Notas iniciais
Demorei? Bom, antes de vocês lerem isso, quero que saibam que andei bem empolgada com esse capítulo e procurei caprichar bastante. Estou animada! Ah, fiz uma coisa diferente: coloquei vários pontos de vistas e fiz várias quebradas na história. É uma forma diferente de organizar, mas eu achei legal e deu para explorar bastantes universos, tanto que nesse capítulo preferi deixar o ponto de vista do Kaleb mais para o segundo plano. Aqui tem bastante o lado das selecionadas. Me digam se está bom assim, porque eu gostei de escrever dessa forma e gostei do fato que posso colocar mais informações. Quero a opinião de vocês ein! Espero que gostem porque nossa história deu uma guinada muito importante!

Capítulo 19

Jade sabia que era o centro das atenções entre as selecionadas. De fato, sempre fora. Mas agora estava demais e começava a se perguntar se, no momento do calor da discussão com Kristie, ela não tivesse ultrapassado os limites tornando um fato real em uma pequena mentira. Era verdade, ainda sentia o calor dos lábios de Kaleb no seu. E também não podia mentir que não havia gostado daquelas horas. Ter colocado sua saia, abusando da sua sensualidade e conseguido ter o príncipe só para ela havia sido a melhor coisa que tinha feito no castelo. Se pudesse escrever cartas, faria questão de escrever a sua mãe contando tudo nos mais ricos detalhes. Ela ficaria roxa de orgulho!

Mas não era assim. Apesar de um lado seu estar feliz e animado pelo fato de ter sido a primeira garota que Kaleb havia se relacionado, o outro estava em agonia e tensão. Não gostava dos olhares críticos de Kristie e nem da forma como Katerina parecia estudá-la, querendo descobrir o que havia por dentro dela. Isabelle estava se distanciando. Será mesmo possível? Elas eram amigas... Isso não estava certo.

Jade nem mesmo descia mais para o café da manhã. Estava grata pelo fato de que Danielle havia liberado as moças para fazerem as refeições no quarto. Não precisavam mais fazer hora no salão também, o que era melhor. Deixar as garotas fazendo suas fofocas sozinhas era melhor do que se obrigar a ver aquele circo. Assim, pelo menos seria mais fácil ignorar.

–Bom dia, senhorita – Yanna, uma das suas criadas entrou no quarto fazendo uma reverência rígida. Jade levantou, um pouco tonta de sono.

–Oi – disse.

–Vou começar a preparar o seu banho, minha lady. Por favor, não se mova, deixa que lhe ajudo.

Mas Jade já havia chutado as cobertas e jogado as pernas para a fora da cama. Yanna veio correndo em sua direção, pegando suas mãos e a ajudando a se manter em pé.

–Não, está tudo bem – a moça disse, tirando as mãos macias das calejadas da criada. – Só arrume meu banho e deixa que eu faço o resto sozinha. Quero ficar sozinha hoje.

–Como quiser senhorita.

Yanna seguiu para o banheiro, Jade ouviu o barulho da torneira se ligando e logo o cômodo foi invadido pelo aroma de flores do campo da essência usada. Depois de alguns minutos, a criada voltou:

–Está tudo pronto.

Jade caminhou até o banheiro, os dedos rápidos de Yanna começaram a desfazer os barbantes da camisola da garota, logo, ela estava livre das roupas.

Depois do banho, Jade se jogou na cama. Escolhera um vestido caramelo tomara que caia. Ele apertava sua cintura e caia em camadas de tecido leve e fino até o chão. Seus cabelos estavam soltos e bem compridos. Desde que chegara ao castelo, ainda não havia cortado os fios. Provavelmente faria amanhã ou depois, quando fosse mandada para casa. Kaleb com certeza ficaria irritado com os boatos que ela inventara. Por mais que seu coração palpitasse uma esperança. Do pouco que conhecera do príncipe sabia que tinha bons motivos para suspeitar que ele era uma pessoa boa e misericordiosa. Só que era difícil entrar naquele coração de pedra, ele era impenetrável e Jade não sabia se era ela a pessoa que teria a oportunidade de amolecer o seu coração.

–Está tudo bem com a senhorita? – a criada se inclinou levemente, os olhos brilhando de preocupação.

–Sim. Por que?

–Desculpe-me a intromissão, mas... a senhorita parece meio distante.

Jade suspirou:

–Só impressão sua.

–Certo. Então irei buscar seu café da manhã. Logo estarei de volta.

A garota concordou com um aceno de cabeça, mas depois pensou melhor. O príncipe havia organizado um banquete a dois dias atrás. Eles não haviam conversado. Depois, tinha levado Myranda para cavalgar. O que era estranho, já que eles se odiavam muito. Talvez tivessem escondendo algum segredo... Jade parou. Inevitavelmente seu olhar foi para o teto. O andar de cima... O andar de cima. A garota, Bailey... Bastian era irmão de Myranda. Era obvio que estava tudo interligado, como ela tinha sido tão desleixada por deixar isso passar? Por medo de que Kaleb pudesse fazer algo contra ela? Mas agora ela tinha certeza. Se o príncipe já soubera dos boatos (o que provavelmente já sabia devido a irritação repentina no grupo das garotas) e não havia feito nada de mal para Jade, significava que ele era sim uma pessoa misericordiosa, como suspeitava. Mencionar sobre Bastian poderia ser arriscado, mas ela tinha que tentar. Ela precisava.

–Yanna!

A criada se assustou um pouco com o grito de Jade. Não era para soar tão alto e apurado, mas escapou:

–Você acha que consegue algum jornal para mim?

–Senhorita... Nenhuma de nós temos acesso a isso.

–Por favor? – ela tinha certeza de que teria alguma coisa sobre Bastian no jornal. Será que a família real de Herfleur havia raptado o príncipe?

–Nenhuma das selecionadas tem acessos a revistas ou jornais, pois são ordens do rei. Ele acha perigoso tanto para vocês quanto para eles. Sou uma criada nova, senhorita. Não tenho como conseguir um jornal.

–Sim mas certamente você conhecesse alguém que pode conseguir um jornal, não conhece?

Ela pareceu considerar a hipótese por um momento:

–Leah é a criada do príncipe Kaleb. Sei que ela divide turnos com Trixie para levá-lo o jornal todas as manhãs.

–Ótimo. Consiga com uma dessas.

–Bom – Yanna fez uma careta – Não sou próxima de nenhuma das duas. Elas são mais experientes no serviço. Mas... vou dar o meu melhor.

–Dê um jeito de conseguir um jornal. Só venha com o café da manhã quando consegui-lo.

–Senhorita.

–Rápido, Yanna. Por favor.

X

Depois de combinar estratégias para defesa com os guardas em caso de algum ataque surpresa, Kaleb ficou sozinho no porão do castelo. Aquele lugar era imenso e muito bem reforçado em questões de segurança. Tinha grades de ferro maciço e correntes e cadeados por todos os lados. Era o local onde se preparavam para uma guerra ou uma pequena batalha que fosse, onde podiam combinar táticas e preparar munições. Geralmente era difícil para o inimigo invadir um local daqueles, que por ter uma iluminação baixa tornava-se um local perigoso. O exército alheio não sabia o que poderia esperar daquele lugar.

–Soldado Watson, estou confiando em você. Quero que você e mais essa meia dúzias de homem repitam as informações passadas exatamente como em minhas palavras para o restante do grupo – Kaleb repetiu. Não podia organizar uma reunião com todos os guardas do castelo, pois de certa forma deixaria o palácio sem proteção, então convocou apenas os que não estavam em turno agora.

–Está entendido, Alteza. Sabe que pode confiar.

Watson pigarreou. Eram poucas as vezes em que Kaleb o vira sem o uniforme e o cabelo bem arrumado de um guarda, mas gostava da postura que o homem assumia quando não estava trabalhando. Hoje usava uma regata branca, e mesmo tendo idade para ser seu pai, o cara não estava por baixo. Tinha corpo e saúde perfeita. Seus olhos avaliaram o príncipe, que mantinha uma expressão franzida olhando para um mapa do castelo. Kaleb conhecia cada canto daquele lugar, mas se mantinha concentrado em ter na ponta da língua as estratégias que traçara.

–Então... Como vai com as garotas?

–Oi? – ele levantou o olhar, distraído.

–As garotas... Da Seleção.

Kaleb suspirou e soltou uma risada:

–Gosto delas. Algumas me chamam mais a atenção, mas se ainda as tenho aqui é porque gosto dela.

–Tem alguma que você gosta mais?

O soldado Watson tinha a liberdade de falar assim com o príncipe, já que era um dos mais velhos do grupo e quando o mesmo nascera ele já trabalhava aqui. De certa forma, ele era muito mais pai do que o rei.

–Tenho um carinho especial por três delas.

–Quem são as belas?

–Jade em primeiro – confessou – depois vem Katerina e enfim Evelyn.

–E Isabelle? Sabe que tenho ouvido muito o nome dela, lá fora.

–Pouco sei o que se passa lá fora, Watson. – ele riu – além das guerras.

–Certo – o homem riu – Mas o que acha de Isabelle?

Kaleb suspirou e deixou o mapa de lado:

–Não tive a chance de conversar com ela ainda. Espero ter.

–Sou o guarda dela durante a maior parte da semana. É uma boa menina. Devia chamá-la para sair antes de tomar qualquer decisão.

–Preciso tomar uma decisão logo. O rei já está louco.

Watson abriu a boca para falar, mas pareceu se lembrar de que ele não era um nobre e que ainda tinha que segurar sua língua. Depois de uns minutos de silêncio, ele disse:

–Tem várias meninas lá fora que queriam estar no lugar em que estas estão. Essas que estão aqui, podem as vezes serem uma sanguessuga, sabe?

–O que quer dizer? – o príncipe uniu as sobrancelhas.

–Quero dizer que vá com calma. As vezes as moças pensam que você vive para a Seleção. Gostaria que elas lembrassem que você é uma pessoa. Uma pessoa.

Kaleb não soube bem ao certo o que dizer ou o que pensar. Watson deu um tapinha descontraído no ombro do garoto:

–Quero também que você se lembre disso. E largue a mão de ser tão calculista, planejatar tanto as coisas. Por favor, você tem seis meninas lindas aqui. Uma tão diferente da outra, porque não recomeça? Não conserta algo que fez de errado ou comece a sair mais com elas. Divida seu tempo e pare de querer entregar seu sangue a tudo. – o guarda sorriu. – Quando foi a última vez que teve um dia legal?

O príncipe não precisava nem pensar:

–Foi com Jade. Quando fui visitá-la em seu quarto...

Watson mordeu os lábios para não soltar uma gargalhada. Mas seus olhos riam muito mais que sua expressão:

–Ah. Posso apostar que você não estava pensando em negócios.

–Não estava mesmo – revelou Kaleb um pouco sem jeito.

–E posso apostar que teve alguma garota que ficou irritada.

–Talvez todas. E Myranda, ela ficou irritada naquele dia.

–Está saindo com Myranda?

–Somos só amigos – a frase, automatica, pulou da boca de Kaleb. Watson deu de ombros.

–Não quero forçar você a dizer nada, mas acho que você deve parar de querer fazer tudo. É bom se esforçar, mas você faz isso demais. Se entrega tanto que ao invés de fazer algo bom, sai esfolado e infeliz.

X

Para a felicidade de Jade, Yanna foi rápida. Cerca de dez minutos depois de ter saído do quarto da senhorita, a criada já voltou com um jornal enrolado e mais uma bandeija com queijo frito, pãezinhos de grão, suco e café.

–Senhorita, eu consegui! – seu sussurro era animado e seus olhos puxadinhos brilhavam – A senhorita não têm ideia de quantos estoques de jornais Trixie guarda.

Jade riu, um som meio nervoso mas animado.

–Sério?

–Sim. Parece que ela se preocupa caso algum jornal molhe ou suje, só trabalhamos com a perfeição.

A dama se acomodou na cama, colocando a postura o mais reto o possível e puxando a bandeija para si. Soltou um suspiro:

–Bom, melhoro pra mim. Já está dispensada, Yanna.

A criada vez uma reverência formal e demorada e depois deixou-a sozinha.

Com uma das mãos Jade agarrou a xícara de porcelana enquanto com a outra abria o jornal. A manchete era de Deborah Consolaro, a futura princesa da Itália. Era uma garota linda e, ao que tudo indicava, a perfeição personificada. Inevitavelmente, a garota se pegou olhando para as fotos de Deborah, imaginando como deveria ser conquistar o coração de um príncipe sem nem mesmo se esforçar para isso.

Seus olhos caíram para suas unhas pintadas. O esmalte era de um tom creme delicado e já começava a descascar na ponta de dois ou três dedos. Será que Deborah se arrumava assim também todas as vezes que o príncipe William visitava o colégio onde lecionava? Era difícil saber, mas aparentemente não. Ele tinha reparado em uma jovem professora inteligente, bonita, doce, decidida, uma plebeia nascida para ser rainha. E eles pareciam se amar tanto...

–Foco, Jade, Foco – se repreendeu num sussurro.

Com um pouco de força e rápidez exagerados Jade começou a folhear os jornais. Mas nada prendia sua atenção. Nomes de pessoas que ela não conhecia ou não se lembrava. As vezes algum anúncio nada atrativo de um estabelecimento. Mas eram notícias simples e tediosas demais, inclusive quando a capa exibia o rosto lindo da futura princesa e mais toda uma matéria importante sobre os preparativos do casamento.

Quando virou para a última página, com um peso desapontado no peito, viu a foto de Bastian. Pronto, ali estava. Ela começou a ler a matéria e, como suspeitava, Elena Suvernnoye acusava a família real de Herfleur de ter sequestrado seu filho mais velho, mas só quem era realmente burro para acreditar em uma desculpa esfarrapada dessas. O que se passava por debaixo dos panos Jade não sabia, mas tinha certeza que se Elena tivesse realmente a certeza de que sua irmã havia sequestrado Bastian ela não daria com a língua nos dentes só agora. Teria o feito muito antes, afinal, era uma mulher esperta e sem medo de fazer acusações ou receber ameaças.

Imediatamente começou a se comparar com Elena. Jade sabia que o garoto estava no castelo, mas algo nos poucos segundos em que se olharam lhe deixavam bem claro de que Bastian não estava sofrendo ou planejando fugir de volta para seu país. A rainha de Gales, apesar de dar desculpar quase convincentes, parecia não ter se dado conta de que tinha a probabilidade de seu filho estar escondido no reino de sua irmã.

A garota bebericou o café antes de largar a xícara. Tinha muito lixo podre escondido e ela não tinha ideia de como viera parar bem no meio da tempestade. Numa hora dessas todas as garotas estariam conversando no Salão, preocupadas com o fato do príncipe ser um cara estranho que não saía com nenhuma delas. Jade odiava o fato de saber quase nada enquanto sua intuição dizia que tudo era muito mais importante do que aparentava ser. E se tudo o que estivesse acontecendo distante do conhecimento do publico pudesse dar um fim a Seleção? Parecia provável que sim.

–Não, a rainha Danielle não sequestraria o sobrinho – pensou alto. Depois de um minuto de silêncio começou a clarear os pensamentos – o rei Philip é nobre demais para fazer isso. Rígido, elegante, sério. – começou a listar – Acho que não.

Então mordeu os lábios com força. O silêncio era um grito agudo em sua mente.

–Kaleb é quase apagado atrás do reflexo dos pais. Tem o seu valor – disse depois de pensar – Mas não pode fazer muitas coisas sem a concordância dos pais. Não foram eles. Não foram.

Era a certeza que tinha. Desde cedo fora ensinada a amar e confiar em seu país e em seus soberanos. Sua mãe costumava implantar sonhos em sua cabeça de que se Jade não chegasse no mesmo nível que Kaleb, chegaria muito perto. A ideia até mesmo a fazia dar um sorriso torto agora, como se ela soubesse desde sempre que fariam uma Seleção.

Podiam chamá-la de teimosa, iludida ou cega, mas a família real de Herfleur não era a responsável pelo “desaparecimento” do príncipe Bastian. Jade se levantou, sem nem mesmo tocar na comida, hoje não era dia de se preocupar em forrar o estômago. Já sabia com quem falar.

Apesar das intrigas, dos milhares de olhares venenosos que havia lançado à ela e até mesmo em nome dos tapas e arranhões, destino ou não, Bailey e Jade pareciam ter um segredo em comum.

X

Isabelle ainda usava o roupão quando ouviu as batidas na sua porta. Estranhando, ela trocou olhares com Wendy, uma das suas criadas.

–Deixa que eu vejo quem é, senhorita – disse ela.

Valência se perguntava quem poderia ser tão cedo da manhã. Não fazia sentido. Ninguém nunca a visitara, a não ser Jade. Mas ela também deveria estar no banho a uma hora dessas.

–Alteza

Provavelmente Wendy estava fazendo uma reverência durante o curto segundo de silêncio, mas Isabelle não conseguiu ouvir. Seu coração gelou de nervoso e ela começou a apertar os dedos. Estava de roupão!

–Olá, hum, a senhorita Isabelle se encontra?

Ela apertou os lábios, contando mentalmente quantos segundos teria até que Kaleb a visse no outro canto do quarto, perto da penteadeira.

–Sim, está! – Wendy parecia lutar para conter sua animação, mas estava falhando. O tom risonhos na sua voz era muido audível – O príncipe gostaria de vê-la?

–Se possível.

Isabelle tomou folêgo e apareceu.

–Desculpe as aparências, alteza. – disse respirando fundo – Não imagino o que o tenha trazido até aqui.

–Penso que, de fato, nunca saímos não é mesmo?

A moça hesitou antes de responder. Olhou para Wendy, que teve a decência de sair do quarto discretamente.

–Sim. Para ser franca não sei porque o senhor me manteve na Elite.

–Para ser frranco nem eu – revelou com um sorriso. Isabelle riu. – Então você aceita sair comigo?

–Agora?

–Leve o tempo que precisar para se arrumar. Posso esperar você aqui, se deixar.

–Ah... Claro. Vou gostar, mas, o que vamos fazr exatamente?

–Hum... Que tal cinema?

–Sim! – Isabelle quase gritou de empolgação, Kaleb achou graça.

–Tem até uma maquina de pipoca, sabia?

–Jura? Eu nunca fui em um cinema de verdade, e o que mais?

–Poltronas altas e estofadas. Acho elas bem semelhantes com um trono, na verdade. Ele não é usado a um bom tempo, mas é sempre limpo e cuidado.

–Vou amar conhecer – Isabelle admitiu – Pode ter certeza.

–Então vou esperá-la.

X

–Sei que você vai achar a ideia absurda, mas vim aqui em paz.

Bailey bufou e largou a bandeija de comida com uma força exagerada na mesa.

–Olha só, você tem milhares de motivos para me odiar, mas não estou afim de brigar hoje, ok?

–E o que você quer que eu faça por você Jade?

A moça assentiu e esboçou um sorriso pequeno:

–Quero conhecê-lo – sussurrou.

–Quem?

–O príncipe.

–Mas você já não saiu...

–Não Kaleb, me refiro a Bastian.

Bailey piscou, atônita. Ela devia pensar que Jade havia esquecido a história e que estava sendo uma covarde por não contar a ninguém. Ela não conhecia a verdadeira Jade. Ninguém conhecia.

–Vocês por acaso são um grupinho se rebelando contra o rei? Ou contra o País de Gales?

–Vocês quem?

–Não sei. Você, Bastian, talvez Myranda, Kaleb... Não sei o que pensar de vocês

–Jade...

–Mas sei que vocês são bons – Jade frizou – Myranda não sei, para ser franca. Mas no mínimo o resto de vocês são.

–Não somos um grupo – Bailey disse, mas pareceu em dúvida, como se perguntasse a si mesma isso.

–Tudo bem, mas me leve até o príncipe Bastian. Sei que você pode fazer isso.

–Jade você está esquisita.

–Não, eu não estou. Quero ver Bastian.

–Mas e porque?

A menina parou. As duas ficaram em silêncio por um tempo, apenas se olhando.

–Acho que é porque está tudo confuso – admitiu baixinho, para que ninguém ouvisse suas fraquezas. Não sabia porque estava revelando isso a Bailey. – Não gosto de não saber das coisas.

Bailey bufou:

–Você parece o Kaleb.

–Oi?

–Esquece. Mas é como você disse, eu tenho milhares de motivos para odiar você. Tenha consciência de que se abrir a boca estará assinando não apenas a sua própria morte como a morte dos dois príncipes. Quer isso mesmo?

Os olhos de Bailey poderiam fazer até mesmo um bandido sair com o rabo entre as pernas, Jade não queria se curvar à aquele olhar, mordeu a língua para não discutir

–Apesar de tudo não sou burra.

–Ótimo. Me siga.

X

Jade parou na entrada da porta do quarto. Estava confiante, mas uma parte pequena de sua mente insistia que tudo aquilo que ela imaginava dar certo poderia sair totalmente ao contrário. Bailey a olhou:

–Você não queria tanto fazer isso? Vamos ou não vamos?

–Eu sei – Jade fuzilou – Só estou pensando.

Bailey suspirou e abriu a porta, Jade veio logo atrás.

–Bailey! Então eu estava pensando... Ela?

Bastian estava deitado na cama, parecendo brincar com uma bolinha de beiseboll e quando viu Bailey abriu um sorriso enorme, claramente vinha pensando em algo que precisava compartilhar com a empregada. Ele chegara até mesmo a se sentar, até que viu Jade, e a expressão mudou. Seu sorriso se fechou.

–Bash, a senhorita Jade insistiu em vê-lo. Acho que você lembra dela, não lembra?

–Lembro – ele admitiu. – O que ela quer?

–Eu estou aqui – Jade disse – e ouço tudo que você estão falando. Só quero conversar, Alteza.

–Conversar sobre?

–Leram o jornal hoje? – ela olhou primeiro para Bailey e depois para o príncipe.

–Sim. Trouxe um exemplar para ele. Mas.. ei, como você conseguiu um?

–Isso não importa. Sei que Kaleb não trouxe você para cá, ele é poderoso, mas não a esse ponto. Elena... Talvez ela poderia ter mandado você para ter um pretexto para atacar o reino, mas mesmo assim não faz muito sentido – ela parou – Ou faz! Claro, vocês podem ter tudo combinado. Elena mandou você e sua irmã para cá, de forma que vocês pudessem ficar de olho no palácio e passar informações para o País de Gales. Agora ela acusa a família Stein de sequestrá-lo. Ela quer nos atacar. E está bem decidia a matar Kaleb. Ótimo. Belo plano.

–Senhorita, me desculpe, mas acho que está me insultando.

Bailey soltou a bandeija com comida diante de Bastian. Jade logo notou que os dois tinham bastante intimidade.

–Kaleb não está nem aí – a empregada disse enquanto colocava cubos de açúcar na xícara de chá – Ele não tem medo de Elena e sua teoria está bem errada, Jade.

–Obrigada – o príncipe disse para a loira – E sim, acho que a senhorita não tem muita noção do que se passa lá fora.

–O único que sabe de tudo, ou pelo menos da maioria das coisas é o rei Philip e mesmo assim ele nem imagina que o sobrinho está escondido no palácio, imagina? Vamos ser realistas: Ninguém sabe de muita coisa.

–Jade, sei que você pensa que somos um grupo e essas coisas, mas não somos. Bastian chegou aqui sozinho, trazendo-nos informações e admitindo estar ao lado de Kaleb, mas não temos reuniões, nem uma organização ou sequer um comandante. Somos amigos.

–Somos?

–Sim. Bastian, Kaleb e eu.

–E Myranda?

–Ela não sabe que estou aqui – admitiu o príncipe.

Jade assentiu.

–Então eu sugiro que formemos um grupo. Vou contar para Kaleb que já sei de tudo...

–Mas você não sabe de tudo – irritou-se Bailey virando-se bruscamente em sua direção.

–Garota, não sei bem qual é o nosso problema, admito que não vou nenhum pouquinho com a sua cara, mas temos segredos em comum. – ela se virou para Bastian – Alteza, Elena é sua mãe, mas admito que não estou gostando nenhum pouco das ameças que ela faz para o nosso país. Ela me parece agresiva e quer aparecer.

–Bastante parecida com você – cutucou Bailey.

Jade ignorou e continuou:

–Esqueça por um segundo que você é o príncipe de Gales e me ajude a proteger o meu país. As ameaças de sua mãe são motivos pelo qual devo me preocupar.

Bash ficou calado, olhou para o seu chá e depois novamente para os olhos de Jade:

–Sim.

–Certo. Então vamos formar o grupo. Kaleb será nosso comandante, ele é bom nisso.

–Ele provavelmente diria que isso seria muito mais arriscado, seríamos como rebeldes dentro do palácio – disse Bailey.

–Mas ele faria qualquer coisa por Herfleur e eu também.

–Desde quando você se interessa em política?

–Desde sempre. Quero ser uma rainha, e como insisto em dizer, não sou burra. Estudo em um mês muito mais do que você estudou durante sua vida inteira. Minha beleza ajuda muito, admito, e minha determinação também, mas quero ser rainha e tenho muito mais do que minha aparência para ajudar.

Bailey ficou quieta.

–Jade, vamos conversar – Bastian empurrou a bandeija de lado, abrindo espaço para a moça sentar. Ela o fez.

Bailey deu de ombros:

–Volto mais tarde, Bash.

–Fica aqui – ele pediu.

–Não. Volto mais tarde. Tchau.

X

Estavam Katerina, Evelyn e Kristie no Salão. Estava perto do meio dia e as três pareciam observar o ponteiro do relógio avançar com calma. Faltava apenas cinco minutos para o almoço ser servido, mas pareciam meses de distancias.

Jade não havia parecido para o café da manhã, e todas haviam aprovado a decisão, de forma que ninguém precisa fingir que estava de bem com ela. Isabelle também estava sumida. Sabiam que ela era muito amiga de Jade, mas andava se afastando da mesma. Será que as duas haviam voltado a se falar e Valência havia tomado a dor da amiga?

Quanto Myanda nenhuma se impressionava com seus atos. Ela era uma princesa, e por mais que todos insistissem que não, as pessoas automaticamente queriam limpar o caminho para ela seguir e beijar seus pés. Até mesmo Jessica, que era sempre muito justa. A sorte era que a princesa não era esnobe e bastava um pouco de conversa para saber que ela era humilde e boa. O que tornava mais difícil querer odiá-la.

Uma batida na porta fez com que todas acordassem rapidamente. Katerina se endireitou no sofá, Evelyn quase pulou de sua cadeira e Kristie arregalou os olhos, assustada. Isabelle se direcionou ao bolinho das garotas sorrindo. Até sua forma de andar estava mais iluminada. Arrumando o vestido roxo, ela se sentou:

–Vamos lá: Acho que está na hora de todas nós colocarmos nossas posições diante a Seleção. Onde está Jade e Myranda?

–Não apareceram – Katerina disse – Nem para o café da manhã.

Isabelle suspirou:

–Tudo bem, então vamos fazer isso apenas nós quatro.

Kristie trocou olhares com Evelyn e se inclinou na cadeira:

–O que você quer dizer?

–Quero dizer que tive uma manhã perfeita ao lado de Kaleb. Nós fomos ao cinema. Sei que vocês todas já falaram ou saíram com ele. – Isabelle estava inquieta, se mexia e gesticulava – Já pararam pra pensar que estamos na Elite? Kaleb se abriu um pouco comigo, acho que sua cabeça estava enuviada. Ele eliminou a maioria das garotas como um tiro no escuro. Simplesmente nos escolheu para a Elite porque foi com “a nossa cara”. Ele pode ter expulsado a mulher da sua vida.

Isabelle apontou para a janela, além dos muros e arregalou os olhos para itensificar a situação. Todas escutavam com atenção.

–O que vocês querem? Vamos ser sinceras.

Ninguém respondeu.

–Ah, vamos lá garotas! O que vocês querem?

–Kaleb – Katerina disse convicta.

–Kaleb – repetiu Evelyn, seguida por Kristie.

–Ótimo. Então estão colocando o bem dele acima da coroa? – todas assentiram – Quero o mesmo que vocês, então vamos ser sinceras. E ele me beijou hoje.

–Oi? – Ev piscou.

–Ele beijou você ou você beijou ele? – quis saber Kat seguida por uma exclamação de Kristie

–Foi definitivamente ele. Eu nunca tinha ido a um cinema e Kaleb havia comentado sobre uma maquina de pipoca antes de irmos, quando cheguei lá fiquei empolgada. Pedi se podia fazer um pote de pipoca para nós e ele disse que sim. O primeiro balde eu queimei. O segundo coloquei pouco óleo e ficou uma pipoca seca e dura. Horrível. Na terceira tentativa coloquei muitos grãos e a maquina começou a cuspir pipoca para todos os lados. Fiquei muito envergonhada, ainda mais quando vi Kaleb rindo da situação. Comecei a ajuntar as pipocas, nervosa e irritada comigo mesma mas Kaleb não parava de rir e quando eu menos esperava ele puxou minha cintura e me beijou.

–Ele beija bem? – Kristie pediu.

Isabelle corou:

–Beija. Muito.

–Uau – foi o que Kat conseguiu dizer enquanto Ev parecia surpresa e alegre ao mesmo tempo.

–Mas agora é a vez de vocês. Contem.

–Kaleb nunca me beijou e nem pediu para sair comigo – admitiu Katerina – Quer dizer, uma vez tivemos um encontro meio sem querer e na outra ele me elogiou, disse que eu era muito bonita.

–Ele não me disse isso – Isabelle tentou esconder a decepção atrás de um sorriso pequeno.

Kristie se adiantou:

–Como um encontro sem querer?

–Eu estava caminhando e encontrei ele sentado nos fundos do jardim. Aquele dia das tendas. Conversamos um pouco e então um guarda apareceu para tratar de negócios com ele.

–Você está em vantagem – Kristie disse – Uma vez conversamos depois do jantar, mas ele me pediu sobre meus contatos com outros países. Acho que foi bem profissional, pelo menos da parte dele. Estou perdendo.

–Não está – Kat segurou o pulso da ruiva – Isabelle acabou de confirmar o que eu já pensava: conhecemos Kaleb muito pouco.

–Ele é misterioso, não é? – Kristie sorriu triste. As três deram risada, concordando.

–Bom, eu já dancei com ele – Evelyn disse – Mas sempre que nos encontramos são conversas curtas também.

–Já sabemos a situação de cada uma – Isabelle quis apagar o clima de tristeza – Inclusive o de Jade, que não está aqui.

–Eles não transaram – Katerina revelou baixinho.

–Como pode ter certeza?

–Kaleb me garantiu, Ev.

–Mas ele pode ter mentido.

–Ele não mentiu. Estava seguro quando a isso. Consegui ver em seus olhos – Katerina defendia com unhas e dentes.

–Kaleb olhou nos seus olhos? Disse que não tinha transado com Jade? E ainda disse que você é bonita? – Kristie levantou as sobrancelhas.

–Você está ganhando – Valência concluiu.

–Como posso? Se ele estivesse me querendo teria me buscado para sair ou pelo menos me encostado, não?

As garotas pareceram considerar.

–Faz sentido – Ev disse.

–Ainda acho que você está ganhando – Kristie disse. – Mas não estou com raiva – emendou quando todos os olhos a analisavam – Juro. Tá tudo bem.

–Ok.

–Só me preocupo com a situação de Myranda. Não sabemos como os dois são, mas acho que algo mudou entre eles.

–É. Eles não pareciam se gostar muito no inicio da Seleção. – Evelyn mordeus os lábios –Isabelle, ele disse algo a você hoje?

–Não. Assistimos o filme e depois ele me levou de volta ao quarto.

–Droga – sussurrou Kat.

Kristie pensou um pouco e depois olhou para cada uma das meninas, preocupada:

–Acham que ele casaria com uma prima?

O relógio bateu. Meio-dia. Todas se levantaram e foram para o segundo salão almoçar, sem ter tempo de responder a pergunta.

Notas finais
O capítulo está longo, acho que pode ser até uma leitura cansativa, mas se você não conseguir ler tudo de uma vez, vai lendo aos poucos. Um pouquinho por dia e em dois no máximo três dais já leu tudo! Não esquece de deixar o comentário aqui no final do capítulo pra gente conversar e interagir. Como a fanfic vai encerrar no dia 15 do próximo mês acho que vai ter bombardeio de capítulos, então fiquem ligados! O fim está chegando. Quem será a rainha? Beijosss