Once Upon A Dream

1 Capítulo 1 - Do I Know You? - Capítulo Único


Notas iniciais
Está é uma fanfic feita para um desafio; Obviamente espero que gostem, comentem e favoritem... Enfim, que seja uma boa leitura. Não fiz tudo idêntico a Tolkien por que: 1) Não consegui guardar tantos detalhes e já faz algum tempo que li os livros e infelizmente ainda não assisti ao último filme lançado. 2) Como muito bem dito por um escritora em uma das fanfics da vida do fandom Tolkien é bom modificar, caso contrário estaria simplesmente reescrevendo a história dele e usando-a com um personagem a mais e isso não é legal. 3) Mesclei os mundos através da mitologia nórdica. 4) É yaoi, não gosta por favor, não leia. Não quero ofender ninguém e cada um sabe o que é pertinente a si ler ou não. 5) Curtam. E me perdoem os erros. Ela é um tanto grande e li tantas vezes que já enjoei e é claro que um ou outro errinho ortográfico deve ter passado desapercebido. Agradeço desde já quem vai ler! E desculpe parecer antipática, não sou :) O.b.s.¹: Estava lendo muito Doyle quando escrevia então, gosto de pensar que talvez, essa história tenha muita influência dele. O.b.s.².: Dandelion é a famosa e linda dente de leão. O.b.s.³.: Vou postar também no Spirit-

Você é o buraco na minha cabeça

Você é o espaço na minha cama

Você é o silencio no meio

o que eu pensei e o que eu disse

Você é o medo noturno

Você é a manhã quando está claro

Quando acaba, você é o início

Você é minha cabeça, você é o meu coração

[...]

Você vai me deixaria

Se eu te contasse o que eu fiz?

Porque é tão fácil

Cantar para uma multidão

Mas é tão dificil, meu amor

Falar para você a sós


Sem luz, sem luz em seus olhos azuis brilhantes

Eu nunca pensei que a luz do dia pudesse ser tão violenta

Uma revelação à luz do dia

Você pode escolher o que permanece e o que desaparece

[...]

Diga-me o que você quer que eu fale...

Florence And The Machine — No Light, no light

— Loki! Abra essa porta! — ordenou a voz retumbante de Odin enquanto esmurrava a porta daquela antiga biblioteca.

O moreninho sorria enquanto preparava uma pequena trouxa. Apenas livros de páginas limpas, vidrinhos vazios, tinta e uma pena. Tudo de necessário estava ali. Olhou ao redor certificando não ter esquecido nada, até que se encolheu com uma batida mais forte na porta de carvalho. A pancada fora acentuada o suficiente para que as velas tremulassem e as sombras de suas chamas dançassem pelas paredes ao redor brincando com silhuetas dos livros, frascos e outros artigos que o travesso guardava ali.

Já devem estar familiarizado com Loki, filho mais novo de Odin e príncipe de toda Asgard. Nesta época distante ele possuía o título de senhor das travessuras e todo tipo de magia. O príncipe tinha apenas 16 anos e desde cedo já dava dores de cabeça ao 'pai de todos'. Desta vez fora o jantar do casamento de dois deuses; A deusa da colheita se unira ao deus da morte. Loki havia transformado o vinho em cobras, as iguarias em escorpiões, derramado vinho na noiva e hidromel no noivo. Toda Asgard ria de suas brincadeiras, inclusive Odin. No entanto os as vítimas de suas traquinagens estavam furiosas e, com todo direito que detinham, seguiram a reclamar seriamente ao rei que os ouvia atentamente enquanto fitava Loki com o pior dos olhares.

De mente astuta e farejando perigo o moreno sumiu sem nem mesmo deixar Heimdal notar para onde; Iria para seu esconderijo. Seu lugar secreto. Aquela velha biblioteca abandonada na ala oeste do castelo — afinal de que valhem livros em terra de guerra onde apenas o tinir de espadas é a lei ? Era uma ala abandonada. Uma ala deixada de lado. Pouca coisa existia ali, mal haviam cômodos e era de iluminação paupérrima . Os empregados circulavam como vultos no escuro e não abriam as escassas janelas pois todas davam para o abismo sem fim; O grande abismo do universo. O negrume que engolia a perder de vista toda a água golfada do mar que banhava a bela e aurífera Asgard. Era com este plano de fundo que Loki se indentificava. Era ali mesmo onde se escondia. No local onde podia se ouvir a cachoeira debandar infinito a baixo.

Um pequeno corvo era o único que se atrevia a ficar ali observando o mais novo. Livros amontoados, magias escritas em pergaminhos perdidos pelo chão de madeira, tubos de ensaio e toda a parafernalha mágica. Sim, essa era a magia de Loki. A junção da ciência física e uma pitada de sobrenatural. Ali ele tinha criado a rede de pesca e dado aos humanos. Ali ele tinha feito do fogo parte de si e tomado assim um novo título: O senhor do fogo. Quanto mais descobertas para alimentar sua mente ávida por respostas, melhor. Queria colecionar títulos e brincar com conhecimentos. Sem contar o prazer de receber o olhar de orgulho de Odin e Frigga enquanto Thor passava o ridículo de ter lutas falsas com guerreiros fortes os quais sempre o deixavam ganhar.

Agora, como seu pai o descobrira ali? Era uma pergunta até bem pertinente dada a aptidão de Loki para as artes do sumiço. Se ele queria, sumiria. Assim. Puff. Um instante diante de seus olhos e, em outro, distante o bastante para achar que ele tinha sido apenas uma miragem. Seria Thor seu delator? Ou teria cometido algum erro ao sussurrar o feitiço e Heimdal tinha visto com seus olhos vigilantes onde o menino estava? Sim, Heimdal aquele fofoqueiro. Com certeza era culpa daquele que tudo vê. Passou capa sobre os ombros e tal movimento criou nova lufada de ar que apagou todas as velas deixando o contorno do menino mergulhar na escuridão do comodo. A luz da lua fez seu dever e invadiu a sala dando um ar fantasmagórico.

Loki pegou sua trouxa e correu pela biblioteca ouvindo as ameaças de derrubar a porta de seu progenitor e rei.

Sua silhueta passava como um vulto de fantasma na água pelos espelhos das estantes; Abriu uma passagem na parede e por lá foi. Pegou o arco e a aljava e saiu diretamente nos estábulos. Tomou um cavalo e cavalgou. Era questão de tempo até o vigilante o encontrar.

Passou pelos portões de ouro e foi para a cidadela. A gritaria atrás de si notificava que já havia sido descoberto.

— Maldito Heimdal! — praguejou enquanto achava um atalho e tentava, em meio a adrenalina da fuga, sussurrar o feitiço da invisibilidade. Era uma mistura. Ele pensava em como deixar suas células e átomos invisíveis e falava as palavras no idioma arcaico de Runa.

Pareceu não dar certo quando ouviu ainda mais soldados se juntando a busca. Praguejou novamente.

Parou o cavalo em um beco entre a cidade e o bosque que a cercava, desceu do alasão e se enfurnou na trilha da enorme floresta montanhosa de Asgard. Diziam que, se soubesse procurar, poderia chegar a copa de Yggdrasil por ali. Uma lenda que Loki, o explorador, sabia ser mentira. Desde moleque andava e mapeava toda aquela floresta montanhosa contudo só achou em suas peregrinagens foi um monte de nada. Fins da linha que davam para o infinito negro. Sinceramente, Asgard era pequena como um ovo.

No ínterim de tempo entre fugir dos guardas e achar uma rota segura o travesso pensava onde abrir o portal. Deveria ser lugar amplo, porém escondido.Seguro e não deveria chamar a atenção.

— Príncipe Loki, espere. Príncipe Loki.... Vosso pai ordena! — o capitão da guarda implorou.

Pegou a poção no bolso de sua calça e falou algumas coisas na linguagem mágica jogando logo após o frasquinho a esmo. Sua esperança era abrir um portal entre as árvores, no entanto o pequeno vidrinho recocheteou nas pedras e desceu a ribanceira caindo penhasco a baixo até o infinito do universo. Isso que dava morar em uma filha quadrada flutuante no universo que tinha apenas bifrost como acesso.

Uma pequena explosão foi criada e abaixo da linha de Asgard; Loki pode ver o céu daquele outro lugar. Lujsfenheim, ou até mesmo Elvenheim. O reino dos elfos.

— Diga ao meu pai que já retorno! — gritou e pulou fechando os olhos.

Os abriu quando estava em queda livre por aquele céu azul. O vento era pesado e brincava de modelar seu rosto. Seu corpo era delineado pelas correntes de ar que cortava enquanto caía sem apoio em direção ao chão. O portal se fechou atrás de si criando um vácuo impulsionando ainda mais seu corpo em queda livre.

— Hora de testar nossa imortalidade de asgardiano! — murmurou fechando em forma de X os braços frente aos olhos e, por fim, caiu no solo como uma pedrinha na superfície de um rio.

Quicou três vezes arrancando terra, mato e pedras. Parou em um último ricochete continuando a deslizar pelo chão e criando um banco de terra fresca onde seu corpo descansou.

— Ah.... ah.... — gemeu de dor enquanto se virava e olhava o céu respirando com dificuldade — Alguns ferimentos de pele, um único no rosto e sem ossos quebrados. Do céu ao chão? — fechou os olhos como se fizesse breve cálculos — É! Nasci de novo. Mais do que minha.... argh... — se ergueu e levou as mãos as cadeiras — Mais do que minha imunidade de asgardiano podia aguentar.

Checou o arco e a aljava com flechas por pura curiosidade. O material que as forjava era o mais forte dos 9 reinos. Não tinha nem mesmo arranhado. De seus vidrinhos tinha se perdido apenas um e junto a ele toda tinta que trazia consigo.

— Ah! Droga! Vou ter que fazer tinta.... — praguejou e guardou a trouxa e os livrinhos na pequena bolsa que trazia nas costas coberta pela capa verde, sua cor favorita.

Amarrou a aljava na cintura e atravessou o arco no corpo, checou também sua pequena adaga. Tudo certo. Precisava agora de um lugar onde lavar os ferimentos. Os curaria com um uguento que sabia fazer com ervas e, por precaução, tinha um pouquinho de todas as 5 ervas em saquinhos que jaziam em seus bolsos. Isso que era bom em magia. Diminuir e aumentar coisas. Fazer de bolsas pequenas mundos sem fundo onde caberiam qualquer coisa que passassem pelo fecho. Se um cavalo passasse pelo fecho, caberia em sua pequena e redonda bolsinha guardada em sua cintura na parte traseira de seu corpo.

Loki começou sua caminhada solo fitando a floresta a sua frente. Ele ouvia, e ouvia muito bem, o som de água vindo de dentro da mesma. Estava prestes de adentrar a pacífica Mirk. Antes de ser Mirk. Antes de ser negra. Antes de ser ruim. Era apenas uma bela e verdejante floresta.

Da copa de uma das frondosas árvores um elfo o observava. Observava atenciosamente. Parecia, ao julgar pela primeira olhadela, ter apenas uns 15 anos. Longos cabelos loiros que brilhavam no sol, profundo olhos azuis acompanhados de um olhar astuto. Lábios taciturnos retorcidos em uma linha fina e cruel. As orelhas pontudas sobressaiam aos cabelos dando ao mesmo um ar observador e severo. Carregava o arco e aljava consigo e via Loki como possível hostil. Um forasteiro hostil.

Thranduil era um jovem elfo naquela época. Ele e Loki provavelmente viveram os mesmos longos 456 anos de suas existências. Suas aparências no entanto não denunciavam tantas primaveras, somente 15 e 17 anos. O jovem se encontrava em vias idênticas as de Loki. Príncipe, com pai/rei severo e correto em seus princípios. A diferença era que o elfo cortejava a guerra e almejava comandar exércitos para salvar seu povo. O elfo vivia com a possibilidade de empunhar seu arco frente a guerreiros armados até os dentes. Loki, por sua vez, era como um rio. Contornava com charme e palavras garbosas todos o males que o cercavam. Era maleável como um cipó, podia se dobrar em várias vértices porém permanecia rígido. Esse era um dos motivos pelos quais o senhor das traquinagens se mantinha absoluto no quesito mistério. O coração de Thranduil era de águas cristalinas e rasas, o de Loki era de águas turvas, profundas e traiçoeiras.

O asgardiano continuou sua trilha observando tudo ao redor. Bem diferente de sua terra natal, com toda certeza. Ampla, verdejante e fresca. Era um lugar tão bom. Ao olhar para trás também notou que não era somente aquela floresta que compunha aquele reino.

— Bem, uma exploração de cada vez! — falou consigo mesmo.

Thranduil não sorriu ou descansou. Continuou seguindo em silêncio o rapaz, ocultando seu corpo esguio entre as folhas verdes das árvores. Se o derrotasse em sentinelas seu pai veria como era forte e um possível futuro rei competente. Era uma chance que tinha, literalmente, caído dos céus. Ele viu a figura de Loki despencando das nuvens, toda via não viu o portal aberto no céu. De seu ponto de vista Loki tinha surgido do nada em queda livre, afinal as nuvens ocultavam o espelho de Asgard aberto.

O estranho andava agora em direção ao rio. Tentaria envenenar as águas? Ou fazer alguma espécie de magia para envenenar a terra? Apesar de toda terra média já estar dividida entre elfos, hobbits, humanos, anões e toda sorte de criaturas, o filho de Orpher não cria na paz. Ele era desconfiado. Não havia um único sorriso que o caísse bem. Ele acreditava que apesar dos reis falarem de paz preparavam seus exércitos secretamente em suas casas. Seu pai se recusou a mandar qualquer elfo espiar o reino de outros. Achou falta de decoro do filho.O rei da casa de Teleri, descendentes de Elwe e Olwe, Orpher acreditava que a indiferença era o remédio para tudo. Se manter distante com um cânion entre elfos e o resto dos povos.

Loki se ajoelhou no córrego sobre as pedras molhadas e começou a limpar as mãos injuriadas mergulhando a pele na água cristalina. Levou um pouco de ao rosto banhando a face. Parecia apenas um viajante.

Puxou a adaga do bolso e antes que pensasse em tentar cravar a lâmina no leito do rio afim de tirar uma pedra o vento foi cortado e o zunido de metal passou por sua orelha. O asgardiano segurou a flecha antes que a mesma passasse reto por si e analisou bem. Olhou rastreando de onde o objeto tinha vindo procurando notar algo ou alguém ali; Via apenas o verde e amontoados de folhagem, sabia apenas de que direção o objeto viera. Thranduil se encolheu encostando na pedra coberta de musgo atrás de si traçando com astúcia uma rota de saída, calculando um caminho menos barulhento. Julgava estar conseguindo até sentir a manga de sua roupa ser presa e em uma fenda na pedra onde a ponta da flecha achou abrigo.

Ouvia os passos apressados até seu esconderijo. Seu coração batia na garganta e suas veias inflavam para nova corrente de sangue quente. Levou a mão vazia até a haste da arma e puxou tentando quebrar. A flecha não cedia de seu lugar. Outra chegou e prendeu sua calça ao chão. Quem era tão exímio atirador assim em toda terra média? Quem podia superar as habilidades de um elfo? Engoliu em seco e tentou novamente escapar debatendo o corpo como um peixe foda d'água. Ouviu e viu as folhagem que lhe davam abrigo sendo dissipadas e se encolheu como um animal acuado diante do inimigo. Sentiu a mão fria em seu rosto — especificamente em seu queixo — e ergueu o rosto com pompa empinando o nariz aquilino e arrebitado. Não se humilharia. Não pediria misericórdia;

— Me mate! — disse em sua língua mãe.

Loki por sua vez estava estasiado. Era um amante nato da beleza. Ele amava o belo. Não era atoa que colecionava damas em sua cama já tão novo; O travesso não detinha suas paixões fervorosas pela beleza. Minuto amava uma, e noutro amava outra. Se interpelado o por que de ser inconstante logo respondia: " Seria injusto amar uma beleza e desprezar a outra. Veja, devo ser justo à todas. " O elfo era, sem uma mísera sombra de dúvida, o ser mais belo que já contemplou. Julgava tal composé impossível em um ser vivente. Aquela pele mimosa de alva luz, cabelos loiros que chegavam a platinar e escorridos pelos ombros. Os olhos desafiadores e a boca vermelha quase branca pela força que seu dono apertava os lábios mostrando sua dignidade. Tudo era belo de mais. Tudo que perfeito de mais.

— Kaunis enkili.... an enkili — falou consigo mesmo. Era linguagem de seu povo. A antiga linguagem das runas.

Thranduil franziu o cenho e olhou o estrangeiro com curiosidade. Que idioma era aquele? Nunca havia ouvido um igual na terra média. Nem mesmo na andança de seu povo.

A verdade é que Loki o chamara de anjo. Anjo e belo anjo.

— Quem és? — Thranduil indagou franzindo o cenho fitando o moreno de cima a baixo devorando os detalhes que podia deduzir pelas roupas.

— Loki. Loki filho de Odin. — se apresentou puxando sem qualquer dificuldade as flechas — Um asgardiano.

Thranduil puxou mais uma flecha e a pondo no arco mirou a testa do homem.

— Me dê um motivo para acreditar em você.... Ou até mesmo não matá-lo agora, Loki filho de Odin? Invadiu as terras do meu reino... — rosnou firme.

— Minha completa ignorância em notar que esta bela floresta é na realidade um reino é uma prova contundente que não sei a onde estou. Vim conhecê-la. Lhe mostro o lugar onde caí.

— Caiu? — o loiro fez uma cara de desentendido. Daria a chance do outro mentir, se o fizesse o mataria. Isso seria uma prova de índole.

— Sim. Caí. Do céu. Quer ver o lugar? — retorquiu.

— Não há necessidade. — replicou o elfo abaixando o arco — Saia de minhas terras.

— Veja, vim em busca de algo e não posso apenas desistir. — reafirmou — Vamos barganhar?

— Não há barganha que faça que me convença a permitir sua entrada em Mirk.

— Vamos! Qual seu nome? — indagou o moreno — Eu lhe disse o meu....
Thranduil o avaliou bem, apertando os olhos entre as pálpebras, aquele era um alguém perigoso. Sabia induzir um terceiro a sua vontade.

— Meu nome é Thranduil. E é apenas isso que deve saber. — sibilou seco.

— Thranduil, deve haver algo que queira. E eu posso trocar com você. — tentou Loki.

— Nada que possa me oferecer pode mudar minha ideia. Tem meu dito! Saia! — ordenou novamente.

— Gosta de arco e flechas? — Loki indagou puxando um flecha de sua aljava — E se eu te der o mais poderoso de todos?

— E por que me daria somente para andar por Mirk? — deu um sorrisinho vencedor. Loki não teria argumentos contra. Como alguém poderia querer dar arma poderosa em troca de um simples passeio?

— Por que pode ser meu guia. O que não quiser que eu não veja, não verei. Me guie pelos caminhos da superfície e já estará bom. — sorriu mostrando a fileira perfeita de dentes leitosos — E minha casa é impregnada de armamentos como este.

— Como.... este? — Thranduil abaixou o arco e a guarda

— Aqui — Loki deu uma flecha e uma adaga. Tinham a mesma forja. Musphenheim.

— Poderia conseguir.... armaduras e espadas? — o exército de elfos seria três vezes mais poderoso com armas como aquelas.

— Sim. Toda sorte de armas. — riu o moreno. Já tinha conseguido seu intento.

— Só verá o que te mostrar e nada a mais! — ordenou e Loki prestou reverência.

— Nem mesmo uma folha a mais.

— De onde vem? — indagou Thranduil devolvendo as armas e subindo na pedra mantendo distância segura do outro.

— Já o disse. Asgard. — replicou Loki olhando para cima fitando o elfo.

— E o que é Asgard? Onde fica? — indagou curioso — Perto do condado?

— Condado? Não conheço nada neste mundo.

— Neste mundo? — o príncipe elfo deteve os passos e se abaixou tocando a pedra fitando de perto do moreno. — Como assim neste mundo?

Thranduil tinha mais história e misticismo sobre a raça vivente na terra média, em especial a sua própria raça, do que podiam cantar humanos a beira de uma fogueira, se Loki falava de tal e tinha caído do céu e estava ali com poucos ferimentos, humano e normal é que não era.

— Sim, outro mundo. — Loki sorriu pegando um graveto e limpando o solo com o pé calçado começando a desenhar para melhor entendimento do outro — Existe a grande e poderosa Yggdrásil. Nela se situam 9 reinos. Mannheim, Godheim, Vanaheim, Helheim, Svartalfheim, Ljusalfheim, Jotunheim, Niflheim e Muspelheim. Onde as armas são forjadas. Meu mundo fica em Godheim. No coração de Yggdrásil. — apontou o mesmo — E a julgar por você estou em Lujsalfheim. Mundo dos elfos da luz.

— Não sou um elfo de luz. Sou um elfo do crepúsculo. — corrigiu o loiro.

— Com certeza não porta luz, mas é condutor dela. Não tem noção do terror, medo e ira que um elfo de Svartalfheim carrega nos olhos. Sem falar a pele escamosa de cor escura, um roxo desbotado. Cabelos alvos e olhos completamente negros. Orelhas bem maior e pontudas como chifres.

— Fala como se fossem criaturas terríveis. — disse se erguendo — Não teria medo de lutar contra elas.

— É tão prepotente quanto meu irmão, Thor.

— Não sei se tomo como elogio ou como ofensa.... — o elfo logo arrebitou bico

— Tome por elogio. Thor é o melhor de todos os guerreiros que conheço. — sorriu cálido. Thor era péssimo com espadas, chato, prepotente e incrivelmente mimado. Não iria dizer isso a Thranduil, não queria perder a boa barganha.

— Bem, não há muito do que vou poder te mostrar em Mirk — o loiro mudou de assunto.

— E fora de Mirk? — inquiriu o mágico achando estranho como esse nome soava em sua voz.

— Lá fora?

— Sim.

— Meu pai jamais permitiria a mim botar o nariz que seja fora de Mirk. A trégua entre os povos é delicada. — explicou por alto, não que o rapaz merecesse tal.

— Faz tudo que seu pai manda? — para um teimoso, malcriado e amante das traquinagens incitar outro a seguir seu caminho era quase uma arte sublime.

— Sim, sempre. Ele é rei e meu pai. Motivo duplo! — falou convicto enquanto seguia em passos lentos pela terra molhada e coberta de folhas mortas secas. Fazia um bom tempo que não chovia por ali.

— Ah! — Loki riu — Parece minha mãe falando! — murmurou — Podemos para um pouco?

— Já cansou de andar? — o elfo se gabou.

— Não, mas devo fazer anotações.

— Anotações? — sibilou como se isso fizesse surgir uma definição para a palavra estranha em sua mente. Olhou atento Loki puxar o caderno e a pena.

— Droga! Não tenho tinta! — praguejou — Esqueci que ainda a faria. Estava para pegar uma pedra quando quase me acertou uma flecha!
Thranduil sorriu minimamente e voltou a olhar fixamente o livro com curiosidade.

— Isso é uma anotação? — replicou olhando a capa do livro sentando ao lado do moreno quase pulando para seu colo.

Loki não conseguiu evitar de sorrir. Ele era um gato curioso? Agia exatamente como um. Ficava atento, quase pulando no colo do dono e as mãos delicadas tocando a capa do objeto.

— Este é o livro que aguarda — Loki sorriu e deu o livro na mão de Thranduil.

O loiro puxou o mesmo para si e começou a folhear devorando as linhas com os olhos atentos correndo de um lado para o outro. Franzia o cenho e mordia o lábio inferior enquanto procurava algo naquelas palavras. Um sentido que fosse. Se prendeu a desenhos delineando os mesmos com a ponta dos dedos.

— Onde são esses lugares? — indagou curioso.

Loki acordou de seu transe admirativo balançando a cabeça. Nunca havia encarado tanto tempo algo — salvo quando analisava — com aquele sentimento queimando por dentro. Uma admiração carinhosa. Fervorosamente carinhosa. Pigarreou e desviou as esmeraldas das safiras famintas.

— São... Bem... — pigarreou novamente estufando o peito com certo orgulho — São lugares que descobri com o tempo e explorações.

— Mirk vai entrar?

— Sim, ao menos o que me permitir ver dela.

Thranduil voltou a ficar ereto e olhou Loki com a mesma desconfiança de outrora.

— E para quê mapeia tantas coisas e tantos mundos? É um conquistador de mundos? Devorador de nações? — perguntou sério.

Loki não ambicionava trono ou poder para controlar nada nesta época. Sua revolta contra Asgard ainda estava adormecida dentro do meio jotun. Foi com sinceridade que respondeu:

— Por pura curiosidade. Sabe... Desejo expandir meu horizonte. Minha nação é forte e guerreira. Há, até mesmo, quem nos julgue deuses! Porém, tudo que vejo é uma ilha pequena flutuando em um universo sem fim. Eu quero mais, pode me entender? — voltou seu olhar para o sindar que sorriu abaixando o rosto.

— Meu povo migrou para estas terras com esse sentimento latente. Essa vontade de desbravar. Lutamos por esse lugar. — começou — Uma jornada mais antiga que meu nascimento.

Loki ia quebrar o silêncio com algumas interjeições de curiosidade, contudo a mãe natureza tinha outros planos. Um chiado baixinho começou a soar e gotas de chuva mansa começaram a fazer as folhas farfalharem. Thranduil fechou o caderno e pegou a mão do asgardiano puxando o mesmo consigo. Não passaram uns minutos correndo até o loiro chegar a uma enorme e frondosa árvore em uma clareira. O carvalho tinha seu tronco oco perto das raízes. Lá descansavam manto e algumas flechas a mais. Ali o príncipe Teleri se escondia e foi para lá que levou Loki.

— Obrigado. — o deus agradeceu movimentando a mão no ar fazendo uma vala fina e funda ao redor da árvore para que a água não escorresse para dentro e os molhasse.

Achou que Thranduil não tinha notado, no entanto o loirinho estava atento a tudo. Ainda não estava completamente confiante no moreno.

— É um mago? — foi direto em sua pergunta enquanto voltava a investigar o livro de Loki.

— Eu? Algo como.... — murmurou — Só eu e minha mãe temos esse dom onde moro. Não só nós, todos tem um, porém o nosso é mais abrangente... sabe... Meu irmão controla os raios. É senhor deles.... Precisa do martelo para canalizar esse controle eu só preciso.. das mãos.

Thranduil franziu o cenho e voltou a olhar curioso das páginas. Loki guardou o silêncio. Olhava bem a parte interna da árvore curioso sobre tudo. Qualquer coisa era uma nova descoberta. Com o estudo visual da área o tempo em completo mudismo pareceu ser rápido e não massante como o comum entre dois estranhos que, de modo piegas, terminam presos juntos em um lugar pequeno para se abrigar de uma tempestade. Não passou nem perto de ser desconfortável. O elfo e o asgardiano tinham muito em comum. Viviam em seus mundos diferentes e o silêncio era o maior e mais rápido meio de comunicação. Nenhum forçava o outro a nada e assim os pensamentos e o momento fluíam; Nada de pressão chata de ter que falar algo e quebrar a paz. Eles sabiam o peso e o valor das palavras, era parte de seu dever como príncipes. Saber quando calar.

— Sabe. — Thranduil murmurou — Pode me ensinar a... sabe.... ensinar mais coisas....como ler isso aqui... — murmurou mostrando o livro.

— Por que não pede que ele mostre pra você?

— Pedir que ele mostre a mim? — indagou franzindo a testa.

— Nem eu entendo o que está escrito agora. Ele é criptografado. Só sussurrar um feitiço e ele se mostra.

— Mesmo se mostrar, não vou compreender.... — rebateu o loiro.

— Sim, vai! Ele não vai mudar nada, o entendimento de seus olhos sim. Vamos diga: Paljasta salaisuutesi.

O elfo contorceu o belo rosto em uma careta desconfiada e olhou o moreno com incredulidade. Loki apontou com o queixo para o livro projetando de leve a base do rosto para frente como se dissesse "Vamos, tente."

— Paljasta salaisuutesi! — repetiu o loiro sem muita vontade e ficou encarando o livro por brever minutos até suspirar — Perda de tempo.

Odinson pousou a mão no chão e projetou a parte superior do corpo usando o braço como apoio. Colou os lábios macios na orelha pontuda e murmurou.

— O segredo de um mago esta em sussurrar o feitiço. Deve apenas pensar e ordenar de forma soberana. Pense no que deseja e ordene. Sussurre com sutileza, porém certeza do seu querer.

Thranduil ficou paralisado. Fechou os olhos para se deleitar com a voz aveludada e o perfume diferente. Uma fragrância de mundo distante. Focou a visão e fez o ordenado. Loki voltou a posição anterior e notou a felicidade iluminar o rosto de marfim. Aquela felicidade boba quando conseguimos algo que queríamos.

O asgardiano procurou manter na mente detalhes e escrever todos no papel mais tarde. Estava atento a vegetação e clima do temperado do local até ouvir a voz do elfo.

— Não sei se poderei vir todos os dias. Tenho deveres como príncipe. — afirmou dando ao moreno seu livro.

— Então em dias que ninguém precisa de nós? Nos dias frios de chuva? — o moreno logo deu solução. Não queria perder contato. Não sabia motivo, porém a mente trabalhou de forma negativa sobre essa roptura.

— E o que iria explorar nesses dias?

— É feito de açúcar? — rebateu.

— Não. Não sou... — sibilou o Teleri.

— Então de acordo? — sorriu e estendeu a mão.

Ficou com ela estendida por algum tempo até que outra tomou em um aperto.

Faziam de tudo juntos. Cavalgavam pela terra média de ponta a outra, exploravam cavernas, espiavam povos. Mergulhavam em rios fundos, se jogavam de cachoeiras. A chuva era sua guarda e escudo. Para os pais estavam confinados em seus quartos em momentos tediosos onde eram privados de momentos com seus preciosos afazeres. Para Orpher o filho estava entediado sem as aulas de luta e arco e flecha, para Odin Loki estava amargando mais o castigo — afinal em Asgard nunca chovia, anoitecia ou amanhecia. Tinha sempre aquela cara. Aquele tempo misturando nebulosas, sois de outros mundos e uma única lua gigantesca ao oeste.

Descobriram lugares e histórias. Participaram de tudo juntos. Thranduil quebrava tantas regras de seu povo que, em dado momento, apenas deixou de se importar. Tinha sua identidade guardada por uma capa longa e negra. Loki nem mesmo parecia se importar com qualquer regra de seu povo; Segundo ele mesmo em uma das conversas que eles tem quando acham uma caverna de abrigo contra as chuvas mais densas, estar ali já é uma quebra séria de uma regra fundamental de seu povo.

Chegaram a enorme falha criada em uma das primeiras brigas entre elfos, a que mudou o formato geográfico de toda terra média e deformou Sauron. Subiram no enorme penhasco juntos e ao chegar ao topo, sentiram o ventos e os pingos gelados de chuva com um belo por do sol. O astro rei era apenas uma bola de fogo no horizonte do mar. Seu brilho entre as nuvens de chuva iluminavam a beleza do elfo; Em movimento discreto Loki roçou a parte externa da mão na armadura fria que estava na protegendo a mão de apoio do mesmo. Entrelaçou os dedos e por fim estavam de mãos dadas.

— Este lugar tem nome? — indagou o moreno. Já faziam 50 primaveras que se viam regularmente. Não tinham mudado nada.

— Um dia teve.... Agora... não. — suspirou e se virou para o asgardiano exibindo os belos olhos azuis brilhantes.

Thranduil respirou fundo e olhou as mãos juntas. Dava um calor tão bom ter a pele com a do outro. Era uma coisa que nunca experimentara. O pai mal o olhava, a mãe... Bem... A mãe já não estava entre eles a eras. Um toque. Um afago. Um sinônimo de carinho tinha derretido algo por dentro. Se sentia desprovido de defesas. Suas muralhas eram de papel.

Seu coração pulou batidas quando a mão direita do outro tocou seu queixo e ergueu afim de firmar contato. Loki se aproximou na surdina e agora estavam quase colados. A chuva já tinha parado a uns minutos e só o calor do por do sol os banhava. Corpos molhados e a aproximação íntima. O elfo fechou os olhos, no entanto o beijo não veio. Sentiu o colar de lábios em sua testa e a respiração de Loki bagunçando seus cabelos.

— Dandelion. — falou o traquina por final. — Nome deste lugar, agora nosso por descoberta, será Dandelion.

— Dandelion? — franziu a testa e fitou o rapaz.

— Sim. — Loki abriu a mão antes estava no queixo do rapaz e exibiu um matinho qualquer.

Em um passe de pura magia o mato alongou sua haste verde e se arredondou na ponta, exatamente como broto.

— Chame pelo nome. — o asgardiano pediu.

— D-Dandelion.... — Thranduil vocalizou e a planta abriu a bela e redonda. Uma flor composta de várias outras em cor de branco alvo.

O jotun levou a planta aos lábios de Thranduil e voltou a sussurrar, fazendo de tudo aquilo um segredo.

— Faça um pedido e sopre....

O Teleri fechou os olhos e relaxou a expressão facial. Fez o pedido mentalmente e soprou. A redoma branca se desfez e no ar as flores se multiplicaram e rodearam o elfo. Enfim o outro fechou os olhos verdes e tomou os lábios imaculados do loiro nos seus já profanos e o beijou.

Durou muito tempo e nenhum sentia necessidade do ar; Necessidade de apartar o ósculo. Era tão bom e natural. A pele do sindar se arrepiou quando sentiu a mão quente tomar sua nuca e outra tomar sua cintura. Era hora de acontecer no fim das contas. Era hora que Thranduil secretamente queria que acontecesse. A hora exata e Loki soube deixar tudo misterioso e mágico como sempre.

Depois disso não havia um único dia que, antes de dormir e antes de acordar, Thranduil não desejasse com todo fervor de seu coração que chovesse.

Nem tudo pode ser prefeito para todo sempre; Um pequeno percalço no caminho destruiu por completo Loki. Tudo que ele acreditou por uma vida completa não passara de uma mentira deslavada de seu 'pai'.

— Então... Eu não sou nada além de uma relíquia roubada, trancado aqui até você ter algum uso para mim? — Loki gritou sentindo as lágrimas correrem livres pelo rosto. Tudo passava por sua mente. Medo, insegurança, incerteza, insanidade. — ME DIGA!

— Um dia eu esperava unir nossos povos de forma pacífica através de você. — Odin admitiu com certa tristeza.

— O que? — a voz nem mesmo saiu, estava embargada com choro e todo ódio que não conseguia sentir pelo pai. Queria odiar ainda mais o pai de todos, no entanto tudo que aconteceu foi sua cabeça dar um branco e toda sua raiva falar mais alto.

Quando deu por si Odin estava caído na escada desmaiado e ele o fitava. Tentou tocar o pai com medo de ter machucado o mesmo ou causado sua morte, no entanto sua repulsa pelo mentiroso foi maior e tudo que fez fora chamar os guardas.

Não saiu do lado da cama de repouso de Odin e, ao seu lado, sua mãe. Frigga acariciava a mão de Odin. Agia como se nada tivesse ocorrido. Loki sentia até mesmo nojo de tal situação. Se ergueu e foi sair do quarto quando um guarda o interpelou. O homem se ajoelhou e ofereceu ao moreno o cetro do poder. A arma de Odin.

Loki olhou a mãe espantado, no entanto a loira prestava breve reverência.

— É nosso rei até que seu pai acorde, Loki.

Thranduil fitava da janela do quarto a chuva cair mansa. Era estranho. Já faziam quatro dias de chuva e nunca mais tinha visto do moreno. Ele nunca faltava. Não que isso fosse de valia agora. Não era. Nunca seria.
Seu pai estava em um batalha contra Sauron e o loiro estava trancafiado em 'segurança'. Não importa quanto desejasse empunhar sua arma seu pai insistiu que não deveria. Era príncipe, não guerreiro. O restante do povo elfo que ainda não havia sido morto necessitava ter fé em algo e este algo era na imagem de Thranduil. Ele carregava nas costas peso de famílias inteiras. Peso de todo um reino massacrado. Peso de toda a esperança que ele mesmo queria acreditar não ser vã.

— Senhor... — um soldado enfim abriu a porta e logo se prostrou em respeito. — Seu pai...

O loiro não necessitou ouvir nada a mais. Aquela expressão não trazia boas notícias. Saiu correndo pelos corredores da fortaleza e desceu até as portas de saída. Continuou correndo pelo caminho conhecido e chegou a entrada de Mirk. Mordeu o lábio inferior e sentiu o corpo fraquejar quando a coroa ensanguentada foi traga a si e posta em sua cabeça; Um exército massacrado esperava agora uma ordem de um rei prematuro.

O silêncio era esmagador e a tristeza parecia não ser real, ainda que a coroa repousasse em sua cabeça e sentisse gotas se sangue sujando seu rosto. Um a um os sobreviventes foram se prostando ante ao novo rei. O elfo estava abraçado a uma das árvores que compunham a entrada, roçando seu pulso na casca da mesma contendo as emoções ao máximo que podia.

Ah! O porto seguro vinha no horizonte junto ao fim da chuva. Ele via Loki se aproximar. As roupas eram novas, o elmo de chifres também. A lança pomposa na mão era outro artigo que Thranduil não reconhecia, porém, se Loki estava ali ele estava seguro. Podia até mesmo pedir ajuda! Loki o salvaria. Sairiam juntos dessa. Sempre juntos. Ele agora confiava em alguém e este alguém o devolvia confiança. não era? Um sentimento sentimento de felicidade acima da dor. Aquele sentimento que aquecia seu corpo mesmo molhado pelas explorações na chuva. Amor? Tinha lido sobre no livro de Loki.

Saiu correndo cortando o exercito como um raio dourado com os cabelos platinados esvoaçantes, todavia ainda a metros Loki negou. O corpo do elfo se deteve e, em um simples olhar frio e morto, o asgardiano terminou sua pequena caminhada e aproximou o corpo do loiro.

— O peso do trono de meu povo recaiu sobre mim. — começou o moreno de forma fria. Não parecia ser ele. Não aquele que Thranduil conhecia.

— Me ajude. Ajude meu povo... — o elfo praticamente rogou tomando a mão de Loki — Loki.... Por favor.... Por favor.... — insistiu e quando tocou o rosto do 'amigo' a imagem de Loki se desfez. Era um truque bem conhecido por Thranduil. Nem mesmo ali o feiticeiro estava.

Burro! Burro! Burro! Burro! Como você é burro, Thranduil! Pensou consigo mesmo enquanto abaixava o rosto e chorava. Tinha ódio de si. Como foi burro! Seu pai era sábio! Muito! Previu coisas como essas! Elfos não tem aliança ou esperam qualquer coisa que qualquer outra raça.

Abraçou seu próprio corpo e caiu de joelhos na grama lamacenta. Soluçava alto e enfim teve medo de brandir uma espada ante a um exercito fantasma e cruel do senhor das trevas.

— Senhor.... — chamou o general.

Os olhos azuis corriam de um lado para o outro enquanto s mãos tremulas tateavam o chão. Estava a beira de um colapso. Foi quando algo chamado 'humanidade' se rompeu dentro de si. Algo que separa a consciência e os escrúpulos do animal que existe dentro do ser de cada um. Se pode dizer que aí o verdadeiro rei Thranduil da floresta negra nasceu. Foi quando se colocou de pé e contorceu a bela face em uma careta de ódio líquido e certo.

Se virou e fitou todo exército de elfos. Todos machucados e judiados pelo combate. Foram dizimados. Tinha certeza disso, no entanto haviam outros sofrendo. Humanos e anões estavam cansados. Cansados de mais para simplesmete dar as costas. A luta tinha se estendido a eles também.

Era hora de erguer a cabeça, ostentar a coroa de sangue e tomar seu lugar como rei.

— Meu pai morreu por nós! Não vamos nos esconder por trás dessas árvores e ver essa terra ser envenenada e morrer com ele! — gritou em plenos pulmões. As nuvens se abriram criando um feixe de luz que iluminavam não só as montanhas nebulosas no horizonte como salpicavam seu brilho por toda a charneca. Outros exércitos que caminhavam pelas colinas até Mirk para oferecer aliança ; Iluminaram também Thranduil e isso incendiou o coração do povo da floresta. Era um sinal divino que aquele os guiaria a glória — Eu não quero morrer, não quero guiar vocês ao abismo, mas eu vou erguer minha espada. Vou fazer ele ouvir o tinir de nossas armas e mostrar que somos capazes de mais! Vou lutar hoje e todos os dias que vierem.... Quem virá comigo? Quem será meu aliado?

O brado retumbante soou e não somente do exército elfo, como também de outros dois que se encontravam reunidos e mesclados. Thranduil se virou com a espada em mão e fitou o rei dos anões e o representante nos homens. Ambos prestaram breve reverência de cima de seus cavalos e sorriram. Não havia bajulação nem uma aliança fraca, haviam homens querendo luta justa.

E nisto Thranduil acreditava. Sim, apenas nisto. Não acreditaria NUNCA MAIS em boas intenções, mas seria firme em acreditar em alianças pautadas no mesmo desejo: Vingança.

O dia estava claro com céu de brigadeiro. Nuvens estavam espalhadas e salpicadas pelo fundo azul. Era um tempo agradável.

Thranduil se encontrava sentado em um trono com roupas de gala. Todos de seu povo estavam ali. Todos prestigiando sua coroação. A floresta estava enfeitada com flores brancas, panos de seda fina e uma mesa para banquete. Ouvia o rio serpentear a mata virgem que os cercava.

Fechou os olhos assim que sentiu um 'ancião' por enfim a coroa em sua cabeça; Pegou o cetro de madeira e se pois de pé. Ouviam a distância os brados de júbilo. O povo tinha um novo rei! O povo tinha em quem confiar e Mirkwood estava firme sobre a rocha Teleri novamente. O peito estufado do loiro, olhos altivos e face de mármore; A guerra tinha forjado bem o novo rei.

Pegou o copo e ergueu. Ia levar a boca e paralisou. Uma pequena flor branca como uma pluma tinha pousado sobre seu líquido. O vento leste passou de forma eficiente acariciando a silhueta do rei, um vento vindo do mar e junto a ele várias e várias flores que compunham um Dandelion. Era como se o saudassem e as lembranças que invadiram a mente do loiro a fizeram rodar. Não queria se lembrar daquilo agora. Devia focar!

Devia trabalhar em sua armadura contra outros. Devia ser imparável, inquebrável. Carregava vidas sobre os ombros e isso já tinha provado ser julgo pesado.

— Ele é a vida. — começou um ancião cego que estava sentado na mesa de banquete. Era um dos conselheiros do rei. — Enquanto nosso rei viver, estaremos todos bem!

Outra salva de palmas e gritos de jubilo, porém Thranduil não se sentia em casa, muito menos acolhido. Estava frio por dentro.

Loki descansava na cela transparente que havia sido trancado em Midgard. Estava concentrado e ver os frutos de seu plano, porém outras memorias rodavam sua mente obscurecida pela sede de soberania. Outros ventos sopravam pelos campos de sua imaginação corrompida pela fome de poder. E estes ventos delineavam o rosto daquele elfo.

Sentia tanto o que tinha feito. Não negaria o prazer de ver os olhos azuis brilhando ao ver sua presença ali, contudo a dor e o ódio machucavam as memórias e maculavam algo tão puro.

Primeiro os olhos de Thranduil brilharam de excitação. Como se visse uma saída em Loki. Uma solução miraculosa para alguma coisa. Logo após, quando o asgardiano deu passos para trás o corpo do elfo estagnou e em seus olhos a ansiedade se transformava em dúvida e, para o grande final, se transformaram em ódio líquido e puro.

Abaixou a cabeça.

Aquilo ia mais fundo em algo dentro de si. Aquilo fazia seu coração sangrar.

Abriu a mão e contemplou o Dandelaion.

Thranduil se encontrava no meio da chuva em um campo de crisântemos brancos. Misturados a eles Dandelions que desfaziam com os gotas de chuva.

Tinha as roupas negras de luto pelo respeito que sentia a sua finada esposa e mãe de eu filho, no entanto, lá estava ele na chuva fria sozinho com uma pequena fagulha de expectativa de ver aquele homem cair dos céus uma vez mais.

Ele ainda devia ao loiro uma explicação. Uma muito boa. Uma que pudesse justificar aquela ferida que não fechava no peito do elfo. Aquela que sangrava a cada temporada de chuva.

Devia vir e dizer o motivo, a razão, o por quê de ter o deixado ali sozinho para se lamentar. O motivo de Thranduil querer perdoar e esquecer todo aquele sofrimento.

Ergueu o rosto e deixou a chuva fina descer por seu rosto e cabelos molhando ainda mais as roupas de rei. Talvez ela pudesse purificar seu ser.

Na porta estava Legolas olhando o pai curioso. Já tinha tentado falar com o mesmo enquanto ele ficava ali parado meio a chuva, contudo os empregados o repreenderam com eficácia. Seu pai não podia ser interrompido.

Loki jogava o pequeno tinteiro para cima e o pegava antes que caísse sobre seu rosto. Seu plano contra a terra tinha dado errado. Seu pai o odiava, seu irmão o olhava com dó e sua mãe não tinha coragem de chegar perto de si — sua vida tinha se tornado um bando de desventuras em série.

Devia estar pensando em algo mais útil. Uma maneira de sair dali e exercer vingança. Uma maneira de dar as costas aquele lugar. Ser um conquistador de mundos...

— Você é um conquistador de mundos?

A voz de Thranduil invadiu seus pensamentos e seus reflexos falaram e o tinteiro caiu sobre seu rosto. Praguejou de dor e se sentou.

Por que sempre aquele elfo? Por que ele sempre voltava em seus pensamentos rondando e sitiando seu ser como um sonho ruim que fica impregnado em sua mente e volta de vez em vez para lhe assombrar. O beijo, o sorriso inocente.

— Argh! — Loki gritou e fechou as mãos em punho, abrindo os braços quebrando toda mobilha de sua cela gritando alto. — Maldito elfo!

Doía tanto ficar sem ele.

— Senhor.... — um dos guardas entrou. Thranduil não se importou em olhar as feições do lacaio com atenção, nunca fora de dar atenção ao populacho. O rapaz deu nas mãos do rei uma carta.

Thranduil fito o papel com altivez. O guarda se retirou e o rei se recolheu em seu trono. Analisou o papel e por fim pensou em jogar o mesmo fora. Não tinha tanta curiosidade armazenada em si, contudo um pequeno nome antes não notado saltou diante de seus olhos.

Loki.

Pensou seriamente em jogar o papel fora ou apenas queimar até reduzir as cinzas. Os dedos ágeis como antenas de inseto vasculharam todo o envelopamento até que, enfim, abriu a carta. Pigarreou e ajeitou o corpo no trono começando a ler as linhas escritas, Não entendia nada. Era aquela linguagem estranha, runa? Como Loki esperava que ele a lê-se?

O feitiço.

Repetiu as palavras como um breve sussurro deixando a mão descansar sobre a carta. Abriu os olhos e voltou a fitar o papel. A tinta se reorganizava de forma veloz dando aos rabiscos sentido e vida.

Nestes estavam:

Caro rei,

Espero que leia antes de queimar, afinal nestas linhas se encontram todo meu segredo, ser e essência. Espero que explicada minhas motivações minhas causas ganhem algum apreço seu e minhas atitudes despertem um pouco de sua antiga simpatia. Não pelo novo eu, porém para com aquele menino que desbravava toda uma terra cavalgando ao teu lado.

Não tenho salvação, muito menos tempo hábil para tentar me salvar. Ainda não estou prestes a morrer, contudo meus dias ainda são contados pelo grande relógio do Ragnarok. Como um rio que flui para o mar as lendas contadas sobre mim e minhas façanhas desaguam no meu final eminente onde no fio de uma lâmina envenenada minha vida encontrá seu final.

É com pesar que admito minhas faltas com você; Não estava sobre qualquer feitiço quando lhe dei as costas, nenhum salvo o feitiço da vingança; O fantasma da insanidade e a fome pelo poder. Mais cedo naquele dia descobri que não era um príncipe, mas um monstro. Meu direito por nascimento não era o trono, mas sim a morte. Descobri que minha vida era uma mentira deslavada e que minha existência só se perpetuava para fins políticos.

Tramei a morte de uma raça inteira, tentei dominar a força um dos 9 reinos, dissimulei e menti. Virei um conquistador de mundos como bem disse assim que nos encontramos. O mal habita em meus pensamentos e corre por minhas veias de forma tal qual um veneno pernicioso. Não pude vê-lo. Não tive coragem e sei em meu bom senso que recusaria uma visita minha.

Não te escrevo de longe, na verdade até mesmo vou te entregar esta carta pessoalmente na forma de um fiel soldado. Tenho que ver sua beleza e ouvir teu timbre, é exatamente por isso que regressei. Não ficarei muito neste lugar chamado terra-média.

Ah! Aprovo o canteiro de Dandelions. Estão belos e fortes. Exatamente como pensei em descrever sua alma e vontade.

Enfim, adeus. Esse para sempre. Eis que parto meu rei. Deixo sobre sua cama meu livro de explorações e a joia rara da sala de Odin. Guardará por mim? É de importância sumária que a tenha sempre consigo. Não o estou usando como estratégia, somente digo que aquela joia pertenceu a um alguém que amei tanto quanto eu..........

Não consigo ao menos nomear meus sentimentos de apreço por você e seu caráter.

Tomei muito de seu tempo.

Adeus.

Loki "

Thranduil largou tudo sobre o trono e livrando seu corpo do chale de suas vestimentas reais gritou que cada porta e saía de Mirk deveria ser vedada. Nenhum passarinho que fosse sairia ou entraria. Correu sem dar mais explicações, passou como vento por Legolas deixando o príncipe confuso. Onde estaria aquele guarda? Aquele que entregou a carta.

O sindar se quer tinha notado o rosto ou os traços. Oh! Droga.

Correu aos campos de crisântemo e Dandelions. Parado no meio do campo estava um guarda, mas mãos do mesmo um dandelion em chamas.

— Você.... — Thranduil começou.

As roupas do guarda se modificaram e os cabelos ganharam aquele tom negro. Os olhos verdes agora eram cruéis e o rosto de Loki tinha toques sombrios e doentios. Thranduil fitou intensamente o mesmo.

— Você voltou..... — murmurou ofegante

— Tinha que vê-lo. — replicou Loki se aproximando.

Pela primeira vez em anos o rei não tinha defesas e o jotun estava completamente vulnerável. Estavam reunidos uma vez mais.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Assinalando: Música inspiradora: https://www.youtube.com/watch?v=bNDv7kjF8VY
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!