Onde Mora o Coração
7 Fale, Wendy
Notas iniciais

Miami (Flórida), 11 de Agosto de 2015 (Terça-feira).
— Eu não sei — respondeu Reid ainda assustado, olhando atentamente para a bomba — posso tentar, mas vai levar algumas horas.
— Eles só me deram 40 minutos, e já se passaram 15 — respondeu Wendy desesperada.
Reid tirou o celular do bolso.
— Abra um pouco mais o casaco — pediu ele. Ela estranhou, mas prontamente atendeu e ele tirou uma foto — vire-se de lado — e tirou outra foto e assim ficou tirando fotos de vários ângulos da bomba — eu vou mandar para a equipe, eles vão estudar um meio de tirar isso de você.
— Você vai voltar agora para onde os outros? — perguntou Wendy triste o encarando.
— Não, eu vou ficar aqui com você até tudo acabar — Reid respondeu desviando o olhar.
— Muito obrigada! — agradeceu Wendy percebendo o desconforto do rapaz.
Reid enviou as fotos para os outros agentes e em seguida ligou para Hotch.
— Hotch, estou aqui com ela, mas temos um problema — falou Reid tentando manter a calma.
— O que foi Reid? Eu vi que você mandou uma mensagem, mas não tive tempo de ver.
— Wendy está com um colete de bomba.
— Como? — perguntou Hotch incrédulo.
— Isso mesmo que ouviu, eu mandei as fotos para vocês estudarem um meio de desarmá-la, mas eles só deram 40 minutos para ela sair e nosso tempo está curto.
— Rossi está vendo com Elle, eles vão entrar em contato com o esquadrão antibomba — respondeu Hotch
— Mas sejam silenciosos. Eles estão lá fora, qualquer tumulto, eles vão desconfiar e explodir a bomba.
— Eu entendo, vamos agir com cautela.
— Eu vou ver com o gerente se tem alguma entrada por trás para quando o esquadrão antibomba chegar.
— Deixe isso com a gente — pediu Hotch — no momento, eu só quero que fique perto dela.
— Certo, eu ficarei.
— E como ela está?
— Muita tensa, nervosa... você deve imaginar.
— Eu quero falar com ela.
— Um minuto!
Reid estendeu o celular para Wendy.
— É seu pai, ele quer falar com você.
— Meu pai — falou Wendy pegando lentamente o celular e ficando insegura.
— Fale com ele.
Wendy não imaginava que voltaria a falar com o pai tão cedo e ainda mais naquela situação.
— Pai — ela já falou chorando emocionada.
— Filha — Hotch também não conseguiu conter a emoção.
— Eu sinto muito, pai — Wendy também chorou.
— Sente por que filha? Você não fez nada de errado.
— Por não ter te procurado e contado o que estava acontecendo. Eu achava que você não iria querer falar comigo.
— Você é minha filha, a minha vida, por que eu não iria querer falar com você?
— O Philip sempre me disse que você não gosta de mim, que usava a desculpa do trabalho para não me ver...
— Ele disse isso? — perguntou Hotch irritado.
— O senhor também nunca mais quis falar comigo depois da minha festa de 15 anos... apesar de que eu fiquei bastante irritada, mas o que eu queria de verdade, era que você tivesse me pedido desculpas por diversas vezes por vários dias, até tudo passar, mas eu nunca mais recebi uma ligação sua.
— Eu sempre liguei, filha. Mas sua mãe dizia que estava sempre nos treinos.
— Os treinos era uma forma de ocupar minha cabeça: eu estava sem o senhor, tinha o Philip que me infernizava, mas eu fingia que estava tudo bem por que eu não queria que minha mãe sofresse mais. Ela já se separou do senhor por minha causa, eu sei disso, pois todos os dias a noite eu ouvia chorar antes de dormir. Se eu não tivesse sido tão egoísta na época, vocês estariam juntos até hoje.
— Filha, ela fez por que você é a coisa mais importante da vida dela e é da minha também.
— Só que por minha causa vocês não estão juntos.
— Mas depois que isso tudo acabar, eu vou fazer de tudo para reconquistar sua mãe e voltaremos a ser uma família
— Promete, pai.
— Prometo.
Hotch estava emocionado de falar com a filha e tinha muitas coisas que ele queria conversar com ela, porém sabia que tinha que focar no caso.
— Wendy, foi seu terapeuta que a sequestrou?
— Sim, ele e a Senhorita Ramona Bello.
— Quem é Senhorita Ramona Bello?
— É a assistente do Jason Cutt, e também é amante do Philip.
— O Philip tem uma amante?
— Tem sim, eu descobri no mesmo dia que Jason tentou me agarrar...
— O que ele fez? — perguntou Hotch cheio de ódio só de pensar que o crápula do Jason havia tentado algo com sua filha.
— Um mês antes de eu vir me embora para os Estados Unidos, Philip falou para minha mãe que iria me deixar na terapia. Quando chegamos lá, eu entrei no consultório e ele disse que me esperaria do lado de fora. Naquele dia, Jason chegou estranho... ele exibia seu corpo, sua aparência — Wendy parou de falar pois não conseguia conter o choro — foi quando ele me pediu que eu me deitasse no divã, apesar de estar o achando estranho, eu deitei, por que ela de praxe durante as sessões. Ele foi se aproximando me olhando fixamente, o que me deixou morrendo de medo e logo tentou me beijar a força. Eu não sabia que ele era um perseguidor e eu rejeitei ele. Disse que não o queria. Foi quando ele se enfureceu e me agarrou. Eu não sei como, eu consegui fugir, então eu corri para a sala da Senhorita Bello, pois naquela situação eu achava que ela sendo mulher, me ajudaria, mas quando abri a porta vi ela e o Philip deitados na mesa... completamente sem roupas e tudo foi pior para mim.
— O que eles fizeram com você?
— Eu falei que contaria tudo para minha mãe. Logos eles me imobilizaram e me aplicaram vários remédios que me deixou agitada e agressiva e Philip pegou uma receita com Jason. Quando chegamos em casa, ele me amarrou e começou a destruir tudo, quebrou quadros, destruiu o papel de parede, rasgou as almofadas. Assim que minha mãe chegou, ele me soltou antes que ela visse, e disse para ela que eu havia feito tudo aquilo, eu estava agitada e tentei me defender, mas minha mãe não me deixou falar, ficou do lado dele. Depois Philip mostrou para ela as receitas e disse que eu estava com depressão nervosa por sua causa e que a qualquer hora eu entraria em colapso, se eu não me tratasse. Então minha mãe acreditou nele. Eu falava para ela que era mentira que não queria tomar aqueles remédios, mas ela não me escutava, ela só ouvia o Philip. E depois disso minha vida se tornou um inferno, em casa o Philip me infernizava e eu não podia sair na rua que Jason vinha atrás de mim, me seguia... nos treinos, aonde quer que eu fosse.
— Você poderia ter falado comigo...
— Não dava, eu achava que você também não me escutaria — Wendy fez uma pausa lamentando — até que eu não aguentei mais as investidas de Jason, e nem tortura psicológica de Philip e resolvi vir embora para meu país. Só que eu só faço burrada e olha o que aconteceu comigo...
— Não se culpe, Wendy. O único culpado disso tudo sou eu... está entendendo? Eu sou culpado disso tudo.
— Pai...
— Oi, filha...
— Eu te amo muito...
Hotch tentava falar alguma coisa, mas simplesmente a voz não saia, parecia que havia entalado, as lágrimas corriam pelo seu rosto.
— Eu também te amo muito, filha... e espero que algum dia me perdoe por não ter sido um pai presente.
***
Palo Alto (Califórnia), 11 de Agosto de 2015 (Terça-feira).
Morgan estava na delegacia, na sala de reuniões analisando o dossiê de Philip Froster, quando JJ se aproximou segurando uma xícara de café.
— Como está sendo com a imprensa? — perguntou Morgan.
— Terrível... — respondeu se sentando-se ao lado colega e colocando a xícara de café sobre a mesa — ainda bem que Prentiss e Hotch estão na Flórida e esses “urubus” ainda não descobriram, só perguntam dos dois. E o pior é que a cidade está em pânico.
— Infelizmente tem pessoas que ganham a vida fazendo sensacionalismo.
— Verdade, mas eu não quero me estressar com isso, pois já me estressei muito lá fora. Alguma novidade no caso?
— Muita coisa... Philip Froster, 47 anos, diretor da divisão de crimes contra o sistema financeiro da Interpol, nascido em Los Angeles aqui na Califórnia... parece uma pessoa perfeita e comum.
— Parece? Não é?
— Ele tem um passado muito obscuro. Ele já foi casado na década de 90 com uma mulher mais velha que ele, Sarah Bello, brasileira, naturalizada estadunidense, tinha 43 anos quando casou com Philip, este por sua vez, tinha apenas 23 anos...
— Casar com mulher mais velha, o que tem de obscuro nisso?
— Deixa eu terminar, JJ... ela também tinha uma filha, Ayden Bello, quando os dois se casaram a menina tinha 11 anos e morreu aos 18 anos, depois de ter sido sequestrada e torturada por uma semana.
— Sério isso? — perguntou JJ.
— Sério. E advinha quem era o terapeuta da garota?
— Não — falou a loira incrédula — não pode ser.
— Pode apostar que sim, Jason Cutt, o próprio, havia acabado de se formar.
— E o pai? Quem era?
— James Harmon, fuzileiro naval, e na época estava no Afeganistão...
— Mães solteiras, de meninas, com pais ausentes... — disse JJ pensativa.
— É esse o padrão... Cutt e Phillip trabalham juntos — concluiu Morgan.
— Phillip escolhe a mãe e Cutt a filha.
— Percebeu outro padrão? — perguntou Morgan — O assassino da moeda começou a agir após a morte de Ayden Bello e parou após o casamento de Emily e Philip.
— Então, se ele matarem a filha de Hotch, é provável que o assino volte a agir.
— Só que não deixaremos isso acontecer.
JJ pegou sua xícara de café e tomou um gole, enquanto Morgan voltou a ler o dossiê.
— Mas ainda não sabemos nada sobre o perfil do dominante, Philip é muito passivo, assim como Jason Cutt, tem alguém mais inteligente e dominador por trás deles.
— Com certeza — concordou Morgan.
— Vamos precisar interrogar Philip.
— Acho que Rossi vai adorar isso.
***
Miami (Flórida), 11 de Agosto de 2015 (Terça-feira).
Hotch havia terminado de conversar com Wendy e foi analisar as fotos da bomba junto com Rossi e Elle. Reid ficou analisando a própria bomba no corpo de Wendy.
— Por favor, só temos 5 minutos — suplicava a garota.
— Calma — pedia Reid analisando os fios, tinham de cinco cores: branco, vermelho, amarelo, verde e azul.
— É o vermelho, é sempre o vermelho, não é? Tenta o vermelho.
— Não é tão simples, se eu tentar o vermelho e não for, corre o risco da gente explodir aqui.
— Por favor, tenta algo... eu não quero voltar para onde eles, eu prefiro explodir.
— Deixa eu pensar, tudo faz sentido para eles — pensava alto Reid — eu acho que já sei...
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