Notas iniciais
Como fui pontual com esse capítulo haha!! Boa leitura, espero que gostem do capítulo ♡

"É divertido fazer o impossível!” Walt Disney

Barbie percebeu que era tarde para voltar atrás.

Admito que cogitei desistir, mesmo que fosse impossível, mas o medo tomava conta de mim. Calma Barbie, respira fundo, você vai conseguir ou vai morrer tentando. Não foi um pensamento muito encorajador, mas foi o melhor que consegui pensar.

A sala era grande e pequena ao mesmo tempo. Era circular de forma com que eu podia ter uma noção do seu tamanho, mas a sensação de magia no lugar, a mesma que provocava um ar tão denso parecia aumentar o ambiente, forcei-me para controlar o efeito de tontura que o lugar me causou. Estava vazia, inundada na imensidão preta, exceto por uma superfície semelhante a uma mesa, porém um pouco mais alta, que curiosamente irradiava uma luz forte e bela. Sem muita opção ou melhores ideias, caminhei em direção a mesa e repreendo um grito quando percebo o qual era o objeto cuja luz irradiava a sala.

A espada se encontrava em uma caixa acochada preta com detalhes em vinho, mas não era só isso. Haviam escritas na mesa, demorei um pouco para notar, mas eram nomes, estavam escritos em todos os idiomas: Grego, latim, inglês, português, francês, holandês, italiano, espanhol… Passo os dedos sobre a superfície áspera que reconheço como madeira e paro em um nome:

Περκυ Βουρβών

Estava escrito em grego, então consigo traduzir para Percy Bourbon, Percy. Havia outros, encontrei um Lucas escrito em inglês, alguns outros, que não pude reconhecer por não ser fluente no idioma, todos entalhados com letras retorcidas escritas em garrancho como se as mãos estivessem tremendo quando o fizeram.

Volto minha atenção para a espada. Ela era de tirar o fôlego, não existe uma expressão mais adequada. Seu cabo assumia a forma do molde da caixa, seu material era inteiramente de uma água não cristalina, mas sim azul marinho, escura e muito densa. Já sua lâmina era composta em sua maioria por uma estrutura que dependendo do ângulo observado assumia um tom preto ou prateado. Ferro Estígio, penso. E por fim, a ponta da lâmina soltava faíscas e inundava-se em seu próprio caos interno. Essa única ponta poderia provocar dor, ódio, poder, angustia, tudo de uma vez só, era como se aquele pedacinho tivesse sido arrancado do próprio Raio Mestre de Zeus.

– Espada Imortalitites — digo como um sussurro -. Tão procurada, tão questionada, tão inútil em mãos inúteis — continuo avaliando as probabilidades do próximo passo -, não tenho muita escolha, até porque estou falando com uma espada, mas espero de verdade que seja lá o que for acontecer quando eu tentar te levar daqui, por favor que não me mate.

Seguro a ponta da espada com convicção onde deveria ser só água e a levo junto a mim. O cabo ainda era água, mas era tão densa que não senti muita diferença de uma espada comum.

O chão tremeu e a rachadura apareceu diante dos meus pés.

★★★

Eu ainda não morri, ainda não. Me agarro a esse pensamento e uso toda a raiva que estava sentido de Barbie para socar e chutar essa maldita bolha mais e mais.

Não, eu não tinha desistido dela por completo, uma voz irritante no fundo da minha cabeça ficava repetindo “Ela tem um plano, ela não te largou aqui”. Não sei descrever como me senti, porque jamais passaria pela minha cabeça que eu seria descartado com tanta facilidade, achei, achei que ela, ela também… Esquece agora não adiantava de nada.

Vejo a figura de Hades saindo da escuridão e se sentando em um dos sofás, que se encontravam ao lado da minha prisão.

– Perséfone traga-me um pouco de néctar — ele grita arranhando meus ouvidos com aquela voz áspera e gélida.

– Sério mesmo? — solto irritado -, não vai nem mesmo me falar o por que de eu estar aqui?

– Eu sequer te devo algum tipo de explicação? — provoca o deus enquanto se delicia com uma xícara quente de néctar -. Não se adquire nada gratuitamente, minha filha percebeu isso e fico contente em afirmar que ela não demonstrou dar a mínima para a sua situação, então pode rezar muito para Apolo, porque daqui de baixo você não vai sair nunca mais.

Os pelos dos meus braços se eriçam e engulo em seco tentando encontrar minha voz, mas não pude encontrá-la em lugar algum.

– Há e só para avisar, se você continuar com a respiração acelerada o oxigênio da bolha vai acabar muito rápido e ai ninguém vai te salvar mesmo.

★★★

Começo a rezar tanto para os deuses, que perco a conta de para quantos já pedi ajuda, sem perceber podia até mesmo ter buscado auxilio de Gaia, por sorte, não o fiz.

A única luz do ambiente vinha do raio da espada que agora eu empunhava frente a um monstro, cuja aparência não aterrorizaria nem mesmo meus piores pesadelos. O gigante que se encontrava à minha frente não tinha nada menos, que cem mãos e cinqüenta cabeças, cada uma com um aparência pior do que a outra. Para minha infeliz alegria reconheci a besta.

Os hecatônquiros eram três gigantes que lutaram em todas as guerras de deuses. Aprisionados por Urano no Tártaro, foram libertados por Cronos que gozando de seu auxilio nas batalhas, venceu o pai e depois os aprisionou novamente no Tártaro. Na época da luta dos deuses Olimpianos contra os Titãs, Zeus teve a ajuda dessas feras e depois de chagar ao trono não os isolou como seus decententes haviam feito, portanto eles acabaram por morar em um palácio nos domínios do Titã Oceano. Agora, o que um desses monstros estava fazendo aqui, eu não fazia ideia.

– Quem ousa perturbar meu sono? — Responde um dos numerosos rostos, que não se preocupava em esconder o sono.

– De, des… — respiro fundo para voltar à compostura -. Barbie Simpson, desculpe não era de meu feitio lhes perturbar, estou aqui somente pela espada.

– Mas nós hecatônquiros somos os guardiões da espada Imortalitites — responde um outro rosto de feições mais distorcidas, dentes enormes expostos e com um desejo de sangue no olhar.

– Eu não sabia, desculpem — repito meu falso perdão -. Acho que vou embora e vocês podem voltar para suas vidas — digo tentando desviar de uma briga iminente, na qual eu jamais sairia viva.

– Não com a espada — alguma das faces grita com uma voz estridente.

– Matemos ela logo — encerrou a discussão o maior dos rostos que se encontrava bem no meio dos outros -. Vocês semideuses tolos, deveriam desistir de adquirir a espada — o mesmo diz entediado.

– Creio que a morte não seja necessária, por que vocês gostariam de me matar?

– Ora, ora, jovem semideusa — diz um da ponta com um nariz estranhamente grande -, nós gostamos de matar qualquer um.

– Eu prefiro dormir — grita o com cara de sono, claramente reclamando minha presença.

– Senhor hecatônquiro, isso realmente não é necessário — tento mais uma vez.

– Meu nome é Briareu! — exclamam todos ao mesmo tempo -, o mais forte e mais temido de todos os hecatônquiros.

– Sim, senhor Briareu, desculpe pelo meu comportamento.

– Como assim você não me identificou? — Grita um dos rostos o qual não consigo distinguir — Acha-me parecido com meus irmãos? Somos muito superiores.

– Não, quer dizer, sim. Sim senhor, você é um gigante muito melhor que seus irmãos, foi um completo absurdo não me referir a você por seu nome, peço mil desculpas — suor escorria por todo meu rosto e minha mão tremia muito, mas mesmo assim tentei manter a compostura, talvez eu conseguisse enrolar esse gigante e conseguisse fugir.

– Que bom que você teve consciência disso antes de morrer.

Não tenho tempo de me preparar adequadamente quando uma das mãos voa em minha direção. Me jogo para o lado na última hora e sinto uma dor profunda em meu ombro direito quando choco contra o chão. Praguejo em grego, não consegui enrolar o suficiente.

★★★

Minhas mãos já sangravam devido a grande quantidade de socos que apliquei na bolha, mas não consegui nada, nenhuma rachadura.

– Não vai adiantar nada — informa Hades, como eu queria estrangular aquele maldito deus -, nenhuma força mortal seria capaz de destruir essa bolha.

– O que você quer de mim afinal?

– Só sua alma, sua vida, esse tipo de coisa — ele diz tal fato como se fosse a coisa mais comum do mundo e completamente acessível, como se fosse um favor qualquer o qual eu quitaria uma divida. Engulo em seco.

– Barbie não vai gostar nenhum pouco de você se souber disso. — que ele sinta alguma coisa pela filha, imploro silenciosamente.

– Ela nem sequer questionou minhas ações, além do mais, o que me levaria a me preocupar com seu perdão? — seus olhos se erguem de um livro o qual estava lendo e posso ver a expressão desafiadora em seu olhar, era como se ele dissesse “Vamos, você pode fazer mais para me convencer a te libertar”.

Então me calo e sento sobre a superfície lisa. Não ia contar com nenhum favor daquele deus arrogante, se fosse para morrer seria com dignidade, então permaneço em silêncio.

★★★

Não consigo fazer mais nada além de me esquivar dos movimentos ágeis de Briareu e praguejar em alto e bom som a dor, que sentia no ombro.

– Fica quieta — reclama algum dos rostos.

– Quase agarrei dessa vez! — informa um outro.

Parto para cima do gigante e golpeio seu pé com a espada. Todos os rostos em conjunto soltaram um uivo de dor, mas nada a mais, nenhum ferimento, sangue, nada.

Uma mão me agarra sem que eu tenha tempo de me esquivar e sinto-me sendo erguida para junto dos rostos.

– Agora eu realmente agarrei — celebra uma face gorducha na ponta.

– Não fui eu!

– Não fui eu!

– Eu que agarrei!

Eles continuam com a discussão por um longo período de tempo, enquanto isso sangue escorria sobre meu ombro em quantidades nada seguras, dessa vez o sangue era mais real e mortífero para mim do que jamais fora.

– Silêncio! — exclama o do meio, agora pude perceber, que ele tinha o rosto repleto de sardas e no topo de sua cabeça alguns fios de cabelo avermelhado cresciam, porém não muitos — O que importa é que ela foi pega.

– Isso mesmo — o restante concorda em coro.

Tento me concentrar em bolar uma estratégia, mas a dor no meu ombro dificultava o processo. Sinto a mão me apertar um pouco mais forte e então perdi o controle. Sangue escorreu para todo lado, o que me assusta é que eu realmente não me surpreendi com isso. Saia de todos os lugares, do nariz, dos olhos, dos próprios poros, eu era uma bolha de sangue.

– ECA! — ouço um dos rostos gritar e não consigo conter uma risada, logo sorrio mais ainda ao sentir o gosto de sangue em minha boca. A adrenalina tomou conta novamente de meu corpo, chegou tarde, mas pelo menos chegou.

Concentro todas as minhas forças na boca e mordo a mão do gigante o mais forte que consigo. “Ai!” Ouço enquanto a mão me solta e me vejo caindo de uma altura de no mínimo vinte metros. Vai dar certo, repito para mim mesma e então finco a espada com toda força que consigo no tórax do monstro. Não fico presa no local, continuo sendo arrastada para baixo, porém a velocidade diminuiu e vou rasgando a pele do gigante de bônus.

Quando chego ao chão sou surpreendida por outra mão que se lança em minha direção, mas ao envés de sair do caminho, finco a espada na superfície dela. O sangue não para de escorrer por mim, mas de certa forma sinto-me aliviada por isso acontecer, me lembrava que eu precisava ser forte.

– Ora, sua semideusa atrevida! — ouço algum deles dizer.

– Semideusa? Como ousa? Eu tenho um nome e é Barbie Simpson — repito da mesma maneira que o gigante havia dito para mim.

Não sei dizer muito bem como fiz o que fiz, na verdade nunca sei explicar como faço o que faço. A questão é que bolei um plano e fui com tudo para cima de Briareu.

A ponta da lâmina da espada passou a ser água e o cabo virou raio. Não senti um choque se quer, mas agora quando atingi-o novamente com a espada, seu corpo é todo inundado por água, como uma película que o cobria sem jamais se soltar. A seguir utilizei a ponta como ferro estígio que logo ao contato fez com que a água se congelasse impedindo o gigante de se mover.

– Você realmente achou que eu era uma semideusa qualquer? — provoco — Não sou nenhum de meus irmãos, sou Barbie Simpson — repito meu nome gritando em plenos pulmões.

De volta a forma original da espada, com o raio na ponta eletrocutei o gigante. O gelo explodiu, mas não foi só ele, Briareu estava despedaçado misturado a água congelada.

Notas finais
>> EM ESTÍGIO OU RAIO O GIGANTE PADECERÁ / E A ANTIGA LENDA DOS TRÊS TERÁ DE ENCONTRAR