Notas iniciais
Olá leitores :) Ahh, os comentários de vocês no último capítulo foram tão absurdamente fofos, meu deus, vocês são um docinho de gente, obrigada! Prometido é prometido e como eu disse nesse capítulo as selecionadas aparecem mas NÃO interagem (ainda). A gente se vê lá em baixo v

Capítulo 4

Philip pousou a mão no ombro da esposa e apertou o local lentamente, como se aquilo fosse capaz de acalmá-la, ele massageou seus ombros com firmeza e Danielle acabou por tremendo as pálpebras até enfim fechá-las. Tecnicamente, estavam sozinhos, todos da equipe de maquiagem e beleza eram de alta confiança da rainha, a conheciam de tanto tempo que era meio ridículo manter a pose diante deles.

Kaleb estudou seus pais pelo canto do olho, enquanto fingia analisar o próprio reflexo no espelho. Viu a mãe com uma postura tensa, quase derretendo na cadeira branca. Philip parecia tranquilo – ele sempre tinha aquela expressão neutra no rosto. Impenetrável. O príncipe acreditava que nem mesmo Danielle seria capaz de saber o que se passava na cabeça daquele homem.

–Mãe, está tudo bem? – pediu virando-se na cadeira giratória. A rainha abriu os olhos.

–Claro querido – sorriu – Porque não?

Ele olhou para o pai, que fez que sim com a cabeça. Sua boca secou. Seus lábios pareciam ter rachado como se sentisse uma sede repentina. Kaleb se inclinou na cadeira:

–Então temos que contar para Herfleur inteira.

–Não, não temos. Porque você acha que estamos aqui, garoto?

Os olhos caramelo do garoto percorreram o camarim. As araras de roupas de Danielle ocupavam a maior parte do local – vestidos com plumas, os de purpurinas e os simples que ele mais gostava de ver a mãe usando – depois tinha as maquiagens espalhadas por cada cantinho. Na mão dos empregados, sobre as mesinhas... E vários objetos, seguido por sapatos, escovas de cabelos e também gravatas.

–Não vão fazer uma chamada para a República?

Philip suspirou:

–Só se fossemos loucos. E expor para todo mundo que uma garota morreu por sua causa?

Dito daquela maneira foi bem pior. Kaleb endireitou a postura imediatamente, como se acabasse de ter levado uma bofetada na cara. Os funcionários pareceram se chocar por um curto milésimo, mas não se permitiram parar o trabalho por isso. Danielle fuzilou o marido com o olhar e então se inclinou sobre a penteadeira, massageando as têmporas com os dedos em movimentos circulares.

Kaleb olhou para o pai e abriu a boca para falar, mas nada saiu, não emitiu nenhum ruído. A raiva que sentiu naquele momento se misturava com angústia e culpa. Imaginou como seria os pensamentos do próprio pai caso fosse ele o príncipe – o garoto, ou moleque como era chamado pelo próprio – que nascera e crescera naquele castelo. Não. Philip era tão plebeu quanto as garotas que Kaleb receberia no palácio nessa noite.

Por um momento, chegou a imaginar que tipo de coisa seus avós haviam ensinado para que o rei se tornasse um homem tão fechado e forte, porque a forma como lidava com qualquer assunto – sendo esse de algo simples como uma reforma a um assassinato – era algo admirável, sinceramente.

Mas teve que controlar seus pensamentos:

–Então o que você sugere? – pediu indiferente.

O rei soltou o ar com toda a força e pensou por um segundo antes de responder:

–Vamos mandar uma carta para a família da moça, prestando nossas maiores condolências e dizer que para a imprensa que uma força maior do destino não deixou com que ela se juntasse às outras donzelas na Seleção.

–O que é bem esperto – ironizou o príncipe – Como se não fossem fazer perguntas.

–Como se eu fosse respondê-las.

–Meu deus você é irritante!

–Ah, por favor, Kaleb...

Meninos!

Danielle levantou os olhos, e mesmo com a forte enxaqueca conseguiu lançar um olhar fuzilante. O típico olhar que Kaleb crescera vendo; Quando colocava terra nos lençóis dos pais, Às vezes quando chutava a bola contra a parede branca e em outras situações como aquela. Philip assentiu:

–Desculpe, querida.

–E nós não vamos fazer porcaria nenhuma até que meus guardas pessoais deem o sinal verde. E eu estou falando com você, Kaleb. Dessa vez você não vai ter como fugir.

O garoto concordou de mal grado, mas mesmo assim não se importava. A verdade, é que sentia sim um pouquinho de medo diante da situação, não se interessava muito em correr para o olho do furacão. Ele puxou a carta da bancada e a leu pela terceira ou quarta vez, não sabia mais, passou o dedo sobre o selo e mordeu os lábios, pensando.

Apenas refletindo e lembrando.

Não sabia e nem lembrava muita coisa sobre os Suvernnoye. Quer dizer, ele se lembrava de Bastian e da irmã mais nova dele, uma garotinha pequenininha cuja única memória que tinha era aquele rostinho de boneca. Nem seu nome sabia mais. É que Herfleur costumava ser um país menor e mais pobre do que o País de Gales antes do reinado de Philip e Danielle, então veio a última guerra. Os recém casados rei e rainha tiveram que enfrentar uma tempestade de fúria de vários países que queriam tomar conta da República pobre que essa era. Os dois deram a volta por cima e com o auxílio de seus amigos que hoje compunham o Conselho Geral tornaram-se altamente influentes.

Danielle cortou relações com sua irmã Elena, a rainha de Gales, muito magoada para continuar qualquer contato, uma vez que não foram poucas às vezes em que haviam tomado bomba daquele país. Indignada e patriota, ela não admitiu que Elena tivesse virado as costas para seu país natal. Nasceu a eterna rixa. Kaleb nunca mais viu seu primo Bastian, os dois príncipes eram pequenos demais para entender tudo que estava acontecendo – não passavam dos cinco anos – mas mesmo assim, sentiram a diferença quando deram por conta que nunca mais se veriam.

Na carta, Elena contava sobre o falecimento do Rei Hugo, seu marido e deixava uma enorme declaração sobre o quão ridículo achava que a Seleção seria quando poderiam casar Kaleb com sua filha mais nova – ela não falava o nome da menina, o que dava uma espécie de nervoso no príncipe. Ele mal lembrava de seu rosto quando ela tinha três anos, como poderia saber seu nome? – No final da carta, escreveu com muita má vontade sobre entender caso Danielle não aceitasse a oferta, mas que insistia em dizer que seria ridículo deixar com que a irmã ficasse praticamente indefesa.

Kaleb chegara a conclusão de que sua tia tinha uma afeição pela palavra ridículo.

–Eu odeio essa mulher – desabafou Danielle antes de se levantar – E tenho que dizer que a ideia dela de matar uma menina como ameaça não deu certo.

–É claro que deu certo – Philip deu de ombros – Não temos como cancelar tudo agora. D, pense comigo, já que a Seleção não pode ser cancelada, podemos colocar Myranda para preencher a lacuna dessa moça... como era o nome dela? Emily?

A rainha não respondeu, e Philip continuou:

–Aí poderíamos forjar a competição para que, no final, nossa amada sobrinha ganhasse.

Os olhos do rei brilharam, era quase possível ouvir as engrenagens funcionando dentro da cabeça do homem. Ele riu sozinho, realizado com os rascunhos que tinha na mente. Kaleb permaneceu calado, tendo certeza de que a mãe não concordaria.

Seu queixo quase caiu quando ouviu-a dizer:

–Myranda vai vir sim para o castelo mas vai competir com as outras meninas de igual para igual.

–Será que não tinha uma opção melhor do que a filha dessa maníaca? – Kaleb pediu.

Philip abriu a boca para contestar, mas pareceu pensar melhor e no final apenas consentiu com a ideia, sem expressar nenhuma reação. Kaleb avaliou a mãe e pensou que talvez soubesse qual era seu plano porque era bem obvio que ela não estava a fim de fazer apenas um favorzinho para a irmã.

–Espionagem é bem arriscado.

–Quem...

–Mas eu gosto dessa ideia – o príncipe completou antes que a mãe engatasse um monólogo. Seus olhares se demoraram um no outro e ela sorriu para ele.

Então ele estava certo. Danielle nem sequer se preocupara em arrumar um plano complicado como seria típico de Philip, ou isso seria bem estúpido ou muito esperto.

O rei caminhou até o espelho e ajeitou as pequenas partes amassadas do paletó perfeito.

–Apaguem qualquer emoção do rosto.

Danielle e Kaleb o fizeram automaticamente. Já era quase como um botão de liga/desliga.

–Perfeito. Agora vamos...

Prestar nossas condolências pensou o príncipe antes de sair do camarim.

A porta se abriu e eles foram recebidos por flashes brancos. Kaleb não conseguia ver nada, apenas sentir seu corpo, mas ele teve a leve impressão de ter ouvido o barulho do motor das limusines. Concentrou-se um pouco mais, mas era difícil. Ele tinha que manter uma expressão fria no rosto como se estivesse com uma vontade imensa de massacrar a cabeça de Elena Suvernnoye enquanto dava a atenção básica para alguns repórteres conhecidos que o cumprimentavam com animação.

Ele caminhou para o lado esquerdo do pai, Danielle estava do lado direito e pela primeira vez não procurava dar sorrisos dóceis para a plateia. Não estava abraçada a Philip, porque, em público, era proibido, mas parecia bem confiante e com uma postura de força e determinação. Kaleb apurou os ouvidos a tempo de perceber o toque-toque de saltos. Muitos Saltos.

–Majestade, os guardas da rainha acharam mais seguro trazê-las mais cedo.

Philip inclinou de leve o corpo para o lado de Ernest, ele assentiu virou o tronco:

–Certo. Mande um avião buscar Myranda Suvernnoye no País de Gales.

Kaleb não viu quando Ernest deu as costas, quando se deu por conta, estava novamente apenas com seus pais diante da plateia. Alguém foi rápido em passar um microfone para Philip e o rei sorriu radiante perto de uma das câmeras. Lá em baixo, a mais ou menos quinze degraus abaixo do pequeno pódio real o eco da voz familiar e calorosa de Juan saudava os presentes e convidava os telespectadores para se aproximarem da “programação especial da Seleção “. Ele fez um sinal exagerado com a mão esquerda e a câmera que o filmava focou na família real, o príncipe fez um aceno rápido com a cabeça.

–Bom – Juan suspirou quando a câmera voltou a captar seu rosto – As selecionadas já estão aqui e...

Ele deu um passo à frente, de forma que a lente da câmera pudesse captar apenas seus olhos e num falso murmúrio disse:

–São estonteantes! Ah, creio que Vossa Alteza terá muito trabalho daqui para frente.

Kaleb sorriu bem no instante em que um flash o cegou.

–Quero passar a palavra para Vossa Majestade, rei Philip. – Juan subiu dos degraus e a guarda real já se mexeu inquieta, mas o apresentador não abusou e ficou parado ali, diante da família – O que o senhor tem a dizer sobre a Seleção? Você influenciará seu filho na escolha?

Philip levou seu próprio microfone à boca:

–Juan, creio que temos algo mais importante a se falar agora. Todas as garotas estão sendo levadas para seus devidos quartos, assim como pedi para meus guardas. Elas não tem noção do que está acontecendo aqui, estão apenas achando que é uma entrevista que será reprisada amanhã a noite depois do jantar, mas não é. Infelizmente, tenho que informar ao meu povo sobre o que está acontecendo além das fronteiras de Herfleur, num lugar onde eu não tenho forçar para protegê-los, estamos sofrendo ameaças constantes. Na noite anterior, chegaram até mesmo a matar uma garota que viria a participar da Seleção, o nome dela era Emily Roosevelt. Diante de toda minha República, queria prestar minhas mais sinceras condolências a família Roosevelt. Dizer que serão enviadas flores para seu funeral e trataremos de acertar todos e quaisquer gastos que a família tiver. Sinto muito.

Ao dizer isso, as poucas pessoas da plateia começaram a se movimentarem inquietas, cochichando entre si. Juan segurou o microfone diante da boca, mas não soube falar nada, pareceu entrar em completo estado de choque. Alguém da produção do programa tocou o seu ombro e Kaleb pode ouvir ele sussurrar:

–Cortaram?

O câmera man assentiu com a cabeça e fez sinal de positivo. Juan se virou para a plateia:

–Senhoras e Senhores, peço que todos permaneçam em silêncio. Acalmem-se. Tenho certeza que Vossa Majestade está bem seguro quando a sua insistência em manter a Seleção. As meninas estão seguras, caso contrário, nem as trariam para o palácio, não é mesmo rei Philip?

Agora o olhar do povo se amarrava ao do rei, ele apenas fez que sim com a cabeça. Kaleb procurou ver a reação de sua mãe, mas ela continuava lá, parecendo a estátua mais bonita que ele já vira em toda a sua vida.

Pelos movimentos dos lábios de Juan, Kaleb o viu contar até três e então as câmeras foram ligadas:

–Filhos de Herfleur, sinto muito por todo o transtorno, vocês ouviram as palavras do rei Philip, e assim como o mesmo me confirmou agora pouco, não há motivo para inseguranças, suas filhas, queridos pais, estão muito mais protegidas aqui do que nas próprias casas. Serão cuidadas, alimentadas e ensinadas no período de tempo que permanecerem. Eu, Juan, sinto pela perda da senhorita Emily, meus sentimentos aos seus familiares.

Juan começou seu monólogo sobre segurança e como as garotas estariam protegidas enquanto lutassem pela coroa e por Kaleb. O príncipe nem conseguia mais sorrir – o discurso era tão patético que lhe dava dores no estomago, mas permaneceu lá, tão parado quanto uma muralha. Ouviu sua mãe falar palavras de conforto para as mãe das garotas. Ela falou pouco, mas disse que também tinha um filho e sabia como deveriam estar se sentindo agora e por ultimo prometeu que cuidaria de todas as garotas e as auxiliaria em o que fosse necessário. Quando Juan pediu se Kaleb gostaria de anunciar algo, ele tentou negar educadamente, mas não sabia como fazer isso, então apenas se virou para uma das câmeras e disse que estava proposto a resolver qualquer problema que enfrentasse, desejou boa sorte para as meninas e com um sorriso mínimo se despediu.

Foi confirmado que mesmo com a morte de Emily teria o jantar e o baile de boas-vindas – uma nova regra dessa nova Seleção – Mas não falariam nada para nenhuma selecionada sobre a morte de Emily. Quando as luzes estavam quase se apagando, Philip ergueu a mão em um chamado e disse:

–Veja só, Juan, estava quase me esquecendo de informar uma novidade para vocês. Sabemos que nenhuma pessoa pode substituir a outra, mas tecnicamente, a Seleção não se pode dar inicio sem todas as 35 garotas. E digo a vocês que a nova selecionada atende por nome de Myranda. Filha de Elena de Gales e ela está vindo para Herfleur... exatamente agora.

Notas finais
O que acharam? Enquanto eu escrevo, sempre to escutando alguma música, então no final de cada capítulo vou deixar pra vocês algumas musicas que escutei enquanto escrevia esse capítulo, também quero deixar o resultado da ""enquete"" para decidir quem seria a nossa rainha Danielle, em uma sugestão da Mariane Noleto, a princesa Mary, Herdeira da Dinamarca foi a escolhida (Foto: http://www.fashionrat.com/images/princess-mary-denmark-royal-family-mary-donaldson1.jpg) Eita que eu quero chegar aos meus 40 com tudo em cima assim! :) Outra coisa, eu tive pensando em fazer um grupo no facebook dos leitores da fanfic, o que vocês acham da ideia? Aprovam? Espero que vocês tenham gostado. *Músicas: Breakeven - The Script Echo - Jason Walker Down - Jason Walker Let Her Go - Passenger She - Ed Sheeran Quase sem Querer - Legião Urbana Alone Together - Fall Out Boys Eduardo e Mônica - Legião Urbana Céu Azul - Charlie Brown Jr. Bom, acho que foi mais ou menos isso... Beijão e.. até a próxima terça??