Notas iniciais
OLÁ! Enfim capítulo novo. Estão acompanhando o site? http://herfleur.wix.com/onceagain Com reta final de Once Again vou preparar mais matérias (assim espero) e os capítulos mais longos estão chegando. Mas preciso que todas comentem certinho, eu já tenho um final encaminhando, mas caso contrário a história ainda está em aberto e pode receber uma reviravolta do dia para a noite.

Capítulo 18

As mãos de Kristie tremiam tanto que foi Myranda quem se levantou rapidamente e as agarrou. Provavelmente se não fizesse isso, a ruivinha teria metido um soco em Jade. Cada pequena parte do corpo da moça parecia berrar para fuzilar Jade. Myranda agarrou-lhe pelas mangas do vestido, forçando-a a olhar dentro dos seus olhos.

–Escute aqui. Você tem que se acalmar – apesar de definitivas, as palavras da princesa ainda assim eram confortáveis – Kristie, o que aconteceu com você? Você é uma menina madura e controlada. Vai perder a linha assim?

Kristie focou seus olhos esverdeados nos de Myranda. Depois arriscou uma olhadela rápida para Jade e por fim, para Jessica. Pedindo perdão em silêncio. A orientadora a olhava criticamente, literalmente mordendo a língua para não tomar uma providência mais séria. Kristie sabia que ela iria deixar passar dessa vez. Somente dessa vez.

–Acho que a aula já terminou para mim – Jade concluiu, comprimindo os lábios.

–Não – Jessica foi dura – Você vai ficar, mocinha. O descontrole de Kristie foi errado, mas sua provocação também. E Ev, meu bem, você pode se sentar. Deixe os escargots por conta de Jade.

Evelyn não falou nada, abaixou a cabeça e tomou o seu lugar. Ao seu lado, Katerina respirava fundo e Isabelle avaliava a situação com calma. Sua cabeça, aparentemente cheia de pensamentos.

X

Assim que a aula terminou, Evelyn se dirigiu para o banheiro. Tinha cerca de vinte minutos até que o almoçosso fosse servido.

Querer ser uma princesa? Isso era a pior das ideias. Mas querer Kaleb conseguia ser ainda pior. Sua cabeça estava pesada, com pensamentos e ideias demais. Sentia a garganta fechada, como se não fosse conseguir guardar tantas palavras dento de si. Precisa falar, agir. Tomar alguma providência. Sua mão formigava só de pensar que tinha que ficar diante da situação ridícula que Jade implantara em sua cabeça e não podia fazer nada.

O banheiro era o melhor refúgio. Era um lugar fresco, com ladrilhos brancos com detalhes mostarda. As pias, brancas como leite, se estendiam por toda a parede, assim como o espelho. Ev abriu a torneira e enfiou as mãos em baixo da água fria. A sensação a fazia lembrar um pouco de casa. O frio, em geral.

Imaginou se nesse momento as outras garotas também estivessem procurando um refúgio para por os pensamentos em ordem. Ou se estivessem esperando algo assim de Kaleb. Mas Evelyn... ela realmente achava que era diferente. Todos os momentos que olhava para o príncipe, ainda que de longe, conseguia lembrar da vez que haviam dançado juntos no primeiro baile. Quando tudo era cores e flores, e ela achava que poderiam ter encontros e talvez até se descobrirem apaixonados.

E então ele tem aquele sumisso. Aparentemente do nada, decide que a Seleção não tem nenhum valor. E aquilo realmente havia feito-a acreditar que seu sonho doce de amor era apenas uma ilusão adolescente. Só que aí, quando a preocupação já passara a ser irritação, ele volta. Volta com sorriso, olhos lindos, e um pouco de sarcasmo em piadinhas que só ele faz. Ótimo. Ele a fez acreditar que tinha boas razões por sumir. Estamos no inicio de novo.

Qual era a dele, afinal? Faz todo um teatro pra simplesmente se largar nos braços da menina mais fácil? No final das contas, a Seleção nem era assim tão especial. Garotos, eram garotos. Era péssimo chegar a conclussão de que todos são iguais quando algo dentro de você sabe (ou quer saber) que existem versões exclusivas.

O pequeno estalo da porta se fechando faz Evelyn acordar. Perceber que a água da torneira ainda corre pelo seu braço magro e branquelo. Por um momento, ela pensa que ficar ali, encarando-se no espelho, sem realmente se enxergar pode ser um sinal de fraqueza para qualquer outro que entrasse. Ela respira fundo, imaginando que alguma das selecionadas estivessem também buscando um lugar para espairecer. Mas se vê enganada. Ela o vê entrando pelo banheiro e toda sua raiva volta. Mas é uma raiva diferente.

–O que você está fazendo no banheiro feminino? – dispara num sussurro ríspido.

–Vim buscar você.

–Pra que?

–Para o almoço. Se se atrasar não vai ser bom.

Evelyn morde os lábios.

–O que foi? – ele pergunta. – O que você está pensando?

–No príncipe. Pensando que depois tenho uma tarde inteira de aula e queria poder evitar uma pessoa em especial. Em tudo.

Ele dá um passo a frente. Mesmo com o uniforme, consegue ser despojado de um jeito único. Evelyn caminha na direção oposta.

–Alec, acredito que sei o caminho até o salão – sua voz soa como uma faca.

–Tudo bem – ele dá de ombros e depois se permite um sorriso torto.

Evelyn lhe aponta o dedo e diz com voz firme:

–Para.

–Com o que?

Agora ele faz aquela cara inocente, como se não estivesse fazendo nada de errado:

–De achar que vai conseguir me conquistar com o joguinho mais velho que já conheci.

–Ah...

–Ah.. – Evelyn ironiza e o deixa sozinho. Dentro do banheiro feminino.

X

Foram três dias de silêncio. Se Kaleb sabia o que estava acontecendo Katerina não tinha ideia. Mas ela, como selecionada, podia dizer que tudo estava indo pro ralo. Se não fosse tão teimosa, já teria desisito. Jade e Kristie não se olhavam na cara. Quando uma entrava no Salão, a outra automaticamente saia. Evelyn andava mais silenciosa e pensativa do que nunca.

Isabelle estava aos poucos afastando-se da amiga mais próxima. Mesmo que quisesse fazer isso aos poucos, sem chamar atenção, ela parecia estar sim um pouco mais reclusa e talvez até mesmo magoada.

E tinha Myranda, que voltara a falhar a maioria dos compromissos. Não tinha aparecido em nenhuma aula depois daquele dia. Estava falhando refeições e as vezes seu olhar se fixava em Jade como se estivesse decifrando algo através da pele da garota. Era até mesmo um pouco bizarro. Myranda. Estaria a rebelde Myranda guardando sentimentos pelo primo? Porque se estivesse... A Seleção estava perdida para as outras garotas “comuns”.

Katerina só conseguia pensar no que ela estava fazendo. Ou melhor... No que ela não estava fazendo. Kaleb nunca nem sequer lhe dera uma flor. Eles nunca tinham saído juntos. Nunca. E só haviam tido uma conversa em um dia, por um mero acaso, quando ela invadira sua privacidade no fundo dos jardins, mas depois daquilo... nem mais um oi.

Katerina estivera muito quieta durante esse tempo. Avaliando o terreno, revivendo momentos deixados em sua província, esperando pelo príncipe. Sentia que era hora de parar de pensar, parar de agir como uma lady bem comportada. Jade estava sendo ela mesma. Usando suas melhores armas para poder impressionar o alvo principal. De certo modo, não era o príncipe que ia atrás de sua caça, e sim ele era a presa.

Kat pensou em Julian, seu ex-namorado e em como era quando estava com ele. Parecia tão puro, natural... Porque era tão difícil ser quem você é quando está perto de alguém importante?

No entando, hoje, após os três dias mais cinzentos, Kaleb havia convocado um banquete ao ar livre. No jardim, havia sido posta uma caprichada mesa prateada, com uma toalha de borbados. Sobre ela, várias das maravilhosas iguarias do castelo. As garotas poderiam se sentar em baixo de tendas frescas e receberiam leques para se livrarem do calor abafado da tarde. E ele. – a estrela – não estava atrasado. Aliás, havia chegado antes que as selecionadas.

Kat o cuidava de longe, mas ele parecia bem entretido em uma conversa com o pai. Imaginou que demorariam um tempo, então deixou seu leque de lado e se encaminhou ao banquete. Estava caprichado e suculento, como de costume. Ela, sem mais delongas, pegou um prato e o encheu de frutas: banana, maça, uva e mamão. Depois, para completar, jogou um iogurte natural por cima e o misturou com o mix. Era um prato que Katerina aprendera sozinha, já que estava tendo que se virar com os calores. Era refrescante, leve e bom.

–Seus cabelos estão presos.

Ela comprimiu os lábios para não soltar um grito de susto. A colher em sua mão quase saltou.

E ali, ao seu lado, estava Kaleb. Tinha um esboço de sorriso no rosto e talvez um brilho nos olhos... Mas era difícil dizer, talvez fosse o efeito contra o sol.

–Sim, estão. O calor me obrigou a fazer isso.

–Bom, então vou torcer para que sempre faça esse calor – ele fez uma pausa – porque você tem um rosto lindo, e quando você afasta o seu cabelo assim – o príncipe gesticulou, como se mostrasse o efeito do cabelo amarrado – ele fica em evidência.

Kat não falou nada por um longo minuto. Não era como se ela não gostasse de receber elogios. É claro que gostava, mas eram verdadeiros? Ela o avaliou por um momento e levou uma colherada do seu mix de frutas a boca, o que seria bem anti-ético, pensou. Mas já estava feito então não teria como desfazer.

–Eu gosto quando me elogia, Alteza – admitiu – Mas ao mesmo tempo que o vejo fazendo isso para mim, o imagino fazendo para Jade.

Ele arqueou as sobrancelhas, mas parecia muito tranquilo ainda assim.

–Porque pensa nisso, senhorita?

–Porque consigo enxergar vocês juntos... Você saindo do quarto dela...

–Então você viu? Na noite em que eu sai do quarto de Jade? – ele apenas trocou o peso de uma perna para a outra.

–Não. Mas Jade contou. Perdeu o inicio de uma aula e disse que era porque você havia saído muito tarde do quarto dela.

Kaleb riu.

–Katerina, a senhorita acha que aconteceu algo a mais naquele quarto?

–Acho.

–Não aconteceu. Jade inventou um boato que não é verdade.

Kat o avaliou.

–Alteza, sinto como se... – a selecionada engoliu, pensando quais seriam as palavras certas. Prendeu a respiração e a soltou com leveza – como se o jogo estivesse começando agora. E todas estão sacando as espadas.

X

Leah entrou timidamente no quarto de manhã, com a intenção de não acordar Kaleb, mas o príncipe já estava acordado. Ele viu, com os olhos ainda meio embaçados, a criada colocar um jornal enrolado sobre o criado mudo e se retirou tão silenciosamente quanto entrara. O príncipe inspirou profundamente e se espreguiçou na cama. Rolou uma última vez pelo lençól macio e se levantou.

A primeira coisa a fazer foi pegar o jornal. Logo na manchete, nada de muito interessante. Havia uma foto enorme da tal noiva de William. Kaleb tinha que admitir, ela era muito bonita. A camera fazia um take especial em seu rosto, captando os lábios de boneca e os cílios longos por causa do rímel. Uma foto pequena e retangular ao lado mostrava seu corpo inteiro, ela usava um vestido longo e justo e posava para um fotógrafo. Depois, um quadrinho com uma montagem do making off do ensaio. Maquiadores rodeavam Deborah e uma equipe preparatório com plaquetas de anotações sempre estavam por perto.

Ele leu a manchete: Deborah Consolaro em contagem regressiva. (assim como o restante do mundo)

Kaleb suspirou. Pierre e William estavam incansáveis com as provocações. Compravam matérias enormes apenas para exibir a noiva. Faziam sempre a questão de ressaltar que ela era francesa, que tinha educação exemplar e era de uma delicadeza impressionante. O pior de tudo era que a pressão funcionava. Depois que uma matéria desse porte falando sobre o reino Italiano e a euforia para o casamento saia, quem ouviria sermões no escritório era Kaleb. E sempre acabava em uma discussão acalarodada e então o príncipe trabalhava em seu quarto e o rei trabalhava no escritório. Como colegas de trabalhos e não como pai e filho. Ótimo.

O príncipe virou as folhas, em busca de algo interessante. Um pequeno evento em Illéa, a inauguração de uma loja de jóias em Jasmine (Kaleb sorriu ao ver a notícia, fora ele mesmo que assinara a autorização para a abertura da loja), uma enquete sobre as selecionadas, uma pequena entrevista feita por Jessica, uma foto de Myranda sendo apontada como a preferida no País de Gales (o que era meio obvio). E por último, na contra-capa, uma foto de Bastian.

Kaleb endireitou a coluna, engolindo em seco e se preparou para ler a notícia. O reporter retratava sobre o sumisso do príncipe de Gales, que sumira repentinamente. Elena tinha tentado de tudo para dar a volta por cima e fingir que estava tudo bem, mas chegou a um ponto que explodiu, e depois de dois meses decidiu colocar a boca no mundo e revelou que tinha fortes motivos para achar que os responsáveis pelo sumiço de seu filho era a família real de Herfleur.

Não. Kaleb largou o jornal e correu para o armário, arrancando a primeira calça e o primeiro terno que aparecera. Claro que uma hora iria explodir. Mas as cordas estavam escapando das suas mãos e se Philip já tivesse lido o jornal a uma hora dessas, poderia estar planejando uma bobagem. Talvez pensando em um ataque ao País de Gales.

Checou o relógio enquanto dava o nó na gravata azul. Eram apenas sete horas. O rei deveria estar chegando agora no escritório. Tomou folego e pegou o jornal antes de sair em disparada pelos corredores.

Ao chegar no escritório, Kaleb dispensou cerimonias e já foi colocando o jornal na frente do pai, obrigando-o a erguer os olhos dos outros documentos.

–Já leu o jornal de hoje? – pediu, sério.

Philip ergueu os olhos para o filho e depois abriu o jornal com calma, passou os olhos pela machete de Deborah e lançou um olhar severo para Kaleb, aquele olhar já repassava todo sermão que ele provavelmente ouviria depois, mas o príncipe não ligou.

–Não isso. Na última página.

O rei virou a folha. Sua expressão era normal ao ver a foto de Bastian mas foi ficando mais séria e raivosa conforme avançava a leitura. Sem dizer nada ele jogou o jornal na mesa.

–Quem essa mulher pensa que ela é? – perguntou olhando para Kaleb. Seus olhos estavam ficando daquele jeito horrível, que costumava assustar Kaleb quando ele era uma criança: um brilho quase venenoso

–Você não vai fazer nada. – o príncipe tinha certeza absoluta do que dizia. – Não vai atacar ela.

–Como não? Isso não está nem cogitado. Ela está ameaçando Herfleur. Está ameaçando a sua mãe.

–Da mesma forma como me ameaçou a vida inteira. Ignore.

–Você não sabe o que diz, moleque.

–Sei sim. Você que nunca quer escutar. – a mandíbula do príncipe tremia. Sua paciência estava acabando.

Philip espremeu os lábios com força e quando falou sua voz era carregada de uma falsa calma:

–O que sugere? Esperar por ataques?

–Elena não vai atacar. Ela alega que com a Seleção várias coisas ficaram mais bagunçadas no nosso reino, e ela tem sim razão. A Seleção foi o máximo de descontração que já chegamos a ter. Mas isso também deixou o reino dela bagunçado ou será que ela esqueceu que mandou a própria filha para cá? Se ela atacar vai por a vida de Myranda em risco. E ela não mataria a filha.

–Aquela mulher é uma cobra.

–Pode ser, mas se fosse você, você me mataria?

Philip não respondeu.

–Está me comparando com a sua tia?

–Não. Acontece que é uma família, tenho certeza de que você não me mataria. Mesmo com... as diferenças.

O rei engoliu em seco. E respirou fundo.

–Então o garoto sumiu mesmo? – ele não olhava para o filho.

–Sumiu.

–Então vamos esperar preparados. Avise os guardas e chame reforços.

Kaleb concordou, um pouco surpreso por estar concordando com o pai e mais surpreso ainda por não terem discutido hoje.

–Mais uma coisa, moleque.

–Sim?

–Elimine logo o restante das moças. Não aguento mais vê-las aqui, preciso de uma resposta definitiva.

Notas finais
Uma soundtrack da fanfic está sendo organizada no site, se vocês tem uma música que faz lembrar algum personagem, ou alguma parte da história me indiquem que a sugestão será anotada e dependendo da letra ela poderá entrar para a trilha oficial, que eu sairá logo logo no site. [em off] pra quem já leu os dois primeiros capítulo de The Heir, me falem, o que acharam da Eadlyn? Sinceramente, eu achei ela meio metida. Espero que tenha me enganado em relação a isso quando ler o livro completo... Beijos