Once Upon a Time
30 É só o começo.
Notas iniciais
POV OLIVER
Sentir o corpo minúsculo e quente de Felicity colado ao meu e sua respiração ofegante em meu pescoço depois de horas entregues ao nosso amor é sem dúvida a melhor sensação do mundo. Suas pequenas mãos passeiam por meu peito lentamente como uma leve carícia. Levo minhas mãos até suas costas e aperto mais um pouco nosso abraço aproveitando esse momento de paz. Um silêncio confortável nos permite ouvir apenas o som dos carros passando na rua. Não sei ao certo o que pensar agora que não temos mais preocupações. Lógico que não sou ingênuo o suficiente para pensar que a partir de agora não iremos enfrentar mais criminosos, mas é reconfortante saber que passamos por mais essa dificuldade juntos. Sei que ela estranhou meu comportamento mais cedo, mas estava tentando não parecer tão nervoso ao apresentar o apartamento novo para ela. Não quero que ela pense que estou a pressionando. Levo um susto quando Felicity se senta abruptamente e leva o lençol até o busto.
– Felicity? – A chamo quando vejo seus olhos arregalados e sua face completamente vermelha.
– Oliver! – Levanta a cabeça analisando o espaço a nossa volta e traz o olhar até mim novamente. – Nós estamos em um telhado! – Se desespera e franzo o cenho sem entender. — Oh meu Deus, e se alguém nos viu? – Relaxo as feições com sua preocupação e tento conter o riso. — Esse casebre não tem teto. – Sinaliza alheia da diversão que está me causando. — Você tem vizinhos sabia? – Começa a tagarelar apertando mais o pano contra seu corpo.
– Fe.li.ci.ty. – Sibilo a interrompendo. – Ninguém nos viu. – A acalmo e levo a mão até seu quadril por baixo do lençol sentindo sua pele estremecer com o contato. Ela estreita os olhos ainda preocupada e sorrio maliciosamente. – E se alguém tiver visto, terá presenciado o quanto somos bons juntos. – Sussurro em seu ouvido e ela cora com a brincadeira.
– Bons? Nós somos ótimos. – Solta, mas rapidamente percebe o que falou cobrindo a boca com as mãos. – Oh Deus, eu não paro! – Leva a mão até a testa e fecha os olhos com força. Rio com seu comentário enquanto ela afunda o rosto em meu peito. Acaricio seus e enfim percebo o quanto sua pele está gelada. Com toda essa excitação esqueci o quanto minha loira é delicada. Sinto-a estremecer e vejo sua pele se arrepiar. É, ela está com frio. Imediatamente me ergo com ela em meu colo envolta ao edredom.
– Precisamos te esquentar. – Explico quando recebo um olhar curioso. Ela não parece discordar e descansa a cabeça em meu peito enquanto desço o lance de escadas seguindo até o quarto. Deposito-a sobre a cama e observo a beleza de seu corpo, enquanto se espreguiça feito uma gatinha. Como pode ser tão linda?
– Oliver. – Me chama baixo e enfim me junto a ela. – Podemos apenas ficar abraçados? – Pergunta encaixando seu corpo ao meu. – Não que eu não queira... Você sabe. – Se ergue um pouco para me olhar nos olhos tentando se justificar. – Eu amo quando nós... Você sabe. – Maneia a cabeça. Rio com sua vergonha de pronunciar a palavra sexo e retiro seus fios de cabelo que insistem em cair sobre seus olhos. – É só que estou cansada e acho que merecemos esse descanso. – Volta a apoiar a cabeça sobre meu peito. – Ainda mais depois do que passamos. – Completa e posso sentir seu corpo se enrijecer. Em resposta aperto nosso abraço e beijo seus cabelos.
– Está tudo bem agora. – A acalmo.
– Eu sei. – Concorda enquanto passa a pontas dos dedos por meu peito. — Eu só acho que deveríamos tentar manter essa parte de nossa vida tranquila, já que temos a outra parte que nos tira o sono. – Suspira sem pensar muito no que falou.
– O que achou do apartamento? – Mudo totalmente o assunto e ela fita meus olhos sem entender. – Digo, sei que achou maravilhoso. – Brinco e ela sorri revirando os olhos.
– Eu acho que este lugar é perfeito para construir um lar, Oliver. – Apoia o queixo em meu peito e sorri. – Você merece ter uma vida normal. Um lar, onde pode viver tranquilamente com seu filho apreciando seus momentos juntos. Um lugar, onde pode construir uma família futuramente e viver seus dias, um de cada vez. – Finaliza ainda sorrindo e não consigo evitar o sorriso que se forma em meu rosto. Sento-me na cama e levo a mão até o criado ao lado. Abro a gaveta e retiro uma pequena caixa de dentro. Felicity franze o cenho sem entender e tento esconder antes que seus olhos curiosos possam ver. Mas ela logo arregala os olhos e se agita sobre a cama quando vê o objeto em minha mão. – Oliver. – Sussurra meu nome e toca meu peito com um sorriso fraco no rosto. – Você não precisa... – Começa a falar, mas a interrompo tocando seus lábios com meus dedos.
– Me deixe falar, por favor. – Peço e pego sua mão delicada entrelaçando nossos dedos. – Eu sei que passamos por muita coisa nesse último ano e diversas vezes perdemos a fé na construção de um futuro juntos. –Abaixo a cabeça e engulo seco sem saber por onde começar. – Quando voltei da ilha não pensei em construir uma família e viver uma vida normal, pois já tinha aceitado que meu destino era viver eternamente na escuridão. – Ergo a cabeça e fito seu olhar intenso. – Até que um dia, em uma simples visita até o setor de T.I meu mundo mudou completamente. A loira que mordia uma caneta vermelha e que mais parecia um anjo, conseguiu me dar esperança para algo que sabia ser impossível de conquistar, uma vida. Foi você Felicity. Foi você que motivou a lutar todas essas batalhas para me tornar uma pessoa melhor. Foi você que me resgatou desse abismo que estava fadado a enfrentar até a morte. Foi você que deu sentido a tudo que faço, não só como o Arqueiro, mas como pai, como Oliver Queen. – Uma única lágrima escorre por seu rosto e sinto meus olhos arderem de emoção. – Sempre foi você e sempre será você. – Abro a pequena caixa de veludo, revelando uma chave. – Felicity Smoak, você me daria a honra e prazer de construir um futuro ao seu lado? – Mantenho o olhar preso ao seu e sinto um nó se formar em minha garganta com tamanha ansiedade. Um grande sorriso se apodera de sua face e uma batida de meu coração falha ao vê-la assentir antes de colar seus lábios aos meus.
– Meu lar é onde você estiver, Oliver. – Sussurra com a boca ainda colada na minha. – Eu te amo.
– Eu te amo, Felicity Smoak.
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