesmo no meio de um assunto sério, Levy não conseguiu segurar o riso.

― Vocês parecem um casal de velhos.

― Nosso programa favorito juntos nos fins de semana é dormir, então, é, acho que você tem razão. Mas e vocês? Qual a maior loucura que já fizeram?

― Com certeza entrar numa casa abandonada e tentar ter uma noite romântica num lugar que mais parecia cenário de filme de terror. No meio da noite, um guarda noturno apareceu. Tivemos que nos vestir às pressas e fugir. Nós estávamos rindo tanto que mesmo com o susto continuamos nossa noite numa floresta do lado da casa ― comentou, sorrindo com a lembrança. ― Foi um dos melhores dias da minha vida. Se eu fecho os olhos, consigo lembrar perfeitamente de estar deitada sobre o peito do Gajeel, vendo a lua e as estrelas brilhando acima de nós.

Lucy esboçou um sorriso. Talvez ouvisse tanto as partes negativas de Gajeel que se esquecia que ele também proporcionava momentos de felicidade à sua amiga.

― Talvez as coisas ainda possam se resolver. Só não acho certo que você espere que ele irá mudar.

― Eu sei que ele não vai mudar. E acho que essa é a pior parte ― parecendo tentar mudar de assunto, a garota perguntou: ― Você vai voltar para a sua cidade hoje, não é? ― Lucy assentiu. ― Quanto tempo vai ficar lá?

― Não sei. Alguns dias, provavelmente. Natsu não sobrevive sem mim, você sabe ― disse, dando uma cotovelada no estômago do rapaz. Com o golpe, ele se mexeu, mas não parecia ter acordado.

― Queria que você pudesse ficar. Eu realmente poderia usar um ombro amigo nesse momento.

A expressão triste no rosto de Levy ainda se mantinha. Não conseguia mais aguentar aquilo. Acabou exteriorizando tudo o que estava sentindo.

― Tem mais alguma coisa, não tem? Você não está assim só por causa do Gajeel, eu consigo ver nos seus olhos. Caramba, Levy, você quer que eu te ajude, mas não me diz o que está acontecendo.

Interrompendo sua amiga, Levy revelou bruscamente:

― Eu estou grávida.

Lucy se calou instantaneamente, arregalando os olhos.

― Oi?

― Com 100% de certeza, ao contrário de você ― disse. Mesmo com o quarto escuro, conseguia ver lágrimas escorrendo do rosto de Levy para o colchão. Tinha tantas perguntas que não sabia nem por onde começar.

― Como isso aconteceu?

― Você sabe. Quando um homem e uma mulher se amam...

― Levy ― chamou sua atenção. Não era hora para brincadeiras. A pequena suspirou.

― Nós tínhamos brigado. Nenhum dos dois estava com a cabeça no lugar para lembrar de tomar medidas contraceptivas. Aconteceu.

― Faz quanto tempo?

― Quatro meses ― Levy segurou a mão de sua amiga e a colocou sobre seu ventre. Lucy conseguia sentir a saliência em sua barriga. Sentiu-se completamente burra por não ter percebido antes. Nem mesmo Natsu imaginou, ele com certeza teria lhe dito algo. ― Eu já suspeitava há algum tempo, mas só fiz o teste algumas semanas atrás. Não queria que fosse verdade. Achei que poderia estar só engordando. Quando comecei a imaginar, tentei esconder o máximo possível. Agora, já sei até mesmo que é um menino.

― Gajeel sabe?

― Por que você acha que estou aqui? ― A pequena sorriu, o fluxo de lágrimas aumentando.

― Pelo visto ele não aceitou muito bem.

― Ele já achava que eu o tinha traído antes. Agora tem certeza. Disse que o filho não é dele, que não vai reconhecê-lo como tal porque sabe que não é.

― Você tem certeza que é dele?

― Lucy ― a pequena a mirou, irritada.

― Desculpa, é que é muita informação para a minha cabeça.

― Pode não parecer, mas o único cara com quem eu já me deitei foi ele, ok? Então sim, eu tenho certeza.

― Calma. Eu acredito em você. Não acredito que o Gajeel conseguiu chegar a esse nível.

― Não importa. Se ele não quer aceitar que tem um filho o problema é dele. Eu só... ― Levy mal conseguia falar, era como se estivesse sendo engolida pelos seus sentimentos. ― Eu não sei o que fazer, Lucy. Eu não posso criar uma criança. Ainda mais sozinha. Não tenho condições para isso.

― Se acalma ― era torturante vê-la daquele jeito. A abraçou, tentando lhe trazer um pouco de paz. ― Quem disse que você está sozinha? Eu vou te ajudar em tudo que precisar, e tenho certeza que o Natsu também. Ele é ótimo com crianças, sabia? Vai ser um tio maravilhoso. Além do mais, nossos filhos vão poder crescer juntos. Vai ficar tudo bem. Eu prometo.

Levy sorriu, tentando parar as lágrimas.

― Sabe, foi por isso que eu chorei quando você contou que poderia estar grávida. Eu senti como se não tivesse que enfrentar tudo isso sem ninguém.

― Mesmo se eu não estivesse, você não enfrentaria nada sozinha. Eu jamais permitiria. Ok? ― Perguntou, afastando-se da pequena e tirando com o polegar as poucas lágrimas que ainda estavam em suas bochechas. ― Está se sentindo melhor?

Levy assentiu.

― Um pouco. Obrigada.

― Estou aqui para isso.

Já esteve exatamente no mesmo lugar em que sua amiga se encontrava. Sentindo-se abandonada, com uma responsabilidade enorme sobre os ombros. Mas, ao contrário do que lhe acontecera, não deixaria que Levy sofresse como ela. Faria de tudo para ajudar aquela pequena pessoa que sempre lhe ajudou.

Aliviando o clima de tensão no ambiente, Natsu acordou. Ou, ao menos tem teoria. Estava praticamente num estado sonâmbulo, movendo o corpo quase sobre o de Lucy, jogando o braço até onde Levy estava.

― Amor, acho que já dá para sentir sua barriga crescendo. Ou você só engordou? Falei que você estava comendo demais ― disse, com voz de sono. Lucy revirou os olhos, acertando-o com força na barriga. O golpe o despertou de vez. Sentou-se na cama, gemendo e pressionando a região atingida. Quando ergueu o rosto e viu Levy do outro lado, levou um susto tão grande que caiu do colchão, batendo a cabeça na cômoda.

― Natsu! Você tá bem? ― A loira perguntou, sentando-se na cama e espiando-o enquanto massageava o local da batida. Ao mesmo tempo, não conseguia não rir da situação.

― Por que caralhos tem duas mulheres na minha cama?

― Não fica feliz com isso, Natsu? ― Levy disse, quase sussurrando, apoiando a cabeça no ombro de Lucy e abraçando sua cintura, tentando esquecer completamente a recente conversa enquanto perturbava o garoto. ― Agora que acordou pode se juntar a nós. Vai ser divertido.

― Credo, não! Você é quase minha irmã! Isso seria horrível. O que está acontecendo aqui? Não estou entendendo nada. Acho que bati a cabeça com força demais.

Levy riu, soltando sua amiga. Lucy também ria, mas demonstrava uma pequena preocupação com seu noivo. A pancada foi realmente forte. O abraçou pelo pescoço, dando um beijo em sua bochecha.

― Coitadinho. Mas é isso que dá dizer que eu engordei. Qual é, Natsu, você realmente acha que da noite para o dia eu teria engordado o equivalente à cintura de uma pessoa?

― Sei lá, eu estava com sono. Alguém pode me explicar o que a Levy está fazendo aqui?

― Eu queria conversar com a minha amiga, ué ― Levy respondeu.

― E não poderia esperar até de manhã?

― Assuntos urgentes.

― Eu nunca vou entender as mulheres... ― brincou, checando se sua nuca estava sangrando, pois pelo tanto que doía, não duvidava nem um pouco. ― E como você entrou aqui?

― Pela porta, óbvio.

Natsu a encarou. Sua expressão lembrou a Lucy a face de um cachorro irritado. Acabou deitando na cama e rindo.

― Acha engraçado, é, Heartfilia? ― O garoto se levantou, colocando as mãos sobre a barriga de Lucy.

― Não, nem pense nisso ― no mesmo instante, ele pressionou seus dedos, lhe fazendo cócegas. ― Levy, me ajuda.

― Seu noivo, seu problema.

― Eu vou te empurrar e você vai bater a cabeça de novo ― disse com dificuldade, sufocando em risadas. Natsu se afastou.

― Ok, parei.

Enquanto recuperava o fôlego, ouviu Levy sugerir:

― Tenho uma ideia. Por que não vamos até a praia? Estava morrendo de vontade de ir desde que vimos aquela notícia sobre vocês. A essa hora deve dar umas duas horas de viagem.

Tinha a impressão de que aquele não era o real motivo. Entretanto, conseguia entender pelo tom de voz de Levy que aquele era um pedido importante. Não sabia a razão de ser tão importante, mas imaginou que deveria ajudá-la.

― Como é? ― Natsu perguntou. Achou que Levy estava brincando, afinal, era uma sugestão insana. Contudo, sua expressão era séria.

― Claro, por que não? ― Lucy comentou, recebendo um olhar crítico do rapaz. A questão era que queria distrair Levy, fazê-la esquecer um pouco das mazelas da vida. E se um passeio até a praia iria ajudar, apoiava completamente.

― Tá falando sério? ― O garoto questionou. ― Eu tenho que trabalhar, e você tem um voo para pegar.

― Nós chegamos a tempo. Além do mais, seu chefe é seu amigo. Não vai se importar se você se atrasar um dia. Vamos, Natsu ― levantou-se, abraçando-o, com o intuito de conseguir dizer sem que Levy escutasse. ― Por mim, por favor. Preciso que você faça isso. É importante.

O rapaz suspirou, bagunçando o cabelo.

― Ok, tudo bem. Vocês são malucas, e acabam me levando junto nas suas loucuras, mas como sou um cara tão legal, vou concordar.

Sorrindo, Lucy sussurrou em seu ouvido:

― Obrigada.

Notas finais
Vamos fingir que não era óbvio, ok? Ok. kkkkkkk. Eu gosto de dar pistas do que vai acontecer para não ser algo sem sentido, e às vezes acabo deixando claro até demais, shaushuahsauhsas. Mas espero que tenham gostado do mesmo jeito : ) Eu particularmente gosto bastante do enredo desse capítulo. Queria ter revisado para deixar o mais perfeito possível, porém com a pressa de postar não teve como, kkkkk. Me avisem se encontrarem eventuais erros. Comentários são sempre bem-vindos : ) Até o/