Once Upon A Dream
1 One
Notas iniciais
Uma vez eu sonhei com você. Era pequena, cabia em meus braços. Era bela, minha Bela. Você apareceu para mim vestida como uma princesa — como as dos contos de fada, que sempre fui apaixonada. Uma música tocava, não sei de onde ela vinha, mas era linda, era mágica, era a música da nossa fantasia.
Em meio ao nevoeiro eu a avistei longe de mim, me chamava. Queria que eu a seguisse e assim fiz, como Alice fez com o coelho branco. Para onde me levará?
Eu estava descalça, tecidos brancos me cobriam. Andava com certa dificuldade no meio daquela floresta sombria, porém eu não desistiria, iria seguir você.
A encontrei parada em frente a algo que não pude reconhecer a princípio. Conforme me aproximava conseguia compreender o que era. Era você, deitada sobre uma cama de flores. Você não parece ser a Branca de Neve. Olhei para você e notei as lágrimas escorrendo de seus lindos olhos, você desviou seus olhos dos meus e encarou o corpo à nossa frente. E como mágica você desapareceu, me deixou no meio daquele nevoeiro.
O que você quer que eu faça? Olhei seu corpo e toquei seu rosto pálido, estava gelado. É isso? Você quer que eu a beije? Eu não posso, perdoe-me, mas não sou o Príncipe Encantado, espero que ele lhe encontre.
A deixei ali, como havia encontrado, e segui meu caminho por entre as árvores. Minhas vestes não eram mais brancas e sim negras, como a escuridão ao meu redor, como os seus olhos. Onde você se meteu? Preciso de você para me guiar nesse lugar, sua luz me ajudava à enxergar.
Ouço um barulho atrás de mim e me viro rapidamente para ver o que era. No entanto não encontro nada. Ouço novamente, dessa vez passos, eles se aproximam. Cada vez mais perto, cada vez mais perto. Sem querer, o medo toma conta de mim. É você, sim! Está perto de uma das árvores. Você chora, não de tristeza, mas sim de raiva. O que lhe fiz?
Você caminha em minha direção, a fúria está em seus olhos. Por favor, me perdoe, por favor. Sabes que não posso te trazer à vida, pois também estou morta. Minha vida se foi quando você me deixou.
Suas vestes negras caem sobre seus ombros, revelando seu corpo nu, como se a libertassem. Tão bela, minha Bela.
Convido-a para uma dança. Um coral canta para nós, a música da nossa fantasia. De um lado para o outro, devagar, com graciosidade. No auge de nossa dança eu me ajoelho aos seus pés, uma forma de expressar o quanto a adoro e a glorifico. Seus olhos se fecham e ergue a cabeça para o céu. Sorrindo, agradecendo.
Me levanto e você me pega pela mão. Chegou a hora? Nosso "felizes para sempre" está próximo? O nevoeiro se foi. Não há mais escuridão. Não há mais medo, nem morte. Então acontece, você me leva, me guia para a nossa libertação. Para o fim de nossa fantasia.
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