Olhos de Prata - Série Encantados

1 Capítulo 1 - Posso ficar com sua pele, por favor?


Notas iniciais
É uma fanfiction baseada no livro, por tanto, não tem no livro. Porém, é provável que exista futuramente em algum dos próximos livros. Livro: Olhos de Prata

– JURO POR QUALQUER MERDA QUE EU ACREDITE NESSE MUNDO, se Harvey não parar de arrancar a própria pele, vou desmaiar novamente.

– Grace, fica relaxada aí, gata! — Libby riu um pouco — você sabe que ele faz isso pra assustar o pessoal que ele aborda.

– Ah, se sei...

Há um ano, Harvey — o Alto mais temido de Encante — mudou a minha vida por completo. Libby, minha melhor amiga desde a infância, virou uma porra-louca e todos mudaram comigo.

Eu descobri que sou uma Encantada.

Bom, existem várias lendas brasileiras sobre os Encantados (BRASILEIRAS!! Eu sou um tipo de ser sobrenatural brasileiro! Vocês entendem o quão isso é legal?) e uma das características que tem em todas elas é de que os Encantados são possuidores de uma magia inexplicável, e que eles podem se transformar no que quiserem, sem juros nem nada.

Mas em todas essas lendas, existem regras, é como uma sociedade de Encantados. Existe o lugar Original, que é chamado de Encante; e um lugar Exilado, que é Ephahantes; Encante fica em cima do céu e invisível, como o Olimpo para os gregos, e Ephahantes não é bem uma cidade, é como se jogassem todos os Exilados em um lugar terrestre qualquer e dando um nome pra ele.

Eu sou uma Exilada. Eu vivo no Ephahantes de Maryland, em Aberdeen (SIM! Eu me sinto a garota de 19 anos mais sortuda da porra do mundo inteiro sabendo que nasci onde Kurt Cobain cresceu!)

Bem, quanto à ação de Harvey arrancar sua própria pele, ele fez isso pra me chamar a atenção. Ele fez isso bem no jardim de inverno da minha casa. De manhã. QUANDO EU ESTAVA INDO PRA MERDA DA FACULDADE.

Obrigada, Harvey.

Na verdade, Harvey não se chama Harvey; como ele é um Alto, se transformou em Harvey — irmão da Libby desaparecido quando tinha 17 anos — pra se aproximar de mim. O nome dele verdadeiro é Joseph Barnes.

Sim... Quando eu soube o nome dele, me lembrei daquele ator, o Ben Barnes. Porra, ele é muito lindo.

Os dois Barnes são, infelizmente.

– Libby, peça pra ele parar agora.

Ela me olhou com uma cara de desgosto enquanto segurava meu braço com força demais.

– Aliás, você está me m...

– ...machucando. Nhé, nhé, nhé — ela fez uma vozinha fina de criança — você não cansa de ser esse porre?

– Eu não sou porre! Você é que é uma vadia louca que sequestra as únicas pessoas que gostavam de você.

Ela sorriu de orelha a orelha, e eu me lembrei que ela se deliciava em escutar esse tipo de coisa.

– Sabe, Grace... Quando você fica calada, eu fico muito feliz. Mas muito mesmo. Só que quando diz essas coisas... — ela deu uma gargalhada parecida com a do Coringa.

– Você é psicótica.

– Sou. E se você não me obedecer, posso ser pior.

Ela me soltou e empurrou ao mesmo tempo, e eu caí de costas nos pés de Joseph.

– Querida. — Joseph estava totalmente sem pele, com a carne exposta. Eu estava quase vomitando.

– Não me chame de querida, Barnes. Não é como se eu estivesse aqui por escolha própria.

– Foi sim. Você escolheu isto.

– Não, eu não escolhi. Vocês só me deram essa opção.

Ele sorriu e me ofereceu a mão latejante e com sangue escorrendo.

– Acho que eu consigo me levan... — Joseph me agarrou pelo pescoço e eu esqueci do sangue e me concentrei em respirar, por que tava difícil.

– Você é tão irritante, Grace. Sua família é tão irritante. Os Atwood são, com uma única exceção do exemplar Ronald Billboard. — ele falou do meu meio-irmão como se o garoto fosse a melhor coisa do mundo.

Pra eles, ele era.

– Meu...irmã...o...não é... um bosta... como você. — ele me olhou com uma cara fascinada, aquele tipo de cara que você sabe quando uma pessoa já ficou louca.

Ele passou a outra mão ensanguentada pelo meu cabelo agora curto, e fez carinho pelo meu rosto, deixando um rastro de sangue por mim.

– Você não é importante, Grace. Você só é um caso pior de Exilada. Uma Exilada que só soube que era um sobrenatural lixo, aos 18 anos. — ele sorriu como se estivesse dando uma boa notícia — uma filha errada e não desejada, uma mestiça, uma híbrida, uma Renker! — ele urrou e apertou meu pescoço, levando-me até bater meu corpo no chão.- você não é importante.

Eu sabia que não era, eu sabia que, por mais que fosse eu a ter todas as novidades em menos de um ano na vida, meu irmão é que era a peça chave pra nossa existência ou nossa extinção.

Meu irmão é o gêmeo poderoso, não eu.