On The Road
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Existem alguns dias que já começam extremamente mal, e que o início é quase um presságio do que está por vir. E esse foi exatamente um desses dias.
Eu, Lily Evans, tinha finalmente conseguido férias. Não me entendam mal, eu adoro o meu emprego: trabalho numa revista, e a minha função é escrever matérias explicando coisas históricas que afetam nosso dia a dia, como o início da formação da estrutura política do país, ou das classes sociais estabelecidas... A minha função é fazer as pessoas entenderem, e isso é incrível. Mágico, até. Mas passar um ano e meio fazendo isso sem nenhum período de férias é cansativo.
Então, isso me fez agradecer aos céus por ter conseguido um mês de férias, porque eles tinham (finalmente) conseguido uma substituta pra mim, Alice Longbottom.
Enfim, esse seria o primeiro dia de viagem que o grupo de turismo estaria junto. Havia um guia, que apresentaria o grupo à cidade. Eu estava realmente ansiosa para isso, e quando ouvi o som do alarme do telefone tocar, um sorriso apareceu nos meus lábios antes mesmo de eu abrir os olhos.
Infelizmente, esse sorriso só durou até esse momento.
Quando abri os olhos, consegui enxergar uma luz forte que me deu a sensação de estar cega. Logo depois, raciocinei. Eu tinha que acordar às seis da manhã, e nesse horário o sol ainda não estava tão forte... ou será que eu estava errada?
Levantei de cama e desbloqueei a tela do telefone. A primeira palavra que passou pela minha cabeça foi "merda". Seis e cinquenta. Dez minutos para que eu tomasse banho, arrumasse tanto a mim quanto a minha bolsa, penteasse o cabelo (que provavelmente estava um desastre, já que eu me mexo muito enquanto durmo, e o meu cabelo é longo e cheio) e tomasse café da manhã no salão do hotel.
Dez minutos.
Corri para o banheiro e tomei o banho que tinha se tornado, oficialmente, o mais rápido da minha vida (um minuto e quarenta e cinco segundos, de acordo com o cronômetro do telefone). Quanto ao cabelo, tive que recorrer a um creme de pentear. Mesmo que eles deixassem meu cabelo extremamente oleoso, isso era melhor do que perder o primeiro dia efetivo da minha viagem.
Repassei a lista mental de coisas que eu precisaria durante o passeio. Telefone estava no meu bolso, chaves eu tinha jogado dentro da mochila, repelente... Ah, sim, está em cima da cômoda. Dinheiro, cartões de crédito e débito, um livro, para o caso de eu precisar ignorar alguém, óculos escuros, um pacote de biscoito e uma garrafa térmica com café (eu definitivamente não estava muito confiante sobre conseguir tomar café à tempo no hotel) e outra de água.
Coloquei a mochila nos ombros e estava um pouco pesada. Marlene estava certa sobre eu sempre carregar muita coisa desnecessária dentro da bolsa toda vez que saía, que eu ao menos leria o livro que estava dentro da bolsa, entre outras coisas desse gênero. Mas quem podia garantir que hoje não seria o dia em que eu precisasse do livro? Quem pode garantir que hoje eu não vou encontrar um assaltante e vou precisar de um livro para bater na cabeça dele e fugir? Ninguém pode me garantir isso, e eu sempre fui mais à favor de me precaver do que sofrer as consequências de um erro cometido.
Cheguei ao hall e encontrei um homem moreno, que usava óculos com armações redondas. Nunca o tinha visto ali, então supus que fosse o guia. Desbloqueei a tela do celular e sorri ao ver o horário. Sete e quatro. Eu não tinha me atrasado tanto assim, afinal.
— Senhorita Lily Evans? — O moreno de óculos que encarava o relógio de pulso há alguns segundos era mesmo o guia, aparentemente. Agora ele olhava para mim.
— Eu mesma. — respondi, parada em frente à ele.
— Está atrasada. — ele confere o relógio normalmente e o encarei, enquanto erguia uma sobrancelha. — Cinco minutos.
— Meu alarme demorou a despertar... — Eu respondi, encarando o chão limpo e brilhante do hotel. — Vocês estão me esperando há muito tempo?
— Estamos te esperando desde cinco minutos atrás. — ele respondeu, como se fosse óbvio. A minha vontade era gritar, porque eu estava com ódio do senhor pontual. — Vamos. Antes que nos atrasemos ainda mais.
"Nos atrasemos ainda mais". Eu tive vontade de perguntar a ele se nunca tinha se atrasado para algo por cinco minutos de merda, mas o babaca provavelmente diria que não, nunca tinha se atrasado. E talvez ainda lhe desse uma "lição de moral" subliminar.
Quando entramos no ônibus, James parecia ter mudado completamente: não encarava mais o relógio de pulso a cada cinco segundos e também não trazia uma expressão de reprovação em seu rosto. O que provava que ele estava rabugento daquele jeito lá dentro por minha causa. Ou, mais especificamente, por causa de cinco minutos.
Revirei os olhos ao pensar nisso, e é quando ele, o senhor pontual, começou a falar.
— Então, pessoal, eu sou James Potter, o guia turístico de vocês. Antes de começarmos, eu queria deixar claro que qualquer dúvida que vocês tiverem, podem falar comigo. Eu juro que não mordo! — Antes, ele estava sério, mas, depois dessa frase ele dá um sorriso tão ridiculamente perfeito que chegava a ser irritante. Todos brancos e minuciosamente alinhados. Era impossível que ele nunca tenha usado aparelho dentário. Impossível. — A não ser que vocês queiram.
James dá uma piscadinha e todos riem, todas as mulheres (e alguns dos poucos homens na excursão) coraram. Reviro os olhos ao me deparar com aquela cena. Por que as mulheres não conseguem se controlar ao ver um rostinho bonito piscando para elas?! Que ridículo!
James começava a falar e eu procurava, de forma incansável, algum erro no que ele dizia. Mas não havia nada! Como aquilo era possível?! Ele tinha que errar alguma coisa, em algum momento!
[...]
Aquilo tudo já estava começando a me irritar. James Potter era tão perfeito que me deixava nos nervos! Aquela aparente perfeição me deixava irritada! Ele era bonito, tinha um porte atlético, não errava absolutamente nada... E não era como se ele estivesse citando a porra de um livro de história e, me doía dizer isso, mas ele dizia todos os fatos corretamente e de uma maneira divertida! Obviamente, para mim não estava nada divertido, porque eu precisava desesperadamente provar que ele estava errado!
— Acabamos de chegar na nossa primeira parada, essa é a Igreja de... — Eu parei de prestar atenção no que ele falava naquele momento. Aquela era a hora, era tudo que eu conseguia pensar.
Naquela parada, eu ia perguntar a James Potter, aquele guia metido à perfeito, o que diabos ele fazia para não errar nada e ainda ser espontâneo, sem parecer um livro de história ambulante.
Os outros turistas na minha frente já estavam descendo as escadas, e eu esperei um pouco. Era melhor ir no final, para não chamar atenção. O Potter fazia o mesmo, e eu sorri rapidamente para que ninguém visse. Era como se o destino estivesse ao meu favor. Seria uma pena perder a igreja, mas, se eu não fizesse aquilo naquela parada, eu não aquietaria até a próxima em que o fizesse.
Todos já tinham entrado na igreja, e restavam apenas eu e James do lado de fora.
— Pode vir aqui?
Silenciosamente, James me segue em direção à lateral da igreja, onde ninguém podia nos ver.
— O que quer, Evans?
— O que eu quero?! Eu quero saber como você é o Senhor Perfeitinho que não fala nada errado e conversa com todo mundo! E também quero saber porquê diabos você fecha a cara toda vez que olha e fala comigo! — eu exclamo, e logo depois percebo que falei demais. Aquilo acontecia com frequência. Eu me xinguei mentalmente, mas não demonstrei que aquilo tinha sido um erro, porque seria ponto para o Potter.
Mas ele ganhou um ponto naquela conversa logo depois.
Porque James Potter fez o que eu nunca (nunca) pensaria que fosse fazer: ele riu.
— Então... Evans — diz James, com um sorriso sarcástico no rosto que faz com que eu tenha vontade de quebrar a cara dele, pra ver se assim aquele sorrisinho saía da cara daquele desgraçado. — Quer dizer que você está incomodada por eu não dar atenção a você? Não gosta que eu... Converse com os outros e faça piadas com eles, mas não com você? É isso, senhorita Evans? Você...
— Cala a boca! — eu exclamo. Já estava irritada ao extremo.
— Foi você quem me chamou aqui, senhorita Ev-
Eu preciso admitir que não pensei muito ao fazer o que eu fiz a seguir. Eu só conseguia pensar em fazê-lo calar a boca (apesar de estar consciente de que eu o havia pedido para ir até ali comigo justamente pelo e para o contrário: falar), não importava a maneira com a qual eu fosse fazer isso.
E, apesar de haver dezenas de outras, eu não consegui pensar em nenhuma delas naquele instante, exceto em uma: beijar James Potter. E assim eu fiz.
Maldito foi o momento em que eu fiz isso. O beijo de James Potter é desgraçadamente bom. Primeiro, ele (obviamente) ficou surpreso. Mas, depois, eu o empurrei na parede da igreja e continuei beijando e encontrei em mim uma selvageria que eu juro não saber que tinha antes desse momento.
E James correspondeu com a mesma intensidade.
Minhas unhas estavam cravadas nas costas dele, e as mãos fortes dele, uma estava em meus cabelos e a outra, toda a extensão da minha coluna. Minhas pernas envolveram o quadril de James, e os lábios dele passaram dos meus lábios para o meu pescoço. Um gemido saiu dos meus lábios enquanto eu jogava minha cabeça para trás, deixando meu pescoço ainda mais exposto para que James pudesse beijá-lo mais.
James começa a descer os lábios mais para baixo, e suas mãos passam habilmente para a barra da minha camiseta, com a intenção de tirá-la, e é nesse momento que eu ouço uma voz.
— Hã... Senhor Potter? — Eu deixo meus pés tocaram o chão, enquanto afasto minhas pernas do quadril de James, e tanto eu quanto ele começamos a arrumar o cabelo. Parada no início da lateral da igreja, estava uma mulher quieta que estava no mesmo ônibus que eu. O nome dela era Andrômeda Black, pelo que eu havia entendido. — Todos já viram tudo na igreja, acho que... Acho que já está na hora de voltarmos para o ônibus.
James assente, enquanto continuava tentando deixar seu cabelo em um estado apresentável.
— Sim, sim, eu... Eu já estou indo.
Andrômeda parecia satisfeita com a resposta de James, porque deu meia-volta, à caminho da igreja.
— Foi bom conversar com você, Evans.
Eu realmente gostaria de responder algo para James antes dele voltar para a entrada da igreja, mas eu tinha que admitir... James Potter usava a boca extremamente bem.
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