Onde? Quando? Como?

2 Andando E Cantando... Seguindo o Chefão...


—-CAPITULO 2 --

Acordo com um grande pássaro sentado no meu rosto.

Ele está tentando me comer? Sinto uma bicada na testa; lá se vai meu resto de dignidade.

Balanço os braços em direção ao meu rosto, o pássaro voa para longe de mim. Sento-me e vejo que estou na calçada de uma rua movimentada.

Barracas de acampamento podem ser vistas em ambos os lados, aparentemente eu não tinha uma, pois somente algumas cobertas me separam do chão.

‘Que tipo de vida é essa?’ é só o que consigo pensar. Que tipo de história começa com alguém sendo sentado por um pássaro.

— Ei, Jon. Noite fria, não acha? – um homem fala ao sair da barraca ao meu lado.

Jon? O nome mais norte americano possível, mas eu podia me desculpar, comecei a escrever esse livro quando tinha doze anos e tinha descoberto alguma graça nos livros de Nicholas Sparks e por isso o livro também se passa em Wilmington na Carolina do norte.

Lugar onde nunca estive, é logico. Então a cidade era Wilmington, a descrição era uma mistura de prédios com arquitetura da belle époque brasileira e prédios modernos de no máximo quatro andares.

— Jon? – Um homem chama e tirando-me dos meus pensamentos.

— Acorda para a vida Espida. – Fala uma mulher que acabara de surgir por de trás do homem e me entrega um copo fumegante.

Sou Jon Espida. Eu me lembro de Jon Espida.

Ele tem quinze anos e é um mendigo.

Ele ia para escola todos os dias por causa da comida e morava na rua porque sofria abusos em casa. Uma vez a cada seis meses ele voltava para casa quando a assistente social ia verificar sua situação.

Na história ele entra no caminho da protagonista feminina para rouba lá, o protagonista masculino vê a situação e dá uma surra em Jon para defende lá.

Foi a primeira vez que a protagonista feminina percebe que o protagonista masculino sente algo por ela. Fim da trajetória de Jon.

— Obrigado. – Eu falo. Os dois param e me olham dos pés à cabeça.

— Você saber agradecer? E eu pensando que não te ensinavam nada naquela escola. — A mulher me provoca.

O homem se agacha e coloca a mão no meu ombro.

— Já são oito horas garoto, você não vai se atrasado se continuar aí? — vê se consegue trazer uma caixinha de leite hoje, já que você não pode tomar. Eu troco por dois pedaços de carne seca. – Ele sorrir, se levanta e vai embora junto de sua companheira.

Olho o conteúdo do copo, é água quente.

O clima é realmente frio. Entendo porque eles bebem o conteúdo, na falta de um belo chocolate quente qualquer coisa quente era bem vinda. Bebo a água e levanto, tenho dez dias para salvar Laís Filde e consequentemente me salvar.

Tenho que ir para escola, encontrar lá e a impedir o nosso final trágico.

Caminho em direção contraria ao trânsito com a determinação de quem saber o que faz. E depois de dois minutos de caminhada identifico alguns problemas.

Problema A, eu não sei para que lado fica a escola, o caminho que eu conhecia era somente o que a protagonista passava todos os dias.

Problema B, eu precisava do casaco da escola e o cartão de identificação para entrar.

Eu volto para minha manta e começo a procurar. Eu não sabia se o Jon da história tinha cartão de identificação, entretanto sabia que ele tinha o casaco, pois quando o protagonista masculino bate nele, eu descrevi o casaco sendo rasgado.

Tiro as camadas de mantas e lá está o casaco, vejo que tenho uma mochila surrada também, procuro o cartão de identificação dentro, mas ele não está em nenhum lugar.

“No bolso.” Uma voz dentro da minha cabeça fala. Eu toco no bolso da calça que estou vestindo, lá está o cartão.

‘Alô? Alguém?’ eu penso, e somente silencio veem em resposta, eu estava ficando louco, estava respondendo a mim mesmo, porem problema B resolvido.

O problema A seria mais complicado, eu penso e novamente a resposta surge. Vinda de Deus sabe onde, uma garota usando o casaco da escola passa do outro lado da rua.

O Deus da Escrita, Tot, está ao meu favor.

Sigo a garota mantendo certa distância perto o suficiente para não perde lá de vista, longe o suficiente para não ser um maníaco. Andamos dois quarteirões, quando vejo a garota entrar em um café.

Atravesso a rua e encosto na parede de um prédio para esperar.

Observo ao redor, o frenesi da cidade estava em pleno vigor. Uma placa dizia que a rua a minha frente se chama Avenida Palmer Orange. Os carros passavam lentamente por causa do trânsito pesado da via, o burburinho da vida urbana preenchia o ar, o cinza estava em todas as partes, fazendo o apelido selva de pedras ser perfeito para aquela cidade.

Uma cor, entretanto, se destaca no meio, em um ato de pura rebeldia à monocromia da paisagem, um alaranjado forte corta o cenário. Uma garota de cabelos ruivos montada em uma bicicleta saiu de outra rua lateral carregando uma caixa pequena. Ela para em uma das lojas do outro lado e entra.

Percebo que as pessoas ao seu redor também olham para a menina hipnotizante.

“Acorda!” uma voz na minha cabeça grita e eu grito de volta, assustando a velhinha que passava na minha frente. Ela me olhou com evidente ódio e sai esbravejando sobre como os jovens de hoje em dia são idiotas e vagabundos.

O susto me faz olhar para os lados a tempo de ver a menina com o uniforme do colégio sai da cafeteria acompanhada de uma garota de cabelos lisos e castanhos com uma mochila amarela com um grande L vermelho nas costas.

Devo agradecer ao Deus da Escrita pelo clichê do encontro por acaso?

Aquela é Laís Filde, eu tenho certeza. Eu mesmo a descrevi como a garota egocêntrica o suficiente para andar com uma mochila adornada da primeira letra do seu nome.

Eu tinha acertado em algo.

Elas começaram a andar e eu as segui. Eu tinha que grudar em Laís Filde e ali estava minha chance.

Começo a pensar em como eu iria fazer para estar com ela naquele dia, culpando claro o destino por isso e mais ainda, pensando nos mil jeitos em que eu poderia evitar uma possível morte que eu não sabia como ou onde aconteceria.

Eu poderia entrar na frente de um carro e tira lá do caminho, poderia empurra la se um objeto em queda livre viesse ao seu encontro, poderia me meter no meio de um tiroteio e servir de escudo humano... serei o herói de qualquer jeito.

Me perco de novo em meus pensamentos, mas acordo a tempo de ver uma bicicleta passar desgovernada em direção as duas a minha frente. Não tenho tempo de reagir e só vejo minha segunda chance de reescrever essa história indo embora.

Começo a chamar mentalmente pela minha mãe quando vejo a menina de cabelos ruivos de bicicleta batendo de frente com a fachada da loja a minha frente, perto de Lais e sua amiga, mas não tão perto a ponto de me dar calafrios.

Ainda estou salvo. Eu suspiro em alivio.

As duas olham para trás. As cabeças indo e voltando na direção da ciclista de cabelos laranjas e depois na minha direção.

Eu não movi um dedo todos viram que não foi minha culpa.

O preconceito é por que eu sou um mendigo? Me sinto julgado então me precipito em direção a ciclista para ajuda ló a levantar.

— Você de novo? – Ela indaga ao me ver agachar e pegar as encomendas que tinham caído da cesta da bicicleta.

Eu congelo. Ela conhece Jon Espida, mas não posso me ater a isso no momento.

Pelo canto do olho vejo que as duas virarem e retomarem seu caminho, enquanto a ciclista ajeita sua bicicleta e eu lhe dou as caixas que haviam caído de sua cesta.

— Tchau. – Eu falo e aproveito para voltar a seguir as duas, antes que a moça queira desenvolver qualquer assunto.

O caminho até a escola não foi longo, dobramos umas duas esquinas, uma vez a direita e outra a esquerda; Voìla, um prédio bege de linhas suaves e curvas com janelas altas e arqueadas surge. Percorremos o caminho que levava a entrada com colunas que sustenta as sacadas do segundo andar, nas portas duplas que abriam para um pátio interno, uma fila se formava para que o segurança pudesse verificar as identificações, fico bem atrás das duas.

— Você viu seu horoscopo hoje? Se eu fosse você eu nem sairia da cama. — Ouço a amiga falar.

— Você sabe que não acredito nisso Diá – Laís retruca. Então aquela é Diá Volo. Lembro que a descrevi como uma garota supersticiosa que não dava um passo fora de casa sem antes consultar o horoscopo.

Ela é a melhor amiga de Laís que chora em cima do seu caixão no enterro, ela também é prima do protagonista masculino que é citada quando o mesmo fala sobre signos com a protagonista feminina.

— Não diga que eu não lhe avisei. – Ela diz e para minha surpresa se vira e me encara.

— Você está nos seguindo? – Ela indaga com os olhos semicerrados. Ela também era paranoica, não era estranho ela ter notado que eu estava as seguindo.

— Eu? Não, eu estudo aqui também. – Eu digo e aponto para o emblema no casaco da escola.

— Deixa ele, Vamos. — Laís fala e puxa Diá para avançarem na fila, o segurança estende a mão e as duas entregam as carteirinhas. O segurança olha as carteirinhas e as deixa passar. Eu avanço também já com a carteirinha estendida.

— Resolveu usar o jeito usual para entrar hoje, é? – o segurança comenta enquanto olha a carteira de vários ângulos e a compara com o meu rosto. Dou o sorriso mais rasgado que consigo para ele, não sabia do que ele estava falando então seria mais fácil assim.

Ele me deixa passar, me dirijo em direção a escada mais próxima tentando me lembrar do caminho para a sala.

Subo três lances de escada. Lembro bem que a sala é a trezentos e dois.

Saio procurando nas portas o número das salas. 401...402...403... Viro o corredor a esquerda e o restante das salas também começa com quatro, então percebo que estou no quarto andar e não terceiro.

Lembro que resolvi utilizar a contagem europeia de andares, pois a protagonista feminina era fascinada por construções e arquitetura europeia, inclusive ela também cometeria o mesmo erro hoje ao chegar atrasada.

Dou meia volta e sigo o caminho em direção as escadas de novo porem antes de virar a esquina, começo a ouvir vozes no corredor.

Desacelero para que não me notassem. Chego à esquina e dou uma olhada para o corredor que vinham as vozes.

— Você tem que conseguir isso para mim Vince. Meu pai depende disso e se você não conseguir, a Diá vai ficar sabendo do seu segredo. – Uma Laís com a voz ameaçadora fala para um menino de cabelos loiro com mechas roxas que reconheço como sendo o protagonista masculino da história.

Fico paralisado, eu nunca tinha escrito aquela cena, nunca tinha explorado qualquer relacionamento de Laís com Vince.

Continuo olhando os dois que provavelmente pela intensidade da conversa não notam minha presença, ele encosta se na parede e passa a mão na cabeça.

— Ser filha da família Velhes não é algo fácil, não é? – Ele fala.

— Tudo bem, vou falar com o meu irmão. – Ele promete. – Mas preciso que você esteja sexta na sala de equipamentos, eu lhe encontro lá. —

Depois disso os dois caminham juntos em direção à escada e desaparecem.

O nome Velhes fica na minha cabeça, o nome não me era nem um pouco estranho, porque eu escrevera várias cenas com eles. A conclusão me vem à cabeça.

E já sei Onde Laís morreria.

Veja bem, eu não descrevo Vince como um bad boy atoa, ele é filho de uma família de traficantes que esconde seus negócios com a venda de prédios antigos. O próprio pai de Vince o obriga a começar o próprio negócio de venda de entorpecentes na escola com apenas treze anos.

No meio desse drama há também a família Velhes, uma família especializada na importação ilegal de cigarros.

A família era muito próxima da família de Vince, quase como uma extensão da família, mas a relação deles muda quando a filha da família é morta e a culpa recai sobre Vince. A protagonista feminina mesmo passa boa parte do livro sendo ameaçada de morte aqui e ali por ser a pessoa que Vince ama.

Eu nunca liguei Laís à família Velhes, muito menos que ela seria a filha assassinada da família. Nunca liguei Laís a Vince, mas lá estava a evidencia. E eu já sabia o que fazer para colar em Laís.

Recomeço a caminhar e desço as escadas com mais presa que antes. Quando adentro a sala, Diá e Laís estão sentadas, uma do lado da outra, quase no fundo da sala e Vince na frente.

Passo por todos e me sento bem atrás de Diá. Eu sabia que tinha ativado a paranoia dela, então era a situação perfeita.

— Eu menti, eu estou seguindo vocês. – Anuncio baixinho me inclinando na direção das orelhas das duas para que ninguém mais pudesse ouvir

— Eu sabia. – Diá vira na minha direção e fala. Laís também vira em minha direção as sobrancelhas arqueadas visivelmente surpresa com a informação.

— Não sou o maníaco juro. Sir Kaio, mandou te seguir hoje. – Eu digo e vejo os olhos de Laís se arregalando. – Sua vida está correndo riscos. – Eu encerro assim.

Falar assim me faria soaria como uma pessoa maluca em qualquer outro contesto, mas só assim Laís acreditaria em mim, pois somente as pessoas envolvidas nos negócios de seu pai sabiam seu codinome.

E o fato deu ser uma criança protegendo outra criança? Não é algo tão incomum, não é como se organizações criminosas fossem um exemplo de moral e ética, o exemplo é que Vince era praticamente um chefe de boca com treze anos.

Enquanto a Diá, sendo prima de Vince, ela sabia de tudo. Rezei mentalmente ao Deus da Escrita para que contar uma meia verdade bastasse.

— O seu horoscopo, era isso que queria dizer. – Diz Diá se dirigindo a Laís. Laís continua me olhando agora com um olhar desconfiado.

— Onde as cabeças duras se reúnem? – Ela pergunta, lembro-me bem dessa frase, seu pai perguntou a mesma coisa para o pai de Vince antes dele morrer.

— Skid Row. – Eu respondo certo da resposta, afinal eu mesmo escrevera aquilo. Ela respira profundamente e continua.

— Não quero você grudado em mim, fique a uma distância de dois metros pelo menos. – Ela manda e eu entendo que tenho que sentar em outro lugar então vou para uma cadeira na primeira fila. Eu só podia esperar a partir de então.

Os alunos foram chegando, logo a sala de aula está lotada, as oito e quinze o professor entra, da às boas vindas a todos e começa a explicar como o semestre vai ser, datas, prazos, atividades.

A aula passa devagar. Tiro vários cochilos durante a explicação sobre as monarquias de Esparta. Rabisco pokémons na carteira com o cotocos de lápis que descubro dentro da minha mochila.

Às onze e meia, o professor nos libera para o almoço, espero as duas saírem, começo as seguir, descemos as escadas e o cheiro de comida invade meu cérebro, meu estomago dói de tanta fome, então me lembro de que só tomei uma xicara de água quente naquela manhã.

Tenho vontade de correr o mais rápido possível e matar o que estava me matando, porem se fizesse isso, Laís poderia desconfiar, assim continuo as seguindo.

Dou graças quando as duas entram na fila, deixo passar três pessoas na minha frente para não arriscar ficar muito perto delas.

Minha mão treme quando pego uma bandejona e o abasteço de macarrão com almondegas, salivo feito um cão e me afobo para pegar a laranja que a tia da cantina me serve, quase fazendo tudo cair.

Já estou saindo da fila quando a moça me pede para voltar e pegar a caixa de leite com mel. Curiosamente sou intolerante à lactose, então fico bem em não tomar o leite e o guardo para o senhor da barraca, em troca dos pedaços de carne que ele prometera.

Sento-me em uma das mesas e como a comida toda em um piscar de olhos, minha barriga não fica satisfeita e ronca alto.

Olho para a bancada onde servem a comida, já maquinando como poderia enganar a servente para pegar uma segunda porção e por causa disso não vejo quando ela senta do meu lado, puxa minha cabeça e me da um beijo na boca.

HI, OLHA EU AQUI DE NOVO PARA LEMBRAR QUE COMENTÁRIOS SÃO BEM VINDOS, TER UM FEEDBACK É ESSENCIAL PARA UMA HISTORIA SER CONTADA DA MANEIRA CORRETA. ESPERO QUE VOCÊS TENHAM GOSTADO DO CAPITULO DOIS.

UM SALVE ESPECIAL PARA PALOMA MACHADO.

SEMANA QUE VEM EU VOLTO COM MAIS, OU NÃO. BESSUS DA NADEGA ESQUERDA.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.