Once Again - Interativa
15 Capítulo 14
Notas iniciais
Capítulo 14
Por sorte, Jade parecera levar a sério o que Bailey lhe advertira sobre a expulsão e decidiu que era melhor não segui-lá.
Não, a empregada não estava preocupada com o fato de que uma menininha que vivia uma vida achando-se superior aos outros pudesse lhe apresentar alguma ameaça, e, quando dissera que só recebia ordens do rei e da rainha era verdade, mas o que ela diria se eles acabassem descobrindo que ajudava Kaleb a esconder Bastian no castelo?
Aí, com certeza, todos viraram a favor de Jade e contra ela.
Mas essa não era a questão com a qual se preocupar.
Enquanto Jade se preocupava que cor do esmalte combinava com seu vestido, Bailey se preocupava em ajudar um príncipe a fazer uma nação melhor. Ela estava sendo muito mais rainha ou muito mais dama da sociedade do que a tal selecionada. Era isso que importava. Isso a fazia mais importante, sim?
Bailey jogou o rabo de cavalo para trás, como se pudesse esvaziar a cabeça e esclarecer os pensamentos com o movimento e depois subiu rapidamente em direção ao quarto andar. De noite, os corredores eram vazios e silenciosos, e não impotava se estivesse usando sapatos de saltos ou chinelos de dedos, nenhum barulho era audível dos quartos – as paredes haviam sido construídas para serem assim – mas mesmo assim foi estranho se esgueirar pelas sombras e cuidar para não ser vista.
Numa hora daquelas, ela costumava já estar se arrumando para dormir e mesmo que os guardas não tivessem nada a ver com o que ela fazia ou deixava de fazer, vê-la zanzando por aí seria um bom motivo para levantar suspeitas. Mas o quarto andar não era tão longe quanto aparentava ser, apesar de ser muito diferente do restante do castelo.
Era depredado, as portas não eram como as de madeira e a depredação era vísivel ainda na noite escura. O vento empurrava o cheiro de poeira diretamente para o nariz de Bailey e a fez ter vontade de puxar pano e balde e começar uma limpeza no mesmo instante, mas esqueceu-se assim que cruzou a porta do quarto e viu Bastian.
Ele era perfeito. Lindo apesar de estar um desleixo, mas não foi por isso que Bailey sentiu o enformigamento nas mãos. Olhar dentro daqueles olhos foi o clic que faltava: Certo, então você passa a ser minha responsabilidade?
Bastian se levantou da cama, seus pés estavam descalços e sujos. Bailey caminhou até a outra extremidade do quarto e colocou as roupas lavadas em cima de uma cadeira.
–Fui mandada por Kaleb – ela explicou-se – Vou cuidar da limpeza do quarto e das suas roupas até que... Até que se decida algo.
–Sim. Obrigada.
–Meu nome é Bailey, aliás. E acho que agora sou sua criada.
–Meu nome é Bastian. E acho que agora tenho uma companhia.
Ela sorriu, e o silêncio se instalou pelo quarto. Não era um bom sinal, era como se ela estivesse esperando mais dele. Ela sempre vivia esperando mais de todo mundo.
–Então – pigarreou – Quando você precisar, me chame.
Bastian ergueu uma sobrancelha, e estralou os dedos diversas vezes – como ele conseguia?
–Não, não me chame porque você teria que sair do quarto... Não sei, então me chame. Vou vir regularmente aqui, só isso.
X
Kaleb não queria ter que levantar da cama, tomar banho e vestir uma roupa decente para enxotar um grupo de garotas da sua casa. Primeiro que: a) como se expulsa alguém que quer casar com você da sua própia casa? E segundo que b) ele nem tinha conversado com elas direito.
Mas ele pensara de verdade sobre o que Bailey havia lhe dito: Era um tiro no escuro. E, apesar de ser muito importante ficar planejando e calculando as coisas como um verdadeiro analista, as vezes se arriscar também significada dar um grande salto. Se fosse um erro, ótimo. Ele cometia erros e era natural cometer mais.
E... pensando bem, era até mesmo melhor que eliminasse essas garotas sem criar um verdadeiro laço afetivo, porque depois teria choradeira e provavelmente uma coleção de corações partidos por aí. Não era legal ter que lidar com essas coisas de sentimentos. Nunca era. E Kaleb vinha percebendo que ultimamente estava com o grande defeito de não conseguir colocar as rédeas em si mesmo: acabava atropelando as coisas apenas por se sentir irritado, e colocava tudo a perder porque armava uma discussão. Como na noite passada, com Bailey. Foi por pouco que a briga não passou a ser algo mais sério e por um curto momento ele chegou a pensar se poderia expulsá-la do castelo assim como desejou expulsá-la de sua vida.
O príncipe afastou os pensamentos de lado e se levantou. Pediu para que um dos sesu guardas mandassem um bilhete avisando sobre um café da manhã coletivo no Grande Salão e ficou encarando o teto por uns dez minutos. Sem pensar em nada, só sentindo a estranha mistura de ansiedade com preguiça em cada célula do seu corpo.
Caminhou até o guarda roupa e puxou uma das camisetas branca de algodão, que combinou com um paletó petróleo e sapatos engraxados. Tentou pentear os cabelos para trás, mas eles estavam bagunçados demais, então ele os deixou meio desengrenhados – não, é claro, da forma que ele sempre usa quando está sozinho – mas apenas com umas madeixas rebeldes.
Sem olhar para o reflexo no espelho, já apertado no horário, Kaleb desceu rapidamente pelas escadas espiral e correu em direção ao Grande Salão.
Devido ao café da manhã, três guardas tomavam conta da porta principal, um deles era o senhor Watson, que não teve problemas desfazer a carranca de durão e deu o sorriso mais simpático de todos para o príncipe. Ele tinha o sorriso exatamente igual o de Bailey, só que com dentes amarelados. E talvez ele também tivesse sido loiro um dia, antes dos fios cor de fumaça tomarem conta.
–Como vai Alteza? – ele
–Indo. Qual é a de hoje, Bill?
–Guardas portas e você?
–Cuidar de algumas muitas garotas.
O soldado riu. Os outros colegas ao seu lado mal moviam o peito para respirar.
–Certo. Boa sorte, cara. Estou chorando por você.
Kaleb sorriu de volta e deu um tapinha no ombro do homem antes de entrar no salão.
Trinta e cinco pares de olhos o encararam ansiosos quando o clique da porta anunciou que estavam a sós no comodo.
O olhar que mais lhe chamou a atenção foi o de Isabelle Valência – por algum motivo ela parecia irritada ou fosse a forma como o nervosismo refletia nela. Mas... Ele tentou sorrir. Ou melhor, sorriu. Deu um belo sorriso que não fazia ninguém desconfiar que no momento ele pensava se apanhar de unhadas doia demas. Ou será que elas ficariam chateadas ao invés de bravas?
Kaleb tomou seu lugar o centro. Entre Alpha e Evelyn.
–Então, porque não se servem?
Elas se trocaram olhares.
–Vamos gente, podem comer.
O barulho de talheres começou timido. Jade se levantou para buscar um pãozinho integral e o revirou dezenas de vezes no prato antes de colocar um pedaço de queijo light nele e enfim comer. Katerina comia lentamente sua salada de frutas, apreciando o sabor, mas com os olhos colados nos do príncipe enquanto Evelyn e Kristie comiam dois belos pedaços de torta de frango.
Kaleb fez o mesmo. Primeiro, atacou os doces: Fez uma montanha em seu prato de torta de morango com chocolate, dispersou mais uns merengues e fez uma potieca de pasta de amendoim com ganache e chocolate branco.
No segundo prato, colocou um pedaço de torta de frango e um mini sanduíche natural. Onde teve que empurrar tudo com um copo gigante de leite puro. Jade pareceu apavorada e o encarou por um tempo antes de continuar a comer o pão seco que tinha em mãos.
Assim que a refeição terminou ele suspirou fundo. A comida não parecia ter assentado muito bem para muitas delas, que estavam com os nervos a flor da pele.
–Meninas, acho que precisamos conversar – ele começou. – Então... Vou pedir para que as senhoritas Alpha, Nastya, Dasha, Laura e Alice permanecam aqui. As outras poderão ter um tempo no jardim, já pedi para que carregassem alguns livros e revistas da biblioeteca para lá.
Elas obedeceram. Alpha espremeu os olhos, já esperando pelo o que estava por vir, e Kaleb quase pode ouvir sua oração silenciosa pedindo para que não acontecesse nada de ruim. Ele engoliu.
–Muito bem, senhoritas – ele tomou a frente diante do silêncio – A seleção precisa avançar e acho que chegamos em tempos de escolhas mais rígidas. Não quero que nenhuma de vocês saia desse castelo pensando que não são boas o suficiente ou que nenhum esforço valeu a pena. Saibam que, se nada aconteceu até aqui, provavelmente não irá acontecer.
Era mentira. Nada havia acontecido com ninguém.
Ainda.
–Vocês não vão voltar para casa de mãos abanando, poderão levar os vestidos que suas criadas fizeram para vocês e as coisas que adquiriram aqui como um perfume novo, ou alguma jóia. Então... Não sei fazer isso de forma que não vou parecer rude, mas espero que no momento vocês não estejam querendo me matar ou...
Dasha levantou os olhos cheios de lágrimas. E Kaleb cortou seu discurso, sentindo as palavras vacilarem pela primeira vez:
–E também não é legal ver vocês chorando. Não tem o que eu possa fazer. Vocês podem aproveitar mais o dia de hoje e amanhã de manhã um avião partira antes do amanhecer, para que tenham um dia com a família de vocês. Eles vão saber confortar vocês. Desculpa, realmente me desculpem.
Ele pegou a mão de Alpha, que tremia de forma descontrolada sobre a mesa. Cada parte do seu corpo tremia, mas ela não chorava.
–Estão liberadas. E... podem fazer o que quiserem até o momento do voo.
X
Philip jogou o jornal sobre a escrivaninha de Kaleb. O príncipe ergueu os olhos cor de mel, ainda meio desatento ao que estava acontecendo com metade de seu cérebro pesando para outros problemas.
–Leia a manchete.
A mandíbula de seu pai estava trincada, mas ele não parecia estar bravo com o garoto especialmente, mas bravo com o mundo inteiro. Com o fato de que o mundo não estava se curvando para ele.
O garoto pegou o jornal. Na manchete, uma foto exageradamente grande ganhava destaque pelos olhos e sorrisos brilhantes de William e sua noiva, Deborah. Eles estavam meio entrelaçados, olhando para a extremidade oposta da camera, como em um perfeito photoshoot. Em negrito, lia-se as palavras: Deborah Consolaro já tem data marcada para se tornar Deborah Consolaro Bergonzi
Kaleb se inclina na poltrona, mais interessado no assunto.
Em exatos três meses, William estará oficialmente casado. E o jornal italiano pareceu ser comprado especialmente para ter essa repercussão. A cada página virada, há alguma coluna apontando algo sobre o grande dia.
No caderno de decoração, a editora usou todo seu tempo de trabalho para analisar as flores e os panos da festa de noivado. Ela falou sobre lírios e rosas e outras coisas bem femininas que Kaleb não entendia, eram coisas como “pano tal que casa com paredes de material x”, mas no fim, ele compreendeu que aos olhos do público, não havia defeitos.
A crônica de um escritor de renome falava sobre ‘amor verdadeiro’ e o título era “Amor Real” com enfase na palavra real.
Philip puxou o jornal de volta para si.
–Ele está me provocando – afirmou. – Fique esperto, Kaleb. Fique esperto.
X
... Dois meses depois ...
X
Jade subiu as escadas marchando. O vestido verde água que as criadas haviam lhe feito era pesado demais, e o tecido coçava na altura dos combros e nas coxas, mas ela se sentia magnifica. Seu corpo era uma escultura feita por Deus dentro daquela roupa.
Porém, ele era uma surpresa para Kaleb. Hoje a noite, ela teria um jantar a sós com ele. E sim... finalmente o atacaria de jeito... Ou deixaria que ele a atacasse, mas quando viu Bailey na sala de costura, tentando esconder alguns tecidos ou roupas ou qualquer coisa que fosse aquilo, ela não perdeu a chanche. Pediu para que as criadas a deixasse sozinha , puxou os cabelos em um rabo de cavalo e correu atrás da loirinha.
A raiva do dia em que a vira conversando com o príncipe havia se acendido mais forte do que chamas. Bem que Jade tentara esquecer o assunto, repetindo um mantra para si mesma de que uma empregada não tinha nenhuma relação com Kaleb Stein. Claro, não conseguiu egurar a curiosidade e especulou Valência sobre a garota, mas sua amiga também não sabia muito além do nome: Bailey Watson.
Jade a viu subir para o quarto andar e não hesitou em segui-lá porque ninguém nunca ia lá. Ela poderia juntar cada vez mais provas de que a empregada estava fazendo algo de errado e dedurá-la para Kaleb. Ele ficaria irritado e a puniria.
A menina se escorou na parede, puxando a armação do vestido para mais junto de si e esperou o que lhe pareceu longos minutos até que Bailey voltasse. Ela sorria e Jade a encurralou. Saltou como um leão em sua presa e a empurrou contra a outra extremidade da parede.
–O que você está fazendo aí, loirinha?
Bailey empalideceu, depois seu rosto assumiu um tom vermelho de raiva e ela rosnou:
–Nunca parei pra pensar se burrice e carência de anteção passa atrás do contato físico. Será que agora que você me encostou eu vou ficar assim, ridícula como você?
Jade emitiu um gemido fino de ódio.
–Não sei, será que pobreza passa?
Bailey explodiu em risadas. Seu corpo se curvava de tanto rir. Ela tentou buscar ar para respirar, mas não conseguiu. Jade a apertou mais contra a parede, mas mesmo assim ela ria.
–Qual é a graça?
–A graça é que eu não sou pobre, senhorita. Verdade, não sou rica, mas também não sou pobre. E... você sabe que as empregadas camareiras como eu só são contratadas se são bonitas o suficiente para serem vistas?
–Mas seria muito doloroso saber que mesmo sendo bonita você nunca poderá ter a chanche de disputar pelo coração do príncipe.
–Ah, sim. É muito doloroso saber que príncipe Kaleb nunca olhará para mim com os mesmos olhos que olha para você. Choro todas as noites pensando na minha depressiva situação.
Bailey riu de novo, dessa vez tapando a boca para abafar o som. Jade ferveu de raiva e a empurrou forte contra a parede.
–É melhor que o que você esteja escondendo atrás daquela porta seja algo muito podre mesmo. Vamos ver quem vai usar a irônia então.
–Jade...
Bailey pegou-a pelos cabelos antes que ela pudesse correr em direção a porta. Mas a menina se debatou e jogou a cabeça para trás. A loira se viu com um punhado de cabelos em mãos ao perceber que a patricinha conseguira se livrar do aperto.
Bailey correu e agarrou-a pelos braços, tentano impedi-la com apertões e unhadas. Jade se virou para ela. Com os cabelos literalmente em pé e os olhos arregalados.
–Me larga sua vabagundazinha...
As duas se agarraram em tapas. Bailey estava ganhando, mas tinha que ter o cuidado para não danificar o rostinho de porcelana dela, ou estaria tudo perdido. Jade lutou, e por pouco tempo antes de ser puxada para o chão, conseguiu abrir a porta.
Bailey tentou puxar a porta de volta e olhou rapidamente para dentro, buscando por Bastian. Mas ele provavelmente estava no banho ainda.
Jade reclamou e apoiou-se nos cotovelos para levantar do chão. A empregada tentou chutá-la de volta, mas a menina agarrou-lhe as pernas e de uma forma sinistra conseguiu se por sobre as duas pernas. Ela cambaleou para se equilibrar, mas agarrou o rosto de Bailey e a empurrou para longe.
Nos poucos segundos que teve de vantagem, ela entrou no quarto e trancou a porta atrás de si. Sua cabeça doia por causa dos puxões de cabelo. Ela rosnou e correu para a frente do espelho, sem se incomodar em dar uma cheacada no quarto. Até que ouviu uma voz e a raiva se desfez em surpresa:
–Quem diabos é você?
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