Notas iniciais
Primeira capítulo de 2015 na primeira segunda-feira do ano! Como estão vocês? Como foram as festas? Alguém de ressaca ainda? Tava morta de saudades de escrever e como eu acabei viajando por alguns dias só tive tempo de encerrar esse capítulo hoje. Eu disse que estava me desdobrando mais né? Estou orgulhosa de mim por conseguir arrumar tempo e pensar com bem mais atenção, cuidado e "profissionalismo" para a história e orgulhosos de vocês por serem tão atenciosos! Amei os comentários (Amo esses comentários grandes de vocês, obrigada)

Capítulo 16

Myranda colocava os pares de brincos quando Kaleb entrou no quarto sem nenhum aviso prévio. Ela arrumou as duas pedras de diamante – que provavelmente custariam a metade do castelo – e passou a mão sobre a testa cheia de laque e gel. Nesse dia, ela usava um coque bem no centro da cabeça, como se fosse uma bailarina. Como ela tinha feito aquilo com os cabelos curtos? Kaleb não sabia. Mas mesmo assim, não era esse o ponto.

Seu coração já não batia mais tão forte como alguns meses atrás, quando Bastian, recém-chegado do País de Gales, ainda estava bem escondido e os dois mal conversavam. Já parecia natural ter que esconder alguma coisa da prima. Afinal, eles meio que sempre fizeram isso. Nunca confiaram completamente um no outro. Não era como mentir. Era só ocultar.

–Conseguiu mais alguma coisa?

Myranda se levantou. Usava um vestido branco com direito a penas e uma luva que ia até a altura dos cotovelos.

–É.. – ela prendeu e soltou a respiração – Acho que estamos fazendo um bom progresso, primo. Mas... – ela se voltou para o espelho antes que Kaleb insistisse no assunto – Não quero conversar sobre isso agora.

–Sim, mas e quando vamos conseguir conversar?

–Depois do jantar. Assim você já aproveita e esquece sobre as meninas que tem que eliminar.

–Myranda, eu não estou dando muita importancia a isso, você sabe. Desde os últimos dois meses eu tenho tido encontros monótonos e quase sempre iguais.

–Mas tem algumas meninas que lhe interessam, não tem?

–Não vamos discutir minha vida pessoal.

Ela sorriu.

–Como quiser.

Myranda abriu uma das gavetas da penteadeira e vasculhou até encontrar um objeto branco e rosa. Era uma tiara de penas. Ela colocou sobre a cabeça e sorriu orgulhosa para seu reflexo no espelho. Agora sim ela era uma bailarina. Mesmo com o vestido longo, Kaleb poderia apostar que se ela decidisse dançar, flutuaria pelo quarto.

–Porque se arrumou tanto hoje? – o príncipe perguntou.

–Não me arrumei para você, o que é uma pena. Me arrumei para mim mesma.

Ele riu:

–Tá bom então.

Myranda cruzou os braços e o encarou por um tempo.

–Mesmo depois desses meses você continua tão... imaturo.

–Ok, Myranda. Vamos descer ou não?

–Vamos.

X

Mesmo não estando com os braços entrelaçados nos de Kaleb e mesmo que os dois primos não estivessem nem se falando, quando cruzaram a porta do salão todas as cabeças das mesas se viraram.

Kaleb não pareceu notar os olhares e tomou seu lugar entre Isabelle e Itália. Mas Myranda olhou. Em geral, ela gostava de ser olhada – inveja de certo modo é uma admiração encubada. Mas no momento ela se sentia um lixo, e o aperto que teve dentro do coração vendo que todas temiam e tinham nojo dela foi a pior sensação de todas. Claro, ela não deixou que sua postura caísse, mas por favor, só por hoje ela não queria ser olhada. Ser saber o porque, ela sentiu uma falta do irmão. Uma falta tão enorme de casa. Do seu quarto, das suas coisas.

Depois de tanto tempo lendo sobre a vida completa de Emily ela realmente não tinha como se sentir meio neurótica.

Myranda respirou fundo e também tomou seu lugar. A sua direita, Claire, e a sua esquerda, Jade. Perfeita num vestido azul. Seus peitos até mesmo pareciam maiores do que o normal e a boca destacada num brilho incolor parecia extremamente atrativa. Ela sorriu de lado para Myranda. Uma espécie de simpatia forçada com indiferença.

–Olá, Myranda.

–Jade.

Kaleb fez sinal para que os garçons servissem a comida, e imediatamente vários pratos começaram a serem postos. Um dos garçons posicionou-se ao lado do príncipe e em bom tom anunciou:

–Vossa Majestada, rainha Danielle, pediu que devido a ocasião especial prato principal de hoje seria um kebab com acompanhamento de sopa de beterraba, o que causa uma modificação no nosso cardápio original. De sobremesa, torta de amora silvestre e pasteis com leite condensado.

–Obrigada, cheff – Kaleb sorriu.

Jade se remexeu na cadeira.

–Uma ocasião especial, Vossa Alteza?

–Jade, olá. Então, sim, uma ocasião especial – ele parou – É sobre uma eliminação. Não, uma eliminação não. Acho que seria a nomeação das finalistas.

A sala congelou. Todas pareciam pensar “Como assim? Se ele ainda nem sequer beijou alguma de nós”. Isso foi divertido para Myranda. Foi como no primeiro baile, quando ela assistia as garotas se matando de nervoso enquanto só conseguia sentir raiva e vontade de voltar para casa.

Jade tomou um longo gole de água, provavelmente para empurrar o nó garganta a baixo e para disfarçar o nervosismo explorando de sua (falsa) segurança. Kaleb nem percebeu e continuou:

–Como sabem, pretendo dar um fim a Seleção logo. Chega de falsas esperanças tanto para vocês quanto para mim. Eu... andei pensando e conclui que alguns nomes se destacaram nesse meio tempo. Sei que não tenho tido tempo para vocês, afinal, meus companheiros de Illéa que me desculpem, mas Herfleur é diferente e certas coisas tenho necessidade de resolver por conta própria. Não quero que se sintam culpadas, afinal, a culpa não é de vocês. E nem minha. É só... que não deu certo. E é isso. Essa nova fase, na Seleção oficial era chamada de Elite. Que consistia nas principais finalistas. Para aquelas que vão ficar – Kaleb mordeu os lábios para evitar um sorriso – Acredito que vai ser um tempo difícil. Não que eu esteja me achando ou coisa do tipo, mas realmente... a disputa vai começar de verdade. E, meninas, sabotagens não são legais, lembrem-se.

Kaleb respirou fundo:

–Os nomes são: senhorita Katerina.

Katerina pareceu achar o caminho até os seus pulmões e tomou uma lufada de ar. Seu rosto desenhado expressava um alívio imenso. Ela sorriu grata para o príncipe que correspondeu com uma piscadela.

–senhorita Kristie.

Kristie, que enrolava os cabelos ruivos nos dedos se pegou desprevinida. Igualmente feliz abriu o maior sorriso que Myranda já vira esboçar.

–senhorita Isabelle e senhorita Evelyn.

A escolha era óbvia, Myranda pensou. Por algum motivo, ela tinha a impressão de que Isabelle e Evelyn estariam entre as finalistas.

–senhorita Jade.

Jade levantou o queixo e olhou para as pobres meninas que ainda não haviam sido mencionadas. Como se de certa forma fosse superior.

–Obrigada, Vossa Alteza – sussurrou na sua voz sedutora.

Kaleb continuou:

–Por fim, minha querida prima. Senhorita Myranda, a ultima finalista.

Myranda fez um sinal de positivo, sem muita emoção. Nenhuma das finalistas pareceu confortável com a decisão, e pareceram engolir alguns insultos ali mesmo, para que não se atacassem na princesa na frente de Kaleb. Ela não deu bola. As coitadas não sabiam o porque de Myranda se manter na seleção.

–As finalistas já podem se retirar. Acredito que eu deva ter uma conversa com essas lindas moças aqui.

Com isso, as finalistas se levantaram. Em uma reverência quase sintonizada, todas se despediram de Kaleb. Evelyn e Isabelle tiveram a decência de lançar olhares de pena para as outras meninas. Com doçura, elas lançaram sorrisos encorajadores para as outras selecionadas (agora eliminadas). Myranda não fez isso. Estava com a cabeça em outro lugar. Bem distante.

X

Jade tirou as amarras do vestido correndo e começou a se livrar da saia de armação e dos milhares de panos que a envolviam. Subiu na cama e começou a pular como se fosse uma criança de cinco anos – ela nunca havia pulado numa cama – e agora ela ria e amassava as cobertas como se fosse a coisa mais fantástica que já fizera. Mas a verdade era que não apenas a sensação de liberdade que sentia enquanto amassava o colchão lhe trazia tanta felicidade. O fato de que ela era oficialmente uma finalista era o mais impressionante.

Já dispensara suas criadas sem se preocupar muito com elas. Queria ficar sozinha e poder respirar dentro do próprio quarto. Se sentia bem pulando de um lado para o outro apenas com aquela langerie branca. Nem ligava.

Sua respiração estava ofegante. Mas seu peito ardia de alegria.

O quão sua mãe estaria orgulhosa agora? O que os jornais diriam? Bom, Jade sabia que ela era uma aposta forte lá fora. Ela tinha que ganhar. E ela ia ganhar.

Duas batidas na porta a puxaram bruscamente de seu mundo colorido. A garota já começou a correr atrás de roupas, preocupada, mas se deteve quando viu uma carta deslizando por debaixo da soleira da porta. Ela sorriu esperançosa enquanto ajuntava o papel.

Dentro de um envelope cor mostarda com um laço branco, havia um pequeno papel. Com letras rabiscadas de qualquer jeito por uma caneta azul, estava a frase:

A uma da manhã venho buscá-la, senhorita. Já sabe quem sou?

Sim, Jade sabia.

Seu príncipe. Seu futuro rei.

Respirou fundo. Essa era sua chance.

X

Myranda penteava os cabelos com dificuldade enquanto Kaleb esperava por alguma resposta.

–Porque você vai sair com Jade? – ela pediu pela milésima vez.

–Não sei. Porque deu vontade. Você não respondeu minha pergunta.

–Não respondi porque você sabe que eu não gosto da Jade. E além do mais, achei que íamos conversar essa noite.

–Myranda, nós estamos conversando. Mas você precisa me dizer o que descobriu.

A princesa respirou fundo, passando a escova de cabelo entre os fios.

–Menos fixados da próxima vez – murmurou para si mesma. –Primo, só posso lhe contar se prometer que não vai falar nada a Jade.

–Deus! Francamente? Acha mesmo que eu iria contar alguma coisa pra Jade?

–Não sei, você iria?

–Não vou responder sua pergunta idiota, Myranda. Esquece a Jade e pensa sobre a Emily. O que você descobriu?

Myranda virou-se para Kaleb. Ele estava sentado na sua cama, encarando-a.

–Consegui comprovar que ela é sim descendente do antigo presidente dos Estados Unidos. Não sei quantas noites virei naquela biblioeteca, mas consegui achar alguns arquivos interessantes sim, mas não foram esses arquivos que me fizeram descobrir sobre Emily. – ela engoliu – Conversei com seu pai. Disse que queria alguns livros de história porque não estava muito ligada aos assuntos do reino. E não deixa de ser uma mentira, você sabe como eu sou.

Kaleb sabia. Myranda nascera para ser livre.

–Ele conseguiu uns livros pra mim. Encontrei essa informação em um dos livros e aí foi fácil: Minha mãe queria matar algum descendente de alguém importante para ela mesma se achar importante, como você disse. A garota era completamente inocente e tolinha. Eu acredito que nem mesmo ela sabia que era parente do presidente Roosevelt.

–E isso quer dizer que...?

–Você estava certo o tempo inteiro: minha mãe quer eliminar qualquer pessoa ou coisa que intervenha seu caminho.

Myranda mordeu os lábios, reprimindo uma mistura de ódio e medo.

–Mas acho também que o fato de que Emily ter um “sangue azul” poderia prejudicar a mim, que também tenho.

–Elena matou uma garota porque pensou que ela seria um concorrente difícil pra você?

Kaleb continuou, incrédulo:

–E ela mesma já sabia que você não estava afim de participar disso tudo. – ele riu – Isso não faz sentido. Ou melhor, faz um completo sentido. Só comprova que sua mãe é uma louca.

–Por que ela quer tanto Herfleur, Kaleb?

–Porque ela é uma invejosa.

Myranda riu.

–Sim, eu sei que ela é. Mas não tem nada a mais?

–Não tem não. Quando uma pessoa não vale, não vai haver motivos concretos pra ela fazer algo de ruim, entende?

A princesa assentiu:

–Se você diz. Então esse assunto sobre a tal garota está encerrado.

–Encerrado. Agora vou me arrumar para buscar Jade...

–Kaleb – Myranda o interrompeu levantando da cadeira. Ela ainda usava aquele vestido branco e mesmo que já tivesse tirado a maquiagem continuava linda – Preciso mandar uma carta para o meu irmão. Bastian é um bom garoto, mas é muito inocente. Não consegue enxergar minha mãe da forma como ela é. Será que tenho como fazer isso sem ninguém ficar sabendo?

O príncipe a encarou. Ele não iria dizer nada, era promessa. Não iria quebrar um juramento. Sorriu triste.

–Desculpe. Não tem como. Boa noite, prima.

–Certo. Boa noite, primo.

Notas finais
acompanhem o site e comentem aqui sobre o que estão achando da matéria, é muito importante! http://herfleur.wix.com/onceagain O vento - Projota Quase sem querer - Legião Urbana Afire Love - Ed Sheeran Mudaram as Estações - Legião Urbana