Notas iniciais
Oi :)

Era uma vez...

Minha história podia muito bem começar assim, mas ela não é um conto de fadas, pode ter certeza.

Eu tenho quinze anos, um irmão mais novo chato — muito chato, minhas notas na escola são muito boas, principalmente em inglês, e nas matérias mais difíceis — tipo matemática — por isso, me chamam de nerd. Odeio esse apelido, é bullying.

Já tentei de tudo; ignorar, falar com algum responsável e até mudar de colégio, mas nada adianta.

Enfim, chega de drama, não quero parecer a coitadinha.

Minha melhor amiga se chama biblioteca, passo praticamente todo meu tempo livre dentro dela. Já devo ter lido metade das seções de ficção e romance e ainda pretendo ler a outra.

Okay, eu tenho amigos. Quer dizer, uma amiga, Victoria, mas ela é bem diferente de mim e consegue socializar com as pessoas. Até com meu irmão. Sempre que chega aqui vai dar um beijo no "Bruninho", ou quer que ele saia com a gente. Claro que ele pode fazer as mesmas coisas que fazemos, mas não é legal andar com seu irmão meu novo atrás de você como uma sombra.

Deve estar achando que eu odeio meu irmão, mas não é pra tanto. É a lei natural das coisas; irmãos implicam uns com os outros. Apesar de todas as brigas, de todos os tapas e de todas as confusões, conseguimos ficar no mesmo quarto sem nos matar. Sabemos conversar sem discutir também, ás vezes.

Já dei até conselhos à ele, mas acabou não dando muito certo, então desisti da ideia, e deixei isso pra minha mãe. Ela sim, é boa com palavras. É psicóloga e já escreveu um livro falando sobre os problemas familiares e como resolvê-los.

Sobre o livro, bem, ela deu uma entrevista de TV e fizemos um vídeo em sua homenagem que foi parar na internet. Resultado: virei assunto no colégio durante um bom tempo. E, é claro, não disse nada para minha mãe. Ela viria me avaliar, como sempre faz quando digo que estou com problemas.

Mas, por pior que seja ter uma mãe que te avalie, eu não a trocaria por nada.

Diferentemente dela, meu pai não é tão presente e só sabe trabalhar. Fica na empresa o dia inteiro e, quando chega, não sai do telefone.

Deve estar pensando que sou milionária, com uma mãe que é psicóloga famosa e um pai que administra uma grande empresa. É — quase — isso. Mas já passamos por sérias dificuldades financeiras.

Também deve estar pensando em como sofro bullying, já que minha família é tão conhecida. O problema, é que eu também estudo em um dos melhores colégios de Belo Horizonte, e praticamente todos de lá são assim; ricos e, alguns, até famosos. Eu sou como um grão de areia no Rio de Janeiro.

Pra fazer a diferença, teria que fazer algo que me destacasse do resto dos alunos. Já tenho isso em mente; me inscrevi em um dos melhores programas de intercâmbio do país e vou ver o resultado daqui à dois dias, no sábado de manhã. Espero que tenha passado, já cansei daqui e das pessoas me julgando.

Eu disse meu nome? Ah, desculpa, é Alice.


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Notas finais
Já postei o capítulo um, porquê o prólogo ficou uma bagaça =x