Notas iniciais
Desculpa se saiu ruim,é natal então não tô com muito clima pra escrever coisas assim,mas deixei muito tempo sem atualizar :p

Algum tempo depois que Chung-ho se acomodou decidi pôr um dos meus fones de ouvido para tentar ignorar os sacolejos do trem devido a pressa motivada pelo alerta emergencial.Minha estação estava próxima,e meus planos bem delimitados.Não faltava muito para finalmente colocá-los em prática.

De fato minha trilha era um caminho unilateral,moldado pelo único objetivo de alcançar a verdade.Assim como aquele trem.Entretanto se você observasse mais de longe,veria que aquelas formas até então bem consolidadas se confundiriam,e as linhas se perderiam na magnitude do universo.

Não se tratava de um único caminho e sim de vários afluentes que iriam desaguar no oceano desafiador e profundo.Você poderia desbravá-lo se assim desejasse,mas teria que se certificar que estaria disposto ao sacrifício necessário.

Assim que o veículo chegou ao meu destino,cruzei o seu interior de cabeça baixa e desci as escadas rapidamente,tentando evitar tropeços.A cada passo hesitante,sentia um leve formigamento na nuca.Era uma sensação extremamente comum,a sensação de estar sendo seguida,observada.

Contudo as ruas estavam vazias e não havia a quem recorrer naquele momento.Fui tomada pela ansiedade e desespero,suas garras gélidas me asfixiavam enquanto tentava aumentar a velocidade dos meus passos.Lá estava eu,arfante,perdida, confiando cegamente na rarefeita esperança de que chegaria em casa em perfeito estado.

Agora,eu era capaz de escutar os passos da figura que me seguia.Estava cada vez mais rápido.

“Não olhe para trás”

“Siga seu caminho,não importa o que aconteça não olhe para trás”

No estopim da minha angústia,senti algo frio agarrar meu pulso.

–Bong Soo Sshi?

—Sim?

—Não precisa ter medo é Chung-ho novamente.

—Posso ajudá-lo com alguma coisa?Se puder largar meu pulso é claro.

—Ah sim,me desculpe por isso.Preciso conversar com você,é urgente e confidencial,minha casa fica aqui perto como você sabe,seria melhor se pudéssemos nos encontrar lá pra evitar boatos.

—Sua casa?O que você pensa que está fazendo?Você me segue até quando estou trabalhando,me assusta,e depois aparece pedindo pra eu ir na sua casa como se não fosse nada?

—Bong Soo Sshi não é hora pra discussões,o que eu preciso falar com você é realmente sério,eu não teria feito isso se não fosse estritamente necessário.

—Sobre o que é isso então?

— É sobre Taeyong

Cedi assim que ouvi seu nome,mesmo que não confiasse totalmente no seu amigo,aquela era a oportunidade que eu precisava para finalmente juntar as peças.Assim,nos dirigimos em silêncio para o terceiro quarteirão à direita,em direção a uma pequena habitação verde oliva localizada em uma rua sem saída.

O rapaz me deixou entrar primeiro,e adentrou no recinto logo em seguida.Trancou a porta.

—Deseja beber alguma coisa?- Perguntou enquanto enchia seu copo com cerveja.

—Eu estou bem,obrigada.Pode começar a falar agora?

— Como deve bem saber você vinha recebendo uma boa quantia até mês passado.

— Então era você que enviava?

— Estava em meu nome mas não era meu,aquelas eram as economias que seu irmão acumulou antes de falecer,era da vontade dele que eu te enviasse.Porém essas economias se esgotaram.

— Se era disso que você queria tratar comigo eu já estava sabendo obrigada,agora se me der licença tenho assuntos mais importantes a tratar-Respondi indo em direção à porta.

Ele suspirou impaciente.

—O que fez com elas?-Elevou o tom.

—Não é do seu interesse,e obrigada por enviá-las

—A casa que você alugou tem um custo muito inferior,com aquela quantia você poderia desembolsar algo muito melhor e ainda trocar de cidade.O que planeja fazer com o que restou?

—Você anda controlando meus gastos também?-Questionei já sem muita paciência

—Seu irmão me pediu para que eu ficasse de olho em você,ele tinha medo de que você fosse tentar alguma merda,e pelo visto ele estava certo.

Ao ouvir aquilo meu sangue ferveu,não era do meu feitio apresentar um comportamento arredio,mas não estava em condições para aquele tipo de conversa,não depois de tudo o que eu passei para organizar cada pequeno detalhe.Eu não iria dar um passo atrás.

–Quem é você pra julgar minhas decisões?Não me interessa se você me ajudou nesse meio tempo, você não estava lá, você não sabe o que eu senti,você não sabe o que tive que enfrentar,tudo o que eu perdi.Você não sabe de nada e você não vai me fazer desistir.

–Eu tenho uma dívida com seu irmão,por mais que eu não estivesse lá quando tudo aconteceu eu vou realizar a vontade dele até o fim.E posso te garantir que seus atos recentes não condizem com nada que ele desejava.

–Meu irmão está morto, entende?Ele está morto,não interessa o que ele pediu a você,ele me deixou sozinha,eu tenho direito de saber a verdade.-A essa altura eu estava praticamente vomitando as palavras em alto e bom som,estava dominada por uma mágoa irracional,da qual me arrependeria depois.

–Isso não é tão simples assim,você pode colocar muito mais coisas a perder

–Coisas a perder?Eu já perdi tudo,eu sou a irmã de um criminoso,ninguém sequer olha na minha cara.Acha que tomei essa decisão por impulso?Eu não tenho mais nada a perder,que credibilidade tem uma família em que o filho mata o seu próprio pai?

Chung-ho parecia um pouco surpreso,talvez pelo modo no qual eu tinha proferido aquelas palavras,ele não estava acostumado a ver esse meu lado.Após uma leve pausa ele continuou tentando se manter pleno,apesar dos seus quase imperceptíveis lábios trêmulos.

–Sim eu já sabia,por isso que estou fazendo isso,seu irmão queria que ficasse segura.Você ainda pode seguir sua vida

–Seguir como?Acha que devo sair gritando na rua que meu irmão fez aquilo para me defender?Acha que as pessoas vão ter pena?”Ah coitados,eram espancados pelo pai,vamos ignorar o homicídio e dar mimos de natal para ela”.

–Escute,isso não é tudo,seu irmão estava envolvido em muito mais coisas,correr atrás disso é como cavar sua própria cova.

–Então você leu a carta.

–Eu fui o primeiro a ler,eu sei das coisas e eu nunca me perdoaria se não fosse capaz de ao menos te deixar a salvo depois da dívida que deixei com seu irmão.

Apesar de não ser muito próxima de Chung-ho,eu sabia que quando ele arqueava uma as sobrancelhas e franzia a testa simultaneamente,era sinal de que aquilo realmente significava muito para ele.Sabia disso pois esse também era uma mania típica de Taeyong,costume esse que o mesmo havia herdado do seu amigo de infância.

–Olha,me desculpa pelo o que eu disse antes,eu compreendo o seu lado mas eu não posso simplesmente desistir agora,entende?Como você acha que eu conseguiria manter minha consciência limpa se não fizesse isso?Se eu apenas ignorasse tudo e vivesse normalmente?

Agora,ele parecia pensativo,apoiara sua testa nas suas mãos posicionadas em formato de concha.Estava tentando de todas as formas que podia mas ainda assim era insuficiente.

–Tudo bem,se eu realmente não posso te parar então me juntarei a você.

–Tem certeza?Os riscos são altos

–Eu não tenho muita escolha aparentemente.Então o que tenho que fazer?

–Nada muito drástico por agora,apenas me prove que posso confiar em você

–E como farei isso?

—Primeiramente,quem é Donghyun e onde ele está agora?

Notas finais
Sshi (씨): Pronome de tratamento válido para ambos os sexos usado para designar alguém mais velho ou de nível hierárquico maior que o falante.Geralmente usado com pessoas as quais não se tem muita intimidade.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.