Notas iniciais
Oie :3 Essa é minha primeiríssima fanfic de Hunter x Hunter. Comecei a assistir o anime recentemente, acabando há pouco tempo o episódio 92. Ou seja, ainda não assisti tudo e não sei de algumas - ou muitas - coisas que acontecem nos próximos eps. Mesmo assim, eu decidi escrever essa one apenas para “distrair” os leitores. É apenas como eu imaginei que o Kurapika se sentiria caso sua vingança não tivesse o resultado esperado. Boa leitura ♥

Alguma vez você já se sentiu como um completo lixo? Perguntou-se por que continuar vivendo, procurando algum motivo que faça valer sua existência? É assim que eu me sinto agora. Um perdedor. Um Fraco. Subi mais um degrau da escada e parei. As lembranças ainda me atormentavam. Por quê? Por que eu ansiava tanto por isso? Não me trouxe a alegria e satisfação que eu achei que traria.

Eu estava perto. Só mais alguns degraus e tudo estaria acabado. Chegou a hora de por fim a toda essa vingança que só me fez mal. Que me deixou cego, colocando a vida dos meus próprios amigos em risco. Às vezes, questiono a mim mesmo sobre minha sanidade. Muitas vezes ela parecia faltar, como se escapasse por entre meus dedos.

Uvogin, Pakunoda, Chrollo... Tantas vidas que eu destruí. Eles tiveram o que mereceram, uma voz sussurrou no fundo da minha mente. Você venceu! A aranha não existe mais, todos estão mortos, por minha causa. Acabou. A aranha enfim acabou. Meus amigos podem descansar em paz. Então, por que eu não me sinto bem? Eu conquistei meu objetivo: destruí a aranha e recuperei os olhos vermelhos. Finalmente vinguei meus amigos, mas a um preço muito alto. Eu destruí os membros da aranha, repeti. Um por um.

— Eu... Matei todos — disse a mim mesmo, a voz falhando constantemente — Não sou melhor do que eles!

Mais um degrau. Minha cabeça dói muito. Eu sei que a dor não é só física, ela também se dava por conta dos inúmeros fantasmas na minha cabeça. Quando uma pessoa morre sentindo um profundo rancor, lembrei, o nen dessa pessoa permanece extremamente forte. O nen restante vai diretamente a vitima por ódio ou apego. Segurei minha testa com força, tentando a todo custo ignorar aquela enorme dor. Eu precisava continuar.

— Só mais um pouco — sussurrei.

Chegando ao terraço do prédio, pude ouvir o som dos veículos logo abaixo de mim. Senti a brisa gelada bater contra meu rosto e bagunçar meus cabelos. Dirigi, então, meu olhar para o céu noturno. Ele... Estava tão lindo! Com tantas estrelas que não seria possível contar nem se quisesse. Ao ver aquilo, automaticamente sorri. Um breve sorriso que durou apenas alguns segundos. Depois voltei a minha atenção para o que realmente importava naquele momento. Caminhei até o parapeito do prédio, olhando fixamente para o chão. E, antes que eu pudesse continuar, tive o privilégio de desfrutar de boas lembranças uma última vez:

“Fala comigo, senhor, tá tudo bem?”

“Não me chame de senhor. Eu me chamo Leório.”

“Ô coroa, quantos anos você tem?”

“Você quer se tornar médico.”

“Eu vou continuar correndo nem que tenha que ficar pelado!”

“Pega um machado e faz a mesma coisa que o Gon. Se não existe uma maneira, vamos encontrá-la.”

“Gon, por causa da corrida as rodas do meu skate arranharam. E aí, como é que vai ficar?”

“Ah, desculpa, Killua”

“Não, eu não te desculpo. Você vai ter que me emprestar a sua vara de pescar.”

“É maravilhoso ver a luz do sol de novo. Eu te agradeço como um líder. Muito obrigado.”

“Eu também te agradeço.”

“Você quer ser meu aliado, Leório?”

“A natureza de um macaco é obedecer sempre o mais forte. Eu sinto muito, amigo.”

“Não fala como se eu fosse o chefe dos macacos!”

“Me escuta, eu não sou seu dono não, viu amiguinho? Você pode ir onde você achar melhor.”

“E aí, você acha que ele entende o nosso idioma?”

“É um assunto de coração! Olha, você não precisa obedecer nenhum humano, ta bom? AGORA VAI. TCHAU!”

“Mas é graças a você que o Leório e eu estamos aqui hoje. Quer saber, Gon? Gostamos muito de você.”

“E eu também gosto de vocês.”

“Nós vamos nos tornar caçadores, nós três.”

“É. Kurapika, obrigado.”

“Eu não preciso de prova pra confiar em um amigo!”

“Obrigado por tudo, amigos. Foi muito bom conhecer vocês.”

“Então por que a gente não se encontra de novo, vejamos, o que acha na cidade de York? Dia primeiro de setembro.”

“Vou esperar ansiosamente por esse dia.”

“Isso que dizem que viajar acompanhado é mais divertido é verdade.”

“O que os olhos vermelhos significam pra você?”

“É bom te ver. Agora com a aranha morta, você pode se concentrar no que sempre quis: você tem que encontrar os olhos dos seus amigos.”

“Eu falei que a gente ia se ver de novo, eu não falei?”

“O que aconteceu? Você está horrível, sabia?”

“Você também, Killua.”

“E vocês. Deixa eu ver, Kurapika... Leólio...”

“Deixa de ser bobo!”

“Eu encontrei amigos maravilhosos.”

“Mesmo assim, Kurapika, eu quero te ajudar. É por isso que somos amigos. Você não está sozinho e sabe disso.”

“Gon, eu fiz isso por você. Quer dizer, por vocês. É minha maneira de mostrar o quanto eu agradeço por tudo.”

“Eu tenho muita sorte por ter bons amigos.”

— Gon, Leório, Killua, Senritsu... Me desculpem.

Fechei os olhos novamente com força, podendo sentir o líquido quente que saía deles molhar meu rosto. Passei as costas da mão nele, na tentativa inútil de secar as lágrimas. A lembrança de cada momento que passei ao lado dos meus amigos só aumentava a dor daquele momento. Minha vontade era de chorar alto, deixando as lágrimas descerem livremente. Eu só queria gritar. Gritar que está doendo... Mas eu apenas me contive, passando por tudo aquilo em silêncio.

— Sentirei saudades — Continuei, apertando com força minha camisa onde ficava meu coração — Eu nunca esquecerei vocês, amigos.

E num último sorriso, eu senti toda aquela dor passar. Eu queria dizer que tudo aconteceu de forma lenta, e que um filme, não só com os bons momentos da minha vida, mas também com os maus passou diante dos meus olhos... Mas não. Foi rápido e sem dor. Sem nenhuma luz, ou algo especial. Apenas as pessoas que se aproximavam para me ver, horrorizadas. Agora, eu não sentia mais nenhum tipo de dor, nem mesmo a física. Pelo contrário. Se eu pudesse descrever a morte... Descreveria como um alívio. Um livramento.

Mais uma vez, senti um líquido quente escorrer pelo meu rosto, mas dessa vez ele era extremamente vermelho, como os meus olhos deveriam estar naquele momento. O sangue escorria por meu nariz, minhas mãos e por outras partes do meu corpo que eu já não podia mais sentir. Eu sabia... Sabia que logo, logo aquele breve momento acabaria também.

Eu via o número de pessoas a minha frente aumentar rapidamente. Elas gritavam e falavam ao telefone, eu conseguia ouvir suas vozes, mas não entendia uma só palavra. Pude sentir minhas pálpebras começarem a pesar e minha visão ficar embaçada. E pela terceira vez, meus olhos se fecharam... Posso dizer com satisfação que pela última vez.

Quando eles morrem,

seus olhos permanecem vermelhos...

Notas finais
Err... eu acho que também não sei escrever drama, só acho. Mesmo assim me doeu bastante escrever essa fic, principalmente o final. Me desculpem qualquer erro ou incoerência. Espero que tenham gostado dessa simples “distração”. Se você gostou, sinta-se à vontade para deixar um review. Se não, comente também! (brincadeira :v :v) E obrigada por ler ♥ Um beijo, um queijo e tchau! o/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!