Oliver e as Pedras Elementais
7 Poderia piorar?
A dor de cabeça era lancinante, a última coisa que lembrava era de ser atingida em cheio por um monstro e agora aqui estava eu, deitada dentro de uma caverna com uma fogueira ao meu lado.
– Que bom que acordou. — Disse Oliver entrando na caverna com algumas frutas na mão.
Levantei um pouco desorientada.
– Por quanto tempo eu estive apagada? — Perguntei
– Dois dias. — Respondeu. — Achei que você não iria acordar mais.
A aparência de Oliver estava péssima, ele estava magro e desgastado.
– Me desculpe por ter brigado com você. — Falei. — Você estava certo, eu sou uma idiota.
Não me contive e chorei, a culpa era minha por estarmos assim.
Ele se aproximou e me abraçou.
Foi um pequeno ato, mas foi o suficiente para me fazer sentir bem melhor.
Após isso comi as frutas que ele trouxe: algumas uvas e amoras.
Olhei para minha roupa e ela estava um farrapo e cheia de sangue, precisaria trocar aquilo logo.
Oliver apagou a fogueira e deitou no outro lado da caverna.
– Oliver... — Chamei. — você está acordado?
Nenhuma resposta, ele caia no sono muito rápido, mas esses dois dias provavelmente foram cansativos tendo que cuidar de mim.
Fiquei acordada, porém deitada esperando Oliver acordar.
Pela manhã os raios de sol entravam pela caverna e podiam-se ouvir as ondas do mar não muito longe. Oliver dormia como uma pedra, mas tive que acorda-lo, o dia seria longo.
Na entrada da caverna minha mochila estava lá, Oliver provavelmente a guardara por todos esses dias.
– Então a primeira coisa a se fazer é descobrir onde estamos. — Falei. — Você tem alguma ideia?
– Não. — respondeu. — Nesses dois dias andei, mas só encontrei selva.
– Achou algum ponto alto? — Perguntei. — poderíamos observar onde estamos.
– Tem uma rocha a uns dez quilômetros adentrando a ilha. — respondeu
– Então vamos logo porque vai demorar. – Falei andando em direção ao centro da ilha
– Espera tem um jeito mais rápido. — Ele respondeu. — Sobe nas minhas costas.
– Você está louco? — Perguntei. — Para de brincadeira e vamos logo.
– Só me obedece. — ele respondeu.
Subi na costa dele, ainda não vendo lógica nenhuma naquilo.
Ele respirou algumas vezes, e uma espécie de energia amarela começou a percorrer seu corpo, seus olhos ficaram amarelos e os seu pelos eriçaram-se. Ele correu floresta adentro tão rápido que meus olhos mal podiam acompanhar a paisagem. Ele desviava de árvores, fazia saltos, virava à esquerda e a direita em uma velocidade incrível, ficamos nesse ritmo por alguns minutos, até pararmos diante de uma rocha gigante. Oliver agachou concentrando toda sua energia nas pernas e deu um gigante salto, atingindo o topo a rocha com facilidade.
– Desde quando você sabe fazer isso? — Falei descendo da costa dele.
– Desde que você foi atingida. — Falava ele com exaustão. — Mas só consigo fazer isso por pouco tempo.
– Você precisa comer mais. — Falei. — A energia vem dos alimentos, principalmente do açúcar, se você usar seu poder toda hora vai desmaiar devido ao gasto energético.
– Nerd... — Dizia ele deitando no chão para descansar
Olhei a ilha e era basicamente um amontoado de terra em forma circular, mas a paisagem parecia coisa de outro mundo.
– Oliver... — chamei. — Acho melhor você olhar isso.
Ele levantou e como eu esperava ficou de boca aberta
A ilha era dividia como os quatro elementos.
Ao sul nevava, no norte corriam rios de lava, no leste havia uma espécie de deserto e no oeste de onde viemos algumas árvores e rochas, todas marcadas pela fúria do vento.
– Isso não é possível. — Falou Oliver. — Se os deuses realmente existirem eu vou matar todos eles por me fazerem passar por isso.
Abri a mochila em busca de um comunicador, eu achei, mas ele estava ensopado de água do mar, de quando o avião explodiu.
– Espero que funcione. — Pensei
Funcionou mas só havia barulho de estática.
– Alguém na escuta? -Falei
A mensagem falhava, mas foi possível ouvir algo. Fujam....ilha...quimeras...por...sol...perigo.
– O som está ruim, por favor, repita. — Falou Oliver ao meu lado.
Enviando resgate.... Sobrevivam...
E depois dessa última mensagem o comunicador queimou.
– Eu sabia que isso iria acabar mal. — Gritou Oliver com Raiva. — odeio esses caras.
Aparentemente o grito de Oliver atiçou as quimeras, pois rugidos extremamente altos vieram de várias direções.
– Oliver olha aquilo. – Falei surpreendida estendendo o dedo para o céu.
Do lado da ilha em que viemos uma espécie de grifo gigante pousando.
– Pra lá não da pra voltar. — Disse Oliver. — Pra aonde a “madame” deseja ir?
– O sul no momento parece a melhor escolha. — Falei.
E partimos em direção ao mundo congelado
Fale com o autor