Onde Está Chapeuzinho Vermelho?
1 Capítulo 1
Há horas atrás eu havia mandando minha filha querida, levar uns pãezinhos de mel para a sua vovózinha do outro lado da floresta.
Só que ela, ainda não havia voltado.
Lembro-me de uma velha senhora passando, ela tinha os olhos brancos, provavelmente era cega, andando por aí, sozinha. Mesmo que seja sozinha, e eu tendo fé que ela saiba bem o que está fazendo e todo o caminho da floresta, já que mora aqui há mais tempo, eu não acho que ela esteja lá muito segura. Mas me senti eu mesma insegura perto desta mulher.
Ela me alertou, dizendo algo como: “Se eu fosse você, não a deixaria ir.”
E por há eu de não a deixar ir à casa de sua avó? E quem era ela?
Não havia como eu perguntar mais coisas, depois que ela logo desapareceu, ignorei.
Ignorei e agora minha filhinha não volta. O sol estava no meio do céu, os pássaros cantavam e os esquilos corriam por aí. O céu estava tão bonito, e agora que olho para cima, está tudo tão escuro, está tão nublado, a lua hoje é cheia, mas está sempre tímida, tentando se esconder dentro das nuvens.
Era tarde demais, será que ela se perdeu?
Não, é impossível tal coisa, ela já fez o mesmo caminho varias vezes. E eu também, dei os mesmos conselhos.
Siga pela trilha, siga pela trilha... Será que desta vez ela resolveu cortar caminho?
Tomada pelo medo de ter acontecido algo com a minha pequeninha, e ainda com a idéia da mesma voltar sozinha neste breu, resolvi ir buscá-la.
Levantei da cadeira onde eu estava sentada, aflita e fui ao meu quarto. Entrei e segurei a maçaneta fria da porta, e senti como se eu não devesse abri-la, mas abri.
Mesmo que o meu quarto parecesse como a mesma coisa de sempre, parecia diferente, era como alguém tivesse mexido, e muito, no meu quarto, mesmo que estivesse tudo no seu devido lugar.
Abri a porta do armário e senti calafrios olhando para dentro dele, como se alguma coisa fosse sair de lá de dentro. Peguei um capote preto, o vasculhei e sacudi, por fim vesti.
Caminhei até a porta, peguei a chave, sai e tranquei, e de braços cruzados, por causa do frio da noite, sai caminhando, pela trilha.
E eu escutava uivos. Será que algum lobo ou urso pegou a minha menina? Será que algum maluco seqüestrou a minha florzinha?
O medo e angustia me consumia.
Eu caminhava com passos cada vez mais lentos, sempre com medo de dar o próximo passo, de ver o que ia acontecer.
Mas logo acelerei o passo, eu tinha que chegar a casa de minha mãe o mais rápido possível, e se Chapeuzinho não estivesse bem?
Ou talvez até esteja, mas fico por cá imaginando o porquê da dondoca não ter nem avisado antes de sair, que ficaria por lá. Ou voltar para pedir ou pedir a alguém que venha me avisar por ela.
Mas não, preferiu me deixar preocupada. Eu, sua pobre mãe que tanto a ama.
Os uivos de tempos atrás havia voltando, e pareciam mais intensos. As arvores agora, pareciam macabras e todo o caminho a minha volta, suspeito.
Era como se eu estivesse vivendo um filme de terror. E para piorar, eu era o personagem principal.
Descruzei os braços e juntei as mãos bem fortes, pedindo a Deus que protegesse meu caminho e a minha menina.
A cada passo que eu dava, eu ficava mais horrorizada, mas precisava chegar rápido ao outro lado da floresta, por isso, acelerei meus passos.
E quando eu menos esperava, eu estava correndo, correndo da escuridão.
E meus passos foram desacelerando no ritmo que eu ia me aproximando da casa de minha mãe. Cheguei à porta, e apoiei minhas mãos no joelho, tentando sugar o máximo de ar que eu pudesse. Ainda eu ficava pensando, o porquê de toda essa correria. Talvez eu passasse a noite aqui mesmo, eu me lembrei de fechar tudo em casa, por que não?
Bati na porta, e esperei um pouco. Nada. Olhei pela pequena janelinha que tinha na porta, estava tudo escuro. Será que ambas foram dormir? Que afronta! Deixando-me preocupada deste jeito!
-“Mamãe! Chapeuzinho!” – chamei pelas duas, mas não houve uma resposta. Até houve... Escutei um sussurro de alguém, que não era nenhuma das duas. Havia mais alguém lá? Quem seria esse alguém?!
Meu coração já assustado, com os pensamentos confusos e totalmente perturbado, pensou todas as coisas ruins que poderiam acontecer naquele momento.
Virei à maçaneta e a porta estava aberta, empurrei com força a porta e com a luz da lua cheia, eu consegui ver um pouco de dentro da casa.
Era a sala, eu olhava para todas as paredes, nada de anormal, será que elas realmente foram dormir? E aquela voz?
E foi por ela que procurei.
E quem procura, acha.
Depois de encostar a porta, fiquei olhando todos os cantos, e quando fui olhar atrás do sofá, antes de mudar para algum cômodo e ter certeza que estava realmente tudo em ordem, eu pude ver alguém. Um corpo para ser mais realista.
Levei as minhas mãos à boca rapidamente e me afastei.
O que era aquilo? Havia alguém morto em casa? E minha menina!?
Então, aquela pessoa me chamou.
Voltei a olhar aquela cena, horrorizada. E um pouco assustada, ela implorava desesperadamente para que “eu não fosse”.
-“Não vá.” – ela repetia sem cessar.
Eu o encarada incrédula, pois o único lugar que eu desejava estar é ao lado da minha filha e de minha mãe, e que tudo isso não passasse de um sonho.
Não, um pesadelo.
Ele começou a se arrastar, deu um grito de susto e me afastei, ele tentou se levantar, e a cada segundo eu estava mais longe, no final eu pude ver com a luz de fora a tal figura, e totalmente repugnante, e logo pude a reconhecer arregalando meus olhos e agora, ia me aproximando devagar, ainda assustada.
-“Seu guarda?? O que faz aqui? O que aconteceu? Aonde não posso ir? Chapeuzinho! Onde está Chapeuzinho? Ela está lá dentro não está?!” – perguntei, mesmo com uma pequena pausa entre cada pergunta, eu estava tão desesperada, e com tantas questões na minha cabeça, que mau podia esperar para ter cada uma respondida devidamente, queria somente minha filhota ao meu lado.
Fiquei o observando. Ele abria a boca várias vezes tentando falar alguma coisa, que nunca saia.
-“Não vá, por favor.” – e perdeu suas forças, e caiu.
Aproximei-me, ainda fazendo várias questões, mas quando cheguei perto levei as minhas mãos à boca novamente. Seus dedos estavam virados em uma posição monstruosa, sua perna esquerda parecia que havia sido baleada, depois de olhar, nem que tenha sido de relance para identificar o que meu cérebro conseguisse processar, eu me virei sai, começando a procurar a minha filha desesperadamente.
Passava por vários cômodos enquanto caminhava pelo corredor, minutos de desespero e angustia, estava tudo escuro e as luzes não se acendiam, de modo algum.
Então, me aproximei do quarto de minha mãe, o quarto da Vovózinha, entrei ainda com medo e a vi deitada na cama.
Arregalei meus olhos e a minha voz não saia de minha boca ao ver a minha mãe praticamente esquartejada sobre sua cama, com seu pijama branco e ainda com sua touca de dormir.
Lágrimas desceram de meus olhos. No outro canto do quarto, estava a cesta de pães de mel, a cesta que pedi a minha filha para trazê-la, estava intacta.
Mas.. e minha menina? O que houve com ela? Se a cesta está aqui, é porque ela também veio! E se tiver acontecido algo?
Assustei-me com o pequeno movimento da porta do armário, me afastei em silêncio esperando o que estava por vir,e meu coração bateu rápido quando saiu lá de traz, minha menina encapuzada com um rostinho surpreso.
-“Mamãe!” – ela gritou correu, pulando em mim e me dando um grande abraço, que eu não pude negar, apertando-a mais forte, ainda com o coração doendo. –“Mamãe.. um lobo mau passou aqui...” – ela disse chorosa.
-“Sim minha menina, sim.. tudo já passou.. tudo..” – me agachei na altura dela. –“Está muito assustada?” – perguntei, olhando-a nos olhos.
-“Sim mamãe... ele falou que ia me matar... mas eu briguei com ele...” – ela olhava-me com uma expressão vazia. Como eu pensei ver tudo isso, ela deve estar traumatizada! Abracei bem forte, e recebi o mesmo abraço.
-“Temos que sair daqui.” – eu falei. –“Temos que voltar para casa, temos que avisar as autoridades...” – deixei-a no chão e levantei, segurei a mão dela comecei a andar apressada para a fora, mas logo ela me segurou.
-“Mamãe me abraça. Estou com medo.” – sorri, caminhei até ela, ajoelhei-me na sua altura e a abracei. Fiquei em silêncio, mas logo um som rouco e baixo saiu da minha boca inconscientemente.
-“Ch...ape...uzinho...” – sussurei, gravando minhas unhas no seu capuz.
-“Mamãe, eu briguei com o lobo.. fiquei com muito medo que não viesse, ou eu não teria como te dizer o quanto eu a amo.” – a sua mão letamente ia empurrando uma faca nas minhas costas, ao me afastar de perto dela, com muita dificuldade e dor, eu pude ver seu sorriso de satisfação.
Por um segundo senti um tremendo ódio, mas não podia vencer para aquele sorriso tão lindo, que já foi da minha menininha querida.
-“Mãe, diga ao Papai que o amo, e que Papai do Céu cuide bem dos dois!” – sorriu tirando a faca com tudo das minhas costas voltando a me abraçar bem forte com um sorriso lindo. Senti seus dedos passar pela minha blusa e tocar minha pele. Logo fui afastada e vi sua mão vermelha ir ao encontro dos seus lábios. –“Mãe, seu sangue é tão gostoso...” – sorria.
-“Filha, eu desejo do fundo do meu coração, a sua desgraça.”
-“Me Perdoe.”
Foi a ultima coisa que escutei antes de ficar tudo escuro, e eu nunca mais ver a luz do dia.
Notas finais
Reviews? E quem não leu a outra: O que acharam? xD
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