Notas iniciais
Escrevi enquanto ouvia Once Upon A Dream, na voz de Lana Del Rey. Impossível não ouvir essa música e não se inspirar. Eu espero que vocês gostem.

Uma vez eu sonhei com você. Era pequena, cabia em meus braços. Era bela, minha Bela. Você apareceu para mim vestida como uma princesa — como as dos contos de fada, que sempre fui apaixonada. Uma música tocava, não sei de onde ela vinha, mas era linda, era mágica, era a música da nossa fantasia.

Em meio ao nevoeiro eu a avistei longe de mim, me chamava. Queria que eu a seguisse e assim fiz, como Alice fez com o coelho branco. Para onde me levará?

Eu estava descalça, tecidos brancos me cobriam. Andava com certa dificuldade no meio daquela floresta sombria, porém eu não desistiria, iria seguir você.

A encontrei parada em frente a algo que não pude reconhecer a princípio. Conforme me aproximava conseguia compreender o que era. Era você, deitada sobre uma cama de flores. Você não parece ser a Branca de Neve. Olhei para você e notei as lágrimas escorrendo de seus lindos olhos, você desviou seus olhos dos meus e encarou o corpo à nossa frente. E como mágica você desapareceu, me deixou no meio daquele nevoeiro.

O que você quer que eu faça? Olhei seu corpo e toquei seu rosto pálido, estava gelado. É isso? Você quer que eu a beije? Eu não posso, perdoe-me, mas não sou o Príncipe Encantado, espero que ele lhe encontre.

A deixei ali, como havia encontrado, e segui meu caminho por entre as árvores. Minhas vestes não eram mais brancas e sim negras, como a escuridão ao meu redor, como os seus olhos. Onde você se meteu? Preciso de você para me guiar nesse lugar, sua luz me ajudava à enxergar.

Ouço um barulho atrás de mim e me viro rapidamente para ver o que era. No entanto não encontro nada. Ouço novamente, dessa vez passos, eles se aproximam. Cada vez mais perto, cada vez mais perto. Sem querer, o medo toma conta de mim. É você, sim! Está perto de uma das árvores. Você chora, não de tristeza, mas sim de raiva. O que lhe fiz?

Você caminha em minha direção, a fúria está em seus olhos. Por favor, me perdoe, por favor. Sabes que não posso te trazer à vida, pois também estou morta. Minha vida se foi quando você me deixou.

Suas vestes negras caem sobre seus ombros, revelando seu corpo nu, como se a libertassem. Tão bela, minha Bela.

Convido-a para uma dança. Um coral canta para nós, a música da nossa fantasia. De um lado para o outro, devagar, com graciosidade. No auge de nossa dança eu me ajoelho aos seus pés, uma forma de expressar o quanto a adoro e a glorifico. Seus olhos se fecham e ergue a cabeça para o céu. Sorrindo, agradecendo.

Me levanto e você me pega pela mão. Chegou a hora? Nosso "felizes para sempre" está próximo? O nevoeiro se foi. Não há mais escuridão. Não há mais medo, nem morte. Então acontece, você me leva, me guia para a nossa libertação. Para o fim de nossa fantasia.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!