– VOCÊ ESTÁ DE BRINCADEIRA COMIGO?

– N-não, senhor.

– N-n-n-n-n-n-n, pare de gaguejar, Joyel.

– Pare de gritaaar, Joseph! — Judith se jogou dramaticamente numa poltrona de couro — eu estou ficando com dor de cabeça.

Me virei rispidamente para ela.

– O que acha que está fazendo? Você tem trabalho a fazer, Judith — senti meus olhos queimando pela vontade de matar, senti eles mudando de cor.

– Eu sei disso...

– Então pare de agir como madame!

– Oras! — ela levantou num pulinho um pouco infantil e me encarou como se realmente me desafiasse.

– Você acha que tenho medo de você e suas ameaças vazias e imbecis? — toquei os ombros dela com os dedos médios e indicadores, de ambos os lados, e a joguei de volta na poltrona — pois não tenho.

– Você não deveria me tratar assim.

Ela pareceu estar com a mesma vontade que eu, com a mesma mudança colorida dos olhos.

Eu a ignorei e olhei para Joyel e Tadeu novamente.

– Vocês são inúteis, sabem disso. Vão trabalhar direito — eles resmungaram um "sim, senhor" tremendo e se viraram para sair, mas eu reuni minha raiva por Judith e minha voz rimbombou como um trovão na cabana — vou picar o corpo inteiro de quem vier dizer que não as acharam. Só quero saber quando elas já estiverem capturadas!

Me sentei numa cadeira mais a frente de Judith, mas continuei de costas pra ela. Eu tinha que pensar em como Grace e Libbyann conseguiram fugir e ainda estarem vivas.

Não era possível. Estávamos numa floresta, e eu estava protegendo elas de possíveis ataques animais no meu acampamento, e os Sensores ainda diziam que elas estavam vivas.

Nenhum desses idiotas ousaria ajudá-las a escapar ou abrir a cabana propositalmente, e Libby estava no meu lado. Talvez ela quisesse privacidade com Grace para torturar a menina.

– As duas opções requerem castigo ao condutor.

– Pare de fazer citação da sua mãe, Joseph, e vá fazer seu trabalho.

Olhei para ela. Judith era esguia e elegante, tinha cabelos pretos, curtos e lustrosos, era morena e usava um tipo de roupa que sempre realçava esse fato. Ela usava kohl desde que eu a conheci, fazia ela parecer uma egípcia definitiva.

Se eu gostasse de mulheres, talvez eu fosse apaixonado por ela.

– Você nunca sabe quando calar a boca, não é Judith?

– E você sabe muito bem como tratar uma dama.

Ela é muito inteligente, e esperta. Por isso ainda a tenho no jogo, por que ela é de grande ajuda quando quer e por que é muito esperta para ser morta pelos meus guardas.

– Não acha que você tem que sair fazer algumas coisas?

Ela me olhou fundo e seus lindos olhos pretos se tornaram brancos.

Eu sorri.

Ela também.

– Nós seríamos amigos inseparáveis se não nos odiássemos, Joseph. Você torna tudo muito mais difícil, como sempre.

Eu bufei e comecei a mexer nos medalhões que estavam na bancada.

– É tudo culpa sua. — suspirei e olhei pra ela novamente — Você sabe disso.

Ela respirou fundo e revirou os olhos até fechá-los, passando a mão nos cabelos.

– Você simplesmente não me satisfez. — ela abriu os olhos e sorriu, com a cabeça caída no braço.

Aquilo absorveu toda a minha paciência e eu explodi.

– Você tem retardamento? Você é surda? Seus poderes absolutos de Alto fizeram você abdicar da memória? — eu cheguei até ela e a levantei pelo maxilar, até ficar frente a frente. — você é a única Alto que gosta de traições.

– Me...Solte. — ela estava rouca pela falta de ar, mas sorriu — não é você que está se deliciando com isso.

– Espero que Libbyann só puxe suas fortalezas, não as fraquezas.

Eu a soltei e ela caiu no chão com dois baques seguidos. Senti o olhar intrigado dela no meu pescoço, enquanto ela acariciava o dela.

– O que quer dizer com...

– Fraquezas? — eu revirei os olhos e joguei um medalhão na direção dela — olhe para a pedra.

– O que tem ela? Ela é verde. É uma esmeralda?

– Isso não importa. O que importa é que tem magia. Olhe pra ela. — repeti irritado.

– Ok, Jospeh. Olhei para ela, o que é? — ela largou as mãos em cima das pernas e me olhou cansada.

– Do que você está cansada, Judith?

– De vo...- ela travou — vo... — me olhou com claro desespero e com os olhos se arregalando.

– Viu? Cada pedra tem sua magia. Essa faz você falar a verdade. — eu sorri satisfeito para ela — jogue de volta.

Ela arremessou o medalhão direto na minha cabeça, mas eu o peguei. Ignorei a demonstração mal educada e continuei falando.

– Você ia dizer que estava cansada de mim. Mas não está.

Ela estava me encarando como uma criança que está recebendo bronca, com a cabeça baixa e os olhos pedindo desculpas. Ela estava envergonhada.

– O que isso tem a ver com fraquezas?

– Sua fraqueza é mentir. Sua fraqueza é ser quem você não é de verdade. — cheguei mais perto dela — sua fraqueza é sempre querer o que não tem.

Ela empinou o nariz e se levantou, fazendo com que eu me afastasse.

– E a sua fraqueza, Joseph, é ser um bichinha.

Ela me empurrou com o ombro e saiu da cabana.

Não importa o quão esperta ela seja, eu vou conseguir matar ela.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.