Olhos de Prata - Série Encantados
3 Capítulo 3 - Bichinha
– VOCÊ ESTÁ DE BRINCADEIRA COMIGO?
– N-não, senhor.
– N-n-n-n-n-n-n, pare de gaguejar, Joyel.
– Pare de gritaaar, Joseph! — Judith se jogou dramaticamente numa poltrona de couro — eu estou ficando com dor de cabeça.
Me virei rispidamente para ela.
– O que acha que está fazendo? Você tem trabalho a fazer, Judith — senti meus olhos queimando pela vontade de matar, senti eles mudando de cor.
– Eu sei disso...
– Então pare de agir como madame!
– Oras! — ela levantou num pulinho um pouco infantil e me encarou como se realmente me desafiasse.
– Você acha que tenho medo de você e suas ameaças vazias e imbecis? — toquei os ombros dela com os dedos médios e indicadores, de ambos os lados, e a joguei de volta na poltrona — pois não tenho.
– Você não deveria me tratar assim.
Ela pareceu estar com a mesma vontade que eu, com a mesma mudança colorida dos olhos.
Eu a ignorei e olhei para Joyel e Tadeu novamente.
– Vocês são inúteis, sabem disso. Vão trabalhar direito — eles resmungaram um "sim, senhor" tremendo e se viraram para sair, mas eu reuni minha raiva por Judith e minha voz rimbombou como um trovão na cabana — vou picar o corpo inteiro de quem vier dizer que não as acharam. Só quero saber quando elas já estiverem capturadas!
Me sentei numa cadeira mais a frente de Judith, mas continuei de costas pra ela. Eu tinha que pensar em como Grace e Libbyann conseguiram fugir e ainda estarem vivas.
Não era possível. Estávamos numa floresta, e eu estava protegendo elas de possíveis ataques animais no meu acampamento, e os Sensores ainda diziam que elas estavam vivas.
Nenhum desses idiotas ousaria ajudá-las a escapar ou abrir a cabana propositalmente, e Libby estava no meu lado. Talvez ela quisesse privacidade com Grace para torturar a menina.
– As duas opções requerem castigo ao condutor.
– Pare de fazer citação da sua mãe, Joseph, e vá fazer seu trabalho.
Olhei para ela. Judith era esguia e elegante, tinha cabelos pretos, curtos e lustrosos, era morena e usava um tipo de roupa que sempre realçava esse fato. Ela usava kohl desde que eu a conheci, fazia ela parecer uma egípcia definitiva.
Se eu gostasse de mulheres, talvez eu fosse apaixonado por ela.
– Você nunca sabe quando calar a boca, não é Judith?
– E você sabe muito bem como tratar uma dama.
Ela é muito inteligente, e esperta. Por isso ainda a tenho no jogo, por que ela é de grande ajuda quando quer e por que é muito esperta para ser morta pelos meus guardas.
– Não acha que você tem que sair fazer algumas coisas?
Ela me olhou fundo e seus lindos olhos pretos se tornaram brancos.
Eu sorri.
Ela também.
– Nós seríamos amigos inseparáveis se não nos odiássemos, Joseph. Você torna tudo muito mais difícil, como sempre.
Eu bufei e comecei a mexer nos medalhões que estavam na bancada.
– É tudo culpa sua. — suspirei e olhei pra ela novamente — Você sabe disso.
Ela respirou fundo e revirou os olhos até fechá-los, passando a mão nos cabelos.
– Você simplesmente não me satisfez. — ela abriu os olhos e sorriu, com a cabeça caída no braço.
Aquilo absorveu toda a minha paciência e eu explodi.
– Você tem retardamento? Você é surda? Seus poderes absolutos de Alto fizeram você abdicar da memória? — eu cheguei até ela e a levantei pelo maxilar, até ficar frente a frente. — você é a única Alto que gosta de traições.
– Me...Solte. — ela estava rouca pela falta de ar, mas sorriu — não é você que está se deliciando com isso.
– Espero que Libbyann só puxe suas fortalezas, não as fraquezas.
Eu a soltei e ela caiu no chão com dois baques seguidos. Senti o olhar intrigado dela no meu pescoço, enquanto ela acariciava o dela.
– O que quer dizer com...
– Fraquezas? — eu revirei os olhos e joguei um medalhão na direção dela — olhe para a pedra.
– O que tem ela? Ela é verde. É uma esmeralda?
– Isso não importa. O que importa é que tem magia. Olhe pra ela. — repeti irritado.
– Ok, Jospeh. Olhei para ela, o que é? — ela largou as mãos em cima das pernas e me olhou cansada.
– Do que você está cansada, Judith?
– De vo...- ela travou — vo... — me olhou com claro desespero e com os olhos se arregalando.
– Viu? Cada pedra tem sua magia. Essa faz você falar a verdade. — eu sorri satisfeito para ela — jogue de volta.
Ela arremessou o medalhão direto na minha cabeça, mas eu o peguei. Ignorei a demonstração mal educada e continuei falando.
– Você ia dizer que estava cansada de mim. Mas não está.
Ela estava me encarando como uma criança que está recebendo bronca, com a cabeça baixa e os olhos pedindo desculpas. Ela estava envergonhada.
– O que isso tem a ver com fraquezas?
– Sua fraqueza é mentir. Sua fraqueza é ser quem você não é de verdade. — cheguei mais perto dela — sua fraqueza é sempre querer o que não tem.
Ela empinou o nariz e se levantou, fazendo com que eu me afastasse.
– E a sua fraqueza, Joseph, é ser um bichinha.
Ela me empurrou com o ombro e saiu da cabana.
Não importa o quão esperta ela seja, eu vou conseguir matar ela.
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