Notas iniciais
Hey o/ Em primeiro lugar, capítulo 69, hmmmmm (não tem safadeza, ok, seus pervertidos u.u). Em segundo, capítulo dedicado outra vez a Angel, ou Leeh, a pessoa que eu mencionei no capítulo passado, conhecida por ser cruel com esta pobre autora (;-;) pela recomendação. Muuuuuuuito obrigada, criatura! Espero que você não tenha sido atropelada enquanto escrevia a recomendação, hue (piada interna). Em terceiro lugar: então, os reviews e tal, precisando de respostas... eu estando extremamente atrasada com isso ^^' Sempre respondo os comentários mentalmente, mas acho que isso não conta muito né? kkkkk. Bom, enfim, desculpem pelo atraso imenso outra vez, ok? Prometo que todos terão resposta. Em quarto, para que vocês não se sintam perdidos, esse capítulo é basicamente o que aconteceu com o Natsu até chegar ao ponto em que paramos no capítulo passado. Em quinto... acho que não tem quinto '-' hue. Enfim, boa leitura!

Era domingo, exatamente duas semanas após Lucy ter deixado o apartamento, desde então o lugar nunca parecera tão vazio. Costumava morar sozinho antes da loira retornar a Magnólia, contudo, após experimentar outra vez de sua companhia, morar sozinho tornara-se estranho demais.

Natsu havia acabado de acordar. Tomara um banho gelado para ajudá-lo a despertar, fizera café, mesmo que ele próprio não gostasse tanto da bebida, passara a tomar por culpa de Lucy; e, como andava fazendo todas as manhãs, pegou seu celular para tentar, com um pouco de sorte, talvez, falar com a loira. Ao invés da voz que realmente queria ouvir, recebeu como sempre a voz saudosa da caixa postal; e, sem saber se Lucy ouviria ou não, deixou um recado.

— Após duas semanas você está me fazendo ficar sem saber o que dizer, Lucy. O que mais eu posso falar para te convencer a me perdoar e voltar para casa? Vou começar a ler um dicionário só para buscar por palavras que possam me ajudar a conseguir ao menos falar com você. E não duvide, você sabe que se eu prometer que farei algo, farei mesmo. Se tiver que ler um livro de duas mil páginas pra ter você de volta, eu lerei — pensou que uma pequena brincadeira poderia talvez quebrar o clima sério. Não custava arriscar, e com certeza era melhor do que um discurso depressivo. — Mas, sério, me liga de volta, por favor.

Largou o celular sobre o balcão, sem dar a mínima para a fragilidade do objeto. Ultimamente, mesmo que indiretamente, andava sendo o motivo de suas frustrações. No fundo sabia que o aparelho não tinha culpa, só queria descontar sua raiva e confusão em algo que não fosse prejudicá-lo tanto.

Naquela manhã em especial, estava agitado demais. Havia dormido mais do que de costume. Provavelmente tomar café piorou ainda mais sua situação, mas, mesmo sendo já quase o horário do almoço, não estava com fome.

Todos os dias ia até o abrigo para treinar o controle de sua energia e emoções. Alexei lhe explicara que o começo costumava ser mais difícil, pois o Koscheivich tentava desestabilizá-lo, portanto a frequência com que fazia aquelas atividades influenciava muito em seus resultados. Além do mais, gostava daqueles treinos, ajudavam a manter sua mente distraída. O abrigo ficava longe de seu apartamento, a pé levava aproximadamente uma hora, correndo, e com muita disposição, mas devido à sua agitação naquela manhã considerou que aquela seria a melhor opção. Se continuasse agitado como estava logo a criatura dentro de si invadiria seus pensamentos e definitivamente não gostaria daquilo.

Pegou a jaqueta, já que fazia frio no dia em questão, guardou o celular no bolso, então desceu até a portaria pelas escadas, ao invés do elevador. Na rua, poucas pessoas transitavam. O trânsito de carros era bem maior. Estava andando, ao invés de correr, o que acrescentaria uns bons minutos ao tempo que levaria para chegar ao abrigo, mas aquilo lhe permitiu prestar atenção em uma pessoa em especial que andava em sua direção, quando já estava a uns quinze minutos de casa.

De longe não conseguia ainda entender o motivo daquele rosto lhe ser tão familiar, portanto prendeu sua atenção nas feições daquele homem enquanto andava. Passo após passo, sua expressão tornava-se mais nítida, mas as memórias de Natsu continuavam nebulosas. Conseguiu reconhecê-lo apenas quando estava quase ao seu lado na calçada, e, quase que por instinto, agarrou o braço do homem com a mão esquerda, enquanto fechou o punho direito, gravando-o na face daquele sujeito com o máximo de força que conseguiu. Seus socos estavam melhores desde que começara a treinar com Alexei. Desequilibrou Ryan, mas não o derrubou.

— Acho que alguém estava lhe devendo isso já há seis anos, quando abandonou uma garota de quinze grávida — jamais esqueceria aquela face após Lucy ter lhe contado que Ryan era o cara que encontrara sua carteira perdida no shopping certa vez; e jurou que se tivesse uma chance como a que tivera naquele dia, não a desperdiçaria.

Ryan recuperou a postura rindo, massageando o maxilar dolorido. Apontou para Natsu e perguntou:

— Natsu Dragneel, não é? É, eu me lembro de você daquele dia no shopping. Belo soco. Me diga, como anda a Lucy?

Natsu se aproximou alguns centímetros, claramente atingido pela afronta.

— Você não me encontrou em um dia bom, cara. Definitivamente não vai querer me provocar.

Ryan ergueu as mãos, como se estivesse se rendendo, mas riu ainda mais, divertindo-se.

— Relaxa, foi brincadeira. Eu não preciso perguntar, encontrei com ela há pouco tempo para saber que ela não tem estado muito bem.

Dragneel arqueou as sobrancelhas, incomodado por aquela descoberta.

— Fique longe da Lucy.

— Ou o que? E por que? O que vai fazer se eu desobedecer? Por acaso você é dono dela para decidir quem ela deve e não deve ver? Além do mais, pelo que eu sei, vocês não estão exatamente num momento bom.

Infelizmente, Ryan tinha razão o suficiente para que Natsu não pudesse discordar.

— Não é preciso muito para saber que você se encaixa bem mais no grupo de pessoas que não devem vê-la.

— Por que? Está com medo de perdê-la para mim, Dragneel? — Ryan perguntou, sorrindo de forma cínica e confiante o suficiente para quase poder entender aquilo como uma espécie de promessa.

— Medo de perdê-la pra você? — Natsu riu. Não apenas Ryan sabia como ser sádico. Dragneel também dominava essa técnica muito bem. — Eu não preciso. Lucy é esperta o suficiente para saber qual de nós é melhor para ela.

— Então qual é o problema em eu querer rever uma antiga amiga, Dragneel? — questionou, estendendo as mãos como se não entendesse.

— Você já a prejudicou o suficiente para deixar que se aproxime dela outra vez.

— Como você mesmo disse, Lucy é bem grandinha para saber o que é melhor para ela. E eu não acho que você também tem muita credibilidade para falar sobre quem a prejudicou.

A confiança que Ryan exalava começava a irritar seriamente Natsu, o que, em sua atual situação, era uma chance imperdível para o Koscheivich. Precisou tomar alguns segundos antes de responder para que pudesse focar sua mente.

— O que acha que sabe sobre ela e eu?

— Vejamos — falou, contando nos dedos os detalhes dos quais tinha conhecimento. — As lágrimas dela diziam bastante coisa; sei que estão separados; que você provavelmente fez algo que a magoou o bastante para ela estar morando com uma amiga; e também que ela anda precisando de um ombro amigo que, se não se importa, pretendo que seja o meu.

Aquilo atingiu Natsu em cheio. Sabia que Lucy devia estar sofrendo, afinal qualquer um na situação em que ela se encontrava estaria, mas ouvir a confirmação daquilo, saber que ela esteve chorando por culpa dele, fez com que a culpa que estava sentindo se espalhasse por cada célula do seu corpo. Também incomodava-o o fato de que julgava tanto Ryan por tê-la magoado quando, atualmente, havia feito o mesmo.

— Eu me importo sim — rebateu. Ryan apenas riu outra vez.

— Bom, azar o seu, amigo. Não há nada que possa fazer. E quanto ao que disse sobre Lucy saber o que é melhor para ela, eu concordo com você. Ela irá se lembrar do quanto eu fazia bem a ela anos atrás logo, aposto.

— Lucy sequer se lembra mais do que passou com você. Fora as mágoas, claro — ao menos era naquilo que gostaria de acreditar.

— Eu duvido. Sou o passado dela. E pretendo também ser o futuro. Posso inclusive provar que ela não me esqueceu. Por acaso ela ainda guarda um colar que lhe dei no seu aniversário, com um pingente em formato de coração, mais ou menos desse tamanho? — com o polegar e o indicador, mostrou o tamanho que o enfeite deveria ter, entre meio e um centímetro.

Natsu se calou, não havia como responder aquilo, pois se lembrava daquele colar. Lucy o deixava dentro de uma caixa, guardada no fundo de sua gaveta no guarda-roupa. Sentiu um aperto em seu coração, detestava que Ryan pudesse estar certo e que Lucy jamais o tivesse esquecido.

O moreno, por outro lado, não poderia estar mais contente. Rindo, abraçou Natsu, muito mais para provocá-lo, sem ter o gesto retribuído, obviamente.

— Ela ainda o guarda, não é? Sinto muito, amigo, mas parece que temos um vencedor aqui, e não é você. Está dispensado dos seus serviços, Dragneel. Não precisa mais ser o brinquedinho da Lucy. Agora que estou de volta, ela não precisa mais de você.

— O que quer dizer? — Natsu o questionou, ainda atingido por aquelas palavras.

— Nunca percebeu? Bem, uma hora a realidade bate à porta, por mais dura que seja. Mesmo que tarde a chegar. E a sua, Natsu, é que você foi apenas um passatempo. Você foi apenas um substituto meu, todo esse tempo. Algo que Lucy encontrou para se distrair já que não conseguia me tirar da cabeça. Mas agora que estou de volta, você está livre. Enfim, te vejo por aí, tenho uma garota para reconquistar agora. Até mais, Dragneel.

Ryan seguiu seu caminho, deixando um imóvel Natsu no meio da calçada. O problema não eram as palavras em si, mas a dúvida que elas plantaram. Não ter uma resposta concreta e saber que ele poderia estar dizendo a verdade começava a torturá-lo interiormente, talvez de forma tão ruim quanto o Koscheivich costumava fazer.

“Você foi apenas um substituto meu, todo esse tempo”. E se Ryan tivesse razão? E se todo aquele tempo Lucy somente o vira como uma forma de esquecer o cara pelo qual ela realmente nutria sentimentos? Se não fosse por nunca tê-lo esquecido, então por que guardaria o colar? Em sua mente, começava a pensar que talvez ele tivesse se iludido por todo aquele tempo. Tinha absoluta certeza a respeito do que sentia por Lucy, mas a confiança no que ela sentia... sua convicção no que sabia sobre aquilo fora abalada pelas palavras de Ryan.

“No fundo, você sabe que é verdade.”

A frase veio acompanhada de uma rápida dor latejante em sua cabeça, que o trouxe de volta à realidade, lembrando-o de que precisava continuar andando ou logo as coisas estariam complicadas para si, ainda mais do que já estavam.

— Cala a boca — geralmente não respondia ao Koscheivich em voz alta, mas naquele momento pouco se importou. Não que fizesse muita diferença, já que a rua encontrava-se vazia.

Sua visão era praticamente inútil enquanto andava. Deixava que apenas seus pés o guiassem, com sorte o levando até seu destino, já que tudo o que conseguia enxergar eram as palavras que lhe atingiram. Seus pensamentos corriam rápido demais para que pudesse construir alguma lógica entre eles, deixava sua mente confusa o suficiente para que a criatura tivesse algumas aberturas. Logo, o caminhar ritmado se transformou numa corrida, acompanhando seu subconsciente, tentando ser mais ágil do que seu raciocínio. Ou talvez do que a falta dele.

Fora realmente difícil bloquear todas as frestas que abrira para o Koscheivich durante o caminho. Necessitou uma concentração que lhe faltava no momento e não soubera como não deixara passar nenhuma de suas tentativas de enlouquecê-lo. Contudo, conseguira, com um alívio gigante ao ver a entrada do abrigo.

Abriu a porta sem bater, entrando no salão semelhante a um bar ainda ofegante, encontrando apenas Leslie limpando alguns copos atrás do balcão.

— Cadê o Alexei? — perguntou imediatamente, vasculhando o cômodo.

— Ele saiu ainda pela manhã. Ainda não voltou.

O garoto suspirou, frustrado. Bateu o punho fechado no balcão, tentando descontar a raiva, sentando-se em seguida em um dos bancos, de frente para Leslie.

— Droga.

— O que foi, Natsu? — a ruiva perguntou, notando o desconforto de Natsu. Apesar de tudo, estava contente por apenas Leslie estar lá, era a única amiga que possuía naquele lugar. Com exceção de Alexei, mas, bem, Alexei era um caso complicado. Todos os outros pareciam odiá-lo por alguma razão, e se estivessem ali provavelmente acabariam apenas deixando-o mais ansioso.

— Estou à beira de um colapso — comentou, com as mãos atrás da nuca e os cotovelos apoiados no balcão. — Esperava que o Alexei pudesse me dar uma ajuda para controlar essa coisa. Acha que ele vai demorar para chegar?

— Provavelmente não, já faz um tempo desde que saiu. Pode falar comigo enquanto espera, se quiser. Vai te ajudar — sugeriu, com um sorriso bondoso.

— Não tenho certeza se vai mesmo ajudar — Natsu respondeu, percebendo logo depois que poderia ter soado um pouco grosso.

— Confie em mim, Dragneel — a garota insistiu, piscando o olho direito. Ele suspirou outra vez, cogitando a possibilidade, optando por fim aceitá-la, por saber que Leslie era uma pessoa de confiança. — O que foi que te deixou assim?

— Dormi por tempo demais, acho — comentou, negando com a cabeça logo depois. Sabia muito bem que não era apenas aquilo. — E acabei descobrindo algumas coisas hoje.

— Que coisas?

Natsu suspirou outra vez. Sofrera o suficiente para manter sua mente sã enquanto ia até o abrigo, não sabia se conseguiria aguentar até Alexei chegar, e conversar não estava sendo de grande ajuda.

— Encontrei com o ex da minha namorada enquanto vinha para cá e percebi que ela ainda guarda um colar que ele lhe deu. Me fez pensar que ela nunca o esqueceu de verdade. É besteira, talvez, ou eu tenho razão em me preocupar? Só sei que isso está me deixando louco.

— Isso é o Koscheivich se aproveitando dos seus sentimentos, Natsu — o alertou, apoiando as mãos no balcão. — Você pode até ter se incomodado apenas um pouco com isso, mas ele irá fazer parecer que é grande coisa e usará isso contra você. É um aproveitador que pode estar utilizando da sua dúvida para conseguir o que quer.

— E se não for apenas ele e isso significar algo? O que você diria a respeito desse colar, Leslie? — perguntou, olhando-a fixamente.

— Bom, ela deve ter tido alguma razão para ter guardado o presente — a resposta não ajudou a esclarecer suas dúvidas, pois sabia que mesmo se fosse suspeito Lucy ter guardado o colar, ninguém a quem perguntasse lhe diria isso. As pessoas mentiriam apenas para tentar acalmar sua mente. Pessoas próximas tinham o costume de fazer isso, apenas para que seus entes queridos sentissem-se melhor. O problema era que quando se tinha conhecimento disso a coisa acabava por perder o efeito. — Por que não pergunta a ela?

Natsu riu. Adoraria perguntar, só havia o problema de Lucy não querer sequer ouvir sua voz.

— Eu fiz algumas besteiras também recentemente — ao pegar o celular para verificar as horas percebeu que seu bolso estava vazio, o que era estranho, pois tinha certeza de que estava com o aparelho quando saiu de casa. Ocorreu-lhe o pensamento de que Ryan poderia tê-lo pego quando o abraçara, já que achara aquele abraço suspeito demais. Contudo, não fazia sentido em ele querer o celular.

— Que tipo de besteiras?

— Coisas que lhe dão motivo para que ela nunca mais queira olhar para a minha cara outra vez. Enfim, é impossível no momento perguntar, porque ela não anda querendo falar comigo.

— Deve ter sido bem ruim então — a garota respondeu, em tom de consolação. Moveu o olhar para as mãos de Natsu, que não paravam de se mover, perguntando-se onde Alexei deveria estar. — Ei, Natsu, precisa relaxar. Ficar tenso assim vai te deixar ainda pior.

— Só tem coisa demais na minha cabeça agora.

— Divida-as comigo, então — insistiu. — O que está se passando aí agora?

— Fico me perguntando se estou agindo certo — mesmo que não quisesse exatamente dividir seus pensamentos, precisava focar-se em algo, e a única coisa que tinha disponível no momento era Leslie.

— Como assim?

— Com essa discussão toda. Se eu não estou de certa forma sufocando-a tentando pedir perdão, me livrando de qualquer orgulho. Talvez ela simplesmente não queira isso e eu estou só rastejando atrás de algo que nunca voltará a ser como era, entende? Só não faço ideia do que fazer.

— Você parece realmente amar essa garota, se ela te deixa tão confuso — sem nem pensar, tanto por saber a resposta quanto por não precisar de mais pensamentos naquele momento, assentiu.

As coisas estavam piorando, sua cabeça começava a latejar. Bagunçou os fios de seu cabeço, sem conseguir permanecer parado. Os segundos pareciam intermináveis enquanto esperava por Alexei, por mais que Leslie o ajudasse.

— Não sei se vou aguentar isso por muito mais tempo — desabafou.

— Natsu, você realmente precisa se concentrar — estava começando a ficar verdadeiramente preocupada com o rapaz. — Tem uma coisa que preciso te contar. Alexei não queria que você soubesse, mas acho que você tem o direito de saber.

— O que? — perguntou, tentando focar sua atenção nas palavras de Leslie e não nas tentativas do Koscheivich de invadir sua mente.

— A coisa que está dentro de você, de alguma forma, é bem mais forte do que a de todos os outros, o que resulta em efeitos piores, e, consequentemente, se você ceder a ele, um potencial perigo para as pessoas em geral.

— Como assim mais forte? Por que? — questionou, confuso.

— Eu não sei, Alexei também não, mas é o motivo dele dedicar uma atenção especial a você. Por representar um perigo eminente.

Era um cara de sorte, definitivamente. Aquele dia em especial estava excedendo suas expectativas. Sabia apenas que descobrir ter uma possível ameaça dentro de si, pronta para eclodir a qualquer sinal de fraqueza, não era algo bom.

— Como ele pôde não me contar uma coisa dessas? — estava irritado, obviamente. Tratava-se dele, deveria ter sido informado.

— Acho que para te proteger, algo assim. Escute, eu só te contei para que você entenda que realmente precisa tomar cuidado com essa coisa, por mais difícil que seja. Se Alexei souber que eu falei, irá ficar furioso.

— Me proteger? Por acaso não passou pela cabeça dele que eu poderia cuidar disso de um jeito muito melhor se soubesse?

Leslie não teve chances para rebater, por mais que estivesse claro em sua expressão que iria acabar defendendo a decisão de Alexei, mesmo que ela própria discordasse. A porta do abrigo se abriu, trazendo o próprio assunto da conversa. Esperava encontrar apenas Leslie no bar, portanto surpreendeu-se ao ver Natsu também ali.

— Até que enfim — o garoto reclamou. Alexei sequer precisou perguntar o que ele queria àquela hora, parecia-lhe bastante óbvio o motivo da visita num dia em que todos os outros costumavam ficar em casa, considerando ainda mais a temperatura. Assim, apenas pediu silenciosamente para que Natsu o seguisse até os fundos. — Onde estava?

— Cuidando de negócios pessoais. Não é do seu interesse. — “Claro. Afinal, nem quando se refere a mim parece ser do meu interesse”. Sentiu vontade de responder, mas se calou. — Por que não começou sem mim? Não sou sua babá, Dragneel.

Havia um branco em sua memória. Os equipamentos estavam todos dispostos nos fundos do imóvel, poderia tê-los utilizado para gastar energia, mas esqueceu-se completamente deles, por alguma razão. Provavelmente por culpa do Koscheivich, levando-o a imaginar o que mais ele poderia ser capaz de fazer com sua mente.

— Nunca disse que é — respondeu, ainda mais irritado, tanto com Alexei quanto com si próprio. Seus reflexos, ao menos, pareciam estar muito bons, já que havia conseguido desviar de um soco repentino; e assim sabia que daquele tempo até quanto fosse necessário, comunicar-se-iam apenas de forma não verbal.

Alexei era rápido demais, mal dando tempo para que Natsu pensasse no que fazer. Era justamente aquela a intenção, afinal. Não deveria pensar, sua mente precisaria focar-se apenas naquela atividade, ao mesmo tempo em que retirava do Koscheivich os meios de persuadi-lo.

O problema era que, mesmo após uma hora de atividade intensa, a mente de Dragneel não conseguira se acalmar. Pelo contrário, encontrava-se até mais agitada do que antes. E aquilo começava a frustrá-lo, levando-o a agir por impulso, vendo Alexei como se fosse o motivo de todos os seus problemas e descontando sua raiva nele. Mesmo com anos de experiência, o rapaz estava lhe dando trabalho.

— Vá com calma, Dragneel — mas as palavras não surtiram efeito. Sendo assim, Alexei teve de utilizar métodos mais drásticos, acertando um dos socos propositalmente no rosto de Natsu, não dando-lhe chances de desviar. — Eu disse para ir com calma!

Ofegante e irritado, com a cabeça prestes a entrar em colapso, Natsu pegou a jaqueta e saiu do local.

— Isso não está ajudando — falou, antes de ir embora em disparada, preocupando Leslie quando passou pela porta.

— Não vai atrás dele? — a garota perguntou a Alexei quando o homem voltou ao salão.

— Não. Ele não vai fazer nenhuma besteira enquanto souber que tem coisas a perder.

***

O ar estava gelado. Não sabia exatamente para onde estava indo. Talvez para casa fosse a melhor opção, e foi no que pensou, só não tinha certeza se estava tomando o caminho correto. Sua vista estava turva demais para que pudesse saber por onde ia, torcia que para o lugar certo, caso contrário estaria em sérios problemas.

Quando a dor de cabeça atingiu seu ápice, não pôde mais continuar andando. Contudo, sem dúvida alguma preferia a dor a ouvir à voz do Koscheivich em sua mente, fazendo-o sentir vontade de ceder. Apoiou-se em um banco que encontrou perto de si e pressionou suas têmporas, tentando aliviar a dor, foi quando ouviu alguém chamando por seu nome.

— Natsu? — estava confuso demais naquele momento para que pudesse identificar a quem pertencia aquela voz, mas obviamente deveria ser de algum conhecido. — Natsu!

O dono da voz se aproximou cada vez mais, até estar bem à sua frente, e, ainda assim, não conseguia identificá-lo.

— Está tudo bem?

Ergueu a cabeça, sentindo-se incomodado pela luz batendo mais diretamente em seus olhos. Negou, confirmando seu péssimo estado. Por um segundo imaginou que a pessoa à sua frente fosse Lucy, mas antes que pudesse confirmar qualquer coisa sua visão obscureceu-se por completo.

Notas finais
Curiosidade rápida: vocês preferem os capítulos focados no Natsu ou na Lucy? E pequeno spoiler: esse rodizio logo acaba, ok? Temos só mais uma rodada, ou seja, um capítulo focado na Lucy e outro no Natsu. O que isso significa não direi :) Leram o mangá dessa semana? Mashiminha se superando :') Última coisa: o próximo capítulo é um que eu quero escrever há um bom tempo, então possivelmente será "bom". Ou assim espero, pelo menos, kkkkkk. Bom, deixem suas opiniões lindjas que eu sempre amo ler e que vocês sabem como são importantes para mim aí, ok? Até o próximo o/