Notas iniciais
Oi! Primeiramente, queria agradecer a todo mundo que comentou ou pelo menos tirou um tempo para ler a fic, vocês ó... são demais! Segundo, já fico feliz que vocês tenham gostado da história, mas review sempre é bom, então façam um esforcinho e comentem opiniões aí no final do capítulo... Espero que gostem desse! (Já me antecipando que esse capítulo não tá lá essas coisas, mas é mais uma introdução para vocês começarem a se situar dentro de Herfleur)

Capítulo 1

–Em menos de um mês meu querido filho, William irá assumir oficialmente o trono da Itália. Tarefa que eu venho o ensinando desde o berço, não é mesmo garoto? – Pierre dava tapinhas no ombro do garoto enquanto tomava sua quinta taça de vinho.

–Mas William não completou vinte anos ainda.

O rei da Itália riu.

–Não. Ele tem a mesma idade daquele moleque – disse apontando para Kaleb – Só que meu filho já está mais que preparado, Philip, minha nação inteira confia nele.

–Herfleur também confia no meu filho. Acho que estamos precipitando as coisas por aqui, amigo.

–Por que? Porque acha isso?

–Nossos filhos têm a mesma idade. São crianças. Vamos colocar dois meninos governar países?

–Ora, deixe de ser dramático! Só estou antecipando as coisas um ano.

Kaleb viu a deixa para interferir no assunto e apresentar o projeto que tanto pensara. Finalmente ele e seu pai estavam concordando totalmente em uma coisa.

–E se as coisas mudassem? – o príncipe disse – Na última Constituição está escrito que quando o sucessor completar 20 anos, o rei deve renunciar. E se entrássemos em um acordo para muda-la?

Pierre ficou vermelho de raiva.

–O que está dizendo, garoto? Não é você que quer roubar o trono do seu pai antes mesmo dos vinte anos?

–Não quero roubar o lugar do meu pai, quero conseguir isso com meus próprios méritos.

–Está propondo isso porque vê que não é capaz de assumir o trono em menos de um ano?

–Talvez – Kaleb deu de ombros – Não estou preocupado com quantos anos vou me tornar rei, mas se é pra chegar diante de todo mundo e não saber nem o que dizer prefiro esperar.

–Escute Philip, – agora Pierre olhava diretamente para o rei – se Kaleb não está preparado para assumir eu sei que William está.

–Vai arriscar tudo? – dessa vez foi Brian quem falou, o representante da província de Jasmine – A Itália acabou de sair de uma crise, Vossa Majestade. O senhor está se garantindo?

–Uma crise a qual Herfleur teve que ajudar – acrescentou Lucca, de Deucan – Nós tivemos que segurar todos os gastos para vocês terem o que comer

–Então a decisão do Conselho é não? – William levantou as sobrancelhas, indiferente ao caso – De qualquer forma, no próximo ano já terei vinte anos.

–Como vamos saber se o Saukerl ali é um bom governante? Ele nunca compareceu nas reuniões – Vincent girou entre os dedos a caneta que segurava.

–Eu estava o preparando em minha casa – explicou Pierre – Ensinando o meu governo para ele.

Kaleb empurrou a cadeira para trás e se levantou.

–Faça como quiser. Mas Herfleur não vai ajudar se afundarem em crise novamente.

–Temos Illéa ao nosso lado – rebateu William

–Tinham – lembrou Alec levantando-se ao lado de Kaleb – No tempo de Nicoletta. Não sei se Illéa vai abrir os braços para acolher vocês. Qual foi a última vez que vocês se viram?

Pierre fez menção de também se levantar, mas Philip foi mais rápido e levantou as duas mãos, mandando todos se acalmarem e voltarem aos seus acentos. Demorou um pouco para os três homens acalmarem os ânimos, mas logo se obrigaram a escorregar de volta para as cadeiras.

–Na verdade, Kaleb tem razão – o rei disse pensativo – podemos mudar a Constituição.

–Mas isso é roubar! Tenho certeza de que no seu caso você também deixaria seu filho assumir o trono.

–Não é roubar. Você nunca trouxe William nas reuniões, concordo com Vincent.

O alemão levantou as sobrancelhas como se dissesse “eu avisei”.

–Ontem fomos visitar nossas cidades – começou William com um suspiro – E demoramos cerca de quatro horas para voltar ao palácio quando precisaríamos de apenas uma, acontece que o povo estava na rua. Chamando pelo meu nome. A Itália quer isso.

–Esse é seu único argumento? – alfinetou Kaleb.

–Kaleb! – esbravejou o rei batendo com o punho na mesa – Basta!

O príncipe ficou calado e o rei deu prosseguimento.

–Se mudarmos a Constituição podemos elaborar leis que entrem de acordo com o que nós dois queremos, Pierre.

–Como um governo experimental? – perguntou Christopher

–Isso – Philip disse de má vontade e Kaleb percebeu que ele aceitara seu projeto para poder passar por cima dos italianos e dar um jeito de que William não alcançasse o poder. – Podemos aumentar o prazo do atual rei até que seu sucessor complete vinte cinco anos.

–Ou consiga por merecer – acrescentou Vincent.

–Como meu filho. – a voz de Pierre foi clara e firme.

Bastou. Philip praticamente saltou da cadeira e deu mais um soco na mesa. Seus cabelos perfeitamente arrumados se bagunçaram.

–Você foi o único burro que nunca apresentou os projetos de William para nós. Kaleb tem ideias desde os quatorze anos!

–Ideias que nunca vão se realizar. – William também se levantou.

Os homens foram se levantando ao pouco, reconhecendo ameaças, Kaleb se inclinou para o lado de William.

–Pelo menos eu tive coragem o suficiente para apresenta-las ao invés de ficar escondido em casa – O italiano abriu a boca para gritar com ele, mas Kaleb continuou – Quem garante que você não está tramando para um de nós?

–Nossa, vejo que homens de confiança que vocês são. Talvez seja por isso que seu povo não te ame, Kaleb – provocou William numa voz calma.

–O projeto do meu filho está aprovado – anunciou Philip por cima das provocações. – Quem estiver contra que se apresente agora.

Pierre e William levantaram as mãos, mas os restantes das pessoas permaneceram calados. Russell e seu filho mais velho, Hugo, da Nova Ásia, permaneceram calados, demonstrando seu consentimento. Os representantes das províncias estavam de acordo também, eles sempre concordavam com Philip. Vincent apenas esboçou um sorriso.

–Parece que a maioria está de acordo – disse Russell – Sinto muito, meu velho.

Pierre deu de ombros.

–Então que comecemos o trabalho.

–Ótimo. Vou apresentar as minhas ideias – informou Philip – Não quero adiar meu prazo de renuncia. Aos vinte anos qualquer príncipe irá assumir o trono e qualquer rei vai ter que renunciar.

Ele varreu os olhos cor de caramelo pelos homens mas ninguém se pronunciou contra.

–Mas apenas se arrumar uma esposa antes.

William jogou a cabeça para trás de tanto rir.

–Você acabou de me dar o trono, Majestade. Eu já tenho uma namorada. Uma francesa.

–Ótimo – o rei não pareceu nenhum pouco preocupado – Mas o casamento não pode acontecer antes que o do meu filho, já que Kaleb é mais velho.

–O que Vossa Majestade propõe? – perguntou Alec.

–Quero remontar um projeto abandonado já há muito tempo. Vamos reviver a Seleção. E então aos vinte anos, com uma esposa, ele já poderá se tornar rei.

–Reviver a Seleção é loucura! – protestou Pierre – Então deixe com que seu filho se case com uma moça qualquer.

–Uma moça qualquer não pode ser a rainha da Republica de Herfleur. – ele suspirou –Os representantes de cada província se encarregarão de mandar as cartas ainda hoje.

–Espere. – William interveio – Você não pediu se todos estavam de acordo.

–Certo. Então... Todos de acordo?

Mais uma vez apenas os italianos não concordaram. Kaleb não sabia se concordava ou não. Isso faria dele um homem melhor?

Ele olhou para o pai, mas ele parecia vidrado, pensando apenas em começar a planejar o reality. Seus olhos se encontraram por um momento e Philip sorriu.

–Foi o que eu pensei. Então estamos todos de acordo. Se William quiser casar com a tal francesa pode casar, mas só depois de que a Seleção for realizada.

Vincent parecia achar o assunto muito chocante e por isso parecia se controlar muito para não rir da expressão de tacho no rosto de cada membro. Kaleb soltou o ar e parou para pensar em ter quinze garotas dentro da própria casa. Se não ficasse louco até o fim daquilo tudo, talvez conseguisse levar aos poucos.

Esposa, pensou por um momento. Soava estranho. Mas ele poderia lidar, certo?

–Você conhece as regras da Seleção não é? – Philip perguntou e o garoto fez que sim. – Dispensados.

Todos se levantaram mais ou menos no mesmo tempo, o que fez com que um barulho de arrastão de cadeiras cortasse o ambiente. Vincent foi o primeiro a deixar o lugar, só parando para dar um breve adeus para Philip e um aceno de cabeça para Kaleb. Depois os homens foram seguindo aos poucos, levando alguns minutos para comentar algo insignificante com o rei. Até mesmo William e Pierre tiveram tempo para isso, por mais que a tensão no ar fosse bem evidente.

Na hora que Kaleb ia cruzar a porta, ouviu a voz do pai chamando pelo seu nome e se virou.

–Você fica – ele disse – Temos que acertar algumas coisas.

–Claro pai. – Era estranho que mesmo sem nenhuma câmera Kaleb ainda se mantinha formal, talvez fosse força do habito.

–Bom, sente-se. – ele obedeceu – Sei que você pensa que algumas coisas que acontecem por aqui são loucura...

–Como o fato de que nós tivemos que fazer nosso povo trabalhar o dobro no ano passado por causa da crise italiana?

Philip fingiu não ouvir o comentário

–Acontece que faço as coisas pensando no seu futuro. Quero entregar tudo isso em perfeita ordem para você seguir em frente.

Kaleb apenas balançava a cabeça: Você não entende. Era só o que ele conseguia pensar. Seus dedos passearam pelos cabelos castanhos, bagunçando as mechas e deixando o jeito que ele gostava ao invés do arrumadinho habitual.

–Mas Danielle me convenceu de que tenho que soltar as rédeas para você, moleque. A Seleção está na sua mão, vou deixar com que você exerça os projetos que quiser.

Philip pousou a mão no ombro do filho. O toque fez com que os músculos do garoto se contraíssem no lugar encostado e os dois trocaram um olhar rápido. Kaleb buscou por um sinal de arrependimento no rosto do pai e não achou, mas sabia que também não estava fazendo isso de boa vontade.

–O seu defeito é que você acha que pode mudar o mundo inteiro. E não pode. Você não pode mudar a mente das pessoas, Kaleb! Trabalhe de forma que ajude apenas a você.

–Terminou? – pediu, por fim. Philip bufou mas acabou concordando – Então quando as correspondências chegarem me chame e eu decido o que vou fazer em relação a Seleção.

Notas finais
Gostaram? Ainda estou a espera de mais fichas de vocês ein, beijos