Olicity - Dois Caminhos
2 Capítulo 02
Notas iniciais
Ray já estava no apartamento quando Felicity chegou. Mal tinha aberto a porta quando ela se atirou em seus braços e começou a chorar.
Aquela não era uma atitude esperada por ele, uma vez que era ela quem sempre o socorria, mas a recebeu contra seu peito e deixou que ela se acalmasse.
– Desculpe. — disse se afastando e limpando o rosto.
– Não se desculpe. — fechando a porta e a conduzindo até o sofá. — O que aconteceu?
– Encontrei um amigo que a tempos não via. — mentindo.
– Amigo? — franzindo a testa. — Deve ser um amigo muito especial, não?
– Sim é.
Por mais que ele não quisesse pensar sobre, sabia que ela estava abalada por algo muito mais além do dizia e tinha um bom palpite de qual amigo era.
– Quer um café? Comprei uns donnuts no caminho pra cá. — sorrindo.
– Quero sim.
– Já volto. — se inclinando para lhe dar um selinho, mas desistiu e beijou sua testa.
A vida tinha sido generosa com Palmer ao colocar Felicity em sua vida, mas não iria abusar de sua fragilidade para estar com ela. Enquanto fazia o café ele pensava em como a noite com ela foi maravilhosa, mas não via em seus olhos o mesmo brilho que enxergava quando ela estava com Oliver.
– Posso usar seu banheiro? — perguntou da porta.
– Claro, nem precisa pedir. — se virou, mas não a tempo de vê-la.
Pouco tempo depois voltou para a sala com duas xícaras de café que colocou sobre a mesa de centro e voltou para a cozinha para buscar o prato com os donnuts.
– Parece que voltamos a época de escola. — olhando pra mesa e rindo.
– Os dramas continuam como se realmente estivéssemos. — pegando uma caneca e sentando no sofá.
– Você sabe que estou aqui para conversar com você sobre o que quer que seja, não sabe?
– Não se preocupe, Ray. Eu estou bem. — sem olhar pra ele.
– Não, não está.
Assim que seus olhos encontraram os dele, as lágrimas já se acumulavam.
– Sei que estamos envolvidos, eu mais do que ninguém estou feliz com isso. — sentando ao lado dela. — Mas não quero ver essa tristeza em seus olhos. Me diz o que está acontecendo.
– Não quero te magoar, Ray. — sua voz já estava embargada.
– Impossível. — fazendo carinho em seu rosto.
Ela poderia mentir pra si mesma e ignorar toda a tristeza que estava dentro de seu peito, mas estar com Ray enquanto seus pensamentos estavam em Oliver não era justo nem com ela e muito menos com Ray.
– Eu encontrei Oliver Queen mais cedo.
– Ele estava viajando? Você falou que não via o tal amigo a tempos.
– Estava. Nesse tempo que você resolveu se isolar do mundo aconteceu muitas coisas.
– Vejo que nem todas foram boas.
– Não. — se acomodando no sofá com a xícara de café entre as mãos.
– Vamos, Felicity. — afastando as coisas da mesinha e sentando de frente pra ela. — Me conte.
– Eu me apaixonei por ele, Ray. — encarando a xícara enquanto as lágrimas continuavam a cair.
Aquela era uma informação que Ray sempre teve, mas ouvir da boca de Felicity fazia com que as palavras tivessem outro peso.
– Ele é um homem de sorte por ter uma mulher tão maravilhosa apaixonada por ele.
– O fato de estar apaixonada não faz diferença quando ele afirma que me ama, mas não pode ficar comigo. — respirando fundo, a tristeza estava mais intensa do que o normal.
– Porque ele não pode ficar com você?
– É muito complicado, Ray. — finalmente o encarando. — Esperava que estar com você me fizesse esquecer.
– Pelo visto não funcionou.
– Ray. — colocando a xícara na mesa e sentando na beirada do sofá. — Estar com você me faz bem. Não me arrependo da noite que tivemos e não quero que isso acabe, mas sempre que eu vejo o Oliver meu coração reage como um idiota. — escondendo o rosto entre as mãos. — Me perdoe.
– Ei. — tirando suas mãos do rosto e fazendo com que ela o encarasse. — Não me peça perdão por estar apaixonada. Eu sempe soube que você e o Oliver tinha uma ligação, só sendo muito desligado para não perceber. Agora não pense que eu vou te julgar por estar comigo mesmo gostando dele.
– Não é certo.
– Não existe certo ou errado, Felicity. Não vou mentir que tenho um pouco de inveja do Oliver, mas não vou desistir tão fácil. A não ser que você diga que o escolheu, ai eu tiro meu time de campo.
Aquela não era a atitude que Felicity esperava de Ray. Um homem rico como ele poderia ter a mulher que quisesse, mas por alguma razão tinha a escolhido e deixado em suas mãos a decisão de estar com ele ou não.
– Obrigada, Ray. — se levantando e ficando em pé na sua frente.
– Mesmo que eu tenha pouco tempo com você, isso já fez tudo valer a pena.
Ela queria ter a liberdade de beija-lo como fez antes de dormirem juntos, mas não conseguiu. O abraçou e foi correspondida, tendo seu corpo envolto pelos braços fortes de Ray. Aquela não seria uma escolha fácil, mas ela faria o possível para encontrar um modo de ser justa, tanto com Ray quanto com si mesma.
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