Notas iniciais
Hey! Um capítulo num domingo não é algo muito comum, mas se eu não postasse hoje acabaria postando somente no próximo fim de semana, então... aí está : ) Capítulo dedicado a Isabella pela recomendação. Muito obrigada, moça!!! :D E muito obrigada a todos que comentaram o capítulo passado ouvindo meus pedidos, vocês fizeram uma autora muito feliz, sério. Meus planos eram já ter respondido todos os comentários do capítulo passado, só que acabou não dando certo porque meu tempo livre é muito curto, então vou tentar fazer isso durante essa semana, ou no próximo fim de semana, mesmo que isso acabe atrasando um pouco o próximo capítulo, porque quero muito responder vocês, ok? Enfim, boa leitura!

— Eu vou deixar vocês a sós.

Sempre se ouve que durante uma tempestade o melhor a se fazer é procurar abrigo, caso contrário o risco de ser atingido por um raio é consideravelmente alto. Naquele instante, aquela sala estaria prestes a receber uma tempestade de proporções imensas, e definitivamente Levy não gostaria de estar no meio daquilo. De qualquer forma, o assunto cabia apenas a Natsu e Lucy, não havia qualquer motivo para permanecer no recinto. Apenas torcia para que a acústica da casa não permitisse que dos outros aposentos ela pudesse ouvir a provável discussão que estaria prestes a iniciar-se.

Assim que Levy se retirou, Lucy se aproximou, cautelosamente, medindo cada passo hesitante, como se tornar a caminhada mais lenta fosse adiar a agora inevitável conversa.

— Não acho o mesmo. Não acho que temos que conversar — afirmou, tentando em um momento desesperado se livrar da situação. Os braços cruzados indicavam sua postura séria, demonstrada também em seu olhar. Estava tão perto, e, ao mesmo tempo, tão distante de Natsu.

Ele riu. Ou ao menos tentou. O extremo nervosismo atrapalhava.

— É, eu também gostaria de acreditar nisso. De que não há nada para conversar, de que tudo está bem. Só que não está, você sabe disso — Dragneel fez uma pausa. Olhou para o chão, sem conseguir encará-la, suspirou e continuou: — Nós precisamos conversar, Lucy. Você tem me ignorado durante todo esse tempo e tudo bem, eu sei que mereci, e que você tem todo o direito de estar magoada, mas não dá para evitar isso para sempre. Eu só peço para que você me ouça, e se mesmo depois disso quiser que eu desapareça da sua vida, eu juro que nunca mais irá ouvir falar de mim ou me ver outra vez. Se isso for o que você realmente quiser.

— Pensei que já tinha entendido isso — apenas algumas palavras e já sentia o nó em sua garganta voltando a se formar. Contudo, se recusou a fraquejar outra vez, ainda mais frente a ele. Suportaria o máximo que pudesse, mas não iria demonstrar ser tão fraca que sequer conseguia encará-lo.

— O que?

— Que é isso que eu quero, que você suma da minha vida — aquelas palavras exigiram um imenso autocontrole de Lucy. Ao mesmo tempo, poderiam ter destruído boa parte das esperanças de Natsu, se não fosse por um detalhe crucial.

— Não, não quer — a confiança com a qual ele proferira aquilo chegara perto de irritar Lucy. — Eu te conheço melhor do que qualquer outra pessoa. O suficiente para saber que você não consegue de jeito nenhum mentir olhando nos olhos de alguém. Quando disse que queria que eu sumisse da sua vida você desviou o olhar, o que indica que está mentindo.

A loira riu.

— Grande coisa. Estar ou não olhando para você é só um detalhe, não faz diferença.

— É mesmo? Então por que não me diz isso novamente, dessa vez olhando nos meus olhos? — ele a desafiou. Lucy tentou, porém Natsu tinha razão. As palavras ficaram entaladas em sua garganta, e por mais que talvez quisesse dizê-las, não podia. — Não consegue, não é? Porque não é o que você quer, Lucy.

— Quem é você para me dizer o que eu quero ou não? — perguntou, elevando o tom de voz. — Não se trata apenas do que eu quero, Natsu. Sabe o que eu realmente queria? Que meus pais ainda estivessem vivos; que meu pai não tivesse passado anos me culpando pela morte da minha mãe; que eu não tivesse cometido erros no passado que eu não pretendo cometer outra vez. Só que isso são coisas impossíveis, não é? Nem tudo é simplesmente uma questão de querer.

Ele já havia previsto que seria muito mais fácil até mesmo suportar as chantagens do Koscheivich do que ouvir as palavras de Lucy. Doía vê-la daquele jeito, estando acostumado com seu sorriso. Queria vê-lo outra vez. Faria qualquer coisa para trazê-lo de volta.

— Você tem razão. Essas coisas já aconteceram, não dá para mudá-las. Mas isso aqui está acontecendo agora, Lucy, e isso sim está sob seu controle.

— Sob meu controle? Eu acho que isso saiu do meu controle no momento em que você engravidou outra mulher.

— Eu sequer sei se esse filho é realmente meu — defendeu-se, elevando também sua voz. Aquela questão vinha martelando em sua mente há algum tempo. Não tinha certeza se podia confiar em Lisanna.

— Vai colocar a culpa nela agora? Tentar dizer que a responsabilidade não é sua?

— Não, não é isso, Lucy — Natsu rebateu, aproximando-se alguns passos, clamando por um entendimento. — Lisanna quase não me procurou desde que falou a respeito do bebê. Não acha isso no mínimo estranho?

— Talvez estivesse com medo demais de que você fosse rejeitar o filho, de que deixaria tudo para ela e abandonaria aos dois — dizia aquilo por experiência própria. Quando contara a Ryan a respeito da gravidez, ele simplesmente abandonara-a; e, baseando-se no que vivera, não desejava o mesmo para ninguém.

— Falando desse jeito parece que você não me conhece — respondeu, sentindo-se um pouco indignado pela suposta acusação. — Você sabe que eu jamais faria isso. Eu não abandonaria os dois.

— Bom, eu também costumava ter certeza de que você nunca me trairia, mas olha onde estamos agora — a loira rebateu, sarcasticamente.

Não tinha argumentos contra aquilo, contudo, direcionar a discussão para quem estava certo ou errado naquela história não os levaria a nada.

— Não importa, não é essa a questão.

— É claro que é, Natsu! Foi essa gravidez que nos trouxe a essa situação. Como pode dizer isso?

— Não — o garoto insistiu. — Não foi o bebê. Existem muitos casais em que uma das pessoas tem um filho fora do relacionamento e os dois convivem muito bem com isso. A questão foi eu ter quebrado sua confiança, não é? Ter feito isso enquanto estávamos tecnicamente juntos.

Lucy hesitou em responder, porque de fato ele estava certo. Obviamente o bebê também tinha suas influências, porém, o que realmente havia separado os dois fora a ação em si.

— Você sequer pensou, não é? — perguntou, sentindo seus olhos marejados. Precisou sentar-se no sofá, pois sua cabeça começava a latejar de forma intensa. — Agiu sem pensar, como sempre faz. Não pensou nas consequências que isso traria, nem para você, nem para mim, e até mesmo para Lisanna.

— Eu estava bêbado demais para conseguir pensar. Nem lembro exatamente o que aconteceu naquela noite.

— Não coloque a culpa na bebida porque ainda eram suas ações, Natsu.

Estava nervoso, ansioso e angustiado. Parecia que jamais conseguiria sair daquela discussão sem que as coisas continuassem ruins, e, como sempre fazia quando aqueles sentimentos surgiam, como forma de concentrar a tensão em algo, bagunçou o cabelo, sentando-se ao lado da loira no sofá.

— Eu sei que eu cometi um erro e estou tentando compensar. Eu não vou de forma alguma negar isso. Só... por favor, me perdoe, Lucy. Se eu pudesse voltar no tempo e consertar o que fiz eu faria, mas não dá para fazer isso. Tudo o que eu posso fazer é te dar minha palavra, mesmo que não valha muito no momento, de que foi um deslize e que eu me arrependo disso, e que ficar sem você tem sido extremamente insuportável.

A loira fechou os olhos e jogou a cabeça para trás, esperando que quando os abrisse outra vez aquilo tudo desapareceria e descobriria que não passara de um pesadelo. Contudo, seu desejo não se realizou.

— E então o que? Como vou olhar para esse bebê sabendo o modo como ele foi concebido? Sendo a memória eterna de que a pessoa em quem eu mais confiava me traiu, pela segunda vez; me lembrando a todo momento que eu fiz outra vez o que eu jurei nunca mais fazer, confiar em pessoas erradas?

— Você pode confiar em mim, não fez uma escolha errada.

Lucy o ignorou.

— O que as pessoas irão dizer sobre isso?

— Você se importa com isso? — a questionou. Aquela parecia ser a questão mais insignificante para ele. — Porque eu não.

— Claro que não faz diferença para você — a loira respondeu, rindo. — Mas para mim faz. Isso não atinge apenas a mim, Natsu, mas também a centenas de funcionários. Já é complicado o suficiente ser levada a sério como CEO de uma empresa como a Heartfilia S/A sendo tão jovem, se eu te perdoasse, além disso, ainda seria a pessoa que perdoou o namorado que a traiu e ainda por cima teve um filho com outra. Que imagem acha que isso causaria?

O garoto se calou. O argumento era forte demais para que ele conseguisse refutá-lo. Lucy tinha todos os motivos do mundo para não lhe dar seu perdão, e era isso o que mais o amedrontava.

— Sua vida pessoal não deveria ter influência nisso.

— Gostaria que não tivesse, só que nem tudo é como gostaríamos que fosse.

Naquele ponto da discussão, as primeiras lágrimas já escorriam pelo rosto da loira, as quais tentava a todo custo disfarçar, embora soubesse que chegaria um momento em que não poderia mais esconder. A dor de cabeça começava também a piorar, deixando-a em péssimo estado.

— Ninguém precisa saber sobre o que aconteceu, Lucy. Poderíamos lidar com isso. A empresa não precisa ser um problema.

— Talvez — respondeu, cruzando outra vez os braços, sentindo o fluxo das lágrimas aumentar. Vê-la naquele estado doía mais do que qualquer outra coisa em Natsu.

— De qualquer forma, e quanto a nós dois? Tudo o que nós passamos? Vai mesmo jogar tudo isso fora por algo que pode nem ser verdade?

— E quanto à confiança? — rebateu, o tom de sua voz mais elevado, sentindo que beirava um limite.

— Você sabe que eu nunca quis machucar você. De todas as pessoas no mundo você é a última a quem eu iria querer fazer isso — Natsu respondeu. Tentava manter certo autocontrole, mas seus olhos começavam a ficar marejados.

— Mas fez. E eu? Como fico com isso tudo?

— O que eu devo fazer? Me diga e eu juro que faço qualquer coisa para consertar o que eu fiz.

— Eu não sei, Natsu! — exclamou, frustrada. Mesmo que quisesse, não conseguia pensar em nada que pudesse ajudar.

— Grite comigo, me bata, não sei, qualquer coisa, Lucy — sugeriu, também elevando o tom de sua voz.

— É isso que você quer?

— Se for fazer você se sentir melhor, então sim — contudo, a loira não moveu um músculo. — Vamos, Lucy! Faça algo! Qualquer coisa!

Se era o que ele queria, o obedeceu, finalmente, tomada de raiva. Com força moderada, jogou seus punhos contra o peito de Natsu.

— Quer mesmo saber?! Eu odeio você por ter me traído — então lhe deu outro soco no peito —; odeio você por ter feito isso a nós dois quando tudo estava bem — e mais um. A cada soco a força empenhada diminuía, inversamente proporcional ao fluxo de lágrimas que escorria pelo rosto de Lucy, que apenas aumentava —; odeio você por ter me colocado nesse caminho sem saída — o último soco quase não continha mais força, ainda mais quando Natsu a parou, envolvendo-a em seus braços e abraçando-a —; odeio você por não conseguir te tirar da minha mente.

Ainda tinha diversos outros motivos pelos quais o odiava para proferir, mas não pôde dizer mais nenhum, os lábios de Natsu sobre os seus impediram que qualquer som saísse de sua boca. Aos poucos, sua respiração e seus batimentos cardíacos se acalmaram, seu corpo relaxou, diminuindo a tensão. Ainda que por um segundo, tudo desapareceu, restando apenas os dois. Mesmo apesar de tudo o que estava acontecendo, aquele beijo pareceu tão certo, tão diferente de quando beijou Ryan.

Após alguns segundos, ele afastou seus lábios, entretanto a manteve em seus braços, sem nenhum protesto por parte de Lucy. Estar ali era como estar em casa. Os problemas não sumiam, mas sentia-se protegida.

Com o queixo apoiado no ombro de Lucy, Natsu comentou:

— Se serve de consolo, eu também tenho me odiado bastante ultimamente.

— Não, não serve — a loira respondeu, ajeitando-se. A dor de cabeça piorara ainda mais, a luz da sala a incomodava, portando escondeu seu rosto na jaqueta de Natsu. Percebeu que ele também chorava. Com muito menos intensidade do que ela, mas ainda assim era perceptível.

— Não importa o que você escolha, Lucy, eu só quero que fique bem. Eu não vou insistir se quiser ficar longe de mim, contanto que me prometa que conseguirá me esquecer e ser feliz e que cumpra essa promessa, porque o único modo de eu te deixar ir é sabendo que não irá mais sofrer. Por mais que doa estar longe de você, eu posso suportar se souber que está bem. Só não quero que continue sofrendo e que me veja como mais um que traiu sua confiança. Eu sei que você pode estar duvidando disso nesse momento, mas eu te amo, loirinha.

Natsu sentia medo de que não conseguisse cumprir com suas palavras, pois sua vontade, com Lucy protegida em seus braços, era de nunca mais soltá-la, nunca mais deixá-la ir. Se ao menos pudesse protegê-la como gostaria. Com tudo pelo qual estava passando relacionado à história do Koscheivich, precisava dela mais do que tudo. Sem Lucy, não sabia como conseguiria continuar suportando aquilo. De qualquer forma, continuaria lutando, ainda mais após o que o monstro dissera a respeito dela. Se perdesse o controle colocaria Lucy em perigo, e não podia fazer isso, de jeito nenhum.

Aquele abraço lembrava a Lucy de quando era criança e tinha algum pesadelo, ou quando uma tempestade ocorria, o que desde criança era seu maior medo, os trovões a deixavam em pânico. Sua mãe ia até o seu quarto, sabendo que iria encontrar sua pequena garotinha tremendo e chorando enrolada nos cobertores e a envolvia com seu próprio corpo, dando-a a sensação de que estaria protegida de tudo e de todos. Era assim que os abraços de Natsu lhe pareciam.

Talvez tenham se passado minutos daquele modo, apenas sentindo as lágrimas caindo, abraçados, e poderia ter ficado muito mais, contudo a dor se tornou insuportável. A garota tremia agarrada à jaqueta de Natsu, chorando muito.

— O que foi? — perguntou, afastando-a apenas o suficiente para ver seu rosto, quando notou o estado de Lucy. Sentiu vontade de completar com “além do que já sei”, porque obviamente as coisas não estavam bem, mas pareceram piores naquele instante.

— Minha cabeça está doendo muito — respondeu, com certa dificuldade. Natsu a apertou ainda mais contra seu peito. Sabia muito bem o quanto aquelas dores podiam ser terríveis.

— Tudo bem, eu cuido de você. Assim como você cuidou de mim ontem.

— Gray contou? — deduziu. Afinal, era o único modo dele saber.

— Não importa.

O garoto chamou por Levy, pedindo que ela trouxesse um analgésico e um copo com água. Alguns minutos depois de ingeri-lo, Lucy adormeceu, deitada no sofá, ainda nos braços de Natsu. Ele fazia questão de não soltá-la, tentando deixá-la o mais confortável possível, mesmo que significasse que ele próprio estaria desconfortável naquele sofá.

— Faz muito tempo que a Lucy não dorme assim. Quando adormece são só cochilos rápidos e bastante inquietos. Ontem ela chegou com a mesma dor de cabeça e nem o remédio a fez dormir. Falei que iria acabar ficando doente se continuasse desse jeito, mas você a conhece, não deu ouvidos — Levy comentou, sentando-se ao lado de Natsu no sofá, em frente a Lucy. — Eu acho que mesmo você sendo a causa disso tudo, ainda é o único que consegue trazer paz a ela, Natsu.

— Juro que eu gostaria de não ser a causa.

Levy sorriu em consolo.

— Aposto que não. Porém, você fez uma besteira e tanto. Francamente, ficar com a Lisanna logo depois de uma briga? Sério? Não foi sua decisão mais inteligente. Se eu estivesse no lugar dela, não sei se conseguiria te perdoar.

— Sem ofensas, Levy, mas nem preciso ouvir isso. Já passo cada hora do meu dia me arrependendo do que aconteceu.

— Só um conselho, Natsu. Se a Lucy resolver te perdoar, não desperdice essa chance. Nunca mais cometa um erro desses novamente, ou muito provavelmente irá perdê-la de forma definitiva.

— Eu sei, só que sempre acabo fazendo alguma besteira que a magoa. Eu tento evitar, mas é como se o universo conspirasse contra nós dois — desabafou. A sensação que tinha era de que Lucy era uma boneca de porcelana que insistia em derrubar, e todas as vezes tentava colar novamente os pedaços, mas sempre que a derrubava as rachaduras ficavam piores. Chegaria um momento em que não conseguiria mais consertar.

— Então seja mais esperto que o universo — a pequena o aconselhou sorrindo. Pelo modo como ela falara, parecia tão simples. — Quer levá-la lá para cima? Se continuar dormindo assim é bem provável de acordar com o pescoço dolorido.

Natsu concordou, pegando-a no colo com o máximo de cuidado para não acordá-la. A parte mais difícil fora subir as escadas. O espaço pequeno tornava quase impossível subir sem que os pés de Lucy encostassem na parede. Com calma, a deitou na cama, sentado-se ao seu lado e acariciando seu rosto.

— Me perdoe por ter feito isso com você, Lucy. Você não merecia. Só quero que tudo termine bem.

Decidiu que esperaria até que Lucy acordasse antes de ir embora, gostaria de não sair dali sem uma resposta, precisava saber qual era a decisão da loira, por mais que demorasse horas. Esperou na cozinha, conversando com Levy, aceitando o café oferecido, porém recusando o jantar. Não sentia a menor fome naquele momento.

Quando Lucy acordou passava das onze horas da noite. Havia dormido por mais de quatro horas sem interrupções, o que, considerando o tempo máximo que andava dormindo todos os dias, de em média uma hora, consistia em um bom sinal. Seus passos em direção à cozinha chamaram a atenção de Natsu e Levy. Seu cabelo estava molhado, indicando que havia tomado um banho após acordar. Ela parou apoiada à parede, de braços cruzados.

— Não tinha certeza se você ainda estava aqui — comentou, olhando para Natsu.

— Queria saber se você melhorou, me deixou preocupado. Está melhor?

A loira assentiu, direcionando seu olhar para a pequena amiga.

— Levy, pode me ajudar a fazer as malas?

Levou um tempo até que Natsu raciocinasse e entendesse o significado daquela pergunta. Seu coração disparou quando associou-a ao seu sentido mais provável. Ele se levantou da cadeira, caminhando de forma hesitante até a loira.

— Isso quer dizer que... — perguntou. Ainda que não estivesse sorrindo quando o fez, Lucy confirmou suas suspeitas. O garoto acelerou seus passos, abraçando-a o mais forte que pôde quando chegou até a loira. — Obrigado.

Demorou alguns segundos, e não tinha muita certeza do que fazia, mas retribuiu o abraço.

— É a última vez, Natsu. Entendeu? Na próxima, não importa o quanto você tente pedir perdão, eu juro que nunca mais volto.

— Não vai haver uma próxima vez. Eu prometo. Nunca mais vou deixar que algo separe a gente — falou, afastando-se. — Quer ajuda com as malas?

— Não. Tudo bem. Levy é suficiente.

A pequena sorriu, acompanhando Lucy em silêncio até o quarto. Pegou algumas malas no armário e começou a ajudar a colocar as roupas dentro delas, até quebrar a falta de palavras.

— O que te fez mudar de ideia? — perguntou, curiosa, colocando uma blusa dentro de uma das malas.

— Uma coisa que ele falou, sobre a possibilidade de Lisanna estar mentindo — Lucy respondeu.

— Acha que ela está mentindo?

A loira parou. Após alguns segundos, comentou:

— Não sei. É uma possibilidade.

— E se ela não estiver? — Levy insistiu. — Você sabe o quanto apoio vocês dois juntos, mas tem certeza disso, Lu-chan?

— Ultimamente eu não tenho certeza de nada. Só sei que qualquer coisa que eu escolher não estará isenta de sofrimento, Levy. Viver com ele é impossível, e viver sem ele mais ainda. Então se há uma mínima chance dessa história ser mentira, vou tentar escolher o caminho menos doloroso.

— Oh, Lu-chan — a pequena falou, abraçando sua amiga. — Não me entenda mal, mas não vou sentir sua falta por aqui, não como você estava. Melhor que esteja em outro lugar e feliz.

Lucy riu.

— Eu nem tenho como te agradecer pelo que tem feito por mim, Levy-chan. Muito obrigada.

— Não precisa agradecer. Amigos servem para isso, não é? — a pequena afirmou, sorrindo. Lucy soube naquele momento que não poderia querer uma pessoa melhor em sua vida. Independente se tudo estivesse desmoronando ao seu redor, sempre poderia contar com Levy para levantá-la. Não sabia o que seria de si sem sua melhor amiga.

***

O caminho de volta fora extremamente silencioso. Natsu sabia que seria um período difícil. As coisas não iriam simplesmente voltar a ser como eram antes, isso levaria tempo, mas faria de tudo para que funcionasse. Não desperdiçaria aquela chance de jeito nenhum.

Para Lucy, era consideravelmente estranho estar de volta morando naquele apartamento. Esperava que se tornasse mais fácil conforme o tempo passasse. Esperava muito.

— Esse lugar pareceu tão solitário enquanto você esteve fora — Natsu comentou desajeitadamente, colocando as malas para dentro. — Senti muito a sua falta.

Ele tentou cautelosamente beijá-la, porém Lucy abaixou a cabeça, fazendo com que os lábios de Natsu tocassem sua testa, ao invés de sua boca.

— Preciso de um tempo ainda.

— Claro. Me desculpe — falou, desajeitadamente. — Pode dormir no quarto, eu fico com o sofá.

Lucy o encarou sem entender.

— Como assim?

— Acho que é melhor desse jeito. Eu sei que vai ser estranho para você dormirmos na mesma cama, pelo menos por enquanto.

— Mas é sua casa — Lucy rebateu. — Você deveria dormir na cama.

— Nossa. Nossa casa — ele insistiu. — Levy me contou que você não tem dormido muito. Precisa dormir, e o sofá não é o lugar mais aconselhado para isso. Não se preocupe.

Lucy não tentou contestá-lo. Estava cansada demais, o dia havia sido longo. Contudo, sabia que aquele não seria o último daquele modo. Aquela tempestade estava bem longe de terminar.

Notas finais
Não se esqueçam de comentar, ok? :3 Algo muito interessante irá acontecer no próximo capítulo, envolvendo certo segredo... ; ) Até o/