Notas iniciais
Oi Galerinha! Boa Leitura!

POV Guilherme

Na minha vida nunca existiu garota nenhuma que mexesse comigo. Já havia conhecido loiras, morenas, ruivas, asiáticas, afrodescendentes, baixas, altas, magras, gostosas, inteligentes, burrinhas, novas e velhas. Eu já tinha perdido a conta fazia tempo de quantas mulheres já tinha beijado, e transado. E do nada, a garota que eu sempre mais odiei, começa a me fazer sentir coisas tão diferentes. Não conseguia parar de pensar em Summer. Queria o tempo todo estar perto dela, nem que fosse só para brigar. E o pior de tudo: pela primeira vez senti ciúmes. Eu não fazia ideia de quanto esse sentimento era horrível! Tudo dentro de mim indicava outro sentimento. Um sentimento que eu fazia questão de negar. Eu, Guilherme Liam Johnson, apaixonado? Nunca! Então porque merda eu estava chateado pela idiota da Summer não ter falado mais comigo por mensagens, e nem no colégio?

— Hey Carlos! – Cumprimentei meu amigo. Eu precisava perguntar algumas coisas sobre essa merda de sentimento escroto chamado amor, paixão, sabe lá o que. Porém não iria falar com o Vinicius, não queria que ele pensasse que eu estava apaixonado. Afinal, eu não estava não é?

— E ai Gui! – Falou sorrindo. Sentei ao seu lado. Carlos realmente sabia sobre amor, namorava a Luciana á uns cinco anos, e até hoje não enjoou. Todos conseguiam facilmente imaginá-los juntos daqui á uns dez anos, casados e felizes construindo sua família. Porém isso não era para mim. Eu não era como o Carlos. – Você queria conversar comigo cara? – Ele perguntou. Tinha o chamado, pois sabia que podia contar com ele, não era fofoqueiro nem idiota.

— Sim. Na verdade eu queria te perguntar uma coisa. Pode soar meio estranho... – Dei uma risadinha nervosa.

— Relaxa, se eu puder responder... – Deu uma risada.

— Mano, como foi que você percebeu que estava apaixonado pela Luci? – Perguntei direto.

— Ah, é isso? – Suspirou e virou para frente, como se estivesse pensando. – Acho que desde sempre eu soube... – Sorriu. Bufei. – Mas isso não ajuda muito não é? – Perguntou rindo. Concordei sorrindo. – Quando eu tinha sete anos, cheguei durante a metade do ano escolar aqui. Não sei se você lembra... – Virou para me olhar.

— Lembro sim.

— Naquele dia, todos estavam brincando no parque. Eu estava meio tímido, pois todo mundo se conhecia, menos eu. Tinha medo de ninguém gostar de mim.

— Impossível! Você é demais! – Falei sinceramente.

— Valeu! – Ele sorriu. – Eu queria muito brincar no escorregador, porém já tinha outras crianças lá, e eu tinha medo de atrapalhar. – Deu de ombros. Sempre gentil. – Então eu vi uma loirinha com cabelos na altura do queixo, ela gargalhava enquanto escorregava. Fiquei parado lá a observando na esperança de continuar despercebido, porém ela me viu. E eu mal acreditei quando ela veio em minha direção. Ela parou na minha frente, seus olhos amêndoas brilhando, sorriu e disse: “Oi eu sou a Luciana. Mas pode me chamar de Luci! Você quer brincar no escorregador com a gente?” Ela nem me deixou responder, só agarrou minha mão e me puxou. – O acompanhei em sua risada. – Naquele segundo eu tive certeza que queria sempre ter a alegria dela do meu lado, e que aqueles eram os olhos mais lindos que eu já vi!

— Simples assim? – Perguntei confuso. Amor à primeira vista existe então? Pensando bem, com o Vinicius também tinha sido assim. Ele estava no corredor e viu a Viviane, e imediatamente se encantou por ela. Contudo, eu já conhecia a Summer há muito tempo, e no primeiro dia que a vi eu a odiei! É, eu estava certo, não estava com essa boiolagem de paixão.

— É. Mais ou menos. Eu me encantei pela Luci de cara sim. Porém o tempo passou, fomos aos poucos nos conhecendo cada vez mais, e a cada coisa que eu descobria dela, eu tinha mais certeza que a queria para sempre do meu lado. Só que eu só constatava tudo isso porque eu buscava isso.

— Como assim?

— A partir do momento que eu prestei atenção nela eu a quis, eu quis me apaixonar, eu quis a conhecer, eu quis dar importância a cada detalhe nela que poderia muito bem passar despercebido caso aqueles olhos cor de mel não tivessem me encantado tanto naquele dia. Às vezes, nós não percebemos o momento em que quisemos prestar atenção em alguém, pois muitas vezes não somos nós que escolhemos. Entretanto, a partir da hora que isso acontece, damos importância a simples detalhes, procuramos coisas escondidas, motivos que nos fazem querer ainda mais aquela pessoa. Ou em outras palavras, nos apaixonar.

— Ah... – Murmurei. Então será que era isso? No segundo em que meus amigos perguntaram por que Summer e eu nunca havíamos ficado, eu prestei atenção nela, eu quis a conhecer melhor. Quando fui atrás dela na festa, não foi sem motivo, foi guiado por isso. E quando dei importância a cada detalhe dela enquanto dormia, descobri coisas nunca vistas antes, coisa que me prenderam nela.

— Respondi sua pergunta?

— Completamente! Obrigada de verdade cara! – Falei o abraçando.

— Não têm de que! Adoro falar sobre a minha pequena!

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POV Summer

Estava andando sozinha pelo colégio, queria pensar. Decidi que iria ignorar o Guilherme. Tanto pelo celular, quanto na escola. Eu não iria deixar de ser quem eu era! Não podia perder minha essência por causa de um sentimento bobo. Aquilo era coisa da minha cabeça, um desejo corporal que não foi atendido, daí agora ficava aí me incomodando, me fazendo pensar ser amor. Não era! Eu era a Summer! Sempre guardei mágoas dos homens, sempre fui contra ao amor, nunca me apaixonei! Não seria agora que iria me apaixonar. Pelo Guilherme ainda?!

— Eu não to acreditando nisso Sarah!

— Não ta acreditando no que Nathan?— Ouvi Nathan e Sarah discutirem. Parei atrás de uma árvore, não seria legal eu aparecer do nada nesse momento. Eu deveria dar meia volta, mas a curiosidade falou mais alto.

— A gente terminou semana passada cara! Como você pode ser tão babaca? — Nathan, um garoto gato de nossa sala apontava o dedo para cara de Sarah. Agora mesmo que eu ia continuar ali, caso ele resolvesse fazer algo contra ela eu iria impedir. Não que eu achasse que ele fosse capaz de bater em uma mulher, era um cara legal. Porém estava descontrolado.

— Quem ta sendo babaca é você! Como você disse nós terminamos!

— Sim. Terminamos. E exatamente por isso eu passei o fim de semana em casa jogando videogame e comendo pizza com meus AMIGOS. Homens Sarah. Só caras. Você não podia ter a decência de fazer sei lá, a merda de uma festa de pijama e ficar em casa com tuas amigas? — Ele nem a deixou responder e já continuou. – Mas nãaao, tinha quer ir para uma festa beber e ficar com o Guilherme! E a Summer também, pelo o que estão falando! Porra Sarah! – Opa, me colocaram no meio da briga. Pensando bem, eu que fui a idiota em agarrá-la... Por causa do Gui! Claro que a culpa toda foi do Guilherme!

— Primeiramente, quando terminamos não assinamos nenhum acordo dizendo que teríamos que passar os próximos fins de semana em casa. – Ui, essa foi forte! Segurei o riso.

— Mas você deveria ter um pingo de consideração!

— Você queria o que, que eu ficasse chorando dentro de casa?

— Não precisava chorar, porque pelo jeito nem se importa em ter terminado comigo. Contudo, deveria ter um pouco de respeito!

— Eu me importo sim! E se eu ficasse dentro de casa ia chorar. Eu saí pra esquecer tudo isso!

— E para tirar o atrasado. Dar para o primeiro que quisesse! – Ai, agora pegou pesado! Como eu adorava uma treta!

— Você ta insinuando o que?! Cara, eu tava em uma festa, tentando esquecer a merda que estava acontecendo comigo. O Guilherme veio em cima de mim, eu ia ficar com ele sim! Pois ESTOU SOLTEIRA! Porém, a Summer chegou bem na hora. Puxou, me agarrou e depois saiu. O Gui foi atrás dela para brigar de certo, e depois não veio mais atrás de mim. Eu fui embora logo depois, vim cedo para casa. Fim. Relatei toda a história, satisfeito?

— Que vadia!

— Quem? – Quase perguntei junto da Sarah.

— Você! E quer saber? Eu vou agora quebrar a cara do idiota do Guilherme! – Nathan saiu marchando.

— Não! Nathan! – Sarah saiu atrás dele tentando impedir.

— Xi. Agora vai dar merda! – Corri atrás dos dois o máximo que eu pude.

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POV Narrador

Guilherme estava sentado com seus amigos, rindo e conversando.

— Qual o seu problema? – Nathan apareceu empurrando Guilherme. Ele que estava sentado em cima da mesa se desequilibrou, e ficou de pé. Todos levantaram assustados. Vinicius e Jefferson instantaneamente pararam um em cada lado de Gui.

— Qual é o teu problema né cara? – Guilherme perguntou irritado. Não fazia ideia do porque ele chegou do nada fazendo aquilo.

— Nathan deixa de ser idiota! – Sarah dizia o puxando pelo braço.

— Idiota? Idiota é esse cara aí. Porque merda você resolve pegar a Sarah, com tanta mulher na porra de uma festa? – Nathan disse com raiva. Summer chegou nesse momento. Ficou de lado no meio de Guilherme e Nathan.

— Porque ela estava lá disponível, e é gostosa? – Gui perguntou irônico. Falou a palavra “gostosa” com ainda mai convicção só porque Summer estava ali, queria tentar dar ciúmes nela. E conseguiu. Sum respirou fundo.

— Ah, eu vou quebrar tua cara! – Nathan disse indo para cima de Gui, que se esquivou para trás. Vinicius, Jefferson, Jake e Carlos ficaram na frente de Nathan para impedi-lo. Ele disparava golpes. – Me solta caralho! – Gritou. Outras pessoas começaram a parar ao redor para observar a confusão. Não daria muito tempo para que o diretor fosse acionado.

— Cara, se tu achas que ta na razão de me bater pode vim! – Guilherme disse por fim. Ele sabia brigar como ninguém.

— Mas é o que eu to tentando fazer. Manda esses teus guardinhas me soltarem! – Nathan cuspiu. Jeff que adorava uma briga soltou-o. Jake que estava logo atrás saiu também. Carlos e Vini mais sensatos continuaram na frente,

— Cara, para com isso! – Carlos disse.

— Não vale a pena mano! – Vinicius completou colocando-o para trás.

— Sai da minha frente porra! – Gritou Nathan.

— Nathan! – Summer gritou.

— Não enche Summer!

— Ei, olha aqui! – Sum gritou sem sucesso. Nathan desviou dos braços de Carlos e partiu pra cima de Gui.

— Ei porra! – Summer agilmente conseguiu se meter no meio. – Olha aqui! – Sum disse apertando seu rosto com suas unhas. – Cara, para, respira e me escuta. – Falou. Ele suspirou enraivecido. Todos ficaram em silêncio esperando. Na visão de todos não havia motivos para a Summer se meter. Mas ela não queria ver o Gui brigando, mesmo estando com raiva dele por ter chamado Sarah de gostosa. Então teve uma ideia. – Você quer mesmo fazer isso? Gastar o teu tempo batendo em alguém que a tua ex quase pegou? – Enfatizou a palavra ex. – Sério mesmo?

— É que...

— É que nada! Ela foi para uma festa se divertir, bebeu, beijou, fez a fila andar. Você não vai perder seu tempo batendo e apanhando vai? Ao invés disso porque não vamos dar uma volta? – Falou sensual. Todos, inclusive Nathan arregalaram os olhos. Bianca riu. “Summer sendo Summer”, pensou ela. Sarah bufou. Guilherme sentiu seu sangue subir ainda mais.

— Que?

— Sarah já beijou na boca. Agora é a tua vez! Escolhe você. Prefere bater nele... – Aponto com cara de indiferença para o Guilherme. – Ou... – Gesticulou para o seu corpo e sorriu sensualmente. Depois deu meia volta e saiu rebolando. Gui sentiu vontade de dar um soco em Nathan para ver se ele voltava a brigar e não ia atrás da Summer. Preferia brigar a deixar outro ficar com ela. Nathan bufou.

— Quer saber? Fica a vontade. Ela é toda sua! – Nathan disse para o Guilherme se referindo á Sarah, passou por ela olhando com desprezo e saiu.

— Ai! – Sarah resmungou antes de sair correndo chorando por um lado contrário dos dois. Guilherme sentou no banco morrendo de raiva, precisava socar algo.

— Que loucura! – Jake disse.

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— O que foi aquele showzinho? – Bianca perguntou para Summer no vestiário na aula de vôlei.

— Bibi fica com o Nathan para mim? – Summer perguntou desesperada. Aquilo parecia uma ótima ideia para ela naquele momento, porém agora não fazia mais tanto sentido assim. Ela não queria beijar Nathan. Nem mais ninguém. Bem, exceto um alguém...

— Mas o que?

— Ai, eu não quero pegar ele! Aquela só foi à única ideia que veio na minha cabeça para impedir a briga.

— Mas desde quando você se importa o suficiente com o Guilherme e com o Nathan para impedir uma briga entre eles?

— Desde sempre, ou nunca. Sei lá. Só não queria chamar atenção do diretor. Eles iriam ganhar suspensão...

— E? – Bianca não entendia sua amiga.

— Ai, foi automático. – Sum suspirou. – Só quebra esse galho para mim! Você já ficou com ele, Nathan é gatinho!

— E porque ele ficaria comigo se foi você que prometeu? É você que ele vai querer! – Bi revirou os olhos.

— Cara, ele mandou mensagem falando para eu continuar aqui no vestiário depois da aula. Fica você. Daí quando ele aparecer você diz que me pediu para ser você a ficar com ele. Fala que já faz tempo que você estar a fim de ficar com ele, porém como ele tava com a Sarah não tivesse oportunidade. Daí joga charme amiga. Eu confio em ti!

— Summer, você é diabólica! – Bianca disse rindo. Sum riu junto.

— E ai, o que me diz?

— Ta bem, ta bem. Tais me devendo uma!

— Obrigada! – Summer deu um beijo estralado na bochecha de Bianca. – Nem vai ser um grande sacrifício! – Disse saindo com o som do sinal.

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POV Summer

Já fazia dois dias que eu havia fugido de ficar com Nathan, e também que fugia de Guilherme. A cada dia parecia que ele também estava mais distante de mim, mais sério. Algo em mim tinha vontade de correr para perto dele e pedir desculpas. Pedir desculpas mesmo nem tendo feito nada sério dirigido diretamente á ele. Pedir desculpas por evitá-lo, por ter dado em cima de caras na frente dele, por ter negado a transa na festa, por não tê-lo beijado mais nenhuma vez. Contudo aquilo tudo era tão patético. Eu queria me livrar daquele sentimento de culpa, de falta, de necessidade. Suspirei.

— Bie, acho que vou para casa da minha madrinha. Falo com vocês mais tarde! – Disse para Barbie e Teresa no fim da aula. Como de costume eu iria para a casa da loira. Porém vi meu primo Fernando e resolvi que era disso que eu precisava, um pouco de carinho fraternal, um ombro amigo para desabafar. – Ei Fe! – Chamei.

— Oi Summerzinha! – Fernando disse alegre.

— Vou contigo pra casa.

— Para a minha?

— Isso!

— Então “bora"! – Falou passando o braço pelo meu ombro.

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Fernando me obrigou a fazer minhas tarefas enquanto ele fazia as dele também. Um ponto negativo em meu primo preferido: ele era nerd. As nossas tarefas não eram parecidas, já que os gêmeos estavam em um ano atrás de mim, eu era mais velha. E ao invés de eu ajudá-lo por já ter aprendido essas matérias, ele que me ajudou por ser tão inteligente. Para mim Fernando tinha todas as qualidades que faltavam em Jefferson. Era inteligente, bondoso, sincero, honesto, amigo, romântico.

— Prontinho Dona Summer! E olha só quem nem morreu!

— Mas quase, principalmente nessa armadilha do “Demo” conhecida como álgebra! – Falei me jogando em sua cama. Fernando riu.

— Agora posso saber o que você deseja?

— Como assim?

— Você não veio aqui só para fazer as tarefas acumuladas, não é? – Fe perguntou sentando ao meu lado. Ele era esperto.

— É... não.

— Sabia!

— Você me conhece bem demais! – Falei revirando os olhos. Ele riu.

— Uhum. Você é minha menina! – Disse enquanto se encostava nos travesseiros. Deitei minha cabeça em seu colo.

— Como oito meses a mais não me fizeram pelo menos um tiquinho mais madura que você? – Perguntei ressentida. Eu era madura demais em muitos sentidos. Madura de desenvolvida corporalmente, madura de avançada na sexualidade, madura das tantas coisas pelas quais já passei na vida. Porém, eu era muito cabeça dura, sem juízo, irresponsável.

— Não faço a mínima ideia!

— Convencido! – Dei um tapa nele. Rimos.

— Agora quer falar o que te aflige? – Perguntou passando as mãos pelos meus cabelos. Adorava que mexessem nele.

— Posso te fazer uma pergunta?

— Claro.

— É sobre mim. – Falei tímida.

— Hum... Veremos se posso responder.

— Você acha que eu conseguiria amar e ser amada? – Falei virando a cabeça para longe da visão dele.

— Como assim Sum?

— Tipo, você me conhece. – Me virei para olhá-lo. – Sabe como eu sempre fui foda-se para tudo. Sempre livre, querendo curtir, nunca me prender. Nunca me apaixonei, e nunca quis, na verdade. Eu nunca dei chance para isso acontecer. – Suspirei. – Sempre tive minhas mágoas, e descrenças. Minha mãe nunca teve um relacionamento duradouro, eu sempre vi minhas amigas sofrer e nunca almejei isso para mim também. Nunca acreditei no amor. Só em sorte. Como seus pais, como nossos avós. Para mim eles tiveram sorte em encontrar alguém que sempre quisesse ter do lado, e os quisesse também. – Mordi o lábio inferior pelo nervosismo. Fernando me olhava com atenção. – Eu sei lá. Será que eu poderia me apaixonar?

— E porque não poderia minha linda? – Falou sorrindo.

— Porque sou eu! – Disse com obviedade.

— Sum... – Meu primo suspirou. – Minha querida, você nunca se apaixonou porque como mesmo disse nunca se deu o trabalho disso, nunca se deixou apaixonar. Às vezes existem pessoas ao nosso redor que seriam ótimas escolhas á essa tal de “sorte”, só precisamos abrir nosso olhos, e principalmente nosso coração. Você tem um coração Sum! Só não costuma o usar com frequência para nada além de batimentos cardíacos! – Ri com ele. – Mentira. Você é apaixonada por suas amigas, faz de tudo por elas, não faz?

— É...

— É apaixonada por mim, não é? – Sorriu.

— Sim, mas é diferente. – Olhei para baixo.

— Sum... Você ainda só não encontrou alguém que te faça esquecer-se de todas as coisas negativas nas quais você acredita sobre o mundo. Alguém que te faça querer se apaixonar.

— E como é que eu sei quando eu achar?

— Bem, depende...

— Como é que você sabe que é apaixonado pela Viviane? – Perguntei sorrindo. Meu primo era o melhor amigo de Vivi, e era louco por ela. O problema era que ela amava o Vinicius. Da mesma forma que Teresa amava o Vini e ele só tinha olhos para a Viviane. Contudo nem os dois “V” estavam juntos no momento. Ou seja, no fim todos sofriam. Exatamente por isso que eu não achava lógica nesse tal do amor. Só trazia tristeza.

— Ah... Eu? Não estamos falando sobre você? – Vi Fernando corar. Dei uma risadinha. Meu primo era extremamente tímido.

— Mas eu quero entender com exemplos reais.

— Pois bem, eu percebi que estava apaixonado pela Vivi, porque cada detalhe que eu descobria nela me encantava, me sentia bem em ficar ao seu lado, e quando não estava sentia vontade de estar. Pensava nela o tempo todo, e também senti ciúmes. Esse é o ponto crucial, quando se sente ciúmes é porque não quer perder, porque é realmente importante para você. – Respirei fundo quando ele terminou. Aquilo realmente descrevia tudo que eu havia estando sentindo pelo Guilherme.

— Certo. Entendi. – Pensei mais um pouco. Fernando continuou silenciosamente mexendo em meu cabelo. Isso era mais um ponto positivo nele, ele sabia dar espaço. – Você disse que a pessoa chega. Então não tem como se apaixonar por alguém que tipo, já chegou?

— Claro que sim Sum. Lembra que eu gostava da Maria? E nós nos conhecemos desde sempre!

— Verdade. – Concordei. Maria era uma das irmãs de Barbie, e estudava com Fernando e Jefferson.

— Às vezes nós conhecemos as pessoas á um bom tempo, e guardamos dentro nós o sentimento, por medo ou por diversos outros motivos, bem trancado até de nós mesmos. Ou, somente não nos demos a oportunidade de olhar para certa pessoa de uma maneira mais profunda. Conhecer alguém nem sempre quer dizer que realmente a conhecemos, que prestamos atenção suficiente nela. Então a partir do momento que temos o interesse de olhar para alguém com mais cuidado, podemos acabar nos apaixonando.

— Hum... – Aquilo tinha feito todo o sentido agora. Eu sempre conheci o Guilherme, porém sempre o tachei como idiota, sempre o defini como alguém que odiava, nunca parei para olhá-lo de verdade. E quando fiz isso acabei desse jeito. Infelizmente apaixonada. Mas eu não quero estar apaixonada! Isso é muito idiota! – Ok. E se por um acaso eu realmente conseguisse me apaixonar como você diz que é possível...

— Sim.

— Mas não quisesse me apaixonar? – Perguntei o olhando firmemente. – Eu adoro ser livre, curtir a vida, viver. Adoro não ter que dar satisfação a ninguém, conhecer pessoas novas o tempo todo. Beijar, beber, transar... – Meu primo fechou a cara. Suspirei. – Sei que você não concorda, mas é a verdade. – Toquei seu rosto. – Enfim, se isso acontecesse?

— Se você estivesse apaixonada... – Fe enfatizou a palavra “se” me olhando profundamente. – Mas não quisesse isso, você teria que escolher. – Falou com obviedade. – Sempre que temos mais de uma opção na vida precisamos escolher, não é Summer? Nessa situação não seria diferente. Ou você continuaria com a vida que sempre teve, a que você sabe muito bem para onde te leva, porque sempre esteve nela. Se divertindo, porém nunca se sentindo completamente completa... – Desviei o olhar. Ele me conhecia muito bem. – Ou você embarcaria nessa “aventura”, entraria de cabeça em algo novo que nunca sentiu antes, assumiria esse sentimento e correria os riscos. Riscos de poder sim sofrer no final, ou de ser imensamente feliz. – Tocou meu nariz. – Isso só dependeria do que você fosse escolher.

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POV Narrador

Summer precisava decidir, e decidiu. Ela não ia deixar de ser ela mesma por causa de um cara qualquer. Ou melhor, por causa de Guilherme. Não podia, e não iria admitir seus sentimentos. Então continuou o ignorando.

Guilherme, por sua vez, sentia falta de Summer, porém se ela estava longe dele era porque queria, e não seria ele que iria atrás. Nunca precisou correr atrás das mulheres, elas sempre caiam aos seus pés, não podia se deixar humilhar agora. Logo pela Summer.

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POV Narrador

— Caramba, não tem nenhum lugar para eu sentar não? – Summer perguntou chegando perto de seus amigos na hora livre deles. Era sábado, dia de uma amostra de trabalhos. A maior parte dos alunos não estava com a mínima vontade de ir para o colégio em pleno sábado, porém foram obrigados. Summer era uma dessas.

— Senta aqui! – Nathan disse apontando para o seu colo. Ele havia pedido desculpas para o Guilherme, que aceitou mesmo de mau agrado. No fundo ainda gostava de Sarah, entretanto Sum tinha acordado ele, e os pegas que deu em Bianca também. Agora todos estavam sentados juntos.

— Obrigada! – Sum disse realmente se sentando no colo de Nathan. Jake e Alfonso riram. Gui vendo aquilo saiu para longe. Não ia ficar observando aquele tipo de coisa. Foi para um lado mais silencioso e ficou lá xingando Deus e o mundo.

Depois de um tempo Summer teve que voltar para o seu posto, tinha que se preparar para as próximas apresentações. Suas notas estavam horríveis, dependia dessa amostra. Estavam andando com Barbie e Teresa quando viu um Guilherme enraivecido a encarando.

— Ei, vão na frente. Daqui a pouco eu chego!

— Não se atrasa Summer! – Barbie disse irritada.

— Relaxa! – Sum gritou sobre ombro. Parou na frente dele e suspirou. – Oi Gui. – Falou por fim. Ele que olhava para longe permaneceu por um tempo até virar para a olhar. Estava decidindo se iria fazer isso.

— Oi Sum. – Respondeu por fim. Porque ela tinha que ser tão bonita? Pensou enquanto a observava.

— Está tudo bem? – Perguntou mesmo sabendo a resposta.

— Não. – Falou entre dentes.

— Quer falar o por quê?

— É bem simples: Você!

— Eu? Como assim?

— Você ainda pergunta? Eu não entendo Summer! Não entendo o que ando sentindo por ti, nenhum pouco. Porque cara eu nunca senti isso antes! – A olhou profundamente. O coração de Summer bateu mais rápido. Assim como o Gui em cada palavra que confessava. – E eu sei que você sente algo diferente por mim também! – A esperou falar algo. Porém Sum permaneceu em silêncio. – Não adianta negar agora!

— Sim. –Murmurou. Ele continuou a olhando. Sabia que tinha mais. – Sim, eu também sinto algo por ti no qual nunca senti antes!

— Pois é! Não entendo porque então continuamos afastados, e porque merda você tem que ficar se esfregando em outras pessoas na minha frente! Ficar com o Nathan e depois sentar no colo dele para me lembrar disso!

— Eu não fiquei com ele ta legal? – Confessou. Algo em Summer não queria que ele ficasse bravo por algo que ela não fez.

— Não?

— Não. A Bi ficou para mim. – Olhou para baixo tentando esconder a cara. Guilherme vibrou por dentro.

— Então porque Sum? Porque fez aquele showzinho?

— Não foi um show!

— Cara, eu preferia apanhar a ver você fazendo aquilo! – Guilherme sofreu ao ter que confessar aquilo. Ele também sempre fora muito orgulhoso. O coração de Summer por um minuto amoleceu.

— Ta vendo? Esse é o problema de tudo! – Falou corajosa. Ela tinha feito uma escolha, então precisava se manter forte. – Eu sinto ciúmes de você Gui! O tempo todo! Eu não consigo ficar com outras pessoas porque me sinto ligada a você!

— Sério? – Gui tentava esconder o sorriso.

— Sim! Mas nós não temos nada!

– Eu também! – Gui respondeu olhando para o colo dela, seu pescoço... – Eu também não fiquei com mais ninguém desde aquela festa em que conversamos...

— E sente ciúmes de mim!

— Não... – Tentou disfarçar. Era difícil ter que confessar tudo aquilo em voz alta. Sum levantou uma sobrancelha o desafiando. – Sim. – Gui suspirou.

— Então! Como você disse antes, ta na cara que a gente sente coisas um pelo o outro que nunca sentimos antes. Mas eu não quero isso Gui! Não quero me prender! Eu não sou assim! – Guilherme que estava contente, começou a ficar mais triste a cada palavra dita. Nunca havia passado por isso: rejeição.

— Eu também não quero deixar de sair, me divertir, de ser eu. – Concordou sério. Precisava defender o que sentia. Sum por sua vez, ficou mais calma. Pensou que se ele achasse o mesmo que ela, seria mais fácil. – Contudo... – Deu de ombros. – Eu só penso em ti. Não consigo ficar com outra. Como é que vou fingir que ta tudo bem desse jeito?

— Gui... – Sum suspirou amargamente. Pegou a mão de Gui. Como naquela vez na praia, parecia que havia uma corrente elétrica que os ligava, que eriçava todos os pelos de seus corpos, e os fazia querer se aproximar ainda mais. Mesmo assim Guilherme permaneceu um pouco rígido. Se ele estava prestes a lhe dar um fora, ele que não iria se humilhar. – Eu não estou preparada para isso. Eu não quero assumir nada. – Em uma coragem repentina Gui resolveu dizer o que estava trancado dentro de si...

— Sum, eu acho que estou...

— Xiiu... – Summer tampou sua boca com um dedo antes que ele falasse algo que iria doer demais em ambos. Fechou os olhos. – Não continua.

— Ok. – Ele tirou a sua mão dele. Não iria mesmo se humilhar. Aquilo tinha sido a última tentativa.

— Não vamos continuar com isso. É melhor nos afastarmos.

— Como você quiser. – Falou com seu maxilar trincado. Sum pensou em como ele ficava lindo bravo!

— Vai ser melhor para nós dois. Terminar antes de começar qualquer coisa. – Summer continuou tentando dar desculpas até para si mesma.

— Como eu disse, faça como preferir. Só lembra que foi você que quis assim. E que eu não sou de voltar atrás. – Gui falou com confiança.

— Não estou pedindo para fazer nada! – Sum respondeu irritada.

— É, nunca passei por isso, e quando passo é com a pessoa errada... – Murmurou. Deixou toda dor que sentia passar para aquela frase. Aquilo era tão horrível! Para Summer foi com uma pancada. Mesmo tendo sido ela que procurou por isso.

— Que bom que pensamos da mesma forma! – Respondeu para não ficar para trás. Teve a certeza nesse momento que fez a escolha correta.

— Tchau Sum! – Guilherme disse deixando aquela linda ruiva para trás.

— Tchau Gui! – Summer falou observando um loiro tão lindo se afastar.

Notas finais
Oi,oi gente! Então, quando comecei a escrever esse capítulo ele tomou uns rumos diferentes, por isso ainda não chegou a tão esperada hora. Acho que ficou bem grande e bem legal esse capítulo. Pelo menos adorei escrevê-lo. Tento ao máximo deixar vocês bem informados sobre a história, vida e personalidade de cada um dos personagens. Todos que aparecem na fic possuem uma história muito bem detalhada para mim, por isso as vezes acabo esquecendo que vocês não os conhecem como eu kkkk Estou tentando aos poucos passar esse conhecimento á vocês, sem perder o foco dos dois personagens principais. Espero estar conseguindo! Comentários são supeeer bem vindos! Me animaria bastante! E obrigada aos que já tiraram um tempinho para dizer pelo menos algumas palavras! ♥ ♥ ♥ Beijinhos ♥