Notas iniciais
Ooi ^^ só tem uma coisa que eu preciso avisar, além da fic conter spoilers dos capítulos mais recentes do mangá, uma parte dela gira em torno de uma teoria minha ainda não-confirmada, a de que Zeref é Edo-Acnologia. Caso esteja errada, me perdoem, mas lembrem-se de que ela foi postada antes do Hiro Troll Mashima revelar quem é ele.

O mago negro caminhava por entre as árvores. Sim, negro, pois apesar da pele alva que parecia nunca ter encontrado o sol, tudo referente a Zeref era negro: seu cabelo, que ricocheteava em seu rosto com a brisa; seus olhos, que sondavam tudo ao redor com tristeza; sua magia, que contra a sua vontade trazia negritude sobre os outros; seu passado.

Seu passado...

Um suspiro escapou de seus lábios, mesclando-se com o vento que passava por ele, forte e indiferente. Então, cansado, ele sentou-se ao pé de uma árvore, e olhou para a cima.

Sua visão consistia em alguns galhos secos, retorcendo-se como que em agonia, em um marrom sem tom nem cor.

Uma reprodução imperfeita das outras árvores ao seu redor.

Afinal, Zeref caminhava entre mortos. Ele não os via, mas sentia; milhares de cadáveres se empilhando desleixadamente em seu caminho, indiferentes e retorcidos. Tudo culpa dele, do elo que mantinha com aquele dragão, que detestava profundamente os humanos.

O único jeito de fazê-lo parar, afinal, era não dar valor a eles. Assim, sua versão da Terra não os mataria. Mas quanto mais Acnologia matava, mais ele ligava, e mais Acnologia matava novamente. E mais e mais corpos se empilhavam ao seu redor, apontando para ele em silêncio, encarando no vazio.

Aquele era um ciclo nem um pouco viciante, e, no entanto, vicioso.

Mas que vida imbecil pra se viver.

Suspirou. Toda a sua vida fora voltada para os mortos. Então porque era tanta surpresa que ele fosse até lá todos os dias pra encontrar uma morta?

Ele sentiu uma presença, não o tocando, mas afetando: sentia pequenas ondas de algo quente e aconchegante acertando-o sem força, quase como se soubessem que ele estava ali e era frágil, e não quisessem machucá-lo.

E Zeref sorriu. Seu típico sorriso, triste, melancólico e acompanhado invariavelmente de olhos baixos, como se ele sentisse vergonha de estar feliz.

– Mestre Mavis – cumprimentou, e enfim abriu os olhos.

Exatamente como todos os seus instintos lhe diziam, era ela: cabelos loiros e compridos, olhos verdes e profundos, que quando se chocavam com os dele deixavam-no tão desarmado que pareciam invadi-lo em alta velocidade, um jato de sondagem que navegava em suas profundezas pacificamente, sem machucá-lo ou encontrar resistência. E o sorriso, tão alegre e diferente do dele.

– Mestre? – ela disse, e o já mencionado sorriso surgiu, abrindo espaço em sua face – eu não sou sua mestre, Zeref. Você não é parte da Fairy Tail.

– Eu sei – disse dando de ombros – mas para mim você é Mestre Mavis, não tem como mudar isso.

– É porque você tem a alma de alguém que é parte dela – respondeu, as palavras carregadas de gentileza, acompanhados de um sorriso e embriagadas de sinceridade.

Para ele, era impossível que Mavis estivesse morta. Ela era tão real, tão presente. Ele a sentia, e pior, ele era invadido por ela, a cada vez que cruzavam o olhar. Ele falava com ela, ele a conhecia e era facilmente decifrado pela garota, com aqueles olhos infantis e alegres que não tinham limite.

Mas ela estava morta, muito morta. Ele sabia disso quando tentava tocá-lo e sentia que estava ali, sem contudo ser algo físico ou sólido. Quando ele olhava para seu rosto sorridente e percebia que ela tinha desaparecido de repente, sem que ele notasse, pois não conseguia mais ficar na Terra. Quando olhava nos seus olhos verdes e sentia tanta vontade de ir mais fundo, mas não conseguia.

Mavis estava morta; mas não para ele.

– Eu não acho que eles gostariam de ficar sabendo disso... – ele a respondeu melancólico, olhando para baixo.

Mavis se sentou ao lado dele, abraçando os joelhos sem tirar os pés descalços da grama, apoiando a cabeça no próprio braço e o encarando. Ela odiava quando ele fazia isso. Sentia vontade de batê-lo e abraçá-lo ao mesmo tempo. Zeref não tinha culpa de ser a Edo-versão de Acnologia, e no entanto ele se culpava. Sentia raiva dele por simplesmente não pensar em si, concentrar-se em Acnologia e deixar a própria vida ser sugada... Por ele mesmo.

Ele não percebia o quanto ela queria ver um sorriso abrindo caminho em seu rosto, um sorriso de verdade?

– Zeref, o monstro aqui é Acnologia e não você.

– Dá na mesma. Somos o mesmo.

– São opostos!

– Dois opostos formam uma igualdade.

– Nee, isso não faz sentido! – ela disse, choramingando e o chamando de baka, o que o fez sorrir de canto.

Era sempre assim quando ele estava com ela: começava com um tsunami de pensamentos melancólicos que o acertava de todos os lados. Mas ao mesmo tempo, e gradativamente, ele ficava em paz e esquecia-se de si mesmo, esquecia de tudo, até dos próprios pensamentos; apenas sorria e aproveitava e leveza infantil dela, que fluía em ondas pacatas até infestar o ar que ele respirava, invadindo-o e levando-o.

– Desculpe, Mavis. Eu não sou de falar coisa com coisa.

– Hmpf, eu sei – fez biquinho.

Sua resposta foi apenas um sorriso.

Durante alguns instantes, eles ficaram em silêncio, olhando nos olhos um do outro, e pensando desconexamente. Até que, de repente, Mavis se levantou, os pés descalços sustentando seu peso na grama fofa.

– Senti uma presença! – ela gritou animada – finalmente, Zeref-kun! Depois de 7 anos... O pessoal da Fairy Tail finalmente encontrou a Ilha Tenrou! – ela pulava e ria, o vestido subindo e descendo sem ritmo, mostrando sua perna – tenho que vê-los! – e, no meio de um pulo, sumiu.

Zeref suspirou. As ondas de calmaria começaram a se espalhar sem rumo, enquanto ele voltava a olhar para cima, para a árvore morta.

Sem calmaria, mais tsunami. A árvore ainda se retorcia, o marrom sem tom predominava, o mundo ao seu redor jazia morto. Nada havia mudado, mas não havia sentido se o tivesse.

Agora, ele só tinha que se reacostumar com seu mundo em angústia e culpa.

Seu mundo sem Mavis.

Notas finais
Tá bom? Ou muito brega? Alguém gostou? Por favor deixem reviews ^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!