Once Again - Interativa
8 Capítulo 7
Notas iniciais
Capítulo 7
–Daniel, preciso que você me faça o favor de que se alguém vier aqui me procurar diga que estou trabalhando dentro do quarto e que não posso ser incomodado.
–Claro, Vossa Alteza.
–E... Se for meu pai e ele insistir diga que eu realmente não posso ser incomodado e que depois passo no escritório dele.
O guarda cruzou os braços nas costas e fez um aceno de cabeça, concentindo com o príncipe.
Kaleb desceu as escadas que levavam até a biblioteca do palácio de dois em dois degraus. O som da sola do seu sapato contra o chão era como um ritmo combinado. O nome de Franklin Roosevelt ainda estava acesso como um outdoor em sua mente, era uma intuição fixa no seu cérebro e a única coisa que poderia fazer era consultar toda a arvore geneaológica da família de Emily para que sua suspeita se confirmasse.
Agradecido pelo barulho de sua corrida não ter sido o suficiente para despertar qualquer alma no castelo que não fosse os guardas cumprindo rondas, ele entrou na biblioteca. A madeira cor amarelo queimado da porta tinha um desenho dourado com o brasão da família real e Kaleb não hesitou em entrar porta a dentro.
Assim que fechou a porta as suas costas, se encaminhou em direção a seção de história. Ali, entre as prateleiras de madeira rústica, ficavam os livros mais grossos, sua maioria com capas de couro e algum tipo de papel velho e já muito frágil com o passar do tempo, alguns até mesmo não podiam ser tocados sem o auxílio de luvas e pinças esterelizadas. Os títulos eram organizados por ordem alfabética.
O príncipe começou procurando por Franklin Roosevelt, mas não conseguiu encontrar nenhum arquivo, foi então para História dos Estados Unidos, onde conseguiu encontrar uma espécie de enciclópedia velha entitulada “Estados Unidos – Todos os Presidentes”. Sendo otimista, não seria dificil achar a história de Roosevelt, uma vez que seu mandato ocorrera a muitos anos atrás. Provavelmente seria uma das primeiras folhas do livro. Porém, era importante pensar que talvez toda sua agitação não serviria de nada caso a relação do presidente com Emily não passasse de apenas uma coincidência nos sobrenomes.
Kaleb carregou a relíquia para uma das mesas da biblioteca, estava tudo muito quieto e o cheiro de livros era tão intenso a ponto de dar dor de cabeça, mas ele não ligava. Se agarrou as páginas velhas e começou a folheá-las com calma, tendo certeza de que não rasgara nenhuma ou que não pulara nenhum nome e como esperado, já nas primeiras folhas encontrou o nome de Franklin grafado com um canetão vermelho.
A primeira página tinha uma foto enorme do presidente acompanhado de uma grafia de sua assinatura. Virando a folha, encontrava-se uma pequena introdução sobre sua vida, falando sobre sua cidade natal e o dia de seu nascimento e da sua morte.
Presidente Franklin Roosevelt foi o 32º Presidente dos Estados Unidos, cumprindo quatro mandatos e sendo o único a isso devido à 22ª emenda. Enfrentou grandes problemas quando estava no ápice do poder, como por exemplo a Grande Depressão e a Segunda Guerra Mundial.
Foi o responsável pela entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra após o ataque a Pearl Harbor. Em 1943 fazia parte do trio de maiores governantes do mundo junto a Stalin e Churchill, seu grande amigo.
Morreu aos 63 anos de uma hemorragia cerebral. O mundo ainda não havia se livrado da Segunda Guerra Mundial. Uma antiga pesquisa ainda apontava que Roosevelt estava no ranking dos três maiores presidentes dos Estados Unidos, ao lado de Abraham Lincoln e George Washington.
Kaleb leu rapidamente a parte onde trechos de outros livros eram destacados falando sobre o governo de Roosevelt e como fora adorado em seu país. Um biógrafo ainda dizia que ”Roosevelt se levantou de uma cadeira de rodas para erguer uma nação que estava de joelhos” referindo-se a doença (poliomielite) que o presidente enfrentava.
Mas o que lhe chamou a verdadeira anteção foi a arvore geneaológica de FDR (como era também conhecido). Iniciando a partir do nome dos seus pais, seguindo por seus irmãos e primos e depois sobrinhos e filhos. Junto a Anna Eleanor, tiveram seis crianças.
Havia tantos nomes que as letras pareciam empurrar uma as outras em briga por espaço na página. Kaleb lera a ficha de Emily e sabia o nome de seus pais e de sua irmã, mas mesmo assim, não foi o suficiente. O livro não era dos mais novos e o principe não pode reclamar ao ver que a arvore genealógica se encerrava em Robert Hillls Roosevelt e Tatia Roosevelt.
Ele se levantou e foi em busca de um arquivo histórico mais recente. Desistiu dos livros de capa de couro porque eles nada haviam a lhe oferecer além do pó entre as páginas, partiu para uma seção de livros mais novos, edições de bolso que pareciam pequenos tijolos. Juntou uma pilha desses e mais alguns livros escolares.
A maioria das palavras já estavam meia gastas e alguns termos eram muito antigos o que tornava a leitura cansativa e confusa, mas pior que isso era quando nenhum livro havia sequer menção a família do presidente Roosevelt.
Cansado de tentar achar respostas, Kaleb voltou para a primeira enciclopédia que pegara, tendo certeza deque aquilo ali seria o máximo de respostas que ele conseguiria achar. Mesmo assim, buscou uma caneta da recepção que sempre ficava fazia e circulou os nomes conhecidos da família. Os primos que haviam se ligado a política, a mulher do presidente e no final, os nomes de Robert e Tatia. Carregou os livros que lhe foram inuteis de volta para seus lugares, apagando qualquer vestígio de que estivera ali e deixou um bilhete no mural da biblioteca dizendo o nome do livro que tinha retirado, mas sem assinar seu nome. Ninguém nunca ia para aquele departamento do castelo, ou seja, não havia nenhum questionamento com o qual se preocupar, de qualquer forma.
Estava prestes a abrir a porta quando foi surpreendido por Bailey, que quase como ensaiado, entrou rapidamente para dentro da biblioeteca e trancou-os lá dentro. Ela estava com a respiração ligeiramente acelerada mas parecia muito calma.
–Podemos conversar um pouco?
Kaleb arqueou as sobrancelhas.
–Claro – estranhou.
Ela respirou fundo e cruzou as mãos diante do corpo. Usava um uniforme novo, diferente daquele vestido em tons crus que costumava usar, ela trocara o avental por um bordado de flores no vestido marrom e seus cabelos loiros estavam presos em um rabo de cavalo bem alto.
–Eu andei pensando muito e acho que andamos tratando com um pouco de imaturidade toda essa... situação – seu maximilar contraiu-se um pouco ao pronunciar a última palavra.
–Você deveria ter me ouvido antes de ficar tão irritada.
–Eu sei. Eu sei disso, tá bom? Só que eu não quero brigar. Não dessa vez.
Bailey lançou-lhe um olhar compreensivo e caminhou até Kaleb. Pegou a mão do principe por um instante e os dois entrelaçaram os dedos, mas logo a garota recolheu a própria mão.
–Quando eu fiz quinze anos, você me prometeu um presente de aniversário e eu fiquei extremamente decepcionada quando, na verdade, você não me deu nada. Sério, já estava a ponto de um ataque de ira quando a noite chegou e o máximo que tinha recebido de você fora um “Parabéns”. Para ser sincera, naquela época minha queda pelo príncipe passara a se tornar um grande abismo. Nós discutimos e você me beijou. Lembra? Era madrugada e estávamos na cozinha porque ninguém estava acordado e não tinha luz. Tudo o que conseguiamos ver era a sombra um do outro porque a janela estava aberta – ela olhou para as grandes vidraças que iluminavam a biblioeteca – Era bem diferente daqui.
Kaleb concordou.
–É. Tinha pelo menos uns vinte centímetros a menos, era uma magrelo e você tinha os dentes da frente mais grande do que os outros.
–Verdade – ela riu de verdade pela primeira vez desde que aparecera de surpresa – Quando estava prestes a te dizer que me arrependia de ter revelado que gostava de você, fui surpreendida pelo beijo mais horrível de todos. Foi babado e estranho. Estranho porque gostei. O que quero dizer, é que quando você entrelaçou seus dedos no meu naquela noite senti medo de tanta coisa mas também sentia como se fosse capaz de enfrentar qualquer um sem me machucar. E aí não parou mais. Nos beijávamos de noite e de dia era a relação príncipe-empregada. Você treinava lições de batalhas com o soldado Watson, como se desconhecesse o fato de que ele era meu pai, enquanto eu aprendia a pilotar o fogão na cozinha. Então...
–Bailey, você está b...
–Quieto, Kaleb, por favor... Só estou tentando dizer que vivemos todas as primeiras vezes juntos. Em todos os sentidos. Nunca tivemos nenhuma experiência antes que pudesse nos auxiliar no certo e errado. Entendo você por ter escolhido a Seleção.
–Não escolhi a Seleção. Não escolhi nascer quem eu sou, mas é uma coisa da qual tenho orgulho e você, sendo quem sempre foi sabe disso. É fato que tem sim outras maneiras de conseguir ganhar o trono antes que William se tudo se trata para não ferir o ego do meu pai, mas, no momento, essa não é minha prioridade.
–Está dizendo que nenhuma garota está nos seus planos?
Kaleb deu de ombros.
–Não por enquanto – admitiu em um suspiro.
Bailey cruzou os braços, parecendo um pouco incomodada e frustrada.
–É política no que você vem pensando?
Kaleb bufou e passou as mãos no cabelo, bagunçando todos os fios que estavam meramente penteados. Suas mangas arregaçadas até a altura dos cotovelos estavam amarrotadas e seu rosto com certeza ainda não estava muito melhor do que o reflexo que vira naquela manhã, mas ainda assim, aquela garota a sua frente conseguia sugar todo o tipo de energia boa de um lugar. Era extremamente irritante se lembrar de que ele se importava com ela.
–Sim, Bailey – havia ironia em sua voz – Tenha certeza de que é só isso que minha vida se resume.
–Não seja irônico! – ela quase gritava – Achei que pelo menos uma conversa em paz poderíamos ter desde aquele dia... no seu quarto.
–Se é o que você quer saber, tenha certeza de que não estou fazendo relatórios e analisando milimetricamente cada uma das garotas da Seleção. Elas nem sabem sobre você quanto mais sobre nós dois. Não me importo com o que elas pensam, não agora pelo menos e acho que ambos estamos bem concientes de que se fosse estalar os dedos sabe que volto correndo para você, mesmo que me recuse.
Agora quem gritava era Kaleb, mas Bailey pareceu congelar. Seus olhos azuis se iluminaram de um misto de emoções indecifráveis.
–No final das contas, acabamos no mesmo lugar.
Ela respirou fundo antes de continuar:
–Não quero voltar para você, Kaleb. Mesmo que ainda tenha alguma emoção, sentimento ou seja lá o que é isso.
–Também não quero voltar para você, Bailey.
A garota assentiu.
–Então vamos deixar isso para lá. Porque vim aqui com a ideia de dizer que tivemos nossas primeiras vezes, agora é hora de você ter de novo as primeiras vezes só que com outra garota. E talvez eu até ache um carinha legal por aí, certo?
–É, tanto faz.
–Isso é tudo que você tem a me dizer?
Kaleb não respondeu, apenas continuou olhando dentro dos seus olhos.
–Tudo bem – ela suspirou – Faça o que você quiser.
Ela liberou a passagem para que o príncipe passasse e então lhe entregou a chave da porta, a qual ele pegou sem hesitação.
Bailey continuou na biblioeteca por mais alguns segundos, sentindo-se mais leve e franca consigo mesma.
–É, tanto faz – repetiu para si mesma.
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