Olivia

8 Carro Voador


***

—Oh, meu Merlin!- minha mãe exclamou com o rosto colado na janela.

O carro balançava e por vários segundos pensei que íamos cair. Eu me apressei para colocar o cinto, ajustar e apertar mais um pouco. Quando o chão já estava distante há uns trinta metros, o ruivo pisou fundo no acelerador. Enquanto prédios, ruas, vielas e pessoas apressadas (porém, observadoras, como pude perceber com todos os olhares voltados para o céu. Afinal, o que tem demais um carro voando?), Harry falou para o amigo.

—Ah, Ron, é bom que saiba: os trouxas não estão acostumados a ver carros voadores.

—Ah! Ah é!- ele respondeu com voz trêmula e pude ver sua face de nervoso pelo retrovisor. Apertou um botão no painel e engoliu em seco.- Pronto.

—O que houve?- eu perguntei após alguns segundos não acontecer nada.

—Estamos invisíveis.

—Sério?!- eu exclamei e desci a janela.

—O que você...

Coloquei a cabeça para fora e gritei de euforia ao olhar para a porta do moreno. Não havia nada! Senti a gola da minha camiseta ser puxada.

—Desculpa.- disse para minha mãe quando voltei para o banco.

—Não faça mais isso, mocinha. Já seria estranho para os trouxas verem um carro voador, imagina uma cabeça voadora.- ela me ralhou e fechou a janela.

***

Enquanto meus olhos corriam pelas nuvens e pássaros que nos acompanhavam por vales e campos extensos, minha mãe papeava sobre seus tempos em Hogwarts. Descobri que ela era uma aluna esforçada e que passava de ano por média. Não jogava quadribol, mas adorava as aulas de voo. Sua aula favorita era o almoço e que só ia para Hogsmeade nos finais de semana quando seu estoque de doces acabava. No inverno, preferia trancar-se no quarto e dormir ou ler acompanhada de um chocolate quente na frente da lareira.

—Qual era sua casa?- perguntou o ruivo.

—A casa que todos adoram dizer que é fracassada.- ela disse ainda sorrindo. Os meninos coraram e trocaram um olhar cúmplice. Pelo visto, as pessoas diziam mesmo isso.- Mas que é a mais feliz.- ela terminou de dizer e deitou a cabeça na janela.

—Quais são as casas? E o que são?- perguntei, curiosa.

—Hogwarts é divida em quatro casas. A qual você deve honrar e trabalhar muito se quer que ela ganhe pontos e a taça das casas no final do ano.- minha mãe explicou e havia tanta força nas suas palavras, como eu nunca havia visto antes.- Tem a Grifinória, casa dos de sangue frio e coragem. Tem a Sonserina, casa dos astutos e ambiciosos. Dispostos a qualquer coisa para terem o que desejam. Tem a Corvinal, casa dos de mente aberta e inteligência. E tem a casa da Lufa-Lufa, casa dos leais, pacientes, sinceros e que não temem a dor. Vocês seguem a casa de vocês, meninos?- minha mãe perguntou, curiosa.

Eles olharam entre si e compartilharam um sorriso.

—Pode-se dizer que sim. E a senhora?- respondeu o moreno.

—Pequei nos últimos dois. Sou um pouco covarde.- disse e deu de ombros.

Arregalei os olhos. Nunca a havia visto falar de si de um modo tão calmo e sereno, sem se importando com o que era. Geralmente, ela me perguntava se o que tinha dito e feito era normal, era aceitável, se não era estranho para os outros e se era bom. Mas ali, parecia feliz. O porquê, deveria ser nosso destino.

—Mãe, qual era a sua casa?

—Ah...

Antes que ela respondesse, um barulho de maquinaria soava como se tivesse algo quebrando. Olhei pela janela do motorista e vi o espelho de fora. Estávamos visíveis novamente! Ron apertou o botão várias vezes, mas o efeito de antes não aconteceu.

—Essa não! O botão de invisibilidade deve estar com defeito!- exclamou, desesperado.

—Tudo bem, vamos descer. Temos que achar o trem.- disse Harry.

—Está bem.- disse ainda nervoso o outro e baixou a alavanca.

Minha barriga fez uma reviravolta e me senti tonta. Logo o carro voltou a estar estável e o que vi foram trilhos em nossa frente.

—Só o que temos que fazer é alcançar o trem.

—Não devemos estar muito atrás.- comentou o ruivo, mais para si do que para os outros.

Um apito de trem soou e todos sorriram. Exceto eu. Se o trem apitava, por que não conseguia ver nenhum vagão à vista?

—Ouviu isso?- disse Harry.

—A gente deve estar perto!- comemorou Ron.

O apito soou novamente.

—Essa não...- eu murmurei e minha mãe apertou minha mão.

—Espera aí.- disse o moreno e olhou para o amigo.

Eu teria rido da expressão do ruivo se a situação não fosse drástica. Ele tinha os lábios apertados e voltados para baixo, as sobrancelhas juntas e os olhos um pouco espremidos pelas mesmas. Todos olharam para trás. Nunca havia visto o nome "Expresso de Hogwarts" tão perto como aquele dia. Os gritos se misturaram e Ron tentou acelerar mais. O que não adiantou muito, visto que o trem era tão rápido que parecia prestes a nos engolir.

Ron girou o volante e o carro voltou para o céu, mas sem controle algum. O carro voava de um lado para outro e passou por baixo da ponte. Agradeci pela ponte ter suporte em colunas e não uma parede imensa. Ele estava descendo em direção ao chão, que estava há mais de cinquenta metros! De repente, ele começou a girar e girar em direção para o céu e jurei que iria colocar o que tinha tomado no café para fora. Meu corpo era jogado ora contra a gaiola ora contra a janela e ora contra o banco da frente. Pedia mentalmente que o vidro não quebrasse, mas não foi possível. Só me lembro de estar com os olhos fechados e uma dor aguda atingir a parte da frente da cabeça. Os outros estavam ocupados demais gritando de desespero.

Um clique aconteceu e quando o carro pegou estabilidade (uma estabilidade estranha, que não era reta e sim, caída para um lado) mais uma vez, a porta do carona estava aberta e nela estava pendurada a carona.

—Harry!- gritou o ruivo e se atirou para o banco do lado, com os braços estendidos para fora.

—Por Merlin!- berrou minha mãe e esticou os braços de cada lado do banco para alcançar o volante.

—Pega minha mão!- gritou o ruivo para o moreno.

Acho que ele estava um pouco apavorado com a ideia de cair nos trilhos e ter o corpo triturado pelo trem, porque não parava de olhar para baixo. Levantou o rosto e esticou a mão livre. As mãos se encontraram, mas logo a mão do moreno escorregou.

—Segura a minha mão!- ele mandou.

—Eu 'to tentando! Sua mão 'tá suada!- gritou a resposta e quando esticou mais uma vez, o ruivo o segurou com as duas mãos firmemente e o puxou para dentro. Quando já estavam todos em seus bancos e o carro voltou ao normal, Harry fechou a porta e disse em meio a ofegos.

—A gente achou o trem.

—É...- o ruivo disse de volta no volante.

—Não mesmo, mocinho!- disse minha mãe com a face vermelha e os olhos faiscando de raiva. Os meninos olharam para trás e deram um pulo quando viram a reação dela. Prendi o riso.- Segure aqui para mim, querida.- ela disse e me estendeu a gaiola com a coruja branca do moreno.- E você, vá para o colo do seu amigo.- disse e se levantou, encurvada por causa do baixo teto.

—O quê?!- os dois perguntaram estranhados.

—Ah, então passe direto para cá, como preferir! Mas saia daí! Vamos, vamos!- disse e apontava para o banco do meio.

—A senhora não vai...

—Sim, eu vou e ai de você se tentar me impedir, rapaz!- ela disse com os olhos fixos nele e ele rapidamente passou para o banco de trás. Minha mãe pulou para o banco da frente e pareceu bem mais cômoda no banco do motorista.- Eu devia ter feito isso desde que saímos de Londres e se quer saber, devia ter escutado seu amigo!

—Como assim?- ele perguntou, se ajeitando no banco da janela enquanto eu colocava a coruja de volta no lugar.

—Deveríamos ter esperado seus pais no carro. Somente esperado!- ela o olhou pelo retrovisor.- Acha que não estará encrencado com seus pais?

Seu rosto empalideceu e ele jogou as costas para trás com os olhos perdidos. Por dentro, devia estar desmoronando. Ao sentir um vento correr por minha nuca, limpei a garganta e falei com voz rouca.

—Mãe...- minha cabeça rodou.- A senhora poderia arrumar?- eu perguntei e apontei para a janela quebrada.

—Meu Merlin, Olivia! Você tem um dom para quebrar as coisas!- estendeu a mão e alcancei para ela a varinha que estava na sua bolsa em meus pés.- Reparo.- o vidro cresceu e se fechou. Consegui tirar o cabelo do rosto sem que ele fosse sair novamente.- Prontinho.- ela disse e deixou a varinha no colo com os olhos voltados para frente.

—Mãe?

—Sim?

—Esse feitiço serve para machucados?- perguntei com um sorriso amarelo.

Ela se virou para mim com os olhos já arregalados.

—O que houve?

Virei o rosto e ela gritou quando viu o sangue escorrendo. Quando quebrei o vidro com a cabeça, algum caco fez um corte no início da testa, bem escondido baixo os fios do cabelo.

—Está se sentindo muito mal?

—Não, só dá vontade de coçar...

—Não coce e não toque e não faça nada. Quando chegarmos em Hogwarts vamos cuidar disso. Falta pouco.- e quando virou-se para frente, acelerou com tudo que pôde e pôs-se a seguir a fumaça do trem.

Só estava certa de uma coisa: eu não ia jogar Quadribol.

***

Era noite quando chegamos. Ron me acordou. Eu sabia que estava perdendo muito sangue e que a dor de cabeça não ia passar tão cedo. No fim, adormeci. Cocei os olhos e balancei a cabeça para tentar ver a paisagem nitidamente, sem pontinhos brancos.

—Sejam bem-vindos.- disse o ruivo.

Só então pude ver as formas e percebi que os pontinhos brancos eram luzes. E lá estava. O meu sonho. O castelo. O castelo que eu sonhei com onze anos estava a minha frente mais uma vez, mas desta vez, ele era sólido. Ele era real. Era lindo. Parei de contar quantas torres havia na quinta. O lago estava lá e do outro lado do castelo estava a floresta. Eu não conseguia parar de sorrir, mas fui forçada quando o carro começou a perder força e descia.

—O que está...- fui interrompida logo.

—Eu não sei! Rapaz, eu sei dirigir, mas o que deve saber de tudo é você!

—Eu não sei!- ele respondeu com a voz desesperada.

—Se segurem!- gritou o moreno e o carro desceu em direção a um a torre.

Todos começaram a gritar novamente e eu só não os acompanhei porque a tontura e o enjoo voltaram a me atacar. Minha mãe conseguiu desviar a torre e contornar o castelo. Não sabia dizer se era a velocidade do carro ou se tudo o que eu via eram borrões. Só me lembro de borrões de luzes enormes e dentro deles haviam... Pessoas? As luzes sumiram e foram substituídas por uma paisagem escura. O castelo estava ficando para trás. As vozes pareciam distantes de mim.

—Sobe, sobe!- disse Harry.

—Não está funcionando!- gritou minha mãe e ele se avançou para ajudá-la.

—Espera, eu ajudo!- gritou Ron e ele se jogou para frente, ficando no meio dos bancos da frente.

—Vira, vira!

Ron tirou a varinha e começou a apontá-la para o painel do carro, mas um avanço inesperado o fez ir para frente e voltar em seguida.

—Cuidado com a árvore!

—Não consigo!- berrou minha mãe e o carro estacou na árvore com força bruta.

O carro estava em pé, literalmente. Escorregou para trás acompanhado de gritos e depois de bater duas vezes a parte de trás em galhos, caiu para frente e voltou ao normal.

—Meu Merlin...- sussurrou minha mãe.

—Minha varinha!- exclamou o ruivo com voz esganiçada e quando todos o olharam, só podiam ver sua face de desespero e a varinha quebrada.- Olhem minha varinha!

—Sorte não ser seu pescoço.- comentou o moreno e o carro balançou.

—O que está acontecendo?!- perguntou com voz esganiçada.

—Eu não sei.

—Estamos no Salgueiro Boxeador.- disse minha mãe, como se estivesse dando a notícia da morte de alguém.

De certa forma, ela não errou. Na nossa frente, um dos galhos se moveu para frente e bateu no capô do carro. Repetiu o gesto várias vezes. O carro voltava a se balançar e o galho de trás também começou a bater. Logo, um galho fino atravessou o vidro de trás até chegar na frente. Um outro galho bateu no teto e eu tive que me agachar para não ser atingida. O carro parou e o único som eram cacos de vidro caindo. O galho de trás bateu mais uma vez e o carro foi para frente, caindo em terra firme. Ao olhar pela janela, viram a árvore toda inclinar-se para trás.

—Vai!- gritou Harry.- Vai, rápido! Por favor!- minha mãe empurrou a alavanca e pisou fundo, antes da árvore esmagar por completo o carro.

Quando tudo parecia calmo e por fim todos conseguiam respirar, as portas da frente abriram e o moreno e minha mãe foram jogados para fora.

—Mas o que...

O porta malas abriu e pude ver pelo vidro as malas voando para o chão. Em seguida, foram as portas de trás. Não faço a mínima ideia de como o carro poderia ter tanta força, mas foi o suficiente para me lançar há três metros longe. Até mesmo os animais foram jogados para fora.

—Você está bem?- perguntou Harry e estendeu uma mão para mim.

—Estou viva, isso importa. Obrigada.- eu respondi e ele riu. Corei violentamente. Seus olhos eram iguais ao do meu sonho.

—O carro!- berrou o ruivo e ao virar o rosto, vimos o carro andando sozinho para longe.

Todos seguiram o rastro que o carro deixava na grama macia. Ele dobrou e saiu do castelo. Pegou velocidade e todos desistiram no fim.

—Papai vai me matar.- disse o menino, com os ombros caídos.

—Eu avisei, rapaz.- minha mãe disse, com os braços cruzados e o rosto sujo de terra.

Só me perguntei se na floresta haveria algum mecânico para o carro querer ir para lá.

***

Seguimos em direção para dentro do castelo e minha mãe levava sua bolsa e a coruja, enquanto eu levava as malas. A mala menor estava em cima da maior. Os meninos tiveram mais dificuldades, pois não tinham como ajudar um ao outro. Deixamos as malas junto com outras e continuamos a subir as escadas. Minha mãe olhava ao redor com os olhos brilhando e um sorriso louco para desabrochar nos lábios. Eu também teria ficado abismada com o cenário, mas estava curiosa com as palavras do moreno que pouco se importava se eram ditas em voz alta ou baixa.

—Primeiro um elfo doméstico aparece na minha cama, depois não atravessamos a passagem e perdemos o trem e quase fomos mortos por uma árvore! É claro que alguém não quer me ver aqui esse ano!- ele parou de subir abruptamente e pude ver que havia uma figura encurvada na frente deles.

Segurava um gato de olhos vermelhos, tinha um nariz baixo, olhos enrugados, cabelos compridos que caiam pelos seus ombros e um aspecto sujo. Em seu rosto, um sorriso maldoso estava enfeitado.

—Deem uma boa olhada, garotos. Esta pode ser a última noite que vão passar aqui.- os meninos se olharam entre si, em pânico.

—Filch! Há quanto tempo!- minha mãe o cumprimentou com um aceno da mão.

Ele apertou os olhos.

—Quem...

—Nicole De Angellis, lembrado?- ela disse abrindo passagem entre Harry e Ron.

O velho empalideceu e seus ombros caíram.

—O que está fazendo aqui?

—Minha filha vai estudar este ano em Hogwarts.- disse e apontou o dedo para mim.

Tentei sorrir, mas propositalmente, meu sorriso saiu torto.

—Estão junto com eles?

—Sim.- ela respondeu.

—Não creio que ela vá ter seu primeiro ano aqui.- disse maldoso, com a cor de volta no rosto e andou para um corredor.

***

—Vocês foram vistos por nada mais que sete trouxas.- disse um homem de cabelos compridos até os ombros, nariz anguloso de águia e olhos escuros.- Vocês tem ideia de como isso é grave?- ele ralhava de forma autoritária e com as palavras baixas e graves. Eu e minha mãe estávamos atrás deles.- Vocês dois arriscaram a expor o nosso mundo! E ainda tiveram companhia para isso!- disse se referindo a eu e minha mãe. Desviei o olhar da sala escura com prateleiras recheadas de potes de vidro com insetos mortos e outras coisas que preferi não descobrir para fitá-lo.

—Como vai, Severo?- perguntou minha mãe com o rosto sério.

—Quem é você?- ele perguntou, desconfiado.

—Já se esqueceu de mim? Imaginava que fosse ser mais.. Leal.- ela disse com a voz baixa e insegura com as palavras, porém com um leve toque de ironia.

—Nicole.- disse e juntou as mãos.- Não esperava vê-la aqui. Na realidade, esperava vê-la nunca mais.

—Digo o mesmo.

—Mas não pense que isso muda as coisas. Estava com eles e não tenham dúvidas- se levantou se aproximou com os pés arrastados-, que se pertencessem a Sonserina e a escolha coubesse a mim vocês já estariam indo para casa!- ele balançou a cabeça com uma expressão de desgosto.- Mas como...

—Eles não são.- soou outra voz e ao virar-me, não pude deixar de sorrir ao ver o velhinho de sorriso bondoso.

—Dumbledore!- eu disse, contente. Usava uma bata vermelha desta vez. Os mesmos óculos, nariz quebrado e o óculos meia-lua. Ao seu lado, estava uma senhora de expressão severa, rugas por toda pele, lábios pequenos e finos e olhos de gata. Cautelosa e esperta.- E quem...

—Professora McGonagall.- disse Harry com um fio de voz.

Quando o olhei, seus olhos e o de seu amigo demonstravam desespero. Pareciam saber da encrenca em que estavam.

—Diretor.- o homem estendeu o dedo para nós.- Estes meninos violentaram o decreto que restringe o uso de magia por menores, portanto...

Dumbledore o interrompeu com voz doce e mansa.

—Eu conheço bem nossas leis, Severo. Tendo eu mesmo ter feito várias delas.- e o olhou por cima dos óculos. O homem parecia envergonhado.- Contudo, como diretora da casa de Grifinória, cabe a professora McGonagall decidir o que fazer.

—Vamos buscar nossas coisas.- disse o ruivo por fim.

—Do que está falando, senhor Weasley?

—Vai nos expulsar, não vai?- havia tristeza nítida em suas faces.

—Hoje não, senhor Weasley.- os dois voltaram a sorrir.- Mas espero que os dois tenham entendido a gravidade e a seriedade do que fizeram. Eu vou escrever as suas famílias hoje à noite e os dois receberam detenções.- os sorrisos desapareceram, mas pareciam conformados com o que iam receber.

—E quanto a elas?- perguntou o homem balançando a cabeça para eu e minha mãe.

—Ah, senhorita De Angellis! Senhora De Angellis.- disse Dumbledore sorrindo.- Como é bom revê-las!

—Como vai, Dumbledore?

—Está muito bem, Nicole.

—Obrigada, Minerva.

—Desapareceste.

—Tive motivos.- disse minha mãe e olhou para mim.

—Oi.- eu disse envergonhada.

—Meu Merlin! O que houve com seu rosto?- exclamou a senhora com os olhos quase saltados para fora e as mãos escondendo a boca.

Eu levei a mão até a bochecha e não senti nada, mas minha mente deu um estalo no mesmo momento.

—Ah, o sangue já deve ter secado.- eu comentei e olhei para meus dedos limpos.

—Como isso aconteceu?!

—Acidente de carro.- disse minha mãe e se aproximou para observar meu machucado mais atentamente.

—Ai, ai, ai, ai.- eu repetia, mas ela não me soltava.- Mãe! Dói!

—Foi só um corte, não muito profundo. Sorte não ter atingido seu cérebro. Só tem que limpar o sangue e fazer um curativo.- ela passou um braço pelos meus ombros e virou-se.- Dumbledore, sei que ela tem que ser decidida para qual casa, mas...

—Claro! Minerva as levará até a enfermaria. Podemos decidir amanhã depois do almoço.

—Obrigada.- ela disse com um aceno de cabeça e me puxou, seguindo a senhora.

Virei o rosto e acenei para o moreno e o ruivo.

—Tchau e obrigada pela carona!

—Vai para a Grifinória?- perguntou Ron enquanto Harry acenava de volta.

Neguei com a cabeça.

—Depois de hoje, só tenho certeza de mais uma coisa: não possuo sangue frio o suficiente.- disse e sorri dando de ombros.

Eles sorriram de volta e os perdi de vista quando a porta foi fechada. Me perguntava se voltaria a vê-los. Um pouco irônica a pergunta, quando comparada com os tempos futuros.

***