Olhos de Sangue, série Bombas de Sangue
8 Irmão de sangue
Notas iniciais
"É de se apostar que toda idéia pública, toda convenção aceita seja uma tolice, pois se tornou conveniente à maioria." Edgar Allan Poe
Eu sinceramente não entendia como Percy suportava Annabeth.
Ok, ela era um gênio, já entendi isso, mas ela é extremamente irritante, mandona, e não entende que a missão é minha, só minha, e não dela para eu seguir suas ordens. “Barbie, já fez isso?”, “Barbie já fez aquilo?”, “Barbie já tentou se comunicar com Spes?”... Não, não e não. Eu não tinha tido sonhos diferentes, na verdade o sonho dos bebês vinha se repetindo e repedindo. Não, eu não fazia a mínima ideia de como ia me comunicar com Spes e se eu conseguisse bem eu não fazia a mínima ideia do que dizer.
Dia três
O dia estava somente no começo e eu já tinha aprendido cinco coisas:
1. Annabeth era extremamente irritante.
2. Percy ia para os Campos Elísios só por suportar Annabeth.
3. Eu odiava Annabeth.
4. Se Gaia não levasse Annabeth para o Tártaro eu levaria.
5. Eu vou me levar para o Tártaro como punição por concordar em ter a ajuda de Annabeth.
Ok, essa última eu estava muito próxima de conseguir e por mais que soe esquisito, por Zeus, eu chegaria perto do Tártaro. Em resumo? Minha vida estava uma maravilha, afinal eu simplesmente tinha que ir até o fim do mundo dos Estados Unidos, encontrar o reino de Hades, achar uma espada que ninguém encontra há milênios e claro, aguentar a irritante da namorada do meu irmão. Há meu irmão! Ele desapareceu sem deixar rastro e sem essa espada eu não irei encontrá-lo! É muita responsabilidade para uma menina de dezesseis anos? É claro que é, mas o que eu posso fazer?
Chegamos à Nova York ainda cedo e eu fiquei de boca aberta durante meia hora, enquanto Annabeth me censurava por não ter dormido nada a noite. A cidade era... Espetacular, e o mais importante, tinha pessoas, gente normal, andando, conversando, rindo. Há quanto tempo eu não via um mortal qualquer? Não sei dizer, e mais ainda, há quanto tempo eu não via uma casa, um prédio, um animal de estimação? Não faço ideia, só sei que adorei rever isso, me sentir humana novamente.
Tiramos a manhã de folga, literalmente, apenas assentamos em uma lanchonete nas proximidades do central park e comemos muito, por sinal. O dia estava lindo, eu adorava ver o contraste do Sol com o verde das árvores, eu adorava ver pais ensinando seus filhos a andar de bicicleta, eu adorava, mas claro, como sou uma semideusa essa sensação foi passageira. Era mais ou menos meio dia quando eu e Annabeth começamos a discutir o que faríamos daqui em diante, mapas, mensagens de Íris, muita coisa, muitos recursos estavam a nosso favor por um milagre, foi quando eles apareceram. Dois garotos e uma menina passaram correndo, não seria grande coisa, se não fosse o fato de que eles estavam sendo perseguidos por uma águia, ou ao menos era o que a ave parecia ser. Era enorme, gigantesca, com garras extremamente afiadas, olhos de gato e nariz semelhantes a fendas, com certeza era um monstro, afinal nenhum mortal aparentava ver o bicho, mas olhava para os garotos com olhares curiosos.
– Vamos? – As palavras saíram da minha boca sem eu pensar muito, é como um sentimento familiar, um semideus precisava da minha ajuda? Tudo bem, eu faria o possível para ajudar.
– Achei que nunca perguntaria. – Annabeth levantou imponente segurando sua adaga e correndo na direção do monstro, e eu sai logo atrás empunhando minha espada que era pesada demais. A ave não teve oportunidade de olhar para trás, quando se deu conta da sua presença Annabeth já tinha a apunhalado com a adaga de ouro celestial virando, então puro pó.
– Obrigada. – Soltou a menina que por sinal era muito bonita, tinha um olhar curioso, porém firme em nós, altura mediana e cabelo um tanto quanto embaraçado demais, não a culpo é claro, a última coisa que eu me preocuparia em uma missão é com meu cabelo, mas ainda assim ela era tão bonita, como uma espécie de benção. De repente as palavras fizeram sentido na minha cabeça. Benção. Missão. Afinal quem eram essas pessoas?
– De na... – começou a falar Annabeth
– Quem são vocês? – Logo a interrompi, um favor a estranhos não merecia um “de nada”. Eles se olharam um pouco, mas por fim chegaram a um consenso.
– Eu sou Jason. – Disse um dos garotos, o loiro, também muito bonito. – E esses são Piper e Léo. – E quem são vocês?
– Eu sou Barbie e essa é Annabeth – digo logo sem cerimônias. – Porque vocês não se sentam conosco e nos contam por que Hades (obs: conhecem a expressão “por que diabos?”, então “por que Hades” é uma adaptação dela) tinha um monstro não identificado perseguindo vocês?
Sentamos em uma sombra de uma das árvores do Central Park e trocamos histórias. Jason tinha vindo do acampamento Júpiter (obs: para quem nunca leu Heróis do Olimpo Acampamento Júpiter parecido com o Meio-Sangue, porém nele moram semideuses romanos, filhos de Zeus, Poseidon, etc. em suas versões romanas como Júpiter e Netuno), mas não se lembrava do local, tudo que lembrava era de um dia acordar ao lado de Piper – sua namorada? -, e de Léo – um menino moreno, pequeno e bastante feio, além de tagarela -, em um ônibus escolar a caminho de uma excursão. Depois aconteceram mil e um fatos e os três acabaram no Acampamento Meio-Sangue, Piper filha de Afrodite – o que explica a beleza, bem inexplicável -, Léo filho de Hefesto e Jason filho de Júpiter, que corresponde a Zeus em Grego – sendo assim meu irmão-. Os três estavam em uma missão em busca da Deusa Hera que estava desaparecida, e não para por aí, Jason era irmão por parte de pai e mãe da caçadora Thalia Grace.
– Uau, bem com a gente foi mais ou menos assim – E eu comecei a contar a história desde o início não escondendo nenhum detalhe, não fazia sentido, uma vez que eles não ocultaram nada de nós. – E depois que a intrometida da Annabeth veio atrás de mim nós encontramos uma eternidade de monstros e as Parcas, depois entramos em um ônibus e aqui estamos nós.
– Intrometida nada, você sabe que precisa de mim para essa missão – diz Annabeth dando de ombros.
– Isso não vem em questão agora, não é mesmo loirinha? – digo cerrando os olhos.
– Não mesmo – diz Jason nos tirando de nosso conflito pessoal. – Então, se meus cálculos estão certos, nós somos irmãos? – disse me olhando nitidamente com aqueles olhos azuis, muito parecidos com os meus.
– Acho que sim – digo dando um sorriso torto, não era assim que eu esperava conhecer um irmão. Um silêncio tomou conta do lugar e mais para poder tirar os olhos dos dele olhei para meu relógio de pulso. Já eram quase sete horas da noite horas. – Santo Poseidon – digo levando a mão a boca. –, mas já é tão tarde? Pelo jeito vamos ter que dormir na cidade – olho para Annabeth que da um sinal de concordância com a cabeça. – E vocês, para onde vão?
– Realmente temos que ir agora, nosso prazo é curto. – Diz Léo.
– Realmente – concorda Piper quase se lamentando, Jason não tirou os olhos de mim um segundo. – Mas obrigada, por tudo, vocês nem fazem ideia de como ajudaram.
– Não há de que. – Respondo a garota. Depois vieram as despedidas, despedidas e despedidas. Todos fizemos um pacto no qual voltaríamos vivos ao Acampamento Meio-Sangue e ainda daríamos muita risada disso tudo – como se fosse possível -. Jason foi o último a se despedir de mim, não falou muita coisa, apenas sussurrou uma pequena frase para mim enquanto nos dávamos um ligeiro abraço.
– Tenho a impressão que nos veremos em breve e não será para rir de tudo isso, irmã. – Concordei com um aceno de cabeça. Eu também tinha tal pressentimento.
Eu e Annabeth rodamos e nos hospedamos em um hotel de alto luxo, que conseguimos pagar com um cartão de crédito muito interessante que ela tinha aparentemente de limite infinito – ela me contou que ganhou o objeto em sua primeira missão, onde foi acabar parando em um cassino chamado Lótus, que obviamente não era de donos mortais -. O que importa é que tínhamos camas confortáveis e comemos tudo do bom e do melhor. Eram dez horas da noite quando finalmente deitamos para dormir depois de analisar alguns mapas, quando eu disse.
– Beth, a gente vai ficar bem não vai?
– Não só vamos ficar bem, como vamos fazer Gaia pagar por tudo que nos fez, é uma promessa. – Parei para analisar por um segundo, talvez Annabeth não fosse tão ruim quanto eu imaginei.
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