Once In A Dream

1 It happened once in a dream


Notas iniciais
Essa oneshort conta com a participação especial do Sonho (Dream) protagonista do HQ super perfeito do Neil Gaiman.
Acho que o conhecimento da HQ não é muito necessário para entender a história, mas anyway: Sonho domina o reino do Sonhar, tal reino comporta todos os sonhos de todas as pessoas e como governante desse mundo, Sonho é onisciente. Ele também cria os pesadelos ( Corinto é o mais visto até hoje) e é o responsável por inspirar jovens artistas.
Shakespeare foi seu favorito.
Now, go on!

O cheiro era de grama, sol e brisa depois de chuva e por um momento, ela se permitiu ficar de olhos fechados só respirando. Sentindo a paz que esse cheiro tão querido e tão esquecido podia trazer.

Ouvia relinchos de cavalo, provavelmente de seu favorito, Rocinante, e também ouvia risos, ambos masculinos. Um era mais velho e forte, o outro vinha de uma voz gentil e jovem. Henry, amado pai e Daniel, amado noivo. Ela sabia que eram as vozes deles. Os risos ecoavam gentis e eternos. Não havia palavras, talvez nem houvesse emoção, mas eram vozes, vozes conhecidas e amadas.

Respirou fundo mais uma vez e sentiu a brisa acariciar seu rosto. Soltou a respiração e abriu os olhos, contemplando a paisagem. Regina estava no topo de um grande precipício e olhava para um campo gramado enorme cercado de árvores, cantos de pássaros e risadas. Se Regina virasse seu corpo, provavelmente ela veria um estábulo de madeira, pequeno e vazio. Mesmo com os relinchos, ela sabia que Rocinante não estaria ali, afinal ele estava morto.

Morto é morto até mesmo nos sonhos.

O lugar era familiar e ela sabia que já tinha sonhado com essa paisagem mais de uma vez, mas também sabia que tinha muito tempo desde que voltara naquele lugar. Muitos, muitos anos.

Ela não sabia por que, mas não importava.

Os risos não incomodavam e ela não sentia vontade de sair daquela posição. Se voltasse ao estábulo, as memórias seriam tão terríveis que ela preferia ficar bem longe. Desde que vira Charming ensinando Henry a cavalgar, Regina tomara uma nova aversão por cavalos, estábulos e felicidade. Ela só queria se sentar ali e esquecer que aquilo era um sonho e logo, acordaria para enfrentar a realidade novamente.

Não era justo.

Era só paz por alguns momentos. Era só ela naquele pedaço de sonho. Ela e risos.

- É raro um frequentador do Plano dos Pesadelos achar o caminho correto para sonhos antigos.

Era uma voz grave e não era ao mesmo tempo. Regina não saberia explicar aquele tipo de voz para alguém. Não era normal, não era humano, provavelmente não era nem divino, era algo maior e completamente sem definição.

O intruso estava alguns passos atrás de Regina e ele estava parado, imóvel como uma estátua. Mas, ela não sentiu medo, nem receio. Por alguma razão, uma parte dela esperava aquela visita.

- Também não sei o que vim fazer aqui. – retrucou. – Um momento, eu estava num escuro terrível e depois, eu acordei aqui. Achei até que tinha invadido o sonho de outra pessoa.

- Isso não é possível. – respondeu a pessoa com o tom sério e sempre formal. – O poder da travessia entre diferentes partes do Sonhar pertence a uma pessoa apenas, e eu sou tal pessoa.

- Eu sei.

- Então, por que questionou tal coisa?

- Eu não sei.

Silêncio. Regina olhou para baixo e depois deixou seu olhar se perder na imensidão verde. Quem diria! Tudo aquilo era um minúsculo grão de areia na praia do Sonhar. Sentiu-se insignificante por um momento.

Ele se aproximou da beirada do precipício, assim como ela fazia e ficou a olhar a paisagem. Regina olhou para o lado e se deixou examinar a figura estranha e imponente que aparecera em seu sonho: Era um homem com a pele muito pálida, provavelmente ele era mais branco que um albino; seus cabelos eram negros, negros como a escuridão e bagunçados; suas roupas também eram negras, uma calça jeans, sapatos, uma blusa e um enorme sobretudo, mas o que chamava mais atenção era seus olhos, completamente negros, não havia o orbe, era uma simples fenda negra como a noite e pontilhada por milhares de estrelas brilhantes.

- Como soube onde eu estava? – indagou para o homem. Incrivelmente não estava assustada, nem sequer perturbada.

- Eu sei de tudo o que acontece no Sonhar. Soube imediatamente que alguém do Plano dos Pesadelos achara seu caminho de volta aos sonhos. Fiquei curioso, é só.

- É só? – repetiu. Suspirou – É só. – afirmou. – Eu prefiro o Plano dos Pesadelos ou seja lá como você o chama.

- Por quê?

Balançou a cabeça negativamente.

- Eu não sei. Acho que virou um lugar de conforto. Não importa o que aconteça, os meus pesadelos sempre vêm. Uma segurança, ou talvez, uma rotina.

- Hum... Interessante.

Os risos continuavam.

- Eu já te vi antes. – ela afirmou olhando para ele. Não se lembrava, mas tinha essa certeza que já o vira em algum lugar.

Ele retribuiu o olhar.

- Já nos vimos sim, algumas vezes. Na terra Encantada, principalmente. Antes de você se perder no Plano dos Pesadelos.

- Como nos conhecemos?

- Nos conhecemos aqui. Fui eu quem te disse que você pode criar amigos e familiares nesse reino e eles serão reais, mas que você nunca deve esperar que aquilo que você criar aqui seja igual aos do seu passado.

- Então, eu não posso imaginar Daniel aqui?

- Claro que pode. Ele será real no Sonhar e terá tal consciência, mas ele nunca será o Daniel que você conheceu no Mundo Desperto, no seu mundo.

- Eu neguei fazer isso no passado, certo?

- Negou. – ele balançou os ombros. – O que está morto está morto. Nem o Sonhar pode mudar isso.

- O que está morto está morto. – repetiu mecanicamente.

Sentia-se morta, vazia, cansada, especialmente cansada. Nem parecia ela mesma.

- O que é esse lugar?

- É o Sonhar.

Forçou um sorriso.

- Eu me lembro de tomar vinho com alguém... Qual era o nome dele? – tentou pensar. – Um homem estranho com óculos escuros.

- Corinto?

- Isso! Corinto. – virou-se para ele totalmente. – Como soube o nome dele?

- Corinto é um dos meus melhores pesadelos. Ele fala bem de você.

- Sim! Claro, eu sonhava muito com ele na Floresta Encantada e nós conversamos sobre... – soltou um riso. – assassinatos. Ele achava interessante como eu podia arrancar o coração das minhas vitimas com magia.

- Hum, isso explica a quantidade de pesadelos destruídos que eu achava naquela época. Todos tinham um buraco no peito.

- Ele dizia que estava praticando. – ela respondeu, estava entre surpresa e desprezo. – Eu ria, por que...

- Você achava que ele não existia?

Ela não respondeu, só o olhou com confusão e ele continuou:

- É um sonho, ou no seu caso, um pesadelo, mas isso não significa que não seja real.

- O que acontece na minha mente é real. – afirmou.

Ele não respondeu, mas seus olhos negros e brilhantes não saíram de Regina.

- Eu vou me lembrar desse encontro?

- Não.

- Como nunca me lembrei de nenhum. — sorriu. – Será que encontro o Corinto da próxima vez?

- hum, se isso não significar investi-lo de novo na ideia de arrancar corações, por que não?

Ela riu, mas ele pareceu não entender a piada.

- Por que está rindo?

- E dizem que meu senso de humor é problemático.

- O que o senso de humor tem a ver com isso?

Regina o olhou com surpresa. Levantou uma sobrancelha e abriu um sorriso.

- Você realmente não entendeu! – constatou com surpresa.

O homem a olhava com confusão.

- O que é você, afinal? – indagou. Estivera se perguntando isso desde que aquele homem estranho aparecera do nada.

- Meu nome é Sonho e eu sou um dos Perpétuos.

Regina não respondeu imediatamente. Demorou uns segundos para aquela informação ser computada. Ela se lembrou dos ensinamentos de Rumpel... Lembrou-se do livro velho, com capa marrom dura e surrada, protegido com tantos encantamentos quanto possíveis, lembrou-se da curiosidade quase infantil e da recusa sempre firme.

“Essa leitura não é indicada para aprendizes.” – disse ele – “Um dia, talvez, você seja forte o suficiente para merecer esse livro.”

Mas a curiosidade foi maior e quando Rumpel viajara com Jefferson para alguma terra distante, Regina se viu sozinha com o grande livro marrom. Passara a semana inteira aprendendo os encantamentos do livro e os quebrando, era demorado, mas Snow e Leopold estavam viajando, “um momento de pai e filha” ou algo do tipo, ela só soubera disso duas horas depois dos dois terem partido. Mas, não importava, trancara-se no quarto fingindo estar doente e trabalhara no livro incessantemente. Não dormira e mal comia.

Por fim, o livro se abriu perante seus olhos ávidos e curiosos.

Eram informações demais e no fim, sentiu como se estivesse enlouquecendo. Mentes humanas não estavam preparadas completamente para as verdades contidas naquele livro. Ficara dias sugando cada palavra, cada informação, cada mancha no papel velho.

No fim, exausta dormira, só para sonhar com um homem encapuzado com a voz tão estranha quanto a de Sonho pedindo pelo livro. Na hora, ela não pensara muito e entregara o livro para ele.

- “O seu caminho é tortuoso e doloroso. Haverá mais espinhos e pedras no seu caminho do que a maioria. Escuridão te espera pela frente.” – dissera o estranho e sumira.

Rumpel ficara furioso, mas ela nunca admitira que tivesse pegado o livro. Esse era um segredo que ela jamais estava disposta a revelar.

No livro, ela encontrara informações sobre 7 entidades. Mais poderosos que os deuses, quase tão antigos quanto à própria existência do mundo, ou talvez, da galáxia. Eram 7: Morte, Destino, Desespero, Destruição, Delírio, Desejo e Sonho. Cada um com seu reino e sua função na roda do destino. Cada um com sua personalidade e visão sobre os humanos. Cada um com o poder de destruir as realidades com um simples estralar de dedos.

Mas, diziam que os Perpétuos não tinham interesses nos acontecimentos mundanos. Eles não interrompiam seus deveres, nem se importavam com os mortais que sofrem, morrem e reencarnam ou são enviados ao Inferno (ou Tártaros) ou para o Céu ( ou Campos Elíseos). O fato é: mesmo se o mundo entrasse em completa destruição, os Perpétuos em nada interfeririam.

Por tal conhecimento, Regina olhava para Sonho com surpresa. Se ele era realmente um Perpétuo, o que diabos estaria fazendo no sonho dela?

- Se você realmente é um deles, por que está no meu sonho?!

- Curiosidade. Num momento, você está caminhando para o Plano dos Pesadelos e no outro, você está num campo com um estábulo e risos. Achei curioso, é só.

- Curioso é ter um dos Perpétuos no meu sonho, isso é curioso! – exclamou.

- Não entendo sua surpresa. Você já me conheceu antes, e também já conheceu ao meu irmão, Destino. Se não me engano, e eu raramente o faço, minha irmã mais velha, Morte, já cruzou seu caminho várias vezes. Ela me disse: “A mais bela e a mais triste”.

- Vocês ficam comentando sobre todos os pobres e tolos mortais?

- Não. Só aqueles que amaldiçoam um mundo inteiro. Esses sim são interessantes.

Ela ficou em silêncio.

- Os malvados.

- Isso também. Se formos definir, eu sou mau; Morte também, Destino, Delírio, Destruição, Desespero e principalmente Desejo. Não nos definimos em termos tão simplórios. Você também não deveria. Nem os meus pesadelos são completamente maus. Não há nada absoluto no mundo, nem bom nem mau. Há escolhas.

- Eu fiz as minhas escolhas.

- Arrepende-se?

- De algumas, mas não de outras.

- Você é humana. Cometer erros está no seu karma. Até Perpétuos cometem erros.

- Achei que você raramente se enganava.

Surpreendentemente, um fantasma de sorriso passou por seus lábios terrivelmente pálidos.

- Eu disse “Perpétuos”. Meus irmãos cometem erros, eu não.

Ela riu.

- Aposto que os outros dizem o mesmo.

- Talvez.

- Você é estranho.

- Entenderei isso como um elogio.

Silêncio. Os risos continuavam e abriu um outro sorriso quando ouviu um relincho.

- Por que eu?

- Já te respondi.

- Não, aquela resposta foi por que você veio, mas não por que ficou.

- Eu gosto de histórias. – respondeu Sonho olhando para o céu. – Os melhores escritores e os melhores personagens foram meus por um tempo, ou você acha que a inspiração vem de lugar nenhum? Eu gosto de artistas. Eu gosto de histórias. Eu gosto de bons personagens. Conversando com você, eu tenho certeza de que logo, daqui a alguns anos, um ótimo escritor irá nascer e eu darei a ele a sua história.

- Sou um projeto de narrador? – indagou com um sorriso.

- Você é uma boa história esperando ser contada.

- Entenderei isso como um elogio.

Outro sorriso fantasma enfeitou seus lábios.

Ela se virou.

- Vou olhar os estábulos. Você vem?

Sonho não respondeu, só se virou e como ela começou a caminhar pelo caminho indo para o estábulo.

- Está vazio. – disse Sonho.

- Eu sei. – respondeu Regina. – Talvez eu devesse comprar um outro cavalo.

- Uma rainha com gosto por cavalos e coração arrancados.

- E vinho.

- Ah sim, Corinto nunca foi conhecedor de vinhos. Fiquei surpreso quando ele pediu por um vinho francês de 50 anos de idade.

Ela riu.

- Bebíamos isso quando conversamos sobre corações.

- Deve ser interessante.

- Apareça durante um dos meus pesadelos. – disse ela com uma risada – Isso é se não se importar em tomar vinho num altar rodeado de corpos ensanguentados e uma parede de corações pulsantes. Alguns dos corpos cantam às vezes. Nem todos cantam bem, mas é divertido.

- No Sonhar, eu vivo com Caim e Abel. Eles se matam o tempo inteiro. Acho que consigo sobreviver.

- Deve ser interessante.

Ele a olhou.

- Caim e Abel?

- O Sonhar.

Ele olhou para frente. O Estábulo era maior do que parecia e ele tinha razão: estava vazio.

- Posso te levar lá.

- Não, eu tenho o meu filho para cuidar.

Sonho assentiu.

- Mas você não sonha com ele. Por quê?

Ela sorriu. Olhou para baixo, depois para dentro do estábulo vazio.

- Por que a realidade com Henry é muito melhor do que qualquer sonho. O que eu sinto por ele no sonho, não se compara ao que eu sinto quando estou perto do meu filho, carne e osso. – abriu um sorriso triste. – Eu me sinto traída pela minha própria consciência.

Sonho não respondeu. Olhava para a Rainha fixamente.

- É pela mesma razão que você não sonha com Daniel ou seu cavalo.

- Rocinante. – corrigiu. – E sim, eu suponho. – Olhou para o estábulo vazio e suspirou. – Não dói tanto, mas está tão...

- Vazio?

Ela balançou os ombros.

- Triste. Abandonado.

- hum, exceto por aquilo, eu acho.

Ela franziu as sobrancelhas e o olhou.

- Aquilo o que?

Sonho não respondeu, só esticou um braço e apontou para dentro do estábulo. A jaqueta vermelha de couro estava dependurada na parede de madeira, junto com outra jaqueta xadreza azul.

- O que-? – aquilo a incomodou. Não podia ser. Ela conhecia bem aquelas roupas, uma era pertencente a Henry com certeza, e a outra... Emma. – Por que isso está aqui? – indagou para Sonho.

Ele não pareceu surpreso nem sequer perturbado.

- O sonho é seu. – respondeu. – Uma coisa sobre os sonhos é que eles revelam quem você realmente é e o que você realmente deseja. Não há mentiras aqui. Não importa o que você crie, tudo estará de alguma forma conectado com seus verdadeiro eu. Não tem como mentir aqui ou se esconder. Essa é a beleza dos sonhos: a completa nudez da sua alma.

- Por todos os encontros que tive com Corinto, acho que posso afirmar que minha alma não é algo muito bonito de se ver. – forçou um sorriso.

Sonho negou.

- O Plano dos Pesadelos funciona de forma diferente. Lá, são seus medos e arrependimentos que são revelados. Corinto invade seu Plano por que ele é solitário e se sente compelido a ou aterrorizar alguém como eu o criei para fazer ou a socializar com alguém como ele. Meus pesadelos são criados para serem o que eu quero que sejam, eles não podem escolher serem bons ou não. A maioria não liga, eles não questionam, mas Corinto sempre foi o meu melhor, o meu mais inteligente e ele questiona. Ele é mau, mas também sabe o que é ser criado para ser uma coisa que você não gostaria de ser. É só um bônus que você tenha uma magia poderosa e gosta de arrancar corações.

Ela abriu outro sorriso.

- Está dizendo que meu subconsciente imaginou aquelas duas jaquetas? – indagou apontando para as roupas.

Sonho assentiu como se fosse obvio. E para ele era.

- Eu entendo a jaqueta do Henry, mas Emma?!

Sonho abriu um sorriso de verdade dessa vez.

- Acho que vou aceitar o convite para o vinho com o Corinto. Será no meu castelo.

Ela pareceu perturbada quando a figura imponente e assustadora de Sonho começou a sumir.

- Pense bem no significado das jaquetas juntas e no seu lugar favorito. Melhor, atravesse o estábulo e veja o que tem do outro lado. Foi um prazer a nossa conversa.

E por fim, ele sumiu. Tão rápido e sem explicação quanto apareceu. Poof.

Ela piscou algumas vezes, ainda desorientada. Pensou em voltar para o precipício e aproveitar a paisagem, mas tomada por uma raiva insistente, entrou no estábulo e pegou as duas jaquetas. Pensou em guardar a de Henry em algum lugar e queimar a de couro vermelho... Até atravessar o estábulo.

Antes, Regina tinha certeza de que só existiam os campos e o estábulo em seus sonhos. Era só o que deveria existir, mas a mansão grande, exatamente como a sua casa real, estava erguida rodeada de um lindo jardim com uma bela macieira com vários frutos fartos e avermelhados.

Ouviu risos, não eram de seu pai nem de Daniel. A porta se abriu e quando um par de sorrisos a cumprimentou, tudo ficou branco.

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Regina Mills acordou chorando. Era de madrugada, o relógio brilhava: 04:30 AM e as lágrimas não paravam de descer. Saiu da cama com pressa e foi para o banheiro. Vomitara tudo que comera na noite anterior, o que tinha sido pouco.

O pior de tudo: Ela se lembrava. As dores de cabeça a deixava tonta.

Quando voltou cambaleando para o quarto adjacente, ela se virou para a lua e lembrou-se de Sonho. Lembrou-se da conversa sobre Corinto. Lembrou-se dos estábulos e lembrou-se também das jaquetas, da mansão e dos sorrisos. Teve outra ânsia de vômito, mas conseguiu se conter.

O livro marrom veio em sua mente novamente. Aquele homem encapuzado era o Destino, provavelmente. Se ela soubesse, Regina tinha certeza de que pelo menos um tapa tentava dar no infeliz.

Sentou-se na cama ainda tonta. Sabia que não voltaria a dormir, a questão era: o que fazer com aquele conhecimento? Ignorá-lo? Contar para Gold? Não, aquilo estava fora de questão. Para começar, ela precisava tomar um gole de água, talvez depois tomar um café bem forte para suportar o dia.

É, ela podia tentar esquecer aquilo. Não era grande coisa, não importava o que Sonho lhe dissera.

Certo?

Notas finais
Se chegou até aqui, muito obrigada!
Eu realmente gostei de escrever esse *-*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!