Olimpus Family

10 09: Respirando debaixo d'água


Notas iniciais
Boa quarentena pessoal! Espero que gostem do capítulo. Boa leitura ♥

Hall Of Fame

De pé no corredor da fama
E o mundo conhecerá seu nome
Porque você queima com a chama mais brilhante
E o mundo conhecerá seu nome
E você vai estar nas paredes do corredor da fama

Você poderia ir a distância
Você pode correr a milha
Você poderia andar sobre o inferno com um sorriso
Você poderia ser o herói
Você poderia pegar o ouro
Quebrando todos os recordes
Que pensou que nunca poderiam ser quebrados

Percy caminhou em meio à rua e parou entre o bar e à casa de piscina — seu lugar preferido no mundo. Entrou em meio às portas verdes antigas. As áreas de lazer enchiam o local vazio. Ele passeou pela área, até os armários dos sócios, pegou a roupa de banho, o óculos de natação e correu rumo ao banheiro.

Saiu de lá mais calmo e começou a se alongar, viu Grover sorrir ao olhá-lo enquanto ele se aproximava.

— Pronto? — Questionou Grover calmo, pegando da mochila um cronômetro.

— Sempre — murmurou Percy indo em direção a piscina profissional.

Apoiou-se no pedestal, posicionou-se respirando fundo.

— 1 — Grover contou olhando para o cronômetro. — 2 — Percy se ajustou mais um pouco, pronto para pular. — 3 — Percy respirou prendendo a respiração. — Já!! — Gritou Grover e Percy pulou como um raio na água.

Era indescritível a sensação de nadar. Os músculos se friccionando, o coração disparado e cheio de adrenalina no corpo, as pernas batendo; Percy tinha a sensação de vida. Era quase como se ele respirasse debaixo d'água. Era isso que Percy amava: a água, o calor e a pressão que ela fazia nele, como se ele fosse indestrutível e, quando voltava para fora, quando chegava na linha de chegada e alcançava a vitória, era como um lembrete que o mar estava ao seu lado, que ele venceria.

Ele chegou do outro lado sorrindo, respirou fundo e olhou para Grover que lhe mostrou o tempo — bom, muito bom. Era um recorde que nem ele acreditava ter feito, estava melhor a cada dia.

— Cara, com isso você já pode vencer as nacionais — Grover estava chocado. — Você vai entrar nas competições regionais, não?

Percy respirou fundo e negou falando seu discurso habitual "eu amo nadar, mas nadar não dá futuro, preciso de um futuro ", ele falava mais para si do que para seu amigo. Amava nadar, mas sabia que, mais cedo ou mais tarde, precisaria estudar e largar a natação.

— Com esse tempo, você pode ser o próximo Aleksander Popok* — exclamava Grover sorrindo. — Depois pode virar professor de natação, você adora crianças!

— Grover, vou pensar no caso, tá bom? — Percy suspirou, estava cansado desse assunto.

— O que houve, cara? — perguntou Grover, já não sorria mais, estendeu a toalha para Percy para secar o rosto enquanto saia da água.

— Rachel, ela terminou.

— Ohh — Grover não parecia surpreso. — Desculpa cara, mas ela estava estranha fazia meses. Na verdade, ela mudou desde que foi para aquela escola de menininhas sei lá o que.

— Eu sei, mas... sabe? Eu gosto dela — ele pensou antes de falar, hesitou um pouco, depois apoiou sua cabeça no mármore da piscina.

— Sei que gosta, só que ela não era mais a Rachel que conhecíamos. Ela mudou e você também, nós crescemos e o amor de criança passou — Grover começou a tentar animá-lo.

— Ok... ok — Percy concordou sem mais delongas. — Bom, nem comentei, eu entrei.

— Entrou?

— Para a escola meio-sangue, eu entrei — Percy mal sorriu, acabou perdendo um pouco a graça da notícia.

— Você entrou... — Grover demorou a compreender. — Oh, meu Deus! Você conseguiu!!

Grover pulou do lugar, animado pelo amigo. Bradava alto vários vivas, abraçando Percy e fazendo "a dança da vitória ", provocando então Percy a rir das criancices do garoto, mas logo ouviu uma tosse bem falsa, olhou para trás e viu o treinador.

— Quanta animação, meninos, alguma notícia boa? — perguntou o treinador, ele era incrível, um amigo, um pai para Percy e, principalmente, dono do clube de natação. Ele fez Percy lutar por seus objetivos que, na época, eram destruir seu padrasto mal cheiroso e ir atrás de seus sonhos.

— Percy entrou para a Escola Meio-sangue — Grover comemorou animado, muito animado, pela conquista do amigo, era quase como se fosse sua.

— Percy, que bom! — Ele admirou-se com a notícia e sorriu dizendo em meio aos seus devaneios: — Isso me lembra tanto quando sua mãe quando ganhou a bolsa para aquela escola de rico, qual era o nome? Oh, sim! Escola Olimpianos.

O treinador era um homem já velho aos seus 69 anos e cabelos quase totalmente brancos, um porte de um velho gordo e meio ranzinza. O que era o contrário de sua verdadeira personalidade, mas infelizmente ele tinha a enorme mania de falar coisas sem pensar.

— Minha mãe ganhou uma bolsa numa escola grande? — Percy parecia horrorizado com o segredo que sua mãe guardava.

A antiga escola Olimpianos era uma escola paga não tão boa na época — mesmo tendo valor alto por ser a única da região que tinha ao menos algum prestígio — era conhecida pelas provas desafiadoras para os bolsistas.

— Bem, Grover, que bom ver você, nem nos cumprimentamos não? — desconversou, fazendo Percy se irritar.

Grover e o treinador começaram uma conversa animadora ignorando totalmente Percy até que Grover —para a infelicidade de Percy — abriu o bocão comentando que Percy não se inscreveria para a regional de natação, fazendo o treinador encará-lo bravo. Quer saber? O menino preferia quando estava invisível na conversa, estava tão boa.

— Não vai se inscrever na regional? — O treinador aumentou o tom de voz, indignado. — Isso é inaceitável! Você quase ganhou as nacionais se não fosse aqueles trapaceiros.

— Eu sei, mas tenho que focar nos estudos, na escola. Que mal tem isso? — Questionou cansado daquela conversa, sem nem ter começado. — Sabe que a faculdade é importante para mim.

— E como vai pagá-la? — Indagou. —Sabe que bolsas são difíceis, a não ser que tenha algo a oferecer. Uma bolsa seria fácil de ser achada para um campeão de natação, é só achar a faculdade certa. Bolsa esportistas estão aí para isso.

— Tá bom, tá bom! Vocês venceram, onde me escrevo? — Perguntou Percy irritado e indignado por ter sido mole com o velho e, pior, por ele sempre estar certo.

— Venha a minha sala, acho que tenho uma inscrição — o treinador pediu e Percy acatou o pedido indo ao seu encontro. Andou ao seu lado pelas piscinas até chegar ao escritório, que nada mais era que uma sala ao lado dos banheiros onde ficava um pequena placa em meio a porta de madeira escrito "escritório ".

Ele ainda se lembrava do primeiro dia em que visitara aquela sala. Procurando fugir do padrasto, ele vinha todas as tardes e ficava nadando e vendo os caras da piscina profissional treinarem e tentando imitar, assim como ouvia atentamente cada palavra do treinador. Então 2 meses depois, pagando 3 dólares por dia para nadar, o treinador o chamou na sua sala, disse que conhecia sua mãe, que o conhecia e perguntou porque ele ficava tanto tempo ali nadando e vendo os meninos. Foi aí que tudo mudou: as conversas, as aulas de natação e de boxe para se defender, "um começo de uma história de um vencedor" como o treinador dizia.

Logo ao entrar, foi bombardeado pela sala arrumada e organizada, o que era um milagre. O escritório estava organizado e limpo, a mobília parecia que não via uma limpeza havia décadas, mas parecia que tudo estava em seu devido lugar.

— Deu uma limpeza, né?

— Tava precisando, minha nova empregada sabe como limpar essa sujarada toda — ele sorriu procurando os papéis que estavam escondidos no meio da mesa de computador. Pegou um papel no meio dos documentos e passou a Percy. — Tem três meses ainda para mandar, as pessoas ainda estão eufóricas com as Olimpíadas. Espero que vença e encha essa periferia de orgulho.

— Sempre!

*****

*Aleksandr Vladimirovich Popov é um ex-nadador russo, detentor de quatro ouros olímpicos em provas individuais, foi um dos maiores nadadores de todos os tempos.

É ex-recordista olímpico dos 50m livres, com 21s64. Esta marca foi recorde mundial por 8 anos, entre os anos de 2000 e 2008, e só foi batida depois do advento das "super-roupas". Também foi detentor do recorde mundial dos 100m livres com 48s21 entre os anos de 1994 a 2000. Ambas as provas são conhecidas por serem as mais concorridas de todas na natação, o que reforça ainda mais a importância de tais feitos.

Notas finais
Espero que tenham gostado :) Até a próxima, comentem, favoritem ou apenas leiam, adoro ter a presença de vocês no meu livro.