Once Upon a Dream

2 Uma garota para uma noite só


Notas iniciais
Oie pessoas :3 Boa leitura!

O terceiro ano é realmente a pior coisa que existe! Acho que criaram o ensino médio como forma de tortura do Diabo, porque Deus não ia criar uma coisa dessas.

O sr. Hink era nosso professor de trigonometria e física. Então tínhamos que aguentar ele durante seis aulas por semana.

Não que eu o odiasse, mas odiava as matérias que ele lecionava. Eu não ia usar isso na carreira que ia seguir. Então para mim, isso era ,sim, uma perda de tempo.

Passado a aula dupla do sr. Hink, peguei meus livros e sai da sala para ter aula de história. Debbie tinha aula de geografia, então seguimos caminhos diferentes.

Naquele mar de alunos andando para lá e para cá, avistei Stacey em seu armário rodeada pelos braços do seu namorado, Thomaz, capitão do time de futebol.

Tinha como ser mais clichê?

Quero dizer, Stacey é a capitã do time de líderes de torcida da nossa escola. Os dois namorarem é muito clichê. Mas não vou julgar. Cada um faz as próprias escolhas. Não é como se eles estivessem juntos só por status, neh?

Stacey deve ter sentido alguém olhando para ela, pois ela se virou para mim e sorriu acenando. Sorri, e devolvi o aceno. Não éramos amigas, e já tivemos nossas desavenças, mas nos dávamos relativamente bem.

Dei uma parada em frente ao meu armário para pegar meu livro de história para a aula da sra. Clanhky. Coloquei a senha, abri a porta e peguei meu livro, guardando o de trigonometria logo em seguida.

Dei um grito e um pulo de susto quando duas mãos apertaram minha cintura com força, e me virei para Noah, que não parava de rir do meu susto:

– Ai! Doeu! Seu bruto! Eu podia ter tido um infarte, sabia disso?

Ele me olhou divertido, parando de rir, mas não tirando o sorriso de deboche do seu rosto:

– Desculpa. E você tem fôlego, aguenta um sustinho e muito mais... — Por que eu senti um tom insinuativo nessa frase?

– O que você quer dizer? — Cruzei os braços e estreitei os olhos.

– Brincadeira, Anjo. Então... Quer ir dar uma passada no ginásio? — Eu estava imaginando coisas, ou o seu tom era malicioso?

– Você está achando que eu sou seu brinquedo sexual, Noah? Que é só estalar os dedos que eu largo tudo e vou correndo para você? — Falei brava.

Ele arregalou os olhos e tratou de consertar:

– O que?! Não! Você entendeu errado. — Ele piscou com força. — Agora tenho treino de basquete. Só queria saber se você queria me ver jogar, ao invés de ir para sua aula. A treinadora não liga, você sabe.

Ah.

Erro meu, para variar:

– Nesse caso, eu quero. — Disse com um sorriso de lado, envergonhada.

Ele me abraçou pelos ombros e guardei o livro de inglês no armário e fomos para a quadra.

Eu sentei na arquibancada da quadra enquanto Noah ia vestir seu uniforme do time de basquete para treinar com os outros meninos.

Tirando eu, não tinha nenhuma pessoa ali para assistir o treino, o que podia ser bom ou ruim, dependendo do ponto de vista.

Ser a única ali me dava o privilégio de poder relaxar e deitar nos bancos de madeira sem que ninguém julgasse, já que os meninos estavam prestando atenção total no jogo.

A parte ruim de estar sozinha, é que os jogadores do time de basquete da escola adoram fazer todo tipo de piadas e brincadeiras com as pessoas, e sendo a única ali, era provável que eu fosse o alvo deles.

Dito e feito.

O treino foi normal: Eles correram, suaram, marcaram, fizeram cesta. Nada novo.

Noah veio até onde eu estava e sentou ao meu lado, enxugando o suor da sua testa com uma toalha, e inclinou-se na minha direção:

– Nem vem, você está todo nojento e todo suado, Noah! — Empurrei o moreno pelo peito e ele tombou pro lado.

– Ah, vamos. Eu tô cansado. Eu mereço um pouco de atenção pela minha grande performance no jogo. — Ele fez um biquinho que não combinava com o seu rosto sexy.

Okay, não consigo resistir. Eu sou muito manipulável.

O puxei pela gola da camisa e o beijei ali mesmo, na frente de mais um monte de caras nos olhando e gritando.

– Opa, Noah. Se prepara, porque essa aí vai acabar com você de noite!

– Noah, desse jeito a gente já sabe quem vai mandar em casa.

E eles riam e assoviavam para nós, para mim especificamente, já que eu estava praticamente em cima do Noah. Eu não estava me importando tanto, mas mandei o dedo do meio para eles depois que me separei do garoto meio zonzo em baixo de mim.

Meu ficante olhou sério para mim, me deu um selinho e pediu:

– Ana, pode ir encher minha garrafa de água para mim? Estou com muita sede.

Acenei com a cabeça e desci, pegando a garrafa que estava junto com as coisas dele no último banco da arquibancada.

Saí pela porta do ginásio e fui até o bebedouro mais próximo e enchi a garrafa, aproveitei para dar um gole.

Eu ia subir de volta para o ginásio, mas presumi que os meninos estariam tomando banho no vestiário, como é comum se fazer depois dos treinos, e fui até lá.

Eu não ia entrar, óbvio. Afinal, tinha muitos caras pelados lá dentro, então me sentei ao lado da porta e fiquei esperando Noah sair:

– Cara, Noah, a Ana é muito gostosa! — Aguçei meus ouvidos ao ouvir Bruce dizer meu nome. — Que peitos!

– Que bunda! — Esse foi Scoot, que riu com Bruce depois desse comentário desnecessário.

Babacas.

– Você bem que poderia dividir não é mesmo, Noah? — Colei minha cabeça na porta para ouvir o que ele iria responder.

– Tsc. Não sou do tipo que divide, Mason. — Sorri, mesmo ele não tendo dito que estava apaixonado por mim e não me deixaria nunca. Eu também não queria que ele dissese isso, afinal. — Mas depois que eu acabar com ela, podem pegar. Ela não passa de uma garota para uma noite só.

Meu sorriso se desfez e eu arregalei os olhos. Meu coração parou de bater e meu rosto perdeu a cor. Me levantei meio tonta, e sai correndo daquele lugar, procurando o banheiro feminino.

Eu senti que estava chorando, mas eu não ligava, desde que eu chegasse no banheiro sem ter o azar de encontrar alguém no caminho.

Mas meu desejo não foi concedido.

Trombei com um corpo masculino no caminho e quase cai, mas me endireitei e eu ia continuar correndo, se ele não tivesse segurado meu ombro:

– Bell?

Olhei para o rosto descrente e preocupado de Lucca e devolvi ríspida:

– O que? — Soluçei.

Maldição.

– O que houve? — Ele franziu as sobrancelhas e tirou sua mão do meu ombro.

– E por que você liga? Afinal, eu sou só uma garota que serve para ir para cama com alguém! — Outro soluço, e dessa vez eles não pararam mais.

Ele arregalou os olhos:

– Você não tá chorando por causa do que eu te disse de manhã, neh? — Ele me olhou receoso.

– Não. .. — Não conseguia mais falar direito por causa do choro, que estava mais forte.

Ele olhou para os lados e pegou na minha mão, me levando para o armário do zelador, de onde tirou uma chave do avental jogado ali.

Ele me guiou até o banheiro feminino, abriu a porta e me colocou sentada no chão. Então ele pegou a chave e trancou a porta.

Ele a colocou no bolso e se sentou ao meu lado e me abraçou enquanto esperava minha crise de choro passar.

Ficamos ali um bom tempo até eu me acalmar um pouco e já conseguir respirar normalmente:

– Então, quer me contar o que houve?

Funguei e me separei do seu abraço, olhando para Lucca:

– É o Noah...Ele.. — Funguei de novo. — Eu descobri que ele só estava me usando. E é claro que a ingênua aqui não percebeu nada. — Lamentei.

Ele deu um suspiro e passou a mão no meu cabelo:

– E como se sente?

Olhei descrente para ele:

– Não acredito que você tá perguntando isso! Não dá pra perceber como eu estou?! — Eu disse rabugenta.

– Você não me respondeu, Bell. O que você realmente sente?

Por que ele tinha que me conhecer tão bem?

– Eu estou....brava. Estou brava com ele por ter me usado, brava comigo por ter me deixado ser tão ingênua, por parecer ingênua. Eu não estou nutrindo sentimentos pelo Noah, era pra ser mais um rolo. E era. Mas ele fez parecer que eu era uma uma puta manipulável e ingênua para aqueles idiotas dos amigos dele, dos quais eu também estou com raiva! E eu estou triste, triste por não ter dado o fora naquele imbecil metido a fodão antes! — Falei tudo muito rapidamente, mas me fez sentir melhor.

Lucca sorriu para mim:

– Era aí que eu esperava chegar. Você é chorona, mas não é de chorar por garotos, Bell. É mais esperta do que isso. E você vai ficar bem. Eu vou te ajudar a dar um troco no Noah.

Meu rosto se iluminou:

– Você vai?

– Claro. Somos amigos, não somos? — Ele deu um sorriso sincero enquanto tirava chiclete do bolso e colocava na boca. Ele ofereceu e peguei um. — Agora levanta e lava o rosto, que daqui a pouco o zelador pode chegar e ver que as suas chaves sumiram.

Fiz o que ele disse e joguei água no rosto e sequei com papel toalha, com cuidado para não borrar o rimel:

– Ei, Luck... — Ele olhou para mim. — Não é verdade, né? O que o Noah disse de eu só servir para aquilo.... Não é verdade, né?

Ele caminhou até mim e me abraçou apertado:

– Claro que não, Bell. Você é uma garota com sentimentos como qualquer outra. Se você fosse o que o idiota do Noah disse, você seria uma prostituta, então para com isso. Ele é o problema, não você. — Olhei em seus olhos e dei um sorriso agradecido e sem graça. Mas acho que ele também ficou sem graça, porque desviou os olhos e se separou de mim. Ri internamente. — E olha, me d...

Nesse momento alguém tentou abrir a porta e como não conseguiu, bateu na porta e gritou:

– Hey, quem tá aí dentro?

Rolei os olhos e respondi:

– Desculpe, eu estou tentando transar com o meu namorado. Se não quiser ouvir nada que te traumatize, sugiro que vá embora!

Lucca engasgou e ficou vermelho da cor da minha blusa. Fez se silêncio do outro lado da porta e depois o som de passos se afastando pelo corredor.

Lucca olhou para mim encabulado e exclamou:

– Por que você faz essas coisas?!

Dei um sorriso angelical:

– Porque é divertido.

Ouvi ele bufar e tirar a chave do bolso:

– Falando nisso, como sabia onde ficavam as chaves?

Ele fez um gesto com a mão para deixar para lá e eu dei de ombros. Ainda estava vermelho e sem graça.

Ele destrancou a porta e saímos pelos corredores vazios. Quer dizer, quase vazios. A menina estava do outro lado do corredor com os fones de ouvido, e quando nos viu, corou constrangida e entrou correndo no banheiro.

Ah, a inocência.

O sinal tocou e em poucos segundos os alunos saíram da sala para irem para suas próximas aulas.

Me despedi de Lucca e corri para não perder a aula de inglês. Tropecei em algumas pessoas e finalmente alcancei a sala, me sentando no meu lugar habitual.

Acho que eu deveria ter perdido essa aula também...

Notas finais
Críticas? Encontrou algum erro? Por favor, me avise para tornar a leitura mais agradável! Espero que vocês tenham gostado ^-^ See ya!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.