Onde Tem Ódio Tem Amor
23 A Fragile Woman
Notas iniciais
Puxa, 186 leitores já, é bastante, obrigada a todos por lerem a fic, mesmo que nem todos comentem. Quando (se) chegar a 200 eu prometo que faço um especial NaLu, mas dessa vez estou pensando em algo diferente, talvez algo do futuro, um especial com cenas que acontecerão lá na frente, ou seja, teria muito NaLu. O que acham? Respondam nos reviews, ok?
Boa leitura!
Quando acordou, sentindo braços quentes e fortes rodeando sua cintura ― os quais sabia muito bem a quem pertenciam ―, não se irritou. Naquele momento, pela primeira vez aqueles braços lhe proporcionaram segurança. Lucy não podia negar que o acontecimento da noite anterior deixara-lhe assustada.
Ainda com os olhos fechados, começou a pensar nos motivos que alguém poderia ter para querer deixá-la no estado em que ficou após ingerir, sem saber, aquelas drogas. Sua mente decidiu validar e aceitar aquele que lhe parecia mais confortante: Fora um simples acaso, a intenção não era que ela fosse atingida.
Estava em uma festa, cheia de penetras, era muito possível que alguém, ou um grupo de pessoas, tivesse colocado drogas no jarro onde estava a bebida, para se divertirem, fazer com que os convidados ficassem mais “soltos”, e ela acabou bebendo sem saber.
Porém, a droga que causou tantos problemas a Lucy não tinha esse objetivo, pelo contrário. Ao invés de deixá-la mais agitada, a intenção era derrubá-la, como realmente fez. A loira ignorou esse detalhe, ainda estava com medo e preferia acreditar naquilo que melhor lhe convinha, mesmo que todas as evidências invalidassem aquela teoria.
Remexeu-se na cama improvisada, tentando ficar mais confortável E, ao sentir a leve movimentação, Natsu acordou. Lucy reclamou internamente quando ele a soltou, mesmo que não gostasse de admitir para si mesma que era boa a sensação que o abraço dele lhe dava. O rosado se sentou no colchão e esfregou os olhos, olhando logo em seguida para a garota ao seu lado.
― Como você está?
― Melhor do que ontem. ― Respondeu abrindo os olhos, porém ainda deitada.
― Você me deixou preocupado. ― Natsu comentou, bagunçando os cabelos e se levantando.
― Obrigada por ontem. ― A verdade é que ela não fazia ideia do que poderia ter acontecido se Natsu não estivesse por perto. Ele a salvara, novamente. Sentou-se no colchão quando já não corria o risco de ficar tão próxima dele.
― Tudo bem. ― Se fosse outra a situação, se ele não estivesse tão preocupado, teria completado a frase com “já estou acostumado a te salvar” ― Vou procurar a Erza, avisar que você acordou.
Lucy concordou com a cabeça. Percebia certa tensão no ar, e o ar de preocupação na voz de Natsu que, consequentemente, também a deixava preocupada.
Ainda vestia o mesmo vestido da noite anterior, este por sinal estava completamente amassado após dormir vestindo-o. Porém, a loira sentiu vergonha de pegar uma das roupas de Erza, ainda mais sem a permissão da ruiva. Desceu ao andar de baixo do jeito que estava mesmo, procurando por Natsu e Erza.
Os dois conversavam calmamente na cozinha, Natsu encostado a pia, e Erza tomando uma xícara de algo que parecia ser café.
― Lucy, bom dia. ― Disse Erza, com um sorriso amigável no rosto.
― Bom dia, Erza.
― Natsu me contou que já está se sentindo melhor.
― Sim. ― respondeu sem muito ânimo ― Obrigada por ter me deixado passar a noite aqui; e desculpe pelo que aconteceu.
― Você não podia voltar para casa no estado em que estava, não precisa agradecer. Eu é quem lhe devo desculpas, as coisas saíram do controle, se tivesse havido mais rigor na entrada dos convidados nada teria acontecido.
― Não foi culpa de ninguém aqui. Obrigado por tudo, Erza. ― disse o rosado, se aproximando de Lucy ― Vamos.
A loira assentiu e seguiu Natsu porta afora. O caminho de volta para casa fora totalmente silencioso, não trocaram nenhuma palavra. Em alguns momentos, Lucy olhava de canto para o garoto ao seu lado, porém ele apenas direcionava seu olhar para frente, sempre sério e pensativo. E pensando bem, talvez até fosse melhor daquela maneira, para ela.
O regime de silêncio continuou até chegarem ao pequeno apartamento onde viviam.
― Sabe que não deveria aceitar bebidas de estranhos, não é? ― Disse o rosado, após fechar a porta. Seu tom de voz sério sugeria que ele não estava nem um pouco para brincadeiras.
― Natsu, sem broncas, por favor. Estávamos em uma festa, que problema eu poderia imaginar ter em aceitar uma bebida? ― A loira respondeu calmamente, se sentando no sofá.
Ele não poderia discordar do argumento apresentado por ela, afinal, ele faria o mesmo se estivesse em seu lugar. O que o preocupava realmente não era ela ter aceitado a bebida. Não era culpa de Lucy o que aconteceu, ela não poderia evitar.
― Lucy, não me diga que irá ignorar o fato de que alguém te drogou propositalmente, de que alguém queria te deixar indefesa para fazer sabe-se lá o que. ― Disse, indo direto ao ponto em que queria chegar.
Um frio percorreu a espinha de Lucy. Sim, ela tentava evitar pensar naquilo, mas ali, com o rosado jogando na cara o que ela tanto temia, não podia fugir.
― Natsu, por que e quem iria querer fazer isso?
― Eu não sei, talvez o nosso agradável vizinho do andar de cima. ― Disse em tom sarcástico.
― Sting?! Não seja paranoico, Natsu. Por que Sting iria querer algo assim?! Além do mais, ele nem estava na festa.
― Eu não sei, mas não sou paranoico, tem algo de errado com aquele cara e só você não enxerga isso.
― Você é quem vive implicando com ele, o problema não é o Sting.
― Então está dizendo que eu sou o problema?! ― Exclamou, claramente irritado.
― Não, não é isso... Natsu, me desculpe, eu não quis dizer isso. Escute, foi uma noite difícil, eu não quero brigar agora.
Natsu suspirou, olhando para os lados. Também não queria brigar, ele apenas não se conformava com como Lucy não percebia o quanto aquele garoto loiro poderia causar-lhe problemas, não importando quantas vezes ele a alertasse sobre isso. Seu estresse se dava também ao fato de que estava preocupado com Lucy, e discutir com ela não resolveria seu problema... mas sabia muito bem o que poderia fazê-lo.
― Eu também não quero brigar.
O rosado abriu a porta, preocupando Lucy, pois talvez ele estivesse tão irritado com ela que preferisse não ficar em sua companhia.
― Aonde você vai?
― Eu já volto. Apenas, tome cuidado enquanto eu estiver fora.
Fechou a porta sem olhar para trás, não dando nem ao menos chances para Lucy formular uma nova pergunta. Ela pensou em segui-lo, porém logo desistiu da ideia, tudo o que queria era descansar um pouco.
Ele fechou os punhos com força, enquanto dava passos firmes pelo corredor. Não tinha prova alguma, apenas sua intuição, e confiava cegamente nela. Podia estar errado e agir por impulso, mas afinal, isso era o que ele mais fazia, agir por impulso.
Ao subir as escadas sua raiva aumentou ainda mais. Não sabia ao certo qual era o apartamento do garoto loiro, confiou em sua sorte e bateu na porta à esquerda, a de número 6. Logo o dono do apartamento atendeu, com a surpresa estampada no rosto.
― Ahn? O que está fazendo aqui?
O punho de Natsu falou por si, fazendo algo que provavelmente deixaria Sting com o olho roxo por um bom tempo. Afinal, o rosado seguia a regra de “bater primeiro, perguntar depois”.
― O que você quer com a Lucy?!
― Você é louco?! ― Perguntou se recuperando do soco, enquanto limpava o filete de sangue que escorria do pequeno corte no canto esquerdo do lábio inferior.
― Responda à pergunta, o que você quer com a Lucy?! Eu sei que você tem a ver com o que aconteceu ontem.
― Eu não quero nada com aquela garota! E nem sei o que aconteceu! Agora pode, por favor, sair do meu apartamento?!
O garoto não iria ceder tão facilmente. Talvez falasse a verdade, mas para Natsu, aquela era uma teoria completamente impossível. Agarrou Sting pelo colarinho da camiseta e o prensou na parede.
― Não se faça de idiota!
― E o que você quer que eu diga?! O único interesse que eu poderia ter seria no corpo dela. A garota é muito gostosa. ― Novamente Natsu socou o rosto de Sting. Ouvi-lo falar aquilo sobre Lucy era... repugnante. ― O que foi? Vai negar que é verdade? Ah, é mesmo, esqueci que você gosta da outra fruta.
― Você sabe que não é desse tipo de interesse que eu estou falando.
― Os outros interesses que eu poderia ter naquela garota desapareceram, não ligo mais. Agora quer fazer o favor de me soltar, ou não?
Natsu riu sarcasticamente
― Como se eu fosse acreditar em você.
― Isso é problema seu, acreditar ou não.
― Que interesses eram esses? E por que se finge de amigo dela?
― Acha que eu vou te dizer? Desista. E eu não posso querer ser amigo de uma pessoa? Olha só, eu tenho coisas melhores para fazer do que ficar ouvindo besteiras de um idiota como você.
Com um empurrão, Sting se soltou. O garoto estava calmo demais na opinião de Natsu, aquilo o deixava com mais raiva ainda.
― Você devia procurar tratamento, invadindo a casa dos outros desse jeito para vir falar coisas desse tipo.
― Eu sei que está escondendo algo, Sting. Fique longe da Lucy.
― E se eu não quiser ficar longe dela? Vai fazer o que? ― Perguntou em tom provocativo.
― Vou te obrigar, mantê-la longe.
― Você? ― riu ― E não é isso que estava tentando fazer? Não me faça rir, como se você conseguisse mesmo mantê-la longe de mim. Lucy tem vontade própria. E já é bem grandinha para precisar de alguém cuidando dela.
Lucy poderia ter idade suficiente para se cuidar, mas a garota sempre se envolvia em tantos problemas que Natsu via como uma necessidade protegê-la.
― Lucy é ingênua demais para perceber que não deveria ficar perto de gente como você.
― Caí fora da minha casa, antes que eu chame a polícia e te denuncie por invasão de domicílio e agressão.
― Eu vou, mas é melhor você obedecer o que eu disse. Fique longe da Lucy.
O rosado já se virada para ir embora quando Sting o chamou novamente.
― Ah, Natsu, só mais uma coisa, isso é pelos dois socos.
Sting acertou o rosto de Natsu com um soco de direita, logo após dando-lhe também uma joelhada no estômago. O rosado não era do tipo que recusava uma briga, ainda mais quando tinha um motivo para isso, não iria simplesmente embora após aquilo. Começou a desferir vários socos no garoto a sua frente.
Sting era quem apanhava mais, porém isso não significava que Natsu não estivesse também em uma situação ruim. A briga dos dois foi tão longe que ambos caíram sobre a mesa de centro do apartamento de Sting, quebrando a superfície de madeira em duas partes, por causa do peso.
O vizinho da frente, ao ouvir o barulho, foi checar o que estava acontecendo e, vendo os dois ainda se atingindo com socos e outros tipos de golpes, interviu.
― Ei! Parem com isso! Os dois! ― Disse, afastando Natsu de Sting e impedindo que Sting se aproximasse do rosado. ― Olhem só para vocês! Dois rapazes adultos brigando feito crianças!
Natsu se soltou, ofegante, e virou-se para voltar para casa, ignorando o homem e Sting. Tinha plena certeza: Precisava manter Lucy longe daquele garoto.
(...)
― Natsu! ― exclamou Lucy, ao ver o rosado entrando no apartamento com o rosto cheio de ferimentos ― O que aconteceu com você?! ― Ela se levantou, indo examinar de perto o estrago no rosto de Natsu. ― Você brigou com o Sting, não é? ― deduziu.
― Ele mereceu.
― Por que toda essa implicância?!
O rosado suspirou, já indo até seu quarto, não queria ouvir Lucy defendendo o garoto que tanto odiava. Ela o impediu de continuar andando, segurando-o pelo braço.
― Espere, vou dar um jeito nesses seus ferimentos.
Ela pediu que ele se sentasse na cadeira da cozinha, e ele obedeceu. Pegou um pouco de algodão e outros produtos para limpar os machucados no rosto de Natsu. O rosado reclamava a cada vez que ela encostava o algodão nele. Desde pequeno sempre odiou coisas como aquela. Mas era bom ter Lucy cuidando de si.
Um dia... dois dias... três dias. O tempo passou sem nenhum tipo de confusão, o que era bom considerando que os anteriores haviam sido muito agitados. Com o passar dos dias, a história da festa se tornou uma lembrança ruim, apesar de Lucy ainda sentir medo. As coisas andavam calmas, calmas até demais.
― Levy-chan, o que foi? Por que ligou?
― Todos irão vir aqui, Gray, Erza, Jellal, todo mundo, então achei que seria legal se você e o Natsu viessem também. O que acham?
O rosado, que estava muito próximo de Lucy e escutava a conversa, pegou o telefone da mão da loira e respondeu por ela.
― Claro, já estamos indo. Até logo, Levy.
Notas finais
E, como sempre, deixem reviews, por favor.
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