Perseguição. É a habilidade principal a ser desenvolvida por um stalker. Um stalker que não sabe perseguir é poser.

Prossigamos com minha perseguição da tal mulher de sobretudo.

Logo que ela prosseguiu, depois de se encontrar com Angelin, eu comecei a segui-la. Tive que deixar minha bicicleta perto da banca de jornal, e seguir o percurso a pé. A bicicleta chamaria muita atenção a mim. Tirei minha touca listrada do bolso – era minha identidade, quando fazia um stalkeamento importante eu tinha que usar aquela toca; podia-se dizer que é a minha touca da sorte – e mantive uma distância longa, mas não longa o suficiente que me fizesse correr o risco de perdê-la de vista.

Segui-a por longos minutos. Ela passou por ruas cheias de pessoas e ruas desérticas, umas com muito comércio e outras com pouco. Entrou em becos e vielas. Todas elas por coincidência eu já havia passado alguma vez em algum stalkeamento casual. Apesar de algumas viradas dela para trás, demonstrativas da desconfiança de sua desconfiança que estava sendo observa – e com razão –, não houve erros na minha perseguição. Teve um momento que para não ser descoberto, tive que subir a escadaria externa de um prédio e persegui-la de uma perspectiva superior, digamos assim. Porém nada que eu já não tivesse feito antes.

Ah! Vale contar o que eu vi enquanto estava acima do nível do asfalto. Por uma janela eu pude ver rapidamente um homem cheinho... Ok, parei, não é do meu feitio eufemizar comentários. Eu vi um homem bem gordo dançando de frente a tevê. Ele usava uma camiseta que não conseguia cobrir nem metade de sua barriga; não tenho certeza se ele estava usando a parte de baixo das vestimentas. Ele era calvo. O cara dançava alegremente. Mas eu o julgo bem! Melhor um gordinho feliz do que dois magricelas tristes!

Notei também, em janelas vizinhas, um homem e uma mulher brigando. No momento em que passei a mulher acabara de lançar um prato de vidro no homem. Passei rapidamente e não pude ver o fim daquele ocorrido. Na janela vizinha, pude ver por uma brecha deixada na cortina cuidadosamente fechada, movimentos bruscos lançados à escuridão. Não poderia entender exatamente o que era aquilo, se não fosse por um urro masculino seguido de um gemido feminino.

Mas não nos distraiamos, não poderia perder a tal vítima de vista.

Logo tive que descer do prédio, e segui-la por uma longa ladeira. Não era demasiada íngreme, mas deu o que cansar. Segui-a até o final da rua, que deu em uma praça. Já passara por perto daquela praça antes, mas nunca entrara.

A tal mulher adentrou a multidão que se locomovia alvoroçada no calçadão da praça. A praça era um grande centro comercial, e não havia um dia da semana que as pessoas não se aglomerassem lá para comprar e comprar.

Tive que segui-la. Não poderia desistir agora

Imagine só! Como seguir uma pessoa no meio de dezenas outras? Apenas um expert em perseguição seria capaz de fazer isso. E o papai aqui manja das perseguições.

Tomei algumas mudanças no meu visual; todos sabem que o disfarce é aliado da perseguição. Fiz mudanças simples: Tirei a minha touca da sorte; desvesti o casaco que eu estava usando e amarrei-o à cintura; coloquei meus óculos de grau o qual eu só usava quando me eram realmente preciso – odeio ter que usar óculos -; e dei uma bagunçada com estilo no cabelo. Parecem mudanças simples, mas as pessoas observam geralmente o rosto e vestimentas das pessoas, mesmo que rápido e superficialmente. Uma troca dessas pode fazer com que uma mesma pessoa, à vista dela, seja totalmente diferente.

Não demorei muito para nas mudanças, fiz tudo antes de ela conseguir se incluir naquele meio.

Agora eu estava pronto. Então adentrei junto àquela mulher, no formigueiro de humanos.